Em 2024, conforme informação da TV e demais órgãos de informação, foram presos 70 incendiários. Isto é, 70 criminosos por fogo posto.
Informavam também que, finalmente, este assunto tinha chegado ao Governo, na pessoa do nosso Primeiro Ministro Luís Montenegro. Perante a tristeza, a indignação, o luto e as lágrimas desses dias, que se contaram por muitos, senti-me ligeiramente mais tranquila.
E foi com esperança que desejei vê-lo tomar, como prometeu numa entrevista, as decisões que tanto têm tardado. O castigo que se espera, exemplar e dissuasor, a aplicar àqueles a quem se deve a destruição pelo fogo de grande parte da mancha florestal do nosso país. Os culpados das mortes e das vidas destroçadas de quem vê os seus haveres devorados pelas chamas, criminosamente ateadas por suas mãos.
Aqueles que são os culpados do medo que alimenta quem teme por si e pelos pelos seus, pelas suas casas, pelos seus pertences, pelas suas terras, pelos seus animais, num desfiar de destruição que não termina nestas palavras.
Com a chegada do Outono/Inverno de 2024, fez-se silêncio. Estamos a mais de metade de 2025, com temperaturas altas, e a vaga de incêndios recomeçou no passado mês de Junho. E recomeçou também a nossa espera para que Luís Montenegro tome, como prometeu, as rédeas desta calamidade que se abate, anualmente, sobre nós. Que faça o que outros não fizeram até aqui. Que nos livre do receio, que vai sendo antigo, quando se aproxima o Verão. Que seja coerente e duro, que seja implacável no destino a dar aos criminosos, como afirmou, de viva voz, que faria, na entrevista dada em 2024.
Quando digo «destino» a dar e não digo «penas» a aplicar, é porque Montenegro não é um juiz. Porque só na decisão dos juízes, ao longo dos anos, têm estado as penas aplicadas aos incendiários por fogo posto. E essa decisão dos juízes não tem agradado aos portugueses, não tem agradado ao povo. Os crimes são demasiado grandes para tão pequenos castigos.
Conforme informação das autoridades, agora com a utilização mais sofisticada de drones, causa do incêndio incontrolável que lavra neste momento em Ponte da Barca (Viana do Castelo).
E a pergunta impõe-se: quantos anos de prisão foram dados aos 70 incendiários presos em Setembro de 2024? Ninguém sabe. Mas é preciso e urgente que se saiba. Para tomarmos conhecimento de que se fez justiça. Regra geral, muitos são soltos, outros ficam em prisão domiciliária ou com pulseira electrónica, e voltam à sua vida – muitas vezes para atearem novos incêndios. Nestes casos, com o maior desplante, chamam-lhes reincidentes. Se o são, foi porque alguém, inacreditavelmente, consentiu na sua reincidência. Repare-se, até hoje, houve sempre o cuidado de, acauteladamente, anteceder à designação incendiário, a palavra «presumível». Algumas vezes, com os «presumíveis» incendiários apanhados em flagrante delito.
Em 2024, até 18 de Junho, a GNR identificou 184 suspeitos por fogo posto. No período homólogo de 2025, o número total de suspeitos aumentou para 287 pessoas.
O povo português está habituado a que o Supremo Tribunal de Justiça seja benevolente nas sentenças ditadas pelos seus juízes. Esperemos que, neste ano de 2025, tal situação mude de vez, com a intervenção do Primeiro Ministro, conforme prometeu.
É urgente mudar as leis. É preciso PRENDER as mãos criminosas. Há severas críticas às sentenças aplicadas pelos juízes, por demais ridículas, inexistentes e perigosas, a dar azo à aderência de novos incendiários, como se verifica, de modo a que a tragédia dos incêndios não nos faça, anualmente, a sua fatídica visita.
É preciso parar. Não se pode deixar criminosos em liberdade!
Senhor Primeiro Ministro, continuamos a apelar para Vossa Excelência.
Li, na altura, as palavras que pronunciou em 2024, na sua entrevista, e admirei a sua coragem ao pronunciá-las. Disse às claras o que se diz às escondidas. Que toda a gente sabe, mas cala. Por tudo o que declarou, fez-me acreditar que há ainda políticos «que merece a pena». Aqui as reproduzo:
DIÁRIO DE NOTÍCIAS - EXCERTO DA ENTREVISTA DE MONTENEGRO DADA EM 17 DE SETEMBRO DE 2024
Leonardo Ralha
“Não podemos perdoar a quem não tem perdão. Não podemos perdoar as ações criminosas que estão na base dos incêndios dos últimos dias, há coincidências a mais». O primeiro-ministro promete «não vamos largar aqueles que em nome de interesses particulares, são capazes de empobrecer o nosso país».
Luís Montenegro afirma que “há interesses que sobrevoam estas ocorrências. (…) Tudo vamos fazer para os levar à mão da Justiça».
O primeiro-ministro garante mão pesada para «os criminosos» que estão na origem dos incêndios. (...) e aponta a criação de uma equipa para aprofundar a investigação criminal sobre as causas dos incêndios.
«Não podemos perdoar a quem não tem perdão», e promete «ir atrás de quem ateia fogos».
Ao dar grande ênfase à acção repressiva, que torna provável que haja «atitudes criminosas na base de muitas ignições». (…) Montenegro afirma que «os membros do Governo não irão deixar um minuto do seu esforço por preencher na ação de dissuasão e prevenção de comportamento criminosos». (...) Não se esqueceu de mencionar o Sistema Judicial, «admitindo que muitos portugueses gostariam de ver uma condenação mais eficaz daqueles que foram detidos e julgados.»
Senhor Primeiro Ministro, não se perturbe com o clima que poderá gerar-se à sua volta. É de esperar. Ainda confiamos na sua intervenção. As leis têm de ser mudadas neste País. Comece por aí, pelas penas (que se desejam pesadas) a aplicar aos criminosos incendiários.
Segundo a SIC/ NOTÍCIAS, entre 1 de Janeiro e 11 de Julho de 2025 a área ardida quase triplicou em relação ao mesmo período em 2024. No mesmo período ocorreram 1.902 fogos em 2024, enquanto em 2025 já deflagraram 3.202.
Não podemos deixar que Portugal continue a arder!
Soledade Martinho Costa
E vão 18 anos! Agradeço a quem continua a comentar as minhas publicações. Ultimamente, tenho dado mais atenção ao blogue, publicando com maior regularidade.
Dia também do aniversário de nascimento da minha querida amiga AMÁLIA RODRIGUES. Lembro que foi pelo facto do dia 23 de Julho ser o dia do seu aniversário, que resolvi conciliar as duas datas, dando, neste dia, há 18 anos, início ao «Sarrabal»
Votos de saúde e de felicidades, juntamente com a minha gratidão, para aqueles que continuam fiéis a este blogue.
O bolinho do costume cá fica, a assinalar a data. Podem partir e servir-se à vontade. Só espero que seja bom! Abraços para todos!
Soledade Martinho Costa
Não é por ser «boazinha», mas neste momento, tenho lágrimas nos olhos que me impedem de escrever com mais facilidade.
Foi um espanto para mim, demasiado doloroso. Nestes últimos dias, tenho andado ocupada com um trabalho, e arredada de leituras e notícias, dentro deste casulo chamado escrita.
Bandidos, bandidos sem coração! Casitas tão pobres, construídas pelas mãos dos seus pobres moradores! O seu pobre tecto, o seu pobre refúgio! Era obrigação da Câmara de Loures, antes de iniciar a demolição, ter já local de habitação para albergar esta pobre gente! Era seu dever. Assim devia e deve ser. Os pobres não são lixo que se deite fora! Que se atire para a rua, fora dos contentores! Construam primeiro, despejem depois!
Propõe-se a Câmara dar-lhes o valor de uma renda e espectivo caução. E casas, onde vão arranjá-las?! E dinheiro para pagar as rendas dos meses seguintes?! Uma esmola inútil e vergonhosa é o que representa essa oferta.
Em que país se tornou Portugal?! Como podemos viver num país assim: fora da moral, dos princípios que regem a humanidade? É gente fria como pedras de gelo, que nos dirige, nos governa e que manda!. Que será feito dos ideais de Abril? E dos projectos dos pobres por essa altura?! Racismo, racismo puro! Pô-los fora de Loures! A frase dita com a maior secura e frieza pela vereadora da Câmara, «que aquelas pessoas nem são de Loures, que procurem ir para os locais onde pertencem» é, exactamente como se dissesse: «Vão para os vossos países!» (porque a maioria são oriundos das nossas ex-colónias, e está na «moda» mandar embora os emigrantes para os seus países).
É a cor da pele, é o racismo puro, gritado, a punir vítimas indefesas. Pessoas que, na vinda para Portugal, pensaram poder encontrar aqui uma nova vida, um novo lugar ao Sol. Foi um sonho bonito, que nunca se concretizou. Basta a existência do Bairro do Talude, para o confirmar.
Algo, nos últimos tempos tem vindo a fazer mudar Portugal. E irá continuar a fazê-lo mudar. Para uma situação de crueldade, de agressão aos mais louváveis princípios de humanidade, às leis aprovadas e consagradas pela Constituição, que parece para já de nada servirem.
Tenho pena, muita pena. Mas mais do que a pena que sinto, muito maior, é o espanto que me cega através das lágrimas. É a vergonha. Sim, começo a sentir vergonha de ser portuguesa. Isso, de tão estranho, de tão assustador, de tão absurdo, chega a ser pior do que o acto abjecto da demolição das pobres casas e dos seus ex-ocupantes, obrigados a viver na rua pela decisão reacionária da Câmara de Loures!
Soledade Martinho Costa

Quando escrevo um poema
A mim ofereço todas as palavras
Só depois o liberto pelas folhas
Ou as páginas do livro.
Cada palavra no seu espaço
Cada palavra em sua hora.
Os meus versos
Não os ofereço
Como se oferece uma orquídia
Um bouquett de rosas
A renda que o mar tece sobre a onda.
Essas, são palavras demasiado belas
Para vestirem um poema.
Prefiro oferecer cada palavra
Como se oferece
Um copo com água a quem tem sede
Um raio de sol a quem tem frio
O levedar do pão a quem tem fome.
Respirar cada palavra
Decorar-lhe a forma
Sentir-lhe a força
A formosura, a energia
A música, a cadência.
Mas também
Fazer de cada palavra
A verdade que se oculta
A denúncia que se encobre.
Palavras escritas
Pintadas, cinzeladas
Musicadas, cantadas
Fotografadas, ditas.
Fazer com elas uma arma
Ou uma pomba
Um lamento como eco num poço
A tranquilidade de um aceno
Uma lágrima que se retrai
Um sorriso que se esconde.
Com o corpo das palavras
Enaltecer a honestidade
Com que se veste o íntegro
Ou denunciar o despudor
Com que se despe o falso, o impostor.
Os apadrinhados
Dos meandros do crime
Sem algemas, sem grades
Cobertos e protegidos
Com a sua própria sombra.
E a pergunta espreita
No verso do poema
Continua a sua caminhada
Palavra após palavra
Em cada linha escrita, projectada.
Quem castiga aquele
Que a obra de Deus, a Natureza
Reduz a cinza
E o outro que vendeu a neve
Que matou o drogado
E mais o outro que violou a virgem sem pecado.
Quem aponta o dedo ao ladrão
Que ostenta com orgulho o que é roubado
Quem desmascara o fingido que se vende
E se assume como honrado.
Ah! palavras despidas, desnudadas
Arrancá-las à mentira que as sufoca
E gritá-las uma a uma
Boca em boca
Descobertas, nuas
Em toda a sua extensão de liberdade.
Gritá-las uma a uma
Boca em boca
Com dignidade, coragem, destemor
Em corpo inteiro
Sem lembranças de vozes com amarras
A sufocar a razão e a verdade.
Gritá-las uma a uma
Boca em boca
Com a esperança de travar a máquina
Que nos reduz a pobres seres sem voz
Impotentes, inermes, manipulados.
Mas a escrever como nos dita a consciência
Palavras limpas de delitos e pecados.
Soledade Martinho Costa
Do livro «Um Piano ao Fim da Tarde»
Edições Sarrabal

Foi no cais de Belém
Pelo mês de Julho
Que o Tejo
Se enfeitou de caravelas.
De naus a anunciar
Ao sal das ondas
Uma rota de fé e ousadia
A cumprir-se no frio de Novembro.
E foi nas verdes águas que calaram
Saudades de um País nunca esquecido.
E foi nas verdes águas que tocaram
O pranto nas guitarras aprendido.
E foi nas verdes águas que deixaram
O destemor, a raça, a própria vida.
Aqueles que tão longe
Transportaram
Sinais de um povo luso
Marinheiro:
Angediva
Melinde
Calecute
Num tempo de glória acontecido.
Soledade Martinho Costa
Do livro Um Piano ao Fim da Tarde
Edições Sarrabal
Pequenas noções históricas:
ANGEDIVA:
É uma pequena ilha situada ao sul do Estado de Goa, que fez parte, até 1961, do Estado Português da Ìndia. Nela se situam a Fortaleza de Angediva, construída pelos portugueses, assim como os santuários de Nossa Senhora das Brotas, de Nossa Senhora das Dores e de São Francisco de Assis. Presentemente desabitada, residiam ali, no século XIX, 200 pessoas, todas cristãs.
Vasco da Gama declarou a ilha de Angediva território da Coroa Portuguesa em 1498, durante a sua primeira viagem à Índia.
MELINDE:
Cidade do Quénia (país da África Oriental) e um dos portos mais movimentados do Oceano Índico, Em 1500 ou 1502, os portugueses construiram ali uma feitoria (conjunto de acolhimento e manutenção de navios, funcionando como mercado, armazéns, alfândega, etc., além de proceder ao supervisionamento das transacções entre marinheiros e mercadores.) A feitoria cessou em 1630.
No canto V de Os Lusíadas, Luís de Camões refere a narrativa de Vasco da Gama ao rei de Melinde, sobre a viagem da sua armada desde Lisboa até Melinde, relatando também feitos de figuras de portugueses notáveis e alguns episódios da História de Portugal.
CALECUTE:
Fortaleza e porto situado na Índia. Ali fundeou Vasco da Gama a sua armada em1498 e Pedro Álvares Cabral em 1500. No século XVI era considerado o segundo porto mais importante da costa do Malabar (que inclui a região mais húmida da Índia Meridional). Ali construiram os portugueses em 1510 uma fortificação, que durou apenas até à sua retirada, depois da retaliação, com um assalto à fortaleza por parte do Samorim, soberano de Calecute – embora tenha sido o rei que recebeu Vasco da Gama, o primeiro europeu a chegar à Índia por via marítima, e Calecute o primeiro reino onde os portugueses desembarcaram ao chegar à Índia, depois da sua saída de Lisboa.
SMC

Se o dia vier ao Mundo
Em que o gelo nos aqueça
E o Sol no céu arrefeça
O calor das nossas veias
Esse será o sinal;
Decerto que a nosso lado
Alguma coisa acontece.
E se o riso
Que ontem vinha
Alegrar a nossa face
Morre aos poucos
Esmorece.
Nesse dia pedirei
A quem tiver
Por dentro de cada dia
Nada ter
A força que tem o vento
Que atravessa o pensamento
E liberta a nossa voz.
E se ao longe há um veleiro
Que se perde atrás do mar
Que se afunda em nosso olhar
Onde a água é nevoeiro.
Nesse dia pedirei
À pressa que tem a vida
Que modere essa corrida
Da nascente até à foz.
Na estrada que percorremos
A desdita é coisa pouca
Comparada ao que sobrou.
Nesse dia chamarei
Companheiro desta dor
E da raiva cada vez maior
Aperta na minha mão
O que a tristeza juntou.
Nesse dia pedirei
A quem tiver
Por dentro de cada dia
Nada ter
O perdão.
Soledade Martinho Costa
Do livro Um Piano ao Fim da Tarde
Edições Sarrabal

O dia 4 de Julho assinala a morte da Rainha Santa Isabel, ocorrida em 1336.
Invocada em favor da paz, nasceu em Saragoça (reino de Aragão, Espanha) no dia 11 de Fevereiro de 1270. Celebra o seu casamento com o rei D. Dinis de Portugal, por procuração e escritura antenupcial, segundo o direito romano, no dia do seu décimo segundo aniversário, corria o ano de 1282.
O casamento religioso e as Festas das Bênçãos Nupciais realizam-se em Portugal no dia 24 de Junho desse mesmo ano, na Igreja de São Bartolomeu, em Trancoso. De registar que o local e a data do seu nascimento, assim como a do seu casamento, diferem de acordo com a opinião de alguns investigadores.
Os reis de Portugal acabam por fixar residência nos Paços de Santa Ana, junto ao Mosteiro de Santa Clara, em Coimbra – que a rainha virá a doar ao referido mosteiro, situado na margem esquerda do rio Mondego.
Isabel de Aragão, rainha de Portugal, foi cativando o coração do povo português pelos actos de extrema bondade praticados em favor dos humildes, dos doentes, dos abandonados, das crianças, dos que tinham fome. As obras que patrocinou foram inúmeras e contam-se de norte a sul do País: hospitais, asilos, leprosarias, casas de assistência aos desvalidos. Muitos mosteiros e igrejas foram igualmente construídos graças à sua generosa contribuição. Distribuía o que tinha de seu, visitava os doentes, servia os pobres, velava pelas crianças abandonadas, amparava as filhas de gente humilde, às quais dava dote quando casavam, mandava sepultar os mortos cristã e dignamente, pagava as dívidas de quem não tinha possibilidades de o fazer, vestia os nus, redimia os presos ou aqueles que andavam transviados, lavava as feridas dos leprosos com as próprias mãos.
Por altura das grandes fomes que assolaram o País devido à infecundidade das terras, mandou vir de longe, despendendo somas elevadas, o trigo que oferecia aos necessitados. Conta-se que terá vendido parte das suas jóias para fazer face à fome do povo.
«Medianeira da Paz», foi o título que lhe valeu a sua intervenção, feita de bondade, tenacidade, esforço e inteligência, em prol da concórdia e da tolerância. Graças à sua intercessão foi possível por diversas vezes encontrar uma solução que não a das armas. Assim aconteceu entre seu marido e seu cunhado, o infante D. Afonso, irmão mais novo de D. Dinis; entre seu irmão, Jaime II, rei de Aragão, e seu genro, Fernando IV, rei de Castela, casado com sua filha D. Constança; entre seu pai, Pedro III, rei de Aragão e da Sicília, e o rei de Nápoles, Carlos II; entre seu marido e seu filho, D. Afonso, casado com D. Beatriz, irmã do rei de Castela – temendo o infante ser afastado do trono por seu irmão ilegítimo, D. Afonso Sanches.
Em favor dessa mesma paz, chega a atravessar sozinha os campos de batalha e a caminhar numa procissão em Santarém descalça e vestida de penitente. Culta, incansável, formosa, sem uma queixa, sofre as infidelidades D’el-rei D. Dinis, adoptando e educando os seus filhos bastardos, que aceita como legítimos herdeiros.
Em 1325, anonimamente, vai como peregrina a Santiago de Compostela, misturada entre os humildes, comendo do pão que lhe ofereciam e ajudando a transportar as crianças ao colo. No regresso, após ter deixado dádivas valiosas ao santo apóstolo São Tiago, traz consigo, oferecidos pelo arcebispo, o bordão e a esclavina (espécie de cabeção usado sobre a túnica pelos peregrinos que se deslocavam em romagem a Santiago de Compostela), que guarda religiosamente.
Nas deslocações que fazia levava consigo o seu oratório pessoal, acompanhada pelos sacerdotes, que celebravam missa diária, observando a rainha a prática dos jejuns constantes e da confissão – e também da Sagrada Comunhão em alturas especiais.
Após a morte de seu marido, veste um hábito assemelhado ao de monja franciscana, corda grossa atada à cintura e a cabeça real envolta em panos de linho, e muda-se para o Mosteiro de Santa Clara. Assim passa os onze anos de viuvez, até à sua morte, ocorrida em Estremoz.
Em Junho de 1336, com 66 anos, ao saber que havia sido declarada guerra entre seu filho D. Afonso IV, o Bravo, rei de Portugal, e seu neto, Afonso XI, rei de Castela, segue em direcção ao Alentejo, para tentar pôr fim às hostilidades entre ambos. Devido à fatigante caminhada e ao excessivo calor, a rainha chega exausta e adoece. Morre poucos dias depois, a 4 de Julho.
No dia 11 de Julho (sete dias durou a viagem de regresso) o corpo da Rainha Santa Isabel dá entrada no Mosteiro de Santa Clara – por si reedificado, ampliado e sagrado em 1330 – para nele ser depositado num túmulo de pedra. Em 15 de Abril de 1516 é beatificada pelo papa Leão X. Em 21 de Janeiro de 1556 o papa Paulo IV estende o seu culto a todo o País. A 26 de Março de 1612, ao abrir-se o túmulo, verificou-se que o seu corpo se encontrava incorrupto. Em Maio de 1625 é canonizada solenemente pelo papa Urbano VIII, que a considera «uma das mais perfeitas mulheres da Idade Média». Nesse mesmo ano (14 de Outubro) o rei Filipe III declara-a «Padroeira de Portugal».
Por ruína total do mosteiro, cuja primeira pedra tinha sido lançada em 28 de Abril de 1286, el-rei D. João IV manda construir em 1649 o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, localizado cerca de um quilómetro acima do primeiro, num dos pontos mais altos da cidade de Coimbra. Para ali é trasladado o corpo da Rainha Santa Isabel em 29 de Outubro de 1677. Mas como o mosteiro só é dado inteiramente por concluído em 1696, os seus restos mortais voltam a ser trasladados agora no seu belíssimo esquife de prata e cristal, desta vez para serem depositados, definitivamente, sobre o altar-mor da sumptuosíssima capela.
No ano da sua beatificação (1516) são instituídas por D. Manuel I as Festas em Louvor da Rainha Santa Isabel que se realizam em Coimbra.
Soledade Martinho Costa
Do livro Festas e Tradições Portuguesas, Vol. VII
Ed. Círculo dos Leitores
Imagem: Teixeira Lopes
DAS FESTIVIDADES DESTE ANO (2025):
A Procissão da Penitência, durante as festas da Rainha Santa Isabel, em Coimbra, que celebram este ano o aniversário dos 400 anos da canonização da Santa, e os 700 anos da peregrinação a Santiago de Compostela, terá lugar na noite de 10 de Julho. Esta procissão leva a imagem da Santa do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova para a Igreja de Santa Cruz, onde permanece exposta para veneração.
A Procissão Solene e de Louvor ou Procissão de Regresso,
realiza-se na noite de 13 de Julho, quando a imagem da Rainha Santa Isabel regressa ao Mosteiro de Santa Clara-a-Nova.
SMC

VILA FRANCA DE XIRA
Vila Franca que te vestes
Sempre de verde e vermelho
Com meias de renda branca
Que te sobem ao joelho.
Na mão ergues um pampilho
Bem acima da montada
Para guiar um novilho
Que se afastou da manada.
Como enfeite tens o rio
E a Senhora de Alcamé
Tens o melão e as barcaças
A dormir ali ao pé.
Tens o «Colete Encarnado»
E a bela sardinha assada
Juntinhos no mês de Julho
Que em ti encontram morada.
Tens lezírias, tens touradas
As cheias calham-te em sorte
Tens na tua capelinha
O Senhor da Boa Morte.
Quando chega o mês de Julho
Toureiros vestem-te de oiro
E tens as esperas do povo
A correr atrás do toiro.
Danças com garbo o fandango
Tens Soeiro e tens Redol
Tens o Tejo no Inverno
A servir-te de lençol.
Na alma tens os «Gaibéus»
No coração tens os «Esteiros»
E manténs a tradição
Nas redes dos avieiros.
Soledade Martinho Costa
Do livro «Um Piano ao Fim da Tarde»
Edições Sarrabal
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