
Nasceu em Narbona (Itália), recebendo o cognome de «Defensor da Igreja» pelos feitos e milagres que realizou em defesa da fé. Advogado da peste, da fome e da guerra, humilde, afável, generoso, conhece os favores do imperador Diocleciano, que o nomeia capitão da primeira companhia das guardas. Devido à imunidade que lhe dava esse posto, pode Sebastião proteger e socorrer muitos cristãos, principalmente os que se encontravam encarcerados. Muitos foram também aqueles a quem converteu, contando-se entre eles o primeiro-escrivão do tribunal, o carcereiro e o próprio Cromácio, governador de Roma.
A perseguição aumenta, e muitos dos seus amigos são sacrificados. Fabiano, sucessor de Cromácio, ao descobrir que Sebastião protege e converte os pagãos, não se atrevendo a prendê-lo, informa o imperador. É então que Sebastião tenta converter Diocleciano, dizendo-lhe que só devia adorar e servir «o único e verdadeiro Deus».
Furioso, o imperador romano manda que Sebastião seja amarrado a um poste e atravessado com flechas pelos próprios soldados da sua guarda. A ordem é cruelmente cumprida, mas na manhã seguinte, Sebastião ainda está vivo. Socorrido por uma boa mulher, em poucos dias sara as feridas. Pouco depois, dirige-se ao palácio e volta a falar com o imperador, que se mostra surpreendido ao vê-lo vivo. Sebastião tenta de novo converter Diocleciano do seu erro, mas o imperador manda de imediato executá-lo, desta vez com varas, no meio do maior suplício. Corria o ano 288, tendo o seu corpo sido arrojado a um lugar imundo.
Após a sua morte, diz-se que apareceu a uma cristã de nome Luciana, pedindo-lhe que fosse buscar o seu corpo e o enterrasse no Cemitério de Calisto, em Roma.
Soledade Martinho Costa
Do livro Festas e Tradições Portuguesas, Vol.I
Ed. Círculo de Leitores
São Sebastião, escultura portuguesa do século XVIII

A data para esta celebração, fixada no ano de 1164, a 6 de Janeiro, pretende assinalar a viagem dos Três Reis Magos, vindos, segundo o Evangelho, dos seus longínquos países do Oriente, até Belém, guiados por uma estrela, para render homenagem e oferecer os seus presentes a Cristo recém-nascido.
De seus nomes Gaspar (de olhos amendoados e barba fina), Baltasar (negro e imponente) e Melchior (o mais velho dos três, de longa barba branca), os Reis Magos pagãos simbolizam a riqueza, o poder, a ciência e a homenagem de todos os povos da Terra a Cristo Redentor.
Paramentados com as suas preciosas vestes e trazendo os seus tesouros, assim se apresentaram perante o Menino – até aí adorado apenas por pastores –, a quem ofereceram, além dos presentes, um deles três libras de oiro (para o Rei), o outro três libras de incenso (para o Deus) e o outro ainda três libras de mirra (para os restos mortais do Homem).
Segundo a tradição, no século VI, os preciosos restos mortais dos Três Reis Magos repousavam, na igreja de Santo Eustórgio, em Roma. Mas porque em meados do século XII o imperador do Sacro Império Romano-Germânico Frederico Barba-Ruiva (1152-1190) tivesse invadido esta cidade, apoderando-se das sagradas relíquias, estas foram trasladadas em 1164 para a primitiva catedral gótica de Colónia, na Alemanha, por decisão do seu arcebispo Rainald Von Dassel.
As veneráveis relíquias foram então colocadas num sumptuoso relicário ou urna de ouro e pedras preciosas, ostentando na parte frontal a cena da Adoração dos três Reis Magos.
Em 1248 edificou-se a actual Catedral, considerada a mais bela e alta catedral do Mundo, que se tornou no maior centro de peregrinação da Idade Média. A sua construção foi dada por terminada apenas em 1880, acrescida da edificação das suas grandiosas e rendilhadas torres, durante o reinado de Guilherme I da Prússia.
São também os Reis que baptizam o manjar cerimonial da doçaria alimentar desta data: o «Bolo-Rei», espécie de pão doce recheado e enfeitado com frutos secos e cristalizados, cuja tradição se espalhou por quase toda a Europa e alguns países da América (particularmente da América Latina).
Supostamente, a resultar do bolo janual, que os Romanos ofereciam e trocavam entre si nas festas do primeiro dia do Ano Novo. Ao bolo juntavam um ramo de verdura colhido num bosque dedicado à deusa Strénia ou Strena.
Do nome da deusa resultará o vocábulo francês étrenne (que significa “presente de Ano Novo”) e a palavra ”estreias”, termo que, em certas localidades do nosso país, continua a utilizar-se para definir o acto de oferecer presentes de “boas festas” (“dar as estreias”).
Ao bolo janual e ao ramo de verdura acrescentavam os Romanos pequenas lembranças (tâmaras, figos, mel), com votos de bom ano, paz e felicidade. Este costume tornou-se, entretanto, mais exigente, acabando o oiro e a prata por substituir os singelos presentes.
Em diversos países foi hábito durante muito tempo introduzir no bolo uma pequena cruz de porcelana (que se juntava à fava), substituída depois por minúsculas figurinhas humanas. Tradição que se manteve entre nós (agora raramente) introduzindo no bolo um qualquer objecto minúsculo apropriado para esse efeito.
Outra versão para a proveniência do «bolo-rei» assenta na seguinte lenda: «Quando os três Reis Magos, vindos dos seus longínquos países, chegaram junto da humilde manjedoura de Belém, não sabiam qual deles deveria ser o primeiro a oferecer os seus presentes a Cristo recém-nascido. Um padeiro de Jerusalém, lembrou-se então de fazer um bolo, onde introduziu uma fava (símbolo dos segredos da vida e do destino do Homem), que repartiu pelos três. Aquele a quem coube a fava, foi aquele que primeiro ofereceu os seus presentes ao Menino Deus.»
É ainda no Dia de Reis que se desmontam os presépios e as árvores de Natal. Manda também o preceito que este dia constitua a data limite para desejar-se ou retribuir-se os votos de Boas Festas e proceder-se à oferta ou retribuição de presentes.
Soledade Martinho Costa
Tela: Jacques-Joseph Tissot
Hei-de voltar
Um dia ao Alentejo
Que de saudades
Eu não posso mais.
Para sentir no rosto
O beijo aceso
Do vento
Quando volta dos trigais.
Hei-de voltar
Um dia ao Alentejo
Ao canto das cigarras
Pelo Verão.
Ao vulto dos pastores
Que se demoram
À procura da sombra
Pelo chão.
Hei-de voltar
Um dia
Eu sei que volto.
Para rever os meus
E a minha casa
A minha terra amiga
Como brasa
Onde a espiga
Se transforma em pão.
Alentejo
Da urze e das estevas
Das ceifas
Dos rebanhos
Dos montados
Dos tarros
Dos safões
Dos medronheiros
Do silêncio e do Sol
Na cal pousados.
Meu Alentejo
Meu país de sede
De cânticos dolentes
Ancestrais.
Meu Alentejo
Meu país sem medo
Que de saudades
Eu não posso mais
Soledade Martinho Costa
(Do CD «Contra a Corrente», cantado por Jorge Goes, com música de Zé Cid)
Foto: José Pinheiro

Uiva a fome do lobo
Ao rés da alcateia.
A terra
Embala ao seio
O sono das sementes
Há cheiros
E rumores
De nozes e avelãs.
Janeiro
Acorda o canto
Das bicas do azeite
Percorrem os Reis Magos
A coroa das romãs.
Soledade Martinho Costa
Foto: Carmen Maria Movilha

A TODOS OS LEITORES E SEGUIDORES DO SARRABAL DESEJO UM FELIZ NOVO ANO 2026
Soledade Martinho Costa
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