
A data para esta celebração, fixada no ano de 1164, a 6 de Janeiro, pretende assinalar a viagem dos Três Reis Magos, vindos, segundo o Evangelho, dos seus longínquos países do Oriente, até Belém, guiados por uma estrela, para render homenagem e oferecer os seus presentes a Cristo recém-nascido.
De seus nomes Gaspar (de olhos amendoados e barba fina), Baltasar (negro e imponente) e Melchior (o mais velho dos três, de longa barba branca), os Reis Magos pagãos simbolizam a riqueza, o poder, a ciência e a homenagem de todos os povos da Terra a Cristo Redentor.
Paramentados com as suas preciosas vestes e trazendo os seus tesouros, assim se apresentaram perante o Menino – até aí adorado apenas por pastores –, a quem ofereceram, além dos presentes, um deles três libras de oiro (para o Rei), o outro três libras de incenso (para o Deus) e o outro ainda três libras de mirra (para os restos mortais do Homem).
Segundo a tradição, no século VI, os preciosos restos mortais dos Três Reis Magos repousavam, na igreja de Santo Eustórgio, em Roma. Mas porque em meados do século XII o imperador do Sacro Império Romano-Germânico Frederico Barba-Ruiva (1152-1190) tivesse invadido esta cidade, apoderando-se das sagradas relíquias, estas foram trasladadas em 1164 para a primitiva catedral gótica de Colónia, na Alemanha, por decisão do seu arcebispo Rainald Von Dassel.
As veneráveis relíquias foram então colocadas num sumptuoso relicário ou urna de ouro e pedras preciosas, ostentando na parte frontal a cena da Adoração dos três Reis Magos.
Em 1248 edificou-se a actual Catedral, considerada a mais bela e alta catedral do Mundo, que se tornou no maior centro de peregrinação da Idade Média. A sua construção foi dada por terminada apenas em 1880, acrescida da edificação das suas grandiosas e rendilhadas torres, durante o reinado de Guilherme I da Prússia.
São também os Reis que baptizam o manjar cerimonial da doçaria alimentar desta data: o «Bolo-Rei», espécie de pão doce recheado e enfeitado com frutos secos e cristalizados, cuja tradição se espalhou por quase toda a Europa e alguns países da América (particularmente da América Latina).
Supostamente, a resultar do bolo janual, que os Romanos ofereciam e trocavam entre si nas festas do primeiro dia do Ano Novo. Ao bolo juntavam um ramo de verdura colhido num bosque dedicado à deusa Strénia ou Strena.
Do nome da deusa resultará o vocábulo francês étrenne (que significa “presente de Ano Novo”) e a palavra ”estreias”, termo que, em certas localidades do nosso país, continua a utilizar-se para definir o acto de oferecer presentes de “boas festas” (“dar as estreias”).
Ao bolo janual e ao ramo de verdura acrescentavam os Romanos pequenas lembranças (tâmaras, figos, mel), com votos de bom ano, paz e felicidade. Este costume tornou-se, entretanto, mais exigente, acabando o oiro e a prata por substituir os singelos presentes.
Em diversos países foi hábito durante muito tempo introduzir no bolo uma pequena cruz de porcelana (que se juntava à fava), substituída depois por minúsculas figurinhas humanas. Tradição que se manteve entre nós (agora raramente) introduzindo no bolo um qualquer objecto minúsculo apropriado para esse efeito.
Outra versão para a proveniência do «bolo-rei» assenta na seguinte lenda: «Quando os três Reis Magos, vindos dos seus longínquos países, chegaram junto da humilde manjedoura de Belém, não sabiam qual deles deveria ser o primeiro a oferecer os seus presentes a Cristo recém-nascido. Um padeiro de Jerusalém, lembrou-se então de fazer um bolo, onde introduziu uma fava (símbolo dos segredos da vida e do destino do Homem), que repartiu pelos três. Aquele a quem coube a fava, foi aquele que primeiro ofereceu os seus presentes ao Menino Deus.»
É ainda no Dia de Reis que se desmontam os presépios e as árvores de Natal. Manda também o preceito que este dia constitua a data limite para desejar-se ou retribuir-se os votos de Boas Festas e proceder-se à oferta ou retribuição de presentes.
Soledade Martinho Costa
Tela: Jacques-Joseph Tissot
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