
Um grotesco chapéu
Posto sem arte
Um vestido sem cor
No corpo magro
E uma data
Perdida além do tempo
No jornal que espreitava pelo saco
Sempre agarrado à curva do seu braço.
Alcunhavam-na de louca
E o rapazio
Atirava-lhe pedras e chalaças.
Mas os seus gestos
Eram firmes e serenos
Pese a profunda abstracção
Dos outros e de si
A marcar o desinteresse
Em sua face.
Mal a noite caía
Perante o escárnio e o desdém
Ela chegava
No seu passo hesitante
Quase a medo
Ao recanto mais escondido do jardim.
E ali ficava
Submersa pelas sombras
Nesse jeito suspenso
De quem espera
Um encontro marcado com alguém.
Não sei se adormecia
Se sonhava
Apenas sei que mal a madrugada
Vinha acordar de Sol o seu segredo
Ela partia
Sabendo que voltava.
Soledade Martinho Costa
Do livro Um Piano ao fim da Tarde
Foto: Tatiana
. LEZÍRIA
. RÁCICO
. 3 DE FEVEREIRO - SÃO BRÁS...
. 2 DE FEVEREIRO - FESTA DA...
. 20 DE JANEIRO - SÃO SEBAS...
. 6 DE JANEIRO - DIA DE REI...
. FESTA DO MENINO - 1 DE JA...
. TRADIÇÕES - AS «JANEIRAS»...
. PORTUGAL DESCONHECIDO - A...
. TRADIÇÕES DO NATAL - AS F...
. A QUARTA SEMANA DO ADVENT...
. PORTUGAL DESCONHECIDO - T...
. TALVEZ
. ESPERAR
. 2 DE NOVEMBRO - DIA DOS F...
. BLOGUES A VISITAR