Segunda-feira, 29 de Julho de 2024

UM AVIÃO SOBRE O TELHADO

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A NAV não fala verdade nas suas argumentações. Devia ter em conta que a sua inverdade vai contra a palavra de quem assinou a petição on-line a decorrer (já ultrapassou as 2000 assinaturas), onde expressam, nos comentários feitos, ao assinar a Petição Pública em curso, os seus inúmeros e fundamentados protestos.

O tormento e a perigosidade em que se tornou viver nas localidades de Alverca do Ribatejo e arredores (Arcena, Bom Sucesso, Calhandriz, Sobralinho), e também na Póvoa de Santa Iria, Forte da Casa e Vialonga, invadidas pelo ruído incessante dos seus aviões, em voos rasantes e altamente nocivos sobre as populações, deve ser entendido como um abuso lesivo, que se sobrepõe aos direitos legais dos cidadãos ali residentes.

Dirijo-me, principalmente, ao Conselho de Administração da NAV, constituído em Dezembro de 2023, do qual fazem parte a Dra. Ana Cristina Lima, o Dr. Gonçalo Vale e o Dr. Pedro Ângelo, que assumiu a presidência da NAV Portugal.

É urgente pôr um fim a esta nociva e infernal situação. É preciso acabar, de uma vez por todas, com o nefasto impacto sonoro e a poluição ambiental, que se faz sentir de dia e também de noite. (É 1hora e 30 minutos da manhã e acaba de sobrevoar Alverca um avião cujo impacto foi estrondoso, inadmissível e decerto ilegal).

Que não passe em claro mais este apelo. É preciso retomar métodos anteriores, que permaneceram em vigor dezenas de anos, sem protestos das populações, até ao dia 16 de Maio passado.

Prezados Senhores da NAV Portugal: basta que os aviões façam a mudança de rota, como sempre fizeram (mais ou menos antes de Santa Iria), retomando o antecedente virar à direita, sobre o estuário do Tejo, ou à esquerda, para a lezíria de Loures (evitando os grandes núcleos habitacionais da zona), enquanto outros, com rotas na sua maioria para a Europa, reassumam, como anteriormente os seus voos sobre o Mouchão da Póvoa.

Destes aviões, cujo desvio, feito atempadamente, pouquíssimo ou nenhum ruído se sentia nas localidades de Alverca do Ribatejo, Póvoa de Santa Iria, Forte da Casa, Vialonga e lugares ao redor.

As populações aguardam a vossa decisão, que tarda, mas que se deseja sensata e justa. Confiantes no regresso à normalidade do seu dia-a-dia, à sua tranquilidade, ao descanso de que necessitam para o seu bem estar mental e físico e ao respeito que vos deve merecer as suas vidas. Longe de impactos sonoros insuportáveis, dia e noite, de perigos para a sua saúde, provenientes das partículas expelidas pelos aviões – sobre as quais já muito se tem escrito e alertado. Não podemos viver com medo. Não se tolera tal flagelo.

O Conselho de Administração da NAV Portugal, na pessoa do seu Presidente Dr. Pedro Ângelo pode e deve mudar toda esta situação. Para ele é um dever, para nós é um direito.

Soledade Martinho Costa

(Escritora e jornalista residente em Alverca do Ribatejo)

Foto: Daniel Rocha/ Jornal Público

Link da petição: https://peticaopublica.com/mobile/pview.aspx?pi=PT121524

 

publicado por sarrabal às 01:51
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Sábado, 27 de Julho de 2024

CRISTIANO RONALDO - UM CONVITE PARA JANTAR COM UM ATRASO DE 26 ANOS?

UM CONVITE PARA JANTAR COM ATRASO DE VINTE E SEIS

Querido Cristiano Ronaldo, há já muito que não te deixo comentários. Nos últimos tempos, as imagens publicadas na página onde costumo fazê-lo, dizem mais respeito a quem percebe de futebol e eu, como sabes, sou mais das literaturas.

No entanto, resolvi abordar hoje uma questão um pouco diferente das usuais. Isto é, das que me levam, por vezes, a escrever-te – e já somam umas boas dezenas os comentários que te fiz até agora, na tua página do Facebook, além das diversas crónicas. Esta é mais uma.
Não se trata de um assunto actual, mas só agora resolvi abordá-lo. Talvez até não seja a melhor altura para fazê-lo. Devia tê-lo feito muito antes, mas quanto mais tempo passar, mais o assunto (de certa forma delicado e até arriscado) que me leva a escrever-te ficará afastado e talvez desajustado do teu actual percurso
É um tema delicado e que, no fundo, somente a ti diria respeito, não fosses tu a figura pública inigualável em que te tornaste. Espero que não fiques melindrado com o que vou dizer-te e que serve, ao mesmo tempo, como pergunta ou, se quiseres, como pedido de informação.
Bem sei que tens pessoas que orientam as tuas páginas nas redes sociais. Nem tu terias tempo para ler os comentários que te fazem! Verdade ou mentira, ouvi que tudo o que é escrito sobre ti passa pelo teu irmão Hugo (responsável pelo teu museu na Madeira). Será ele que selecciona o que deves ler. Assim, pode ser, ou não, que venhas a ter conhecimento do que vou escrever-te..
Trata-se do seguinte: há já tempos, li que levaste o teu filho mais velho a conhecer a pensão onde viveste quando muito jovem, partilhando um modesto quarto com um colega teu. Que lhe contaste a vida difícil da tua adolescência. «Que costumavas ir ao Mc’Donalds, à noite, quando tinhas fome, e que duas empregadas te davam os hambúrgueres que sobravam». Afirmaste ainda, «que gostarias muito de jantar com a Dona Edna e com a outra senhora que lá trabalhava. Que gostarias de as rever para devolver tudo o que te deram e para lhes mostrar a tua gratidão.»
Antes de continuar, e porque o teu filho quase não acreditou no que viu e ouviu da tua boca, suponho que terá feito, certamente, uma comparação entre o que os seus olhos viram e o luxo de que se vê rodeado. Terá compreendido também a disparidade entre o luxo e a pobreza.
Para mim, foi a mais bela e proveitosa lição que podias ter dado ao Ronaldinho. Ficar-lhe-à na memória dos olhos o que viu para o resto da vida.
E agora, a minha dúvida - só depois a pergunta: Cristiano Ronaldo, pelas afirmações que fizeste, deduzo que tanto a Dona Edna como a outra Senhora nunca te contactaram. Caso contrário, não teriam qualquer sentido as tuas palavras. Ora, a ser assim, essas duas Senhoras merecem todo o meu respeito. Aliás, não só o meu, mas o respeito de todos nós.
Mostraram uma conduta digna e exemplar. Sabendo, hoje, o ídolo em que te tornaste, e não te procurando, só prova a sua integridade e desambição. Nos dias actuais, encontrar pessoas com este comportamento, é quase um milagre!
Agora, a pergunta: querido Ronaldo, será possível que passados tantos anos (terias uns treze anos), não tenhas tido tempo de convidar essas duas Senhoras para jantar contigo e demonstrar-lhes, como disseste, toda a tua gratidão? Que pensarão elas de ti quando se recordam dos hambúrgueres que te ofereciam?
É uma crítica? Pois é, meu querido. Hoje é uma crítica. Estás na casa dos trinta e nove anos. Passou demasiado tempo. Para concretizar esse teu desejo, devias tê-lo feito muito mais cedo. Acredita que não me agrada o que estou a escrever.
Julgo, no caso de já se terem encontrado, que muito se teria escrito sobre o assunto, principalmente, por aqui, nas redes sociais. Mas de nada se falou, a não ser no «teu desejo de voltar a ver quem te ajudou».
E pouco mais se acrescenta após a entrevista que deste ao canal britânico ITV, em que falaste do assunto: “se esta entrevista puder ajudar a encontrá-las, eu ficaria muito feliz. Quero convidá-las para irem a Turim ou a Lisboa jantar comigo.”
A mesma fonte adianta: «que algum tempo depois andaste à procura das tais senhoras, mas não conseguiste encontrá-las porque o McDonald’s havia fechado.»
Como se não soubesses, Ronaldo, que existem detectives particulares que poderiam, prontamente, resolver essa questão ou, por outras palavras, saber o paradeiro dessas pessoas! Por isso me surpreendo.
No entanto, as tuas palavras funcionaram como a senha para que alguns jornalistas tentassem reencontrá-las. A Rádio Renascença teve mais sorte, localizou Paula Leça que terá declarado: “Ainda estou a achar graça. Já tinha contado ao meu filho que achava que era mentira, porque a mãe dele nunca poderia ter dado um hambúrguer ao Cristiano Ronaldo. O meu marido já sabia, foi algumas vezes buscar-me lá à noite e também viu (…) Se vier o convite, lá estarei com certeza. A primeira coisa será agradecer e, no jantar, teremos tempo para recordar esse tempo”, afirmou.
Apesar de tudo isto, nada se sabe de tal encontro. Pessoalmente, nada li, nem constou. E seria importante que se soubesse. Que constasse como um gesto teu já consumado. Por ti, pelas duas Senhoras, e por nós, teus admiradores e apoiantes.
Seria bom, muito bom, saber com pormenores, que já lhes agradeceste e que ambas ficaram felizes e orgulhosas com a tua atitude de humildade e gratidão. Mas nada consta, a não ser o silêncio em relação ao teu desejo e à tua pública e meritória intenção.
Sei da tua bondade. Já muito escrevi, nos comentários que te tenho feito, sobre esses teus gestos altruístas, que o teu coração comanda. (Além de uma longa crónica, sobre essa faceta do teu carácter, incluída no meu mais recente livro Canções Contadas, levado por mão amiga para o teu museu, a fazer parte da área bibliográfica.)
A ter-me enganado (e gostava que o estivesse), e que o jantar se tenha, realmente, concretizado, desejo que tenhas escolhido o melhor restaurante em Portugal ou em Turim, para levares as tuas amigas. A Dona Edna e a colega merecem bem que as tenhas levado ao melhor e mais caro restaurante do mundo!
Sabes, fiquei intrigada com aquelas tuas palavras, que li na altura: «...gostava muito de jantar com a Dona Edna e com uma outra senhora que lá trabalhava. Gostava de as rever para devolver tudo o que me deram e para lhes mostrar gratidão”.
Repara, «sobre as noites em que ias ao Mc’Donalds com fome, e as duas empregadas te davam os hambúrgueres que sobravam», já passaram mais de vinte e seis anos!
Essa falta, em relação ao que de ti conheço, não me parece um acto teu. Mas o tempo passa depressa, eu sei.
Como te disse, nada li, nem vi, nem ouvi, que se relacionasse com esse encontro. E tenho pena. Os teus admiradores (como eu) teriam gostado de ouvir, de saber, de ver, pelo menos, uma foto desse encontro. Assim não aconteceu (que eu tenha dado por isso). Quem sabe por vontade das tuas amigas. Por ti, não, porque estás permanentemente em foco.
Ao contrário do costume, desta vez deixo-te um «ralhete». E porquê? Porque gosto de ver-te intocável nas tuas atitudes. Mas és humano, meu querido e a perfeição não existe.
 
Soledade Martinho Costa
publicado por sarrabal às 10:23
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Terça-feira, 23 de Julho de 2024

PARABÉNS «SARRABAL» - 17 ANOS!

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Quase não acredito que passaram 17 anos desde que dei início ao meu blog «Sarrabal». Mas, a verdade, é que passaram.

Iniciei-o no dia 23 de Julho de 2007. Precisamente, por ser a data do aniversário de Amália Rodrigues, minha querida e saudosa amiga.

Muito diferente, hoje, dos primeiros tempos, em que no blog havia sempre comentários. Ultimamente, voltei a ter assiduidade nas publicações. Alguns dos antigos comentadores do «Sarrabal», passaram para o Facebook (como eu passei) e acabaram na minha lista de amigos; não os perdi.

Sei que vai tendo leitores (de vez em quando lá aparece um comentário) e sei que vou continuar a gerir o «Sarrabal» até um dia. Nada é eterno e 17 anos indica que o «Sarrabal» já é um «adolescente».

Agradeço a quem continua a ser seu leitor, antigo ou recente, e faço votos para que nos voltemos a encontrar, com saúde no próximo ano. Até lá, deixo-vos o já tradicional bolinho de aniversário e parte de um poema que dediquei a Amália, visto, fazer parte inequívoca deste aniversário.

 

(…) De corpo e alma

Estou na tua frente

De corpo e alma e tua

Eis-me aqui.

 

Mas sem trazer comigo

Das palavras

As que te conte

As vezes que morri.

 

De corpo e alma

Estou na tua frente

À espera de te ouvir

Dizer porquê.

 

A razão desta mágoa

Deste canto

Desta voz que me deste

E reparti. (...)

 

Soledade Martinho Costa

 

publicado por sarrabal às 21:17
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Sábado, 20 de Julho de 2024

AVIÕS SOBRE O RIBATEJO

AVIÕES SOBRE ALVERCA DO RIBATEJO E OUTRAS LOCALIDADES VIZINHAS.

A petição on-line que decorre, ultrapassou as 2000 assinaturas

Consciencializar e resolver urgentemente este gravíssimo problema é o que esperamos  e as populações desejam a cada minuto que passa.

Pelos nossos direitos e pela saúde dos cidadãos!

SMC

Link da petição: https://peticaopublica.com/mobile/pview.aspx?pi=PT121524

publicado por sarrabal às 23:31
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Quarta-feira, 17 de Julho de 2024

AVIÕES SOBRE ALVERCA - PETIÇÃO ONLINE

448403459_7687341568020342_9011665339190581381_n.jEstá a decorrer uma petição online que visa reduzir o forte impacto do ruído provocado pelas novas rotas dos aviões, impostas pela NAV, sobre a cidade de Alverca do Ribatejo, Póvoa de Santa Iria, Forte da Casa, Vialonga e arredores.

Com grave prejuízo sonoro e ambiental, agravado pelas perigosas partículas expelidas pelos aviões, em voos baixos (com tendência para aumentar os mais de 300 voos diários, com passagens de 2 em 2 minutos e até menos), viver nestas localidades passou a ser um flagelo.

A situação implica a falta de bem estar, a tranquilidade, e os inevitáveis riscos para a saúde pública.

Impõe-se uma rápida alteração. ou voltar às anteriores rotas, que, ao longo dos anos. nunca causaram danos nem incómodo, nem puseram em perigo a saúde das populações.

Antes das alterações, os aviões eram desviados para o estuário do Tejo, passavam sobre a lezíria de Loures, ou sobre o mouchão da Póvoa, evitando os grandes núcleos habitacionais da zona. Destes aviões, pouco ou nenhum ruído se fazia sentir em Alverca do Ribatejo, na Póvoa de Santa Iria, Forte da Casa, Vialonga e redondezas. Isto, durante todos estes anos (uma vida!)

Precisamos do vosso apoio. Precisamos da vossa ajuda. Precisamos estar juntos. PRECISAMOS DA VOSSA ASSINATURA NESTA JUSTA CAUSA!

SEGUE O LINK DA PETIÇÃOhttps://n9.cl/b18is 

Muito obrigada.

Soledade Martinho Costa

(Se puderem, divulguem!)

publicado por sarrabal às 00:57
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Sexta-feira, 12 de Julho de 2024

AVIÕES - A ANEDOTA DA SEMANA

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Da página de humor «Cavaleiro Andante», do jornal «O MIRANTE», mão amiga fez-me chegar este recorte. Escolhi esta foto do nosso mui amado presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira, não pela sua bela postura em relação à foto, mas sim pelas declarações que proferiu (e que podem ler-se em legenda).

Não posso deixar de salientar o teor das suas palavras, como as de alguém cujo grande poder de alcance e observância, consegue, em meia dúzia de frases, tornar absolutamente inofensivo um problema que tem vindo a atormentar os residentes desta zona ribatejana desde o dia 16 de Maio passado.

Refiro-me às populações de Alverca do Ribatejo, Póvoa de Santa Iria, Forte da Casa e redondezas. Isto é, desde que a NAV Portugal impôs aos residentes destas localidades a sua vontade de fazer passar (até agora impunemente) os seus aviões em voo baixo, causando aos moradores nesses lugares, fortes impactos sonoros, dia e noite, acrescidos da perigosa e nefasta poluição ambiental.

Mas perante as palavras do nosso diligente edil, parece que o caso, afinal, não assume quaisquer vislumbre de importância ou de preocupação, como se supôs à primeira impressão! O povo é um alarmista!

Perante as afirmações de Fernando Paulo Ferreira, cujo relevante e sapientíssimo conhecimento em matéria de meteorologia é por demais conhecido, tudo se reduz a uma causa tão simples quanto isto: o barulho imparável dos aviões, de noite ou de dia, deve-se tão somente «aos ventos predominantes que nesta altura do ano sopram no concelho»!

Na preocupação de nos sossegar, desvalorizou e subestimou a situação, ao afirmar «que a culpa não é das alterações impostas pela NAV, mas, sim, dos mesmos ventos que nos dão a «sensação» de se notar um maior ruído!»

Ou seja, os motivos que nos assistem e afligem não têm razão de ser, porque não são reais. mas apenas uma questão «sugestionável» ou ilusória do nosso subconsciente – (escolham como acharem melhor!). Ora aí está!!!

E nós moradores das zonas afectadas, que nem de longe nos passou pela ideia que a causa deste verdadeiro inferno estava nos ventos e que a NAV, coitada, estava inocente! Por outras palavras, que nada tem a ver com os voos baixos, o terrível impacto sonoro e ambiental, nem com as perigosíssimas partículas «despejadas» gentilmente sobre nós pelas centenas dos seus aviões.

Portanto, meus amigos, aí temos, nas sapientes palavras de quem nos representa e defende (o melhor que sabe), a razão do roncar atroador dos aviões sobre a nossa cidade, que não passa apenas de uma «sugestão» nossa e nada mais. Isto, porque todos nós somos, sem dúvida, pessoas muitíssimo «sugestionáveis».

Ainda assim, não deixa de ser curioso e, sobre tudo, bastante estranho, que ao longo de tantos anos (uma vida!), só agora os residentes destas localidades ribatejanas, dêem conta deste flagelo, nunca antes sentido, que se abateu sobre o nosso bem estar, a nossa tranquilidade e a nossa saúde.

Com efeito, só após as alterações efectuadas pela NAV, após o dia 16 de Maio passado, esses impactos ruidosos que se manifestam minuto após minuto, começaram a atormentar a nossa qualidade de vida.

Certo, certo, é que sob o nosso espaço aéreo sempre passaram aviões, e quanto aos ventos, sempre ou houve. Simplesmente, não havia queixas. Só depois das alterações da NAV, se tornou num verdadeiro inferno viver nestas localidades.

Mas ainda bem que o senhor presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, fez o favor de nos elucidar que a NAV nada tem a ver com a situação, ao contrário dos «ventos «predominantes», eles sim, que nesta altura sopram no concelho»! Isto, a somar ao facto de sermos pessoas super «sugestionáveis»!

Senhor presidente, não nos faça rir!!!

Voltarei ao assunto.

 

Soledade Martinho Costa

 

(Escritora e jornalista residente em Alverca do Ribatejo)

 

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Quinta-feira, 11 de Julho de 2024

AS PALAVRAS DOS POEMAS

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Quando escrevo um poema

A mim ofereço todas as palavras

Só depois o liberto pelas folhas

Ou as páginas do livro.

 

Cada palavra no seu espaço

Cada palavra em sua hora.

 

Os meus versos

Não os ofereço

Como se oferece uma orquídia

Um bouquett de rosas

A renda que o mar tece sobre a onda.

 

Essas, são palavras demasiado belas

Para vestirem um poema.

 

Prefiro oferecer cada palavra

Como se oferece

Um copo com água a quem tem sede

Um raio de sol a quem tem frio

O levedar do pão a quem tem fome.

 

Respirar cada palavra

Decorar-lhe a forma

Sentir-lhe a força

A beleza, a energia

A música, a cadência

Mas também

Fazer de cada palavra

A verdade que se oculta

A denúncia que se encobre.

 

Palavras escritas

Pintadas, cinzeladas

Cantadas, musicadas

Fotografadas, ditas.

 

Fazer com elas uma arma

Ou uma pomba

Um lamento como eco num poço

A tranquilidade de um aceno

Uma lágrima que se retrai

Um sorriso que se esconde.

 

Com o corpo das palavras

Enaltecer a honestidade

Com que se veste o íntegro

Ou denunciar o despudor

Com que se despe o falso, o impostor.

 

Os apadrinhados

Dos meandros do crime

Sem algemas, sem grades

Cobertos e protegidos

Com a sua própria sombra.

 

E a pergunta espreita

No verso do poema

Continua a sua caminhada

Palavra após palavra

Em cada linha escrita, projectada.

 

Quem castiga aquele

Que a obra de Deus, a Natureza

Reduz a cinza

E o outro que vendeu a neve

Que matou o drogado

E mais o outro que violou a virgem sem pecado

Quem aponta o dedo ao ladrão

Que ostenta com orgulho o que é roubado

Quem desmascara o fingido que se vende

E se assume como honrado.

 

Ah! palavras despidas, desnudadas

Arrancá-las à mentira que as sufoca

E gritá-las uma a uma

Boca em boca

Descobertas, nuas

Em toda a sua extensão de liberdade.

 

Gritá-las uma a uma

Boca em boca

Com dignidade, coragem, destemor

Em corpo inteiro

Sem lembranças de vozes com amarras

A sufocar a razão e a verdade.

 

Gritá-las uma a uma

Boca em boca

Com a esperança de travar a máquina

Que nos reduz a pobres seres sem voz

Impotentes, inermes, manipulados.

 

Mas a escrever como nos dita a consciência

Palavras limpas de delitos e pecados.

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro «Um Piano ao Fim da Tarde»

 

Edições Sarrabal

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Quarta-feira, 10 de Julho de 2024

AVIÕES SOBRE O RIBATEJO - LEITURA OBRIGATÓRIA!

448403459_7687341568020342_9011665339190581381_n.jTestemunho por mim recebido de um residente na Póvoa de Santa Iria.

Soledade Martinho Costa

 

MPACTOS SONOROS E AMBIENTAIS NA PÓVOA E FORTE DA CASA, CAUSADOS POR AVIÕES, PÕE EM RISCO A TRANQUILIDADE E A SAÚDE DOS MORADORES

 

Estando na ordem do dia o enorme aumento do número de aviões que sobrevoam a Póvoa de Santa Iria, Forte da Casa e Alverca do Ribatejo, venho deste modo dar conhecimento de que, como cidadão morador na Póvoa de Santa Iria há 18 anos, senti em desespero a necessidade de escrever estas linhas de modo a chamar a atenção para a gravidade da situação atual que se vive na cidade onde habito.

 

A partir de 16 de Maio de 2024 estão a descolar de Lisboa, diariamente, mais de 320 aviões. A NAV Portugal quer aumentar esse número. Além das alterações de vulto nas rotas de descolagem para Norte, a partir do aeroporto de Lisboa, embora a NAV recuse responsabilidades, quando afirma «serem mínimas as alterações realizadas.», demonstrando não ter a menor preocupação nem respeito pela tranquilidade e saúde dos habitantes da Povoa/ Forte e Alverca – e outros locais das redondezas.

Actualmente, há muito mais aviões a sobrevoar diariamente a Póvoa de Santa Iria, Forte da Casa e Alverca do Ribatejo. Muitos mais. Como consequência há mais barulho na rua, ao ar livre, mas também dentro de casa, produzido pelos motores dos aviões em ascensão quando é exigida a potência máxima. São impactos sonoros e ambientais gravíssimos.

É difícil manter uma conversa ao ar livre, em tom de voz normal, obrigando a um esforço adicional e sujeitando a nossa audição /voz a um esforço violento. A única solução para evitar esta situação, é reduzirmos o tempo em que estamos na rua, e refugiarmo-nos em casa.

Daí, ser também urgente salientar as muitas toneladas de combustível (Jet Fuel), queimadas por cima das nossas cabeças, o que gera a perigosa e nefasta poluição, provocada pelas altamente perigosas partículas ultrafinas, projectadas pelos aviões, sobre as quais foi esta semana publicado mais um estudo europeu, alertando para as consequências das mesmas na saúde das pessoas.

Deve referir-se que a direção dos ventos predominantes em Lisboa é em 80% dos dias do ano, de Norte, Noroeste, Oeste, e Nordeste, a obrigar que as descolagens dos aviões se faça quase sempre no sentido de Lisboa para Vila Franca de Xira.

Fica, pois o alerta da garantia de que este problema gravíssimo do impacto dos aviões, se não for resolvido, vai acontecer cerca de 300 dias por ano. A causa reside no facto de a NAV ter introduzido diversas mudanças e procedimentos, onde alterou, entre muitas outras coisas, o ponto onde os aviões depois de descolarem, são desviados para a suas rotas definitivas.

Antes das alterações introduzidas pela NAV Portugal, até 15 de Maio, a mudança de rota fazia-se mais ou menos antes de Santa Iria, onde os aviões eram desviados para junto do Tejo (evitando assim os grandes núcleos habitacionais da zona).

Nesse ponto, os aviões com destino ao Norte de Africa, Africa, Madeira, Açores, Canada, América do Norte, Américas Central e Sul, eram colocados nas suas rotas, virando á direita sobre o estuário do Tejo, ou à esquerda para a lezíria de Loures, sobrevoando na ascensão, zonas com poucas habitações e evitando a zona a Norte de Lisboa, mais densamente povoada (+- 100 mil habitantes). E foi assim durante muitos anos.

Destes aviões, atempadamente desviados, pouco ou nenhum ruído se sentia na Povoa de Santa Iria, Forte da Casa ou em Alverca do Ribatejo. Os restantes voos, na sua maioria para a Europa, a maior parte passava por cima do Mouchão e só um pequeno numero de aviões cruzava por cima da Povoa de Santa Iria.

Antes das alterações, num dia normal (por exemplo no dia 13 de Março de 2024), tivemos à volta de 300 partidas. Por cima da Póvoa passaram apenas 51 aviões. Ainda antes das alterações, passaram por cima do Mouchão cerca de 167 aviões, sendo os restantes desviados em Santa Iria para as suas rotas.

A partir de 16 de maio, como o ponto de distribuição das rotas foi colocado junto da Povoa de Santa Iria, começaram a sobrevoar a cidade da Povoa, Forte da Casa, a cidade de Alverca do Ribatejo e redondezas, todos (ou quase todos) os aviões que descolam de Lisboa.

Assim, é licito concluir que temos agora diariamente a passar por cima da Póvoa de Santa Iria, pelo menos mais 200 aviões, o que a juntar ao numero dos que já o faziam, dará qualquer coisa como, pelo menos, 250 aviões por dia! Por mês, teremos, então, 7.500 aviões a sobrevoar em voo baixo as referidas localidades. Isto leva a um somatório de 75.000 aviões por ano, já deduzindo os dias do ano em que o vento não o permita fazer.

Como triste curiosidade, durante o passado dia 25 de Junho, levantaram de Lisboa 330 aviões, e desde as 4.15h até às 9.00 h da manhã, já aqui tinham passado 70 aviões. Às 23.24H passou o ultimo. Foram 302 aviões que passaram na Povoa / Forte.

Isto é, multiplicou-se por 6 o numero de aviões que sobrevoam a Povoa de Santa Iria, Forte da Casa e Alverca do Ribatejo. Com fortes indícios de vir a piorar. Dada a gravidade da situação, é de toda a pertinência perguntar o que pretendem fazer a Edilidade deste concelho e os respectivos presidentes das Juntas de Freguesia, no sentido de resolverem este gravíssimo problema, que exige a defesa do bem estar e da saúde dos cidadãos.

Cidadãos que começam a ver-se impossibilitados de usufruir dos equipamentos que instalaram ao ar livre, nos espaços circundantes às suas residências, e mesmo de circular nas ruas, sem preocupação pelas perigosíssimas partículas expelidas pelos aviões, visto correrem o risco de vir a sofrer de doenças do sistema auditivo, neurológico e respiratório, entre outros males.

Com os meus cumprimentos

A. Felix

 

publicado por sarrabal às 11:09
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Sexta-feira, 5 de Julho de 2024

CARTA ABERTA AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE VILA FRANCA DE XIRA

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CARTA ABERTA

Ao Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira
Fernando Paulo Ferreira:
 
Venho agradecer a resposta dada ao meu e-mail enviado a V. Exª no dia 21 do passado mês de Junho, com o título «Centenas de Aviões Continuam a Sobrevoar Alverca do Ribatejo, para Benefício da NAV Portugal, mas sem Respeitar a Saúde Pública» - embora saiba que se trata de uma resposta «padrão», enviada a outros munícipes que têm questionado V. Exª sobre a gravidade deste mesmo assunto.
Seria óptimo que não fosse assim. Antes se estabelecesse entre os residentes do concelho e aqueles que, legalmente, os representam, a cordialidade necessária ao diálogo, sem distanciamentos inúteis, nem críticas escusadas e dispensáveis, sempre que se trate de resolver problemas que gerem prejuízos graves, como é o caso presente.
Continuo atenta ao desenvolvimento do problema dos aviões que sobrevoam ininterruptamente o espaço aéreo de Alverca, com fortes impactos sonoros, e todos os inconvenientes que daí resultam, roubando-nos a tranquilidade de que usufruíamos, sobretudo, prejudicando a nossa saúde.
De acordo com este excerto da missiva de V. Exª: «... voltámos a insistir junto da NAV, no sentido de sermos completamente esclarecidos das alterações efetuadas, que nos parecem - pelas queixas entretanto chegadas por diversas formas - ser mais impactantes do que o que foi afirmado por esta entidade no primeiro contacto que com ela fizemos.»
Parece-me, pois, que V. Exª já se terá apercebido de que a NAV Portugal, mente quando afirma «não ser verdade que o novo sistema possa produzir tamanho impacto.» ou ainda «que as alterações implicam impactos mínimos para a população». Tais declarações são falsas e demonstram a maneira habilidosa de fugir às responsabilidades que, na situação presente lhe são imputadas.
Ao contrário do que a NAV falsamente afirma, a população de Alverca (e não apenas esta) passa, quer de dia, quer de noite, por fortes impactos sonoros devido à altitude e trajectos aéreos ultimamente adoptados e que não existiam anteriormente.
O incómodo é permanente. Mal se ouve o afastamento de um avião, já outro vem ocupar o seu lugar, no espaço de alguns minutos. A poluição sonora e ambiental, com graves riscos para a saúde pública, tanto mental como física, de quem reside em Alverca do Ribatejo é algo que se abateu, terrivelmente, sobre a cidade e a sua população.
Dentro das minhas limitações, contactei (com o envio do meu artigo) as seguintes entidades:
Dr. Pedro Ângelo (presidente do Conselho da Administração da NAV Portugal); Arquitecto Rui Marçal (Director de Procedimentos Aeronáuticos da NAV Portugal); Miguel Pinto Luz (Ministro das Infraestruturas e Habitação) e Maria da Graça Carvalho (Ministra do Ambiente e Energia).
O mesmo artigo saiu no dia 3 de Julho, a página inteira, no jornal A Voz Ribatejana.
Senhor Presidente, precisamos do seu apoio. Precisamos que nos ajude a defender uma cidade pertencente ao seu concelho e os seus residentes. Pessoalmente, preciso de «salvar» a terra que adoptei como minha desde os 10 anos de idade (sou Lisboeta). Na minha profissão sinto-me responsável por mim e pelos outros.
Embora, como diz, «o pedido de atendimento já tenha sido feito ao ministro, faltando o agendamento» continuo a dizer: «não podemos ficar calados à espera (talvez indefinidamente) de «um agendamento»!
É preciso teimar, é preciso insistir, é preciso agir com determinação, coerência e rapidamente. É preciso exigir! »
Temos os nossos direitos, temos a nossa razão, temos a nossa tranquilidade e a nossa saúde para defender.
A NAV Portugal não pode mentir nem ignorar a importância inadiável deste problema! A NAV tem, urgentemente, de introduzir alterações ao seu sistema. É imperioso que o faça. Porque é de sua inteira responsabilidade o flagelo que se vive hoje na cidade de Alverca. Porque é inequívoco e justo que o faça.
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira, mantenho a esperança no seu empenhamento e contributo, com a dedicação e o zelo que deve ser atributo indispensável daqueles que mereceram, como lideres, a nossa confiança.
Quase a fazer dois meses deste suplício, deseja-se, ansiosamente, o regresso à normalidade: recusar o medo das partículas dos aviões, tão nefastas à nossa saúde, e usufruir de novo do bem estar e da tranquilidade diurna e do repouso nocturno, decisivo para o nosso equilíbrio físico e mental.
 
Uma vez mais grata pela prontidão da resposta.
 
Com os meus melhores cumprimentos
 
Soledade Martinho Costa
(Escritora e jornalista residente em Alverca do Ribatejo)
 
 
publicado por sarrabal às 04:05
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Terça-feira, 2 de Julho de 2024

MEDITERRÂNICA

praia-da-Ursa (1).jpgTerra arroteada ao calor das veias

Em ti se enrola

O corpo em sobressalto

Preso das ondas

Do vento

Da maresia

Do voo das gaivotas

Em manhãs de espuma.

 

Em ti se acoita

O medo

A lágrima

A agonia

No ventre abrupto e prenhe

Das escarpas e das dunas.

 

Em ti se fala

A língua

Dos vultos embuçados

Da névoa

Dos corais

Dos búzios

E dos limos.

 

Em ti se ausculta

A noite

A morte

E os segredos

Que estalam

Nos chicotes

Que zurzem os destinos.

 

Marco de bruma

Travo de sal

Que a vastidão da raia

Aponta

Descreve

Delimita

Ao canto das sereias

No embrião dos dias.

 

Terra sem nome

Suspensa dos rochedos

Aonde aportam

Insones os fantasmas

A clamar palavras impossíveis

Ante o perfil

Das altas penedias.

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro “Poemas do Sol e da Cal”

 

(Ed. Editorial Presença)

 

publicado por sarrabal às 16:54
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