Sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2025

INFÂNCIA

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Não sei se eram os corpos das mulheres

Engolidos pelas grades dos portões

Se das fábricas a estridência dos apitos

Ou as sirenes dos barcos junto ao cais.

 

Ou talvez fossem os gatos nos telhados

Cegos de fome, de brigas e de cio

Ou os passos incertos, arrastados

Dos bêbedos a roçar pelos portais.

 

Não sei se era o sossego dos domingos

A repousar nas ruas sonolentas

Se a volúpia que vinha ao fim da tarde

No cesto dos tremoços e pevides.

 

Ou talvez fossem os pombos dos quintais

Aconchegados ao Sol de Novembro

Arrulhando, amorosos, desenhados

Nos olhos que assomavam dos postigos.

 

Não sei se eram as vozes se os aromas

A ferrugem, a cortiça e a tabaco

Vindos do tempo como testamento

Agarrados à ganga dos operários.

 

Ou talvez fosse a mulher a vender fruta

Parada no largo da farmácia

Ou as carroças de machos corpulentos

A escorregarem nas pedras da calçada.

 

Não sei se era o louco a pedir lume

Por entre as frinchas das tábuas da barraca

Se o chamamento, em gritos, das janelas

Pelos petizes, nas vozes das vizinhas.

 

Ou talvez fosse o perfume da maresia

A despertar no quintal a velha acácia

Ou o silvo do comboio sobre a ponte

A deixar pelo céu corcéis de fumo.

 

Não sei se era a noite a pôr de luto

As cores das casas, dos muros e dos vultos

Se era o cansaço, a fome, a impotência

O silêncio das palavras gastas

A insónia do medo em nome oculto.

 

Sei apenas

Que o triciclo corria

Sobre a face puída do passeio

E na candura da palavra infância

As tardes eram brancas e azuis.

 

Soledade Martinho Costa.

Do livro Um Piano ao Fim da Tarde

Edições Sarrabal

 

publicado por sarrabal às 13:40
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Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2025

AS CASAS DAS ALDEIAS

morgade.jpgUma coisa que me é imprescindível são as casas e todo o enorme peso que elas descarregam nos nossos ombros. Que elas depositam neles, certas de que as entendemos, de que partilhamos com elas a sua vida, dentro de paredes, tectos, escadas, janelas, portas, objectos de toda a ordem com que as alindamos sem lhes pedir licença nem opinião. E as casas a consentirem, a gostarem de nós, a aceitarem o nosso gosto e jeito para a decoração (ou a falta deles). Tenho uma casa numa aldeia da Beira Litoral há perto de vinte anos. Reconstruída dos escombros em que se encontrava. Liberta por mim das ruínas que lhe vestiam o corpo. Não deixar morrer as casas das nossas aldeias devia ser uma obrigação de todos nós (pese embora, mais do que nunca, os custos dessa possível ressurreição). Passo lá meses seguidos, numa aldeia onde habitam somente dezasseis pessoas. Assim como estou tempos infinitos sem lá ir. Quando chego, antes de fazer seja o que for, subo ao primeiro andar para percorrer as divisões, uma por uma. O «itinerário» tem a finalidade de cumprimentar a casa, de a saudar, de lhe dizer: – Estou aqui de novo, voltei! Porque penso que a casa, a cada uma das minhas ausências, no silêncio das pedras, das madeiras, de cada um dos objectos que a preenchem, fica à espera de ser de novo habitada. De ouvir de novo as vozes, os risos, os passos, os ruídos habituais que lhe dão vida. Que a fazem respirar como se fosse gente. Com a nossa presença, as casas acordam do torpor que de tempos a tempos as faz adormecer, exaustas de saudades, devido ao nosso afastamento. Quando regressamos, tornam a ter vida própria, a partilhar: uma luz que se acende, a música que se ouve, o bater da porta, sempre que alguém entra ou alguém sai. Tudo isso volta a acontecer quando me preparo para passar ali um, dois meses ou mais. Para mim, rever um quadro do meu saudoso amigo António Pimentel, uma peça de cerâmica de Rosa Ramalho ou de António Bronze, uma escultura de pedra de Gondramás (na serra da Lousã) do mestre Carlos Rodrigues, uma foto sobre a pedra cimeira do fogão de sala, a cadeira de baloiço ao lado da chaminé antiga de carvalho, um candeeiro (adoro candeeiros, quadros e cadeiras), o passar da mão, num afago, sobre as costas de uma cadeira ou o tampo de uma mesa, o ajeitar de uma almofada no canapé ou no cadeirão. Olhar os livros na estante, dar uma espreitadela ao jardim, mesmo à noite, tudo isso é revisitar aquilo que amo. Pode parecer um absurdo, mas eu sinto que amo as paredes da casa, as grossas e velhas traves de carvalho, as madeiras dos tectos, as pedras, os azulejos antigos e todos os objectos que foram preenchendo os espaços e os lugares que lhes destinei, com alegria, entusiasmo, amor. Na minha opinião, as casas e os objectos também podem (e devem) ser amados. Porque fazem parte de nós, porque abrigam nelas os nossos projectos, as nossas alegrias, as nossas tristezas. E também a nossa vida, os dias que são os nossos e que gastamos a cada hora que passa. Conhecem-nos, protegem-nos, guardam a nossa privacidade e os nossos segredos. Velhas de pedras de muitos anos, algumas repousam na paisagem verde. Que verdes são a paisagem e o aroma. A lembrar histórias que guardam dentro de si, como os livros. Histórias construídas de muitas vidas e de muitas histórias. Mas a vida das casas também é feita de esperança. Assente no desejo de se manterem intactas e amadas. Nada mais pedem. A não ser que um dia a saudade venha morar no coração dos homens. Por tudo isto, a minha casa na aldeia merece todo o meu carinho e a minha atenção, depois de uma ausência mais ou menos prolongada. Revisitar as minhas coisas, de que sou ciosa, confesso, não por ambição ou vaidade, é a minha prioridade, mal ponho o pé na sala de entrada. Mas será que esta casa aos poucos também se irá esvaziando, como aconteceu com a casa da minha avó Maria Estrela, agora isolada e decadente, embora conservando alguma dignidade nas cortinas desfiadas que vestem ainda as muitas janelas? A morar numa rua adormecida, sem ânimo, sem vida, porque deixou de ser habitada como casa, amada como sempre foi por uma grande família? Que esta minha casa tenha um outro destino. Que abrigue novas gerações, a prolongar os nomes que a habitaram, diluídos na poeira do tempo - mas os que vierem que o façam sempre com a mesma gratidão e amor por ela. A casa saberá retribuir.»

Soledade Martinho Costa

Do livro «Uma Estátua no Meu Coração» (Memórias e Crónicas)

Edições Vela Branca

Foto: Fernando DC Ribeiro (Morgade, Montalegre)

 

publicado por sarrabal às 08:40
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Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2025

UM OLHAR SOBRE A PAISAGEM - DIA DE INVERNO

140497339_3645025305585342_1539040521437894141_n.jO Sol começou agora mesmo a levantar-se. Primeiro, a bocejar por entre os lençóis de neblina com que se tapa. No Inverno, levanta-se mais tarde. Ou recusa-se, mesmo, a levantar-se. A debruçar-se, por pouco tempo que seja, lá em cima, à janela da sua casa. E a terra fica mais fria sem o calor dos seus raios. E menos alegre sem a claridade do seu esplendor. Mas o Sol, talvez para se fazer mais desejado, esconde-se atrás do reposteiro cor de cinza que veste a abóbada do céu. E não se mostra, o maroto. Não dá sinal de si. Não se vê rasto dele. Às vezes, entretém-se a pregar destas partidas dias e dias a fio. Ainda que saiba muito bem a falta que faz.

As aves queixam-se:
— Sem o Sol tiritamos de frio.
Os homens dizem:
— Quem dera que o Sol desponte.
A terra pede:
— Anda, meu amigo. Vem até mim que morro de saudades. Bem sabes que sem ti não sou ninguém…
É nesta altura que o Sol não resiste mais e aparece. Feliz por se saber amado mostra-se lá em cima. E retribui à Terra a sua prova de amor com o beijo mais dourado dos seus raios.
Já desperto, eis o Sol, nesta manhã de Inverno, curioso como só ele, a espreitar por tudo quanto é canto. Dá os bons-dias e lá começa, num afã, a tornar mais luminosos e menos frios os campos onde a geada de manso se instalou.
Entorna-se pelo povoado. Cobre os caminhos e as telhas das casas enfeitadas de musgo. Espreguiça-se nos muros onde trepam como estrelas verdes as folhas da hera. Desce ao rés do mar e cumprimenta as ondas, meninas buliçosas em correrias loucas. Sobe ao monte e deixa-se rolar por ele abaixo a brincar às escondidas pelos moitões de tojo e urze roxa, pelos tufos de rosmaninho e alecrim, pelos maciços de giesta, de cardos e silvados.
A manhã alonga agora o passo pelos campos fora. E não se detém. Na pressa de chegar ao fim do dia nem sequer repara no tapete de azedinha e de trevilho, lado a lado, como dois bons amigos que muito se prezam. Onde está um, está o outro: o trevo-dos-prados no anseio de nascer com quatro folhas, para dar sorte à mão que o descobrir. As azedas, a enfeitá-lo de amarelo, nas pétalas que fecham ao entardecer. Mas o azevinho também marca encontro nesta altura do ano. Num emaranhado de picos e segredos, contente por se saber esperado, desponta pelas toiças a mostrar as bagas vermelhas na folha envernizada.
Sem quase se fazer notada, a tarde toma agora o lugar da manhã que parte. Instala-se, sacode o algodão das nuvens e põe-se toda de um azul-celeste. Tão azul se põe, que o céu se confunde com o mar, a mostrar-se lá ao longe, aos olhos do povoado. Parecem um só de braço dado: o mar e o céu. Porém, verde e não azul, fica o mar quando está zangado e cinzento o céu, quando, sem revelar porquê, a tristeza o invade.
Aos poucos, a cor azul-celeste deu lugar ao tom azul-escuro. Sinal de que a noite vai chegar. As nuvens, vindas de um sítio que só elas sabem, correm, correm pelo céu fora como se tentassem agarrar o vento. Agarrar o vento? Oh, não! O vento é que as empurra! E elas não protestam. Obedecem. Umas atrás das outras, num galope sem freio à sua frente.
Com o vento, veio a noite, agasalhada na sua capa de breu. É nela que a noite oculta a escuridão que lança sobre a Terra para que esta adormeça. E também as sombras que num bailar constante têm por missão velar-lhe o sono, até que a Terra desperte e o dia amanheça.
 
Soledade Martinho Costa
 
Do livro «Histórias que o Inverno me Contou»
Publicações Europa-América
 
Foto: Fernando Dc Ribeiro (Barroso, Castanheira)
publicado por sarrabal às 10:25
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Sábado, 22 de Fevereiro de 2025

POEMA INCOMPLETO

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Poema incompleto

É a palavra

Que à falta do cristal que se procura

Se fecha por dizer

Dentro da alma

E morde, esbraceja, amordaçada.

 

É a pedrada

Que se acobarda na mão de quem a sente

A fingir que a dor recusa o pranto

E adormece na carne estranhamente.

 

Poema incompleto

É a fogueira

Que espalha o fumo e a cinza pelo espaço

A desenhar promessas proibidas

Em tempo que se atrasa e que nos foge

Sem que nos roube o sonho e a teimosia.

 

É a muralha

A separar-nos da voz da consciência

Fúria de mar de limos e maresia

Bala perdida no meio da contenda

Que por temor de si nos traz cativos.

 

Poema incompleto

É a coragem

De morrer mil vezes

Estando vivos.

 

Soledade Martinho Costa

Do livro Um Piano ao Fim da Tarde

Edições Sarrabal

 

publicado por sarrabal às 02:59
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Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2025

HISTORINHA - OS TRÊS COELHOS DO MATO (Para os mais pequenos)

OS TRÊS COELHOS DO MATO.jpgComo não há sinal de perigo, o coelho e a coelha do mato resolvem aproveitar a tarde para desfrutar o prazer do ar livre.

Hum… Vem aqui provar estas folhas de serralha! — chama dona Coelha, orelhas a mexer num treme-treme. Em dois saltos o coelho, seu marido, aproxima-se e responde:

Depois dos rábanos silvestres que roí, não estou com grande apetite. Mas faço-te a vontade! — e põe-se a roer as folhas verde-claras da planta. Outro coelho surge por detrás de uma moita:

Pois eu, se me permitem vou também provar o petisco. Ou não estejamos nós, os coelhos, sempre com vontade de roer alguma coisa!

Quem assim se apresenta é um coelho bravo, amigo do casal, que vive numa lura perto da sua.

Ah! É o vizinho… Venha, venha, pois então! Há que chegue para todos! — convida dona Coelha, numa prontidão. — Quanto à vontade de roer, como o vizinho diz, bem sabe que é por causa dos nossos dentes: não param de crescer… — suspira, meio conformada.

O vizinho lembra a certa altura:

E se fôssemos os três logo à noite até à horta? Lá, sim, é que se come do bom. Ainda ontem provei umas folhas de couve e umas cenouras, que não vos digo nada…

Medrosa como todos os coelhos, a coelha do mato argumenta, orelhas arrebitadas:

E se o dono da horta dá por nós? Ou alguma Raposa? Ou o Furão?

Longe vá o azar! — responde o companheiro. — Mas podemos combinar o seguinte: — propõe. — Vou eu à frente. Se houver perigo, tamborilo logo com as patas no solo para vos avisar…

Assim, está bem. Sempre vou mais descansada. — diz a senhora Coelha, narizinho a tremer.

E eu também! — confessa o marido, que acrescenta: — O que fazia jeito era cair umas gotinhas de orvalho. Só assim bebemos água e tínhamos a refeição completa…

Melhor seria que não fizesse vento. — contraria dona Coelha, pata levantada. — Que o frio e a chuva no Inverno não nos incomodam. Agora o vento…

Ora, não tenha receio. A tarde vai adiantada e o vento ainda não soprou. Verá que a noite há-de estar amena para o nosso passeio. — garante-lhe o vizinho.

Oxalá! — responde dona Coelha. — Sim, que daqui por uns tempos tenho menos vagar para passeatas… — confessa, modos abrandados.

Quando nascerem os seus pequenos Láparos… — arrisca o outro.

— Sim, sim! Lá para o fim do Inverno vou ser mãe outra vez. E trabalho não me vai faltar! A primeira coisa a fazer — explica. — é escavar uma nova lura, mais ampla na parte do fundo. Valem-me para isso as minhas unhas, fortes e direitas. Depois, terei de forrar o ninho com palha, erva seca, feno e pêlo do meu próprio corpo. Mais exactamente, com pêlo que arranco da barriga. Para que o ninho fique confortável e quente.

E o seu marido, ajuda em alguma coisa? — pergunta o companheiro

Oh! Não! Nessas ocasiões nem o quero por perto. Com os meus Láparozinhos todo o cuidado é pouco! Por isso, depois de os amamentar, fecho sempre muito bem a porta da minha toca quando tenho de me ausentar de casa… — informa. E adianta, a dar mostras dos cuidados que tem: — E olhe que sair da lura, só permito aos meus pequenotes que o façam com três semanas feitas!

O senhor Coelho do mato, seu marido e mamífero roedor como os companheiros, não interrompe a conversa. Ele sabe que as coisas são mesmo assim na família dos coelhos a que pertence. O vizinho é que entende pouco desses assuntos, por ser ainda demasiado novo.

E o coelho bravo, nariz franze-que-franze, dá uns bons saltos por entre a seda verde da luzerna. De momento, o que lhe importa, é o combinado: à noite, na horta, a ceia vai ser uma festa!

Soledade Martinho Costa

Do livro Histórias que o Inverno me Contou

Ed. Publicações Europa-América

 

publicado por sarrabal às 02:00
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Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2025

A MENINA E A FLOR

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A menina

abandonou a flor

na beira do lago

e as aves deixaram de cantar.

 

Parou

sentou-se no chão

e uma nuvem

escondeu um pedaço de Sol.

 

Brincou

com longos silêncios

e fez com pedrinhas

jogos de faz-de-conta.

 

Guiou

para longe o seu pensamento 

e uma gota de chuva

beijou-lhe os cabelos.

 

Pousou

os olhos no azul do céu

onde mora quem

já não a acarinha.

 

O corpinho ergueu

chorou

e chamou baixinho

mãezinha.

 

E por dom de Deus

nesse mesmo instante

a neblina marejou

o olhar do firmamento.

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro A Palavra Nua

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Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2025

14 DE FEVEREIRO - DIA DOS NAMORADOS

 

casalinho.jpg

SÃO VALENTIM – A HISTÓRIA E O MITO

O que se sabe de São Valentim, é que viveu no tempo de Cláudio II, tendo este imperador romano, durante o seu reinado, proibido que se realizassem casamentos no seu império. Essa medida, tinha por objectivo formar um exército maior e mais poderoso.

O imperador acreditava que os jovens que não constituíssem família, ou tivessem esposa, iriam alistar-se mais facilmente, visto estarem livres de obrigações familiares.

Apesar desta proibição, Valentim, bispo romano, continuou a celebrar casamentos contra as ordens imperiais, sendo as cerimónias realizadas no maior segredo. A sua desobediência foi descoberta, o bispo foi preso e condenado à morte.

Durante o tempo em que o mantiveram prisioneiro, começou a ser hábito os jovens atirarem flores e bilhetes dirigidos ao bispo, dizendo que acreditavam no amor.

Conta a lenda, que entre aqueles que lhe atiraram mensagens se encontrava uma jovem cega, de nome Artérias, filha do carcereiro, que terá pedido a seu pai autorização para visitar Valentim. Acrescenta o mito, que ambos acabaram por apaixonar-se e, milagrosamente, a jovem recuperou a visão. O bispo terá mesmo escrito uma carta de amor dirigida à jovem com a sua assinatura: «de seu Valentim.» (expressão ainda hoje utilizada).

Valentim foi decapitado no dia 14 de Fevereiro de 270.

Embora assim, consta do Martirológio Romano, a existência de mais dois Valentins: um bispo, que curou um jovem com um problema de nascença, e um cristão confesso, que se terá apaixonado por uma jovem de nome Artéria, filha de um nobre romano (e não de um carcereiro, como conta o mito)

Soledade Martinho Costa

 





publicado por sarrabal às 03:30
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Quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2025

MEMÓRIAS

MEMÓRIAS.jpgAndar comigo passos

Sem fadigas

Inesperados de rumos ou cautelas

Que nunca neles meu temor gastei.

 

Caminhar sobre os anos percorridos

Ruas, nomes, portas e janelas

Trazidos de tempos esquecidos

Em chão onde lancei sementes

Onde criei raízes e sonhei.

 

Regressados são agora

Sem aviso

Na memória de fulgores antigos

Gravados no brilho dos cristais

Numa teima em lembrar comigo

As horas de outras horas que guardei.

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro «Um Piano ao Fim da Tarde»

Edições Sarrabal.

 

Tela: Raoul-De-Longore

 

publicado por sarrabal às 02:07
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