
POR DETRÁS DOS VIDROS DAS JANELAS
De que servem os versos
Perante a força bruta
De que servem os poemas
Quando o Inferno
Decidiu abrir as suas portas
Voltou para trás o calendário
E o Futuro fugiu para parte incerta.
Não passou de um sonho cúmplice
O tempo percorrido.
Entre sombras e leis enlouquecidas
Os corações deixaram de bater
Mas continuam vivos
À flor da sorte.
O pesadelo
Apenas se encontrava adormecido.
Extinguiu-se a luz que abraça os corpos
Somente as orações resistem
Murmuradas sob os mantos
A rejeitar a religião do mal
Os dogmas do Senhor das Trevas
A violação dos direitos humanos
O luto, a dor e a morte.
Há mães a esconder
O corpo e o rosto do olhar dos filhos
E filhos com saudade do olhar das mães.
Há mães que por temor ao inimigo
Entregam os filhos noutras mãos
Perante a esperança que advém do perigo.
Os céus adensam a penumbra
E cada vez é maior a escuridão
A impotência de impedir a dor
Neste reino governado pelo terror
Onde é negado à mulher o acto de existir.
O mundo
Não tem armas contra o medo.
Em busca da liberdade proibida
Como o canto de pássaros aflitos
Enquanto o resto do mundo
Parece não escutar o pranto
Correm sem destino os gritos
Da dignidade perdida e ofendida
Pelas praças, ruas e vielas.
Que vem
Da silhueta feminina
Refém
Atrás dos vidros das janelas.
Soledade Martinho Costa
Do livro Canções Contadas (parte III, poesia)
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