Quinta-feira, 20 de Novembro de 2025

TALVEZ

581204_365653646821227_172487282804532_1009688_182Hoje que a tempestade

Parece ter passado

E deixado o firmamento

Com o azul de outrora

Que as nuvens de um cinzento

Mais carregado

Abandonaram o céu desta incerteza

Talvez o tempo me permita agora

Respirar outros aromas

Colher uma flor na aridez dos montes

Deixar que ao meu encontro venha a paz

Que faz sonhar caminhos, metas, horizontes.

 

Dizer que se é feliz

É utopia

Pior. Dizer que se é feliz

É um pecado.

 

Não o direi jamais

Jamais repetirei essa loucura.

 

Em silêncio de monja

Em clausura

Impõe-se guardar recato

Do que de bom o destino nos traçou.

 

A vida não aceita

Que se confesse

De forma aberta e pura

O que nos vai na alma

O que alcançámos e veio ao nosso encontro

Para nos dar um pouco de ventura.

 

Soledade Martinho Costa

 

publicado por sarrabal às 19:18
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Segunda-feira, 3 de Novembro de 2025

ESPERAR

523028_334648669941921_726220666_n.jpgEsperar

Esperar sempre

Mesmo

Quando já nada se espera

E desespera.

 

Mesmo

Quando o desespero

Nos condena

Ao cumprimento de uma pena

Sem metas e sem rumo

Igual ao peregrino

Caminhar sem rota de um romeiro.

 

Sem grades

Sem muros

Sem a chave

Na mão do carcereiro.

 

Ainda assim

Cativo

O meu olhar

Refém do que procuro

Busca o farol

A luz

A chama

Que teima

Em decifrar

A razão do destino

Onde ainda me aventuro.

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro Um Piano ao Fim da Tarde

Edições Sarrabal

 

publicado por sarrabal às 21:51
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Domingo, 2 de Novembro de 2025

2 DE NOVEMBRO - DIA DOS FIÉIS DEFUNTOS - CATACUMBAS E COLUMBÁRIOS

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Nas celebrações do Dia dos Fiéis Defuntos, ou Dia de Finados, no dia 2 de Novembro, são evidentes os vestígios dos antigos rituais dos mortos efectuados pelas associações funerárias de Roma – as Columbaria – (de entre as quais, mais tarde, se formou a Igreja), que tinham a seu cargo os «columbários», locais subterrâneos guarnecidos de nichos, onde os romanos colocavam as urnas funerárias que continham as cinzas das pessoas incineradas, uma vez que na Antiguidade, Gregos e Romanos, queimavam os corpos dos falecidos, somente deles conservando as cinzas. Ao contrário, os primeiros cristãos, começaram por enterrar os seus mortos, segundo os princípios da nova fé, continuando uma tradição antiga vinda do Oriente e seguida pelos Etruscos.

Com as constantes execuções dos cristãos (que se recusavam adorar os deuses da religião pagã grega e romana), e não possuindo estes condições para adquirir terrenos destinados aos cemitérios, foram-lhes cedidos campos por ricos proprietários também eles cristãos. Mas nem assim foram suficientes esses vastos cemitérios. Daí, começarem a ser utilizadas as catacumbas (de início pedreiras abandonadas), que depressa se transformaram em cemitérios subterrâneos, mantidos até à vigência do imperador Constantino. Ali se escondiam os primeiros cristãos, junto dos seus mártires, tornando-se esses lugares, principalmente a partir do século II, locais onde se efectuavam os ritos religiosos e fúnebres e enterravam os mortos. Era também nas catacumbas (do grego katá – para baixo – e tumbos – tumba, túmulo) que os primeiros diáconos procediam ao baptismo, difundiam a nova religião, entoavam os seus cânticos e relembravam a Ceia de Jesus Cristo e dos Apóstolos.

Escavados na rocha, com nichos nas paredes (os loculi) a diferentes alturas, ali eram deitados os corpos, com a entrada de cada nicho fechada hermeticamente com uma pedra. Nela se inscrevia o nome do morto, a idade e uma breve alusão. Um «M» na pedra queria dizer que a pessoa tinha sido martirizada, enquanto os grandes mártires apresentavam a palavra por extenso.

Perseguidos, mortos e presos, com os próprios papas a serem decapitados, os cristãos continuaram a ser vítimas dos povos bárbaros que invadiram Roma. Nessa altura, as sepulturas das catacumbas foram violadas, circunstância que deu motivo aos papas para mandarem distribuir as relíquias dos corpos santos por toda a Cristandade. Sem os seus mortos e mártires, as catacumbas foram abandonadas no século V, tendo caído, entretanto, no esquecimento – se bem que redescobertas no século XVI, segundo parece sem grande relevo para tão significativo achado. Apesar dos estragos do tempo, podem ainda observar-se nelas as primeiras pinturas de arte cristã, com as inscrições que as acompanham feitas em grego. As mais antigas (século I) apresentam, principalmente, símbolos: o pão, a pomba, a cruz, a âncora (símbolo da vida eterna) e o peixe, que representa Cristo.

O culto dos mortos no dia que lhes é dedicado, traduzido em ritos diversos, com a romagem aos cemitérios, a oferta de flores e a colocação de velas sobre as campas, é comum a todas as épocas e povos, sendo prática corrente e actual tais celebrações, costumes e crenças em todos os países da Europa, onde se acredita, embora com variantes locais, que «no dia consagrado aos mortos as suas almas, isoladas ou em grupo, visitam na terra os lugares que habitaram em vida».

O chamado «altar das almas», é representado nas igrejas pelo altar de São Miguel Arcanjo (ou apenas com a sua imagem), tendo como símbolo a «balança das almas», que o Príncipe da Milícia Celeste segura na mão. Também as flores foram apenas introduzidas nos funerais provavelmente a partir do século XVIII. Até aí, somente eram permitidas nos esquifes das crianças com idade não superior a sete anos.

Soledade Martinho Costa

Do livro «Festas e Tradições Portuguesas», Vol. VIII

Ed. Círculo de Leitores

Imagem: São Miguel Arcanjo, Guido Renni

publicado por sarrabal às 14:36
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Sábado, 1 de Novembro de 2025

CALENDÁRIO - NOVEMBRO

NOVEMBRO 3.jpgO céu

Retém ainda

O voo das cegonhas.

 

Acendem-se braseiras

De histórias

E de mosto

Regressam as castanhas

No bico do capuz.

 

Há bruxas

Que povoam

As noites de Novembro

No oiro das laranjas

Pousa o luar em cruz.

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 13:19
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