
Incomoda-me, sobremaneira, esta moda de tratarem os animais, cães e gatos, por filhos. Filhos são aqueles gerados no nosso ventre, que têm o nosso sangue, as nossas raízes, e serão o nosso prolongamento, um dia, quando partirmos desta vida. Deus distinguiu os animais racionais (os humanos) dos irracionais (os animais). É certo que não se apercebeu que há humanos, nos seus comportamentos, que mais parecem irracionais (compará-los aos animais até seria um ultraje), e animais que, pelo contrário, mostram característas verdadeiramente humanas, no sentido da palavra. E porquê? Porque Deus ou a Natureza, lhes concedeu o dom da inteligência. Só isso.
Admitindo que há donos de animais que são, ao mesmo tempo, pais e mães dos seus animais, gatos e cães, verificamos que não há pais donos dos filhos que geraram. E impõe-se a pergunta: de que maneira, denominam estas pessoas, os seus legítimos filhos, quando a eles se referem? Meus filhos?! Nossos filhos?! Exactamente como se referem aos gatos e aos cães que têm em casa? Já alguém perguntou a uma destas crianças, que tem por irmãos gatos e cães, o que pensa disto? Ser irmão de gatos e de cães, receber a mesma denominação e, por vezes, menos carinho e atenção dos seus progenitores, comparativamente à que é dispensada aos animais da casa?
Um cão ou um gato é um bicho, um animal, não é uma criança! Deve ser tratado com carinho, mas nunca da maneira risível que ouvimos e lemos por aí. Chamar-lhes filhos, meninos, meninas, bebés, ou dizer «vem à mamã» ou «vai ao papá», é cair no absurdo, na palhaçada, no ridículo. Não abona os adulto. Os animais merecem mais respeito. Já vi uma foto, normal, de um cão com uma expressão um pouco triste. Mas alguém teve uma ideia luminosa: a de colocar por baixo da foto esta legenda: «Fico sempre assim quando a minha mãe não me leva!»
Um vídeo que também vi, mostra um jovem sentado numa cadeira, em lugar público, com dois cães de porte razoável no colo. Dizia ele, bem zangado (porque alguém teria dito algo sobre os animais): «Olhe que eles têm pai e mãe para os defender, ouviu?!» Decerto não se referia à cadela e ao cão que os gerou, é evidente! Quando um «filho» destas mães adoece (gato ou cão), começa a ser normal ler-se nas redes sociais; «As melhoras do teu bebé!»
Mas não se pense que os cães e os gatos têm só pai e mãe! Não! Têm mais família: o absurdo chega ao ponto de lhes atribuírem um avô, uma avó e até uma tia (li há dias no Facebook, pelo facto de um gato ter sido levado para casa de um outro familiar: «a tia até chorou!».
À parte todo este absurdo, lembrem-se dos beijos na boca dos animais, gatos ou cães (um perigo e quase uma promiscuidade), e das lambidelas na cara de crianças e adultos (manifestações lindas de amor dos bichos para com os donos), mas a constituir outro perigo gravíssimo, porque as doenças não têm porta-voz. Um animal pode ter hoje saúde e estar doente amanhã. Pode ter as vacinas e os banhos em dia. Mas as doenças aparecem de um dia para o outro. Isto, sem falar nos pêlo na roupa e nas camas, onde muitos dormem com os donos. Ingeri-los sem dar por isso pode dar, mais tarde ou mais cedo, motivo ao aparecimento de quistos em qualquer parte do corpo onde o pêlo se alojou.
Para terminar, alerto para aquela tosse, que por vezes têm os gatos, chegando a espirrar. Atenção, quando tal acontecer: o animal pode ter os pulmões infectados. De uma coisa que parece banal, podem surgir graves problemas, tanto para os «pais» como para «as mães» e restante «família», dos «meninos», das «meninas» e dos «bebés», evidentemente!
Desde já aviso que não vou responder a comentários. Creio que teremos ainda liberdade de expressão. Ou não? Mas liberdade de expressão não é, com certeza, chamar filhos aos gatos e cães que têm em casa. A isso, se ainda não perceberam, chama-se falta de respeito para com os vossos verdadeiros filhos.
Soledade Martinho Costa
(Sem IA/ Com IN)
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