
No dia 29 de Setembro, celebra a Igreja Católica os três Arcanjos: São Miguel, São Gabriel e São Rafael.
São Miguel, reconhecido, liturgicamente, como o principal Arcanjo, é considerado o padroeiro e protector da Igreja Católica Universal. Durante oitenta anos por imposição (e autoria) do papa João XIII, rogou-se, no final da missa, a São Miguel, pelo “combate contra Satanás e os outros espíritos malignos que vagueiam pelo Mundo para perdição das almas”, oração retirada quando da reforma litúrgica, por volta de 1960. Contudo, ainda hoje mantida em certos actos da Igreja.
Chefe dos exércitos celestiais, da milícia celeste ou dos exércitos de luz, São Miguel Arcanjo é o anjo da Paz, do Arrependimento e da Justiça, citado na bíblia como “o grande Príncipe que defende os filhos do povo de Deus”. Ainda na bíblia pode ler-se que “ houve uma grande batalha no céu e que o Arcanjo São Miguel e os seus anjos lutaram contra Satanás e as suas legiões, que foram derrotados, banidos dos céus e atirados para a Terra”. Lê-se também que o Arcanjo Miguel enfrentou o diabo e disse: «Que o Senhor te repreenda». Daí, São Miguel Arcanjo ser representado, iconograficamente, a atacar o dragão infernal. É São Miguel que nos defende e protege, com o grande poder que Deus lhe concedeu, contra os Perigos, as Forças do Mal e os Inimigos.
Primeiro raio de Deus, o raio da Protecção, da Perfeição e da Vontade de Deus, São Miguel Arcanjo é, igualmente, o Arcanjo da Libertação. O seu nome traduzido liturgicamente será: «Quem é como Deus», ou «Quem é semelhante a Deus» ou ainda «Aquele que é como Deus». Sinónimo de vindimas e de colheitas, São Miguel Arcanjo tem ainda a função de guiar e conduzir as almas para o céu, depois de tê-las pesado na balança da Justiça Divina.
Na hierarquia divina os arcanjos estão acima dos anjos, possuindo grandes poderes. São os arcanjos que transmitem as mensagens divinas, protegendo, principalmente, os médicos e as pessoas ligadas à área da saúde. Líder dos exércitos celestiais, alguns entendidos afirmam ser São Miguel o único a ter a designação de Arcanjo. Embora assim, nessa hierarquia, os arcanjos são sete. Seguem-se São Gabriel, São Rafael, São Jofiel, São Samuel, São Uriel e São Ezequiel.
O Arcanjo São Gabriel – cujo nome significa «Aquele que está diante de Deus» – citado várias vezes na Bíblia Sagrada, anunciou a vinda do Redentor e o nascimento de São João Baptista, o Precursor. Juntamente com os seus anjos dão aos homens Sabedoria e Compreensão. São ainda os mensageiros das Boas Notícias.
O Arcanjo São Rafael – chamado «Medicina de Deus» ou «Deus cura» – tem a seu cargo ajudar na cura dos doentes, sendo o guardião da saúde física e espiritual dos seres humanos. O Arcanjo São Gabriel, é considerado o chefe da ordem das virtudes. É o padroeiro dos médicos, dos cegos, dos viajantes e dos sacerdotes Os três Arcanjos, São Miguel, São Gabriel e São Rafael representam o símbolo do Poder, da Fidelidade e a Glória dos Anjos.
Soledade Martinho Costa
Do livro Festas e Tradições Portuguesas, Vol VII
Ed. Círculo dos Leitores
Recordo muito a Figueira
Minha Figueira da Foz
Suas gentes
O Mondego
A saída das traineiras
Nas tardes
Ao pôr-do-sol.
A serra
Ondulando ao vento
O grito dos pescadores
O cais, o sal
O farol.
O caminho para Buarcos
O seu cheirinho a maresia
O seu areal
A mata
O peixe dentro dos barcos.
Recordo muito a Figueira
Minha Figueira da Foz
Da saudade
Da distância
Do mar a acenar para nós.
Recordo muito a Figueira
Minha Figueira da Foz
Dos contos da minha infância
E Berço dos meus Avós.
Soledade Martinho Costa
Do livro «Reduto»
Foto: Traineiras
(Reeditado)
(Dois dos seus comentários via TV, ouvidos ontem, dia19/ 9/ 2024)
Comentário: Serão só «as celuloses de Portugal» a terem interesses nos incêndios? Acha que não há mais ninguém nos bastidores com interesses nestes negócios?
SMC
Considerações:
Uma coisa é certa: parece não haver falta de candidatos a incendiários! Quem lhes paga? As empresas de celulose? Só? Na sua opinião «não acredita que sejam os madeireiros os maiores autores.» Esta afirmação pressupõe que os madeireiros fazem parte da «classe» dos incendiários? Por acaso, já se informou, quantos madeireiros integram o grupo destas 70 pessoas, presas por fogo-pôsto?
Na sua frase «...sobre as intenções do Governo criminalizar os responsáveis pelos incêndios...», afirma «que existirão sempre incendiários». Coloco-lho uma pergunta: «Como acontece actualmente? Em número tão elevado, para um país tão pequeno?»
Nota-se que está entre aqueles que não apoiam a afirmação pública formulada por Luís Montenegro, de condenar com penas pesadas estas 70 pessoas, que puseram Portugal a arder. É mais adepto da pulseira electrónica? Ou faz parte daqueles que acham as medidas que o nosso Primeiro Ministro pretende tomar de «medidas populistas» e que «lhe puxa o pé para a chinela»?
Luís Montenegro (excertos)
«Não vamos largar aqueles que em nome do interesse particular são capazes de pôr em causa os direitos, liberdades, garantias e a vida dos nossos concidadãos e empobrecem o próprio país» - Luís Montenegro
«…levar à justiça os «criminosos» que têm «interesses» nos incêndios florestais. Não podemos perdoar quem não tem perdão.» - Luís Montenegro
«… a coincidência do aparecimento de ateamentos muito próximos uns dos outros em locais que parecem selecionados. Não há perdão possível» - Luís Montenegro
Soledade Martinho Costa
Acabei de saber pelo noticiário da TV que foram presos até agora 70 incendiários. Isto é, 70 criminosos por fogo-pôsto!
Perante a tristeza, a indignação, o luto e as lágrimas dos últimos dias, que se contam por muitos, senti-me ligeiramente recompensada, mas não tranquila.
Ouvi também que, finalmente, este assunto tinha chegado ao Governo, na pessoa do nosso Primeiro Ministro Luís Montenegro. É com esperança que desejo vê-lo tomar, como disse, as decisões que tanto têm tardado.
O castigo que se espera, exemplar e dissuasor, a aplicar àqueles a quem se deve a destruição pelo fogo de grande parte da mancha florestal do nosso país. Os culpados das mortes e das vidas destroçadas de quem viu os seus haveres devorados pelas chamas criminosamente ateadas por suas mãos.
Aqueles que são os culpados do medo que alimenta quem teme por si e pelos pelos seus, pelas suas casas, pelos seus pertences, pelas suas terras, pelos seus animais, num desfiar de destruição que não termina nestas palavras.
Que Luís Montenegro tome com segurança as rédeas desta calamidade que se abate anualmente sobre nós. Que faça o que outros não fizeram até aqui. Que nos livre do receio, que vai sendo antigo, quando se aproxima o Verão. Que seja coerente e duro, que seja implacável no destino a dar a estes 70 criminosos.
Quando digo «destino» a dar e não digo «penas» a aplicar, é porque Montenegro não é um juiz. Porque só na decisão dos juízes, ao longo dos anos, têm estado as penas aplicadas aos incendiários por fogo-pôsto. E essa decisão dos juízes não tem agradado aos portugueses, não tem agradado ao povo. Os crimes são demasiado grandes para tão pequenos castigos. Não tenho conhecimento de que um só criminoso incendiário tenha apanhado alguns anos de prisão, por poucos que fossem. Regra geral, são soltos, com pulseira electrónica (outros nem isso) e voltam à sua vida – muitas vezes para atearem novos incêndios. Nestes casos, com o maior desplante, chamam-lhes reincidentes. Se o são, foi porque alguém, inacreditavelmente, consentiu na sua reincidência. Repare-se, até hoje, houve sempre o cuidado de acauteladamente, acrescentar à designação incendiário, a palavra «presumível». Algumas vezes, com os incendiários apanhados em flagrante delito.
O povo português está habituado a que o Supremo Tribunal de Justiça seja benevolente nas sentenças ditadas pelos seus juízes. Esperemos que tal situação mude com a intervenção do Governo.
É urgente mudar as leis. É preciso PRENDER as mãos criminosas. Há críticas às sentenças aplicadas pelos juízes por demais ridículas, inexistentes e perigosas, a dar azo à aderência de novos incendiários, de modo a que a tragédia dos incêndios, anualmente, nos faça a sua fatídica visita.
É preciso parar. Não se pode deixar criminosos em liberdade!
Senhor Primeiro Ministro, apelamos para Vossa Excelência.
Li as palavras que pronunciou e admirei a sua coragem ao pronunciá-las. Disse às claras o que se diz às escondidas. Que toda a gente sabe, mas cala. Por tudo o que declarou, fez-me acreditar que há políticos «que merece a pena».
Não se perturbe com o clima que se está a gerar à sua volta. Era de esperar. Confiamos na sua intervenção. Na sua frontalidade, a que muitos «preferem» chamar populismo. As leis têm de ser mudadas neste País. Comece por aí. Não podemos deixar que Portugal continue a arder!
Soledade Martinho Costa

Foi com agrado que li o comunicado no site da CMVFXIRA.
em que se anuncia ter sido realizado o encontro. agendado entre o Presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira e o Senhor Ministro das Infraestruras e da Habitação, Miguel Pinto Luz.
Julgo que todos os munícipes, nesta altura, lhe devem uma palavra de agradecimento, embora o problema que levou ao agendamento do encontro não se encontre ainda resolvido. Havia, no entanto, a promessa do Presidente da Câmara em levar o assunto ao Governo, no sentido de ser encontrada uma solução,
Assim foi feito, no final da passada semana, dando-se cumprimento ao encontro com o Ministro, uma vez que a NAV apenas emitiu mentiras e nada alterou.
Deseja-se que o nosso autarca tenha levado a bom termo a sua missão, defendendo as localidades do seu concelho e os seus residentes, vítimas desde há quatro meses da passagem das centenas de aviões que sobrevoam dia e noite as localidades onde residem, designadamente a cidade de Alverca do Ribatejo e da Póvoa de Santa Íria, e as vilas do Forte da Casa, Vialonga, Sobralinho e lugares circundantes. Com a consumação deste encontro não ficou defraudada a confiança depositada no empenhamento do nosso Presidente da Câmara.
Aguardemos agora os resultados. «Do encontro saiu a decisão de que o Governo vai dar indicações à NAV Portugal a fim de estudar alternativas para o sistema de rotas de aterragem e descolagem dos aviões em Lisboa.»
Fernando Paulo Ferreira sublinhou «que mesmo compreendendo que o estudo possa ter complexidade, é necessário analisar alternativas à rota dos aviões, de forma a minorar o ruído que é sentido pelas populações, depois das alterações introduzidas a 16 de Maio pela NAV Portugal.»
As hipóteses de solução para este gravíssimo problema são tão diminutas que devem resumir-se, apenas, a uma só. Sugestão por bastas vezes formulada nos diversos artigos publicados nos jornais, na Net, nas Redes Sociais, em entrevistas, indicada como possibilidade de recurso na Rádio e canais de Televisão (RTP e SIC) e que se resume tão-só à única solução viável pela qual todos aguardamos. Assim o nosso Presidente da Câmara tenha levado o Senhor Ministro a decretá-la à NAV.
Trata-se da reposição dos anteriores voos, que permaneceram em vigor durante dezenas de anos, sem protestos das populações. Basta que os aviões façam a mudança de rota, como sempre fizeram, retomando o antecedente virar à direita, sobre o estuário do Tejo, ou à esquerda, para a lezíria de Loures (evitando os núcleos habitacionais), enquanto outros reassumam, como antes, os seus voos sobre o Mouchão da Póvoa.
Lembro as palavras de Fernando Paulo Ferreira, numa entrevista ao jornal «O Mirante», onde afirma pretender «que as rotas dos aviões sejam desviadas como anteriormente para localizações fora dos centros de aglomerados»
Com esta simples decisão, voltaríamos a ter a paz desejada, o direito ao silêncio diurno, à tranquilidade nocturna, sem impactos ambientais poluentes e sonoros e sem temer pela nossa saúde – tendo em consideração ser este já um caso de saúde pública.
Uma outra opção, energicamente combatida pelos moradores, reside na hipótese de os aviões passarem mais alto sobre esses lugares. Espera-se que não seja esta a solução a apresentar pela NAV! A ser assim, antes de a porem em prática, consultem as populações. Não será aceite. Ninguém consciente, que já tenha passado por este inferno, que dura há quatro meses, aceitaria tal opção As partículas continuariam a prejudicar a saúde das populações, a curto ou a longo prazo, e o ruído, talvez menor, não deixaria também, de afectar os residentes na zona sul do Concelho de Vila Franca de Xira,
Para além de todos os incómodos causados por este flagelo, chamo, por fim, a atenção para o facto da abertura das aulas. As crianças e os jovens estudantes, nestes perto de três meses, não foram prejudicados nas aulas devido ao período das férias. Mas as férias terminaram. A sua concentração durante as aulas não pode ser afectada pelo ruído contínuo da passagem dos aviões em voo rasante. Os professores não podem estar sujeitos a interromper a lição a cada passagem de um avião (e eles passam com intervalos de minutos!).
Esta situação é causa de distúrbio, de impedimentos, de falta do silêncio tão necessário numa sala de aulas. Fica a chamada de atenção dirigida às três partes envolvidas neste momento em resolver o actual problema (Autarca, Ministro e NAV), esperando-se o seu empenhamento a contento dos prejudicados, com a urgência que lhe é devida e a que têm direito.
Soledade Martinho Costa
(Escritora e jornalista residente em Alverca do Ribatejo)
Foto: Presidente da Câmara Municipal de Via Franca de Xira
Surgiram «inovações»: agora já não se diz que temos incendiários, diz-se que temos «ignições»! É moda, é novidade. Até parece que deixámos de ter os incendiários do costume. Quem por estas nossas aldeias, por este nosso Portugal do interior (e não só) saberá o significado desta palavra? Alguém a lembrou, Talvez os generais a fingir, sentados na frescura dos seus gabinetes, mas que mandam para a guerra os soldados da paz! Soa melhor do que incendiários.
Até há pouco tempo a palavra incendiário era seguida do termo «presumível». Não fosse a pessoa apanhada a atear o fogo estar inocente! Pobre País que nos faz rir pelo ridículo das ideias de quem manda, e chorar de tristeza pela destruição causada pelas chamas, pelas mortes, pelas vidas destroçadas.
No tempo quente, desde há muito é proibido fazer «queimadas». A multa não é leve, ninguém o faz. Não são os rurais que ateiam fogo ao que lhes pertence. Tenho casa numa aldeia nos arredores de Condeixa (destrito de Coimbra), sei do que falo. A lei é cumprida.
Senhores governantes e comunicação social, não façam apelos ao povo. É um insulto. Façam antes um exame de consciência e vejam de que lado vêm as «ignições». Dando-lhes outro nome, «é como tapar o Sol com a peneira». É tempo de fazer parar esta hecatombe, o montro do fogo, na maioria ateado durante a noite por mãos criminosas. Portugal não merece tamanha destruição, tamanho infortúnio, tanta lágrima chorada ano após ano!
Soledade Martinho Costa
Foto: Odemira (Alentejo)
Dou a conhecer pequenos excertos de uma carta (mais me parecendo uma carta automática), remetida pela ANA, a um residente no Ribatejo, que enviou a sua opinião para a ANA Aeroportos, aderindo à «consulta pública» integrada no PLANO DE AÇÃO DE RUÍDO 2024-2029 (RNT) – aos quais acrescento algumas considerações:
ANA : «...gostaríamos de recordar que a ANA adoptou uma Política de Ambiente onde se compromete a aplicar os princípios do desenvolvimento sustentável em todas as vertentes da sua atividade (…), de modo a obter a contínua melhoria da prestação ambiental.»
CONSIDERAÇÕES: Que a ANA adoptou «uma Política de Ambiente», demos por isso, sim, infelizmente. Só não demos que tenha havido «melhoria da prestação ambiental»! Muito pelo contrário! Basta ler os diversos artigos que contradizem essa afirmação da ANA Aeroportos, publicados em todos os jornais, em artigos, entrevistas e reportagens, difundidos pela Rádio, canais de Televisão (SIC Notícias e RTP), Redes Sociais, onde se relata o inferno em que vivem as populações ribatejanas «beneficiadas» por essa «melhoria ambiental», desde Maio passado, quando a NAV alterou o trajecto dos seus voos e as zonas residenciais foram invadidas pelos aviões, em voos razantes, a impedir a vida normal, diurna e nocturna, dos seus habitantes, devido ao impacto sonoro e poluição ambiental, que mudou completamente o bem estar das suas vidas, desde que foram implementados novos corredores aéreos em substituição dos anteriores, que se mantiveram ao longo de dezenas de anos sem queixas dos residentes desses lugares: Alverca do Ribatejo, Sobralinho, Póvoa de Santa Ìria, Forte da Casa, Vialonga e localidades em redor.
ANA: «...consciente das suas responsabilidades enquanto agente económico numa actividade de grande importância a ANA tem estabelecido um diálogo franco e aberto com as comunidades envolventes e outros afectados pelo impacte ambiental da respetiva atividade.»
CONSIDERAÇÕES:«Consciente das suas responsabilidades», não me parece, justificado pelo que atrás ficou dito. Trata-se de uma inverdade afirmar «que tem estabelecido um diálogo franco e aberto com as comunidades envolventes e outros afectados pelo impacto ambiental». Pergunto: como e de que maneira tem sido feito esse «diálogo»?! Mantendo um silêncio que dura há quatro meses?! Com os aviões a tornarem insustentável viver nas localidades referidas, a desrespeitar legalidades instituídas, não tendo o menor respeito pelos direitos e pelas queixas de quem sofre a ditadura que lhes foi imposta?! Era tempo de voltar atrás na decisão errada que a NAV tomou em prejuízo da saúde e da qualidade de vida das populações. Era tempo de voltarem a repor os voos anteriores, uma solução simples que tarda em ser retomada! Só essa solução é a indicada e desejada pelas populações que sofrem o verdadeiro inferno em que se tornou viver nestas localidades.
No meio das diversas inverdades, salienta-se uma única verdade. Esta: «...consciente das suas responsabilidades enquanto agente económico numa actividade de grande importância...». Aqui, sim, a ANA com isto diz tudo! Em primeiríssimo lugar, o lucro, a expansão, o dinheiro, na base da ganância, atributo e objectivo sistemático e prioritário do Homem (ou dos Governos). Mesmo pondo em risco a vida humana.
ANA: «Salienta-se que, no que à ANA compete, são cumpridos os limites de movimentos no período entre a 0 e as 6 horas. Todos os casos (...) que excedem esses limites, são comunicados à autoridade competente (ANAC) como potenciais infrações.»
CONSIDERAÇÕES: Esta afirmação anda bem longe da verdade. As localidades referidas sofrem nocturnamente impactos sonoros de grande intensidade a altas horas da madrugada e não dentro do horário das 0 às 6 horas. Horário já por si impróprio por impor às populações limitações rígidas ao seu direito às horas de sono, estipuladas entre as 8 e as 9 horas, de acordo com o número de horas necessária ao seu repouso nocturno, Entre as muitas infrações diárias, cito as do passado dia 7 de Setembro, com a passagem de um avião sobre Alverca do Ribatejo pelas 5 horas e 30 minutos da madrugada, logo seguido por um outro, apenas 1 minuto depois: eram 5 horas e 31 minutos.
No dia 8 de Setembro mais dois avião em voo razante, causando impacto sonoro, ao quebrar o silêncio da hora e afectando a tranquilidade nocturna das populações, passa sobre Alverca do Ribatejo, às 5 horas e 15 minutos, logo seguido de um outro eram 5 horas e 25 minutos. No dia 9 de Setembro, repete-se o ilegal impacto sonoro pelas 5 horas e 20 minutos da madrugada, também este seguido de outro avião com um intervalo de 5 minutos: eram 5 horas e 25 minutos da madrugada. No dia 10, pelas 5 horas e 20 minutos da madrugada, outro avião em voo rasante e com grande impacto sonoro a pôr em sobressalto o silêncio da hora e a tranquilidade dos moradores. Hoje, dia 11 de Setembro, verificou-se a passagem de mais um avião pelas 5 horas e 22 minutos da madrugada.
Afirma a ANA que «tais infracções são comunicadas à autoridade competente: a ANAC.». A graça é que a multa se cifra no ridículo montante de 52,00 euros! Isto não é revelado pela ANA! Daí, devido a multa tão irrisória, fica-nos a certeza de continuarmos a contar com os voos a horas impróprias da madrugada, causando o maior incómodo e os subsequentes distúrbios na saúde das populações.
Por me parecer de grande importância, registo notícia do Jornal Expresso:
«Entre 26 de Agosto e 1 de Setembro a Associação Zero registou 161 voos a aterrar ou a descolar do Aeroporto Humberto Delgado, entre a meia-noite e as 6 da manhã. Este numero de voos equivale a quase O DOBRO dos permitidos por lei, que são 91 por semana e foi detectado com base em informação pública disponibilizada pela ANA Aeroportos»
ANA: «Na ANA damos valor ao Ambiente! (…). Desde sempre que esta área assumiu um papel central tem o dever de agir, desenvolvendo soluções que ajudem a melhorar as condições de vida, mas também reduzindo o impacto das suas atividades. Esta ambição ambiental concretiza-se através de medidas de gestão implementadas no dia a dia da empresa...»
CONSIDERAÇÕES: «Dar valor ao Ambiente» é coisa que não se nota, devido às medidas adoptadas pela NAV: mais poluição ambiental, mais impacto sonoro, com a constante passagem dos aviões (hoje em maior número), sobre as localidades, afectadas pelas novas rotas estipuladas. Esta, sim, esta é a verdade! Em completa contradição com a afirmação de que «A ANA assumiu (…) o dever de agir, desenvolvendo soluções que ajudem a melhorar as condições de vida, mas também reduzindo o impacto das suas actividades através de medidas de gestão implementadas no dia-a-dia da empresa...»
Tudo o que foi «implementado com grande ambição ambiental na gestão do vosso dia-a-dia», podemos lê-lo nos comentários da Petição online, assinadas nas queixas, que ultrapassam já as 2000 pessoas, vítimas das condições de vida insuportáveis, impostas pela NAV nos últimos quatro meses.
Se o assunto não fosse tão sério e causa de tanto incómodo, intranquilidade e receio do que se refere à saúde das populações, diria que seria caso, ao ler a vossa carta, para uma boa gargalhada!
A solução para a cessação de mentiras, como as desta carta, e dos consecutivos adiamentos para pôr fim a este flagelo, que atormenta e põe em perigo a vida de muitos milhares de pessoas, está, agora, na mão do Governo. Sabemos que o Governo anterior, na pessoa de António Costa, pouco antes de abandonar o cargo, aprovou esta prejudicial alteração dos voos decretada pela NAV. Cabe agora ao actual Governo, por princípio ao Senhor Ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, emendar o erro cometido com a urgência que merece.
O encontro agendado com o nosso autarca Fernando Paulo Ferreira para a primeira semana de Setembro, já lá vai. Será, então, por todo o resto do mês de Setembro. Esperamos, com esperança (alguém tem de nos valer!), que o nosso presidente da Câmara de Vila Franca de Xira leve a bom termo a sua missão, defendendo as localidades do seu concelho e os seus residentes, levando o Senhor Ministro a decretar à NAV a reposição dos anteriores voos, que permaneceram em vigor durante dezenas de anos, sem protestos das populações. Basta que os aviões façam a mudança de rota, como sempre fizeram, retomando o antecedente virar à direita, sobre o estuário do Tejo, ou à esquerda, para a lezíria de Loures (evitando os núcleos habitacionais), enquanto outros reassumam, como antes, os seus voos sobre o Mouchão da Póvoa.
Com esta simples decisão, voltaríamos a ter a paz desejada, o direito ao silêncio diurno, à tranquilidade nocturna, sem impactos ambientais poluentes e sonoros e sem temer pela nossa saúde – tendo em consideração ser este já um caso de saúde pública.
Soledade Martinho Costa
(Escritora e jornalista residente em Alverca do Ribatejo)
Foto: Horácio Villaalobos
Getty Images
Graça que só pode resultar numa boa gargalhada para quem tem acesso ao «Plano de Acção de Ruído Aeroporto 2024 - 2029», emitido pelo Aeroporto Humberto Delgado.
São 17 páginas (português/inglês), um verdadeiro manual de erudição técnica temática, elaborado em pequenos apontamentos diversificados, que necessitam de pessoas peritas na matéria para serem descodificados.
Como não estou interessada em cursos online de navegação aérea, limitei-me a ler apenas algumas partes que considerei com interesse para o assunto que, desde Maio último, causa o maior incómodo lesivo do bem estar e da saúde das populações, que sofrem o ruído contínuo, diurno e nocturno, das centenas de aviões que passam sobre as localidades onde residem, no concelho de Vila Franca de Xira.
O resto, é o costume: baralham, tornam a baralhar e dão as cartas, escudados em frases onde utilizam uma linguagem técnica que escapa a quem não tem formação «aeronáutica», embora fique à vista de qualquer ignorante a arte de «tapar o Sol com a peneira», o mesmo é dizer, «com a mentira me enganas» (troquei o ditado).
Com este «Plano de Acção de Ruído Aeroporto 2024-2029», ficamos a saber de algumas novidades. Uma delas, a da «Criação do Fundo de Mitigação dos Impactes Ambientais da Operação das Aeronaves.» Exactamente. Não perceberam do que se trata? É natural. Pois não é mais do que um «Fundo da responsabilidade do Governo para financiar acções várias no âmbito da gestão do ruído.» Por exemplo: INTERVENÇÕES DE ISOLAMENTO ACÚSTICO NAS FACHADAS DOS EDIFÍCIOS HABITACIONAIS, DE SAÚDE E DE EDUCAÇÃO, podendo não limitar-se a esta área de actuação ambiental. Felizes?
Mas há mais novidades. Financiadas pela ANA (Aeroportos e Navegação Aérea), as verbas destinam-se, mais uma vez, «à adopção e instalação das soluções de redução do ruído, inseridas no programa Bairro: Saúde e Educação. As soluções? ISOLAMENTO ACÚSTICO!
Ainda outro programa: agora financiado pelo Fundo de Mitigação dos Impactos das Aeronaves. Programa Bairro.
E aí temos de novo a solução para o ruído que nos afecta:
ISOLAMENTO ACÚSTICO NAS HABITAÇÕES, com usos sensíveis (?) TENDO PRIORIDADE AQUELAS QUE FORAM CONSTRUÍDAS ANTES DE 1942!!!
Realmente, vivemos num país anedótico, cujas anedotas, com o propósito de nos contrariar, nos dão vontade de chorar em vez de nos fazer rir.
Das alterações solicitadas, por diversos meios, à NAV, à ministra do Ambiente, ao ministro das Infraestruturas e da Habitação, tais como: artigos em todos os jornais, nas redes sociais, na Rádio, na Televisão, em entrevistas, e via e-mail, esse apelo que tarda em trazer aos habitantes das localidades, vítimas das actuais medidas em vigor, a tranquilidade, sinónimo de voltar à normalidade do seu dia-a-dia, ao descanso de que necessitam para o seu bem estar e ao respeito que deve merecer à NAV (e agora ao Governo) as suas vidas e a sua saúde, mental e física, NEM UMA ÚNICA PALAVRA CONSTA NESTE «PLANO DE ACÇÃO DE RUÍDO AEROPORTO 2024 – 2029»!!!
Mas temos a promessa do ISOLAMENTO ACÚSTICO EM
TODAS AS HABITAÇÕES CONSTRUÍDAS ANTES DE 1942!!!
Soluções absolutamente lunáticas, inviáveis e ridículas.
Triste país de loucos e de surdos a impor a sua vontade férrea, com legalidades por si impostas, mas, certamente, impunemente ilegais e contraditórias no seu todo,
Os aviões que invadem o espaço aéreo nesta zona do Ribatejo, a provocar uma terrível poluição ambiental e impacto sonoro, continuam a sobrevoar em voos baixos estas localidades. O Plano mente quando diz impôr, qual ditadura, voos até às 0 horas com reinício a partir das 6 horas da manhã!
O horário imposto é falso e seria inaceitável. Ontem, sexta-feira, dia 30 de Agosto, passou em Alverca do Ribatejo um avião era 1 hora e pouco da madrugada, seguido por outro eram 2 horas e vinte minutos!
Pergunto: que horas ficam a quem reside nestes lugares para o seu descanso físico e mental?!
Será este o cenário de que usufruem nas suas residências aqueles que causaram semelhante situação? E os sábados e domingos, considerados dias de descanso? Temos o sábado de hoje, dia 31 de Agosto, em que não houve uma pausa, um pouco de silêncio, desde as 5 horas e pouco da madrugada, até agora, com o passar de mais um avião. São 2 horas da madrugada!
A opção que se aguarda, aquela que os residentes das localidades atrás citadas desejam, ansiosamente, que seja tomada, como solução para este flagelo do ruído e os males que lhe acrescem, não são os horários estipulados (falsos e não cumpridos) nem os mirabolantes isolamentos acústicos impraticáveis, mas, sim, que sejam retomadas as anteriores rotas que permaneceram em vigor durante dezenas de anos, sem protestos das populações, até ao dia 16 de Maio passado.
Basta que os aviões façam a mudança de rota, como sempre fizeram, retomando o antecedente virar à direita, sobre o estuário do Tejo, ou à esquerda, para a lezíria de Loures (evitando os grandes núcleos habitacionais da zona) reassumindo, como anteriormente, os seus voos sobre o Mouchão da Póvoa.
Destes aviões pouquíssimo ou nenhum ruído se sentia nas localidades de Alverca do Ribatejo, Póvoa de Santa Iria, Forte da Casa, Vialonga e localidades ao redor.
Uma outra opção, energicamente combatida pelos moradores, reside na hipótese de os aviões passarem mais alto sobre estes lugares. As partículas continuarão a prejudicar a saúde das populações e o ruído, talvez menor, continuará, também, a afectar quem aqui reside.
Deixei para o fim a última novidade constante do Plano: «Encontra-se em consulta pública os trabalhos inerentes à realização dos inquéritos, de forma a aferir a percepção da população face ao ruído gerado pelo movimento das aeronaves». Ou seja, a partir de agora, podemos enviar a nossa opinião para a ANA Aeroporto sobre o problema dos aviões, do ruído, da poluição e dos males subsequentes.
Como se não existisse uma petição online a correr, que ultrapassa já os 2000 aderentes, onde estes expressam, claramente, nos comentários que fazem, não as suas opiniões, mas as suas queixas. Chama-se a isto «chover no molhado». Esta mirabolante ideia chega com atraso, de quase 4 meses, deslocada e ultrapassada, Bem de mais sabe a NAV, a ANA ou a VINCI (siglas ligadas ao Aeroporto de Lisboa) a opinião das populações ribatejanas que sofrem com esta desesperante situação.
Entretanto, continuamos à espera da reunião (agendada para a primeira semana de Setembro), do nosso presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira, com o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz.
Dei por terminado este artigo. Olho o relógio. São 3 horas e 22 minutos da madrugada. Poderá parecer coincidência, mas acaba de passar mais um avião. Esta afirmação poderá ser confirmada. Há meios técnicos para isso. Confirmem!
Soledade Martinho Costa
(Escritora e jornalista residente em Alverca do Ribatejo)
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