Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019

CONHECER ALVERCA DO RIBATEJO - UM OLHAR ABRANGENTE (Parte II)

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Caracterizada pela existência de herdades, quintas e casais, a produtividade económica de Alverca do Ribatejo, nos seus primórdios, dividia-se pela agricultura, a criação de gado, a pesca, o sal, os lagares de azeite e os fornos de cal.

Terra essencialmente agrária, fértil em água, as suas produtivas terras e grandes quintas resultavam na riqueza de múltiplos produtos agrícolas. Nas diferentes épocas do ano, produzia-se toda a espécie de frutos, com destaque para a laranja e a cereja, embora as árvores de maior predominância fossem o pinheiro e a oliveira, de onde se extraía azeite de óptima qualidade. O mesmo acontecia com a cultura da vinha.

Por esses anos (século XVIII e século XIX), a povoação contava com mais de 20 lagares de azeite e 30 lagares de vinho. Os lagares de azeite, alguns deles eram edificados junto às ribeiras e aos rios, casos da Verdelha e do rio Crós-Cós. De acordo com fontes históricas, dos últimos lagares de azeite a funcionar em Alverca, citam-se um lagar no Castelo (que serviu até há poucos anos de oficina de reparação de automóveis) e outro na Quinta do Galvão (hoje uma urbanização). Existe ainda uma fotografia, datada dos anos 60, que mostra um lagar de azeite situado na Formigueira. O último lagar de vinho, que funcionou até ao século XX, ficava no local conhecido por «casa do ferrador» (ao lado do Museu Municipal Núcleo de Alverca), prédio rústico, com lagar e adega, construído em 1775 (sobre o qual fiz referência num outro texto).

Na criação de gado, prevalecia o porco, as vacas leiteiras, as cabras e as ovelhas, revertendo grande parte do leite para o fabrico de queijos. Nos últimos anos do século XIX, o seu fabrico era quase exclusivo do lugar de Arcena, onde abundavam os grandes rebanhos, aproveitando os pastores dos seus riquíssimos pastos. Muito conhecidos e apreciados por quase todo o país, os queijos de Alverca do Ribatejo, em tempos mais recentes, chegavam a ser distribuídos, diariamente, pelos estabelecimentos da especialidade, em toda a cidade de Lisboa.

Também a extracção do sal, nas salinas, junto ao Tejo, constituía relevante importância, contribuindo, em grande parte, para a economia da terra. No Verão, chegavam a trabalhar nas salinas dezenas de salineiros, com a extracção do sal a atingir muitas toneladas por época. De excelente qualidade, era utilizado na alimentação e na indústria. A extracção efectuava-se em duas marinhas: na Marinha da Quintela (Forte da Casa) e na Marinha da Quinta das Drogas (Alverca do Ribatejo). Ao longo do tempo, com o desenvolvimento do Campo de Aviação e a fixação de novas indústrias, as salinas foram deixando de ter o valor e a importância de outros tempos.

Os fornos de cal (obtida pela calcinação de pedras a elevadas temperaturas), tinham também grande importância por essa época, quer para servir na construção (caiação), quer na agricultura (calda bordalesa: mistura de cal com sulfato de cobre, processo de curar a vinha contra o míldio e o oídio). Fornos que, para funcionar, necessitavam de considerável quantidade de mato. Foi quando um despacho real proíbe a limpeza das matas para protecção das caçadas. Devido à contestação, por motivos de carência, a proibição real é levantada, tendo em conta o prejuízo da cessação da produção necessária a todo o país e mesmo a Lisboa. Na vida social e económica, os «caeiros», na prestação da sua profissão, ombreavam com os carpinteiros, serradores e pedreiros, entre outros trabalhadores da construção civil. Segundo parece, os fornos de cal eram abundantes na nossa região, chegando a contar-se mais de 30. Em 1929, embora se desconheça hoje a sua localização, encontravam-se ainda em funcionamento 3 fornos de cal em Alverca do Ribatejo. Refira-se a existência, há uns anos, das ruínas de um forno situado em Arcena (zona do Castelo Picão).

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 22:55
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