Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019

CONHECER ALVERCA DO RIBATEJO - UM OLHAR ABRANGENTE (Parte I)

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«Nos tempos primitivos de Alverca do Ribatejo, os vestígios a que se tem acesso, e que acusam a presença humana na região, foram encontrados nas formações geográficas fluviais, cujo ponto mais elevado se situa na antiga Quinta do Pinheiro. Constituem-se por elementos de pedra lascada, a confirmar a ocupação dos terrenos junto do Tejo por grupos humanos, que deambulavam por esta zona, em busca de caça e de pesca, recolhendo, também, tudo o que a Natureza lhes punha à disposição.» Nas terras da Quinta do Pinheiro, localizada perto do Adarce (onde se situa agora uma zona industrial), ainda hoje pode ver-se o seu edifício solarengo, setecentista, com uma pequena capela,

Na época romana, Alverca, junto ao Tejo, foi local de concentração dos seus habitantes, por usufruir de um ponto de convergência de duas vias, uma que seguia o vale de Vialonga, pelo caminho mais favorecido de acesso a Lisboa (Olisipo), a outra, a contornar o rio na direcção da actual Póvoa de Santa Iria. Segundo os escritos, diversos achados arqueológicos constituem a prova de ter havido aqui, por essa época, «um povoado rico, com habitações revestidas a mármore e chão de mosaicos».

Ainda de acordo com os historiadores, é na Idade Média, após passar à ocupação Islâmica, que surge o nome de Alverca, a resultar do topónimo «Albirca» ou «Alborca» (que significa terra de muita água, alagadiça). Alverca, terá sido, pois, fundada pelos árabes e por eles desenvolvida, no final do século IX ou inícios do século X. O Tejo foi importante para esse progressivo desenvolvimento, sobretudo pela localização dos seus três portos, na confluência de igual número de esteiros (braços estreitos do rio que se estendiam pela terra dentro), pelos quais se fazia a ligação de pessoas e mercadorias. Certa também é a ocupação cristã durante a Reconquista.

A parte antiga de Alverca do Ribatejo, (nesses anos vila condado), corresponde à zona alta da cidade e seu sopé, a fazer parte do núcleo primitivo medieval, enquanto a sua ocupação, na parte da sua zona baixa, teve início na primeira metade do século XX. «Não se conhecendo foral, apenas é conhecida a sua carta de confirmação por D. Pedro I, em 1357.»

«O Foral é uma fonte importante para o estudo da formação dos concelhos medievais, servindo para confirmar o poder estabelecido e, sobretudo, para incutir na comunidade a existência de um poder maior que aquele constituído pelos povos». Mas Alverca nunca teve Foral, embora, até hoje, por uma questão histórica, tivesse sido incessante a sua procura. Por exemplo: «Em relação ao Foral supostamente doado por D. Afonso Henriques a Alverca, não se encontra qualquer referência à povoação. […] Deste modo, em vista de tudo quanto se apurou, pode afastar-se de forma concludente, a ideia da existência de um Foral doado por D. Afonso Henriques a Alverca. Apesar do desaparecimento de inúmeros documentos ao longo dos séculos, é difícil acreditar terem-se perdido três exemplares do mesmo Foral. E, mesmo que tal tivesse acontecido, teria de haver uma referência a tal diploma a mais que não fosse no índice dos Forais.»

Uma edição de 1825 da Torre do Tombo cita ser: «…necessário que ficasse hum dos três exemplares de cada um dos Forais que se expedião […]… um devia ficar na posse do senhor donatário – no caso de Alverca devia ser entregue ao Provedor das Capelas de D. Afonso IV (das quais num outro texto aqui publicado dei a respectiva explicação) – […], outro deveria ficar guardado na Câmara.»

Pois, mas a verdade é que Alverca do Ribatejo continua sem Foral. Será ainda preciso?

 

Soledade Martinho Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por sarrabal às 22:49
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