Para todos os meus amigos e seguidores do «Sarrabal», desejo um Bom Ano de 2025. Com saúde, principalmente, e que os vossos desejos se realizem, um por um, durante todo este ano que começa. Felicidades e tudo de bom!
Soledade Martinho Costa

Para todos os meus amigos do «Sarrabal», vai o meu desejo de que o novo ano de 2025 nos volte a fazer sorrir e a gostar de viver neste mundo, livre de guerras e de sofrimento. Que os Homens reencontrem no seu vocabulário a palavra AMOR e a distribuam por todos os outros homens, numa partilha solidária, de concórdia e de paz.
Saúde, sonhos realizados, tranquilidade, tudo de bom para cada um de vós, são os meus votos sinceros para o Novo Ano que vai chegar!
Soledade Martinho Costa
A todos os meus amigos e seguidores, desejo um Feliz e Santo Natal.
Por entre os ramos do pinheiro
enfeitado com luzes multicores
carrega-me este peso sobre os ombros:
espreitam-me as «crianças da guerra»
a vaguear, abandonadas à sorte
no seu país de escombros.
Olho as figuras do Presépio
e junto da Virgem, de São José
do Menino e dos Reis Magos
«as crianças da guerra»
famintas, rotas, sujas, descalças
que escaparam à morte
gritam o meu nome
enquanto caminham à deriva
sobre as pedras calcinadas
de uma pátria sem norte.
Nas prendas embrulhadas
em papéis vistosos
numa profusão de mimos e de amor
vejo «as crianças da guerra»
a suster as lágrimas
no medo que lhes veste o rosto
e lhes faz tremer
numa convulsão de dor
o corpinho martirizado pelo pânico.
Não, não posso viver este Natal
nem o Novo Ano que chegar
sem sentir este pesar profundo
sem lembrar «as crianças da guerra»
votadas a um destino refém
por um poder satânico
a que foram condenadas
Por ordem dos senhores do Mundo.
Quem dera tê-las nos meus braços
a devolvê-las aos pais
às casas que habitavam
aos amigos, aos brinquedos
aos animais que amavam
a um mundo que possa ser
digno desse nome.
Resta-me uma certeza:
por tudo quanto acontece
por tudo quanto aconteceu
Por tudo quanto vejo e me doeu
«as crianças da guerra»
não podem ser mais do que anjos
que não aprenderam ainda
a abrir as asas e a fugir da Terra
em direcção ao céu.
Soledade Martinho Costa
(Inédito/ 2024)

De pedra
Colmo
Tábuas
Papelão
Sob telhados de zinco
Ou telha vã
Eis os estábulos
As grutas
Os abrigos
Onde nascem e dormem
Os meninos nus
Há mais de dois milénios.
Herdeiros de um legado
Instituído por decreto-lei
Réplicas
De outro Menino
Que o Anjo anunciou
Nascido na lapinha de Belém
Não têm a seus pés
Pastores nem reis
Dormem
Dormem, simplesmente
Pelos presépios
Adorados por ninguém.
Nas reservas surdas
Ao apelo das florestas
No fogo das areias
Onde a terra se nutre
Das almas e dos corpos
Nos ghettos onde o leite
Nos seios seca
Ao explodir das bombas
Nos bairros marginais
Nos prédios em ruínas
Nos quartos alugados
Nos tugúrios onde não chega
A Estrela Peregrina.
Templos sagrados
Onde as mães
Esvaído o ulo vaginal
Debruçam sobre o ventre as mãos
Cortando aos filhos
Esquecidos
Humilhados
Sem pão
Amparo ou pátria
O cordão umbilical.
Talvez para que fujam
E repetido seja outro milagre
À revelia dos homens
Como então.
Soledade Martinho Costa
Do livro Um Piano ao Fim da Tarde
Edições Sarrabal
NESTE DIA, 14 DE DEZEMBRO DE 2024, UM AVIÃO PASSA SOBRE A CIDADE DE ALVERCA DO RIBATEJO. ERAM, PRECISAMENTE, 2 HORAS E 20 MINUTOS DA MADRUGADA. ACORDEI. NÃO ERA UM PESADELO. ERA A MINHA REALIDADE!
Estabelecido e contestado que foi o horário inacreditável dos aviões terminarem os voos à meia-noite com reinício às 5 horas da madrugada, verificamos que existem multas para quem não cumpra com esta «inteligente» decisão da NAV. Sim, existem multas que nos fazem abrir a boca de espanto. Acreditem ou não, o valor das coimas estipuladas cifra-se, apenas, em 52.40 euros! Uma «exorbitância» comparada aos milhões arrecadados pelos donos e senhores da NAV
E como sobre este assunto de horários e coimas já tudo foi dito, abordemos uma outra face deste persistente e penoso problema que tanto nos vem afectando.
Bem aventurados os alverquenses (sem letra maiúscula) que se insurgem nas redes sociais e protestam, em textos de escola primária, contra as ervas nos passeios da cidade, o lixo fora dos contentores, os carros mal estacionados, uma bicicleta travada há dois dias encostada ao tronco de uma árvore.
São aqueles que respondem aos meus artigos e usam chinelo no pé, com frases como esta: «Se não está bem, mude-se!», utilizando outras frases de teor ofensivo e agressivo e fazendo comparações de um infantilismo tão pungente quanto deprimente.
Abençoados surdos de nascença que nem o ronco dos aviões a desoras e as suas partículas, a causar danos irreversíveis à nossa saúde, os faz acordar do seu sono de pedra (se calhar, até faz!) ou assinar uma petição que anda por aí há meses (nem que fosse com cruz), e que conta, até agora, com o risível e ridículo número de aderentes, num somatório total, até hoje, de 2.203 assinaturas!
Gente que não se incomoda com o essencial, mas que se preocupa com trivialidades. Gente que não se importa de viver num inferno, enquanto eu (e outros, embora poucos) prefira importar-me com o que é importante, e tentar viver no céu.
Não tolero que me imponham este afrontoso desconforto, este desassossego, esta intranquilidade, este receio pela minha saúde e a saúde dos meus. Pessoas com zero de intervenção, que, ao cruzarem os braços, e ao criticarem quem os traz descruzados, se colocam, nitidamente, ao lado do opressor, a dar pelo nome de NAV.
Comparando o número de assinaturas da petição com os Grupos Públicos que utilizam as redes sociais e o nome de Alverca, deixo-vos este apanhado para podermos avaliar do desinteresse das pessoas em assuntos como este, dos aviões, que sobrevoam a nossa cidade dia e noite, a horas impróprias, com intervalos de apenas alguns minutos, num país onde aconteceu um 25 de Abril, e onde o respeito pelos direitos e a liberdade de cada um são espezinhados diariamente por um governo que nos desgoverna.
A lista e o respectivo número de aderentes:
ALVERCA (1.300 membros)
ALVERCA E AMIGOS (31 mil membros)
ALVERCA – PRAÇA VIRTUAL (10 mil membros)
EM ALVERCA VIVE-SE BEM (???? 5,400 membros)
ALVERCA É FIXE ( 21 mil membros)
ALVERCA ( 14 mil membros)
POR UMA ALVERCA MELHOR E DEMOCRÁTICA (934 membros)
Este último número de aderentes, relativamente aos anteriores, indica, sem gastar muitas palavras, as pessoas que temos e o seu grau de interesse comunitário, nesta nossa cidade de Alverca do Ribatejo.
Soledade Martinho Costa
(Escritora e jornalista, residente em Alverca do Ribatejo)

Parado no meio do tempo
Na serra havia um pastor
Alguém que o nome esquecia
Nas horas que apascentava.
Água da fonte, da terra
Da serra, nela morava.
Na serra havia um pastor
Guardado pelo seu rebanho
Ermo destino e engenho
Poema que acontecia.
Água da fonte, da terra
Da serra, nela morria.
Parado no meio da vida
Na serra havia um pastor
A tê-la apenas por tida
Cada dia que chegava
Sem saber o que podia
Sem dizer o que tardava.
Ai, pastor, que sina a tua
Põe-se o Sol, nasce a lua
E não se quebra o encanto.
Sozinho lá no teu canto
Embriagas-te no canto
Que te traz a cotovia.
E quando o escuro te aquece
Sufocas em ti o pranto
De uma lágrima tardia.
Fazes de conta que esqueces
Esperas a luz de outro dia
E sem sonhar adormeces.
Soledade Martinho Costa
Do livro Um Piano ao Fim da Tarde
Edições Sarrabal
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