Nasceu na Arménia por volta do século III. Médico de profissão, a sua fama de santo espalhou-se, rapidamente, entre a comunidade cristã de Sebaste, da qual foi pastor por morte do antigo bispo. Por sua decisão, não aceitou o palácio episcopal, continuando a habitar a gruta que lhe servia de casa, no monte Argeu. Num trabalho constante em favor dos pobres e dos enfermos, apenas descia à cidade quando as obrigações humanas e o zelo pastoral o reclamavam.
Na altura da perseguição aos cristãos em 323, São Brás, conhecido pela sua extrema bondade, santidade e milagres, é preso pelo anticristão Agrícola, que governava a Capadócia e a Arménia, e obrigado a adorar os deuses pagãos. Negou-se São Brás. Foi açoitado, posto no acúleo (cavalete de tortura), submetido aos «garfos» com puas de ferro e lançado a um lago de água gelada, sendo, por fim, degolado.
O corpo, recolhido pelos cristãos, terá sido colocado numa pequena igreja em Sebaste. Mais tarde, as suas relíquias foram trasladadas para a actual basílica, cuja localização recebeu o nome de Monte São Brás. É considerado o protector contra as doenças de garganta porque, segundo as actas da sua vida, salvou da morte um menino em cuja garganta se alojara uma espinha.
Até ao século XI São Brás não entra no calendário litúrgico romano. A partir daí, começa a ter lugar nele pela grande devoção que passou a ser-lhe dedicada em Roma, onde lhe erigiram trinta e cinco igrejas. As actas da sua vida e martírio datam do século IX. Por muitos se contam também os milagres que operou nos animais. Os cardadores invocam-no como seu patrono, devido a ter sido martirizado com os «pentes» de ferro, objectos que utilizam na sua profissão. Figura entre os catorze santos auxiliadores.
As práticas associadas ao dia de São Brás, além das cerimónias litúrgicas e dos festejos, assentam, principalmente, no cumprimento de promessas e na bênção dos animais, levados às muitas igrejas e capelas erigidas ao santo, um pouco por todo o lado, em cidades, vilas e aldeias portuguesas. Assim acontece, entre outras localidades, em Gomide, Santa Cruz do Bispo, São Jorge de Selho, Montes de São Brás, Serpins, Évora, Arco da Calheta e Campanário (Madeira).
À semelhança do dia de S. Sebastião (20 de Janeiro) e dia de São Vicente (22 de Janeiro ), o dia de São Brás representa, ainda, em certos locais, a proximidade da quadra carnavalesca. Casos de Lousada (Porto ), com o «atirar dos brilhantes» (papelinhos de Carnaval) e da Nazaré, com a tradicional romaria anual à capela do santo, no monte de São Brás, em ranchos de «ensaiados» (designação que se dá ali aos mascarados). De referir ainda a subida ao monte de São Brás, em Resende (Viseu), onde se fazem as tradicionais «falachas» em louvor do santo, bolos feitos com castanhas.
Já na aldeia de Mourilhe (Montalegre), a manter a antiga praxe, o pároco procede à bênção do pão e da água, o primeiro levado pelos devotos, a segunda oferecida na igreja, mas a ser transportada depois pelos fiéis para casa, juntamente com o pão, para servirem a fins profilácticos.
Manda o preceito que após a bênção os devotos comam um pedacinho de pão e bebam um pouco de água, terminando o ritual com o pároco a colocar duas velas bentas apagadas, postas em cruz sobre as gargantas dos devotos, enquanto é feita uma oração de invocação ao santo.
Cada crente leva também no regresso a casa, uma vela benta para ser acesa quando há tempestades ou alguém está doente. Neste caso, toca-se a pessoa apenas com a vela, costume que se aplica, igualmente, aos animais. Esta prática, assenta na tradição popular de que «a mãe da criança a quem o santo salvou a vida, lhe terá levado velas, quando São Brás esteve encarcerado».
Regista-se ainda em Mourilhe o uso de «beijar as relíquias de São Brás» – uma antiga cruz de prata com pequeninos relicários embutidos na base.
Soledade Martinho Costa
Do livro «Festas e Tradições Portuguesas», Vol.II
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