
Representa a cerimónia litúrgica celebrada no dia 2 de Fevereiro (também chamada Festa de Nossa Senhora das Candeias, de Nossa Senhora da Piedade, de Nossa Senhora da Luz ou Festa da Fevereirinha), em que a Igreja comemora a Purificação de Nossa Senhora, quarenta dias após o nascimento de seu Divino Filho, quando se apresentou no templo do Senhor, cumprindo uma das duas leis – em obediência à lei moisaica (de Moisés) – que Deus impôs no Antigo Testamento.
A primeira lei obrigava a mulher que desse à luz uma criança do sexo masculino a ficar privada de entrar no Templo durante quarenta dias a seguir ao parto. No caso de se tratar de uma menina, seriam oitenta os dias necessários à purificação da mãe.
Passado esse tempo, em que esteve recolhida e impura, deveria a mulher apresentar-se no Templo e oferecer, simbolicamente, um cordeiro e duas rolas (ou dois pombinhos) ao sacerdote, pedindo-lhe para rezar em seu favor. Após este ritual, a mulher voltava a ser aceite na comunhão dos fiéis, da qual havia sido excluída devido ao parto.
A segunda lei impunha que todos os pais da tribo de Levi dedicassem o filho primogénito ao serviço de Deus, enquanto os pais das crianças que não pertenciam a essa tribo ficavam obrigados ao pagamento de um tributo. (Levi foi o terceiro filho do patriarca hebreu Jacob e de Lia, cujos doze filhos fundaram as doze tribos de Israel).
A Virgem sujeitou-se com humildade à lei, conquanto a sua maternidade fosse, sob todos os aspectos, diferente da maternidade das outras mulheres, facto que, legalmente, não a obrigava ao seu cumprimento. Todavia, ela apresenta-se no Templo, sendo ainda de origem nobre, como directa descendente de David, rei de todo o povo Judeu, que fundou Jerusalém no século X a. C. (sagrado por Samuel, juiz de Israel, sucedendo a seu sogro Saul, primeiro rei dos Israelitas, deposto por ter desobedecido às leis de Jeová – nome de Deus na língua hebraica).
A Virgem apresenta-se no Templo de Jerusalém levando consigo dois pombinhos e seu filho (transportado pelo velho Simeão, judeu que, segundo São Lucas, entoou no Templo, em louvor do Messias, o cântico Nunc dimittis), e sujeita-O à lei da circuncisão
Em memória e veneração deste acto da Mãe de Deus, em obediência às leis do seu povo, reservava a Igreja católica, outrora, uma bênção especial às parturientes que se apresentavam neste dia nos templos acompanhadas dos filhos.
Era também na Festa da Candelária que, antigamente, nas igrejas, antes da celebração da missa, se procedia à «bênção das candeias», levadas depois em procissão.
Em comemoração do sagrado acontecimento, continuam a ser organizadas nesta data, um pouco por todo o mundo cristão, procissões solenes em que são levadas velas acesas, simbolizando Jesus Cristo «como a Verdadeira Luz, que veio para iluminar os povos» – conforme as palavras de Simeão.
A Candelarum (Festa das Candeias) terá começado no Oriente, primeiramente celebrada em Constantinopla e depois em Jerusalém e Antioquia, embora este género de procissão de velas fosse comum às restantes festividades litúrgicas (vigílias e procissões nocturnas em honra de Nossa Senhora).
Posteriormente adoptada em Roma, instituída pelo papa Gelásio I no ano 492, a Candelária, em louvor da Purificação da Virgem, impõe aos Romanos, para que pudessem beneficiar das importantes indulgências pontifícias, que se constituíssem numa longa procissão, levando candeias, mais tarde substituídas por velas.
No final da cerimónia, as extremidades das velas não consumidas eram preciosamente guardadas pelos devotos, visto, de acordo com a crença popular, possuírem poderes para «preservar a casa do infortúnio e proporcionar boa saúde e prosperidade material até ao ano imediato».
Supostamente, Gelásio I terá instituído esta festa da Igreja para substituir as Lupercais, efectuadas pelos pagãos nos primeiros dias de Fevereiro, dedicadas a Luperco, deus protector dos rebanhos contra os lobos, festas suprimidas por completo no século V pelo mesmo papa.
Já na antiga Roma tinham lugar, nos primeiros doze dias de Fevereiro, várias cerimónias fúnebres, em que os Romanos, em memória dos familiares falecidos, acendiam fogos e velas ao redor das sepulturas.
Durante esses dias o dia 1 de Fevereiro era particularmente comemorado pelos Romanos com a Festa da Purificação, associada ao final do Inverno, embora de igual modo, dedicada aos mortos.
Também os Celtas, nas Festas do Imbloc (realizadas na chamada «estação fria») celebravam no dia 1 de Fevereiro a Festa da Purificação do Inverno, que relacionavam com o nascimento e lactação do gado lanígero, cerimonial substituído depois (já na era cristã) pela Festa de Santa Brígida, à qual se seguiu, entretanto, a Festa da Senhora das Candeias.
Os Celtas constituíam um povo de raça indo-germânica, espalhado em grandes migrações nos tempos pré-históricos, particularmente na Europa-Central, depois na Gália, na Península Ibérica e nas ilhas Britânicas. Anexados pelos Romanos, conservam-se deles, ainda hoje, os costumes e a velha linguagem (na Bretanha, País de Gales e Irlanda), sendo muitos os sinais célticos que nos indicam a presença das suas reminiscências culturais em Portugal.
Soledade Martinho Costa
Do livro «Festas e Tradições Portuguesas», Vol.II
Ed. Círculo de Leitores
Tela: Philippe Champaigne
. SEGREDOS
. HOJE
. LEZÍRIA
. RÁCICO
. 3 DE FEVEREIRO - SÃO BRÁS...
. 2 DE FEVEREIRO - FESTA DA...
. 20 DE JANEIRO - SÃO SEBAS...
. 6 DE JANEIRO - DIA DE REI...
. FESTA DO MENINO - 1 DE JA...
. TRADIÇÕES - AS «JANEIRAS»...
. PORTUGAL DESCONHECIDO - A...
. TRADIÇÕES DO NATAL - AS F...
. A QUARTA SEMANA DO ADVENT...
. PORTUGAL DESCONHECIDO - T...
. TALVEZ
. BLOGUES A VISITAR