Na empena da casa, enquanto a tarde avança, a roseira-rubra abre o veludo de um botão numa rosa encarnada: «A quem ofereces tu essa rosa acabada de abrir?», pergunta-lhe uma borboleta-do-brejo, a bailar nas suas quatro asas. «Ao teu olhar, que reteve a beleza de a descobrir!», responde a roseira-mãe, no perfume que lhe veste a folhagem.
Mas a Primavera também lembra aos homens e às mulheres que as tarefas esperam para serem cumpridas. Que a terra não cessa de pedir o seu amanho e os animais a atenção de que necessitam. Agora, que o sol sobe no horizonte e os dias têm o tamanho das noites, é preciso prosseguir o trabalho nos campos. Porque os homens e as mulheres amam e respeitam a terra que cultivam. Conhecem-lhe os segredos. Satisfazem-lhe os pedidos. Deslumbram-se a cada nova sementeira. Assim, lá os temos, a fazer a monda dos cereais de Inverno. A sachar e a recolher as favas, as ervilhas, as batatas e as cebolas. A semear nas hortas os rábanos, os pimentos, as cenouras e o feijão. E ainda a salsa, os coentros e o tomilho. A plantar nos canteiros os gladíolos, as begónias, os malmequeres, os goivos e os girassóis. E a enxertar o azevinho, os lilases e as roseiras. Num trabalho constante, homens e mulheres recolhem o mel das colmeias. Mudam os enxames e substituem as abelhas-rainhas. Retiram os abrigos às cerejeiras, já sem receio das geadas. Engarrafam os vinhos nas adegas. Fazem cavas junto ao tronco das árvores para lhes dar a frescura apetecida.
Quanto aos animais, também estes aguardam os seus cuidados. Por isso, vigiam a postura das galinhas nas capoeiras. Dão alimento verde às vacas nos currais. Engordam os bois e os leitões. Tratam dos coelhos, dos perus, dos patos e dos pombos. Levam ao pasto as cabras e as ovelhas. Começam a tosquia do gado, porque o calor já se faz anunciar.
Tarefa infinda, iniciada com os alvores da madrugada e que só termina à tardinha, quando o luco-fusco vem dizer-lhes que são horas de voltar. É nessa altura que os homens e as mulheres regressam da faina nos campos.
Os pastores que levam ao pasto as ovelhas, encaminham-se para o redil. O mesmo fazem os pastores cabreiros, levando o seu rebanho de cabras para o curral ou aprisco. Agora é preciso comer e descansar. Amanhã será um novo dia de trabalho, numa lida que não acaba mais – lida que só termina quando o Sol se põe e o céu anuncia, que a noite não tarda a chegar.
Soledade Martinho Costa
Do livro «Histórias que a Primavera me Contou»
Ed. Publicações Europa-América
(Enquanto os pastores de rebanhos de ovelhas conduzem os animais para os campos ao redor das aldeias, planícies e encostas das colinas, aproveitando a abundância dos pastos frescos da Primavera, os chamados pastores cabreiros (por conduzirem apenas rebanhos de cabras), seguem pelos trilhos existentes na serra, escolhendo, não apenas as matas, mas também os locais montanhosos e por vezes agrestes, de que as cabras tanto gostam.
Graças ao seu equilíbrio e agilidade, as cabras escalam penhascos e paredões, sobem às árvores, e conseguem equilibrar-se em lugares precários, inseguros, estreitos e de difícil acesso. Imprescindíveis na limpeza das matas, contribuem contra os fogos (por isso apelidadas de «cabras sapadoras»), comendo a vegetação daninha, e também a que os outros animais rejeitam.)
SMC

O nevoeiro paira
Como um véu de tule
Por vezes parece que se afasta
Diz adeus
Mas logo volta
Numa teima louca
Como se fosse casa sua
O ar que é meu.
Não sei que afinco é este
Que me envolve
Finge que vai, regressa
E ainda que lhe peça
Não me obedece
Continua a roubar-me
A limpidez do céu
E a luz do Sol.
Mas eu sei
Há-de chegar a hora
Em que este véu de cinza
Irá embora
Desfeito em mil estilhaços
Baços como às vezes um espelho
Ou um adeus sem precisar de palavras
Quando se troca um beijo.
Liberta da neblina que me cerca
Como se fora som de um outro canto
Uma nova madrugada romperá
A vestir de luz todo o receio
Na claridade total que desejo.
Olharei então livre de névoas
Até aonde o meu olhar alcance
O longe das estrelas uma a uma
E louvarei da Lua a silhueta
Sem mácula que oculte a nitidez
Das suas quatro fases no seu manto.
Soledade Martinho Costa
Do livro «Um Piano ao Fim da Tarde»
Edições Sarrabal
Tela: Duy Huynh
(Reeditado)

A Rã Verdinha andava preocupada. O charco onde vivia estava tão seco que receava a todo o momento não conseguir ficar submersa, quando mergulhava para refrescar a pele.
«Isto vai mal. Vai mesmo muito mal!» – pensava, de olhinhos presos na linha do horizonte à espera de ver no céu prenúncio de chuva.
O Verão tinha chegado há já algum tempo e tão seco se mantinha como a Primavera, que havia sido, também ela, avara de dias chuvosos.
– A mim, não me faz grande diferença! – costumava dizer o Lagarto Verdoso. – Sem chuva e com este calor, faço ricas sestas deitado ao sol. Mas que reparo na sua preocupação, dona Rã, lá isso, reparo.
– E não é para reparar, amigo Lagarto? Se o charco seca de vez, que será de mim?!
– Temos de arranjar uma solução! – disse, certo dia, o lagarto na sua voz pausada.
– Mas qual solução, compadre Lagarto? – perguntou a rã, numa grande ansiedade.
– Sei lá, ir por aí fora. Talvez à procura do Vento Sudoeste!
– Vento Sudoeste?! E quem iria oferecer-se para fazer uma tão grande viagem?!
– Realmente, é uma viagem longa e arriscada. – concordou o lagarto. – Mas se descobrirmos alguém, tínhamos o caso arrumado. O Vento traria a chuva que encheria o charco!
– O melhor é pensarmos bem no assunto. Pode ser que nos ocorra o nome de alguém que se preste a fazer esse grande favor… – suspirou a rã.
E seguiu, aos saltinhos, para dentro do charco, enquanto o lagarto se meteu na toca.
Assim se passaram alguns dias, até que, certa manhã, a rã se acercou do muro onde morava o lagarto.
– Eh, amigo Lagarto Verdoso, já descobri! – gritou ela, muito animada. – Já sei a quem pedir para ir buscar o Vento Sudoeste!
O lagarto esticou logo a cabecinha pelo buraco da toca.
– E quem é o escolhido, dona Rã? – perguntou ele.
– Então, quem havia de ser, compadre?! O Gafanhoto Verde, já se vê!
–Tem razão. O Gafanhoto Verde é viajado, novo, robusto, rápido…Assim aceite a proposta! – disse o lagarto.
E lá foram, à procura do gafanhoto, que ouviu os dois vizinhos com muita atenção.
– Fiquem descansados. Hoje mesmo irei procurar o Vento Sudoeste! – prometeu ele. – Sim, porque os amigos são para os bons e os maus momentos, não é verdade?
E com estas palavras, sábias e sensatas, o gafanhoto pouco depois, seguiu viagem.
Cheio de pressa, pois não havia tempo a perder, subiu montes, desceu montes, voltou a subir, voltou a descer, sempre a perguntar:
– Alguém sabe dizer-me onde posso encontrar o Vento Sudoeste? Alguém sabe dizer-me onde posso encontrar o Vento Sudoeste?
O pior, é que os dias iam passando e ninguém sabia responder à sua pergunta.
Mas o gafanhoto não desanimava, continuava a perguntar aos insectos como ele, às aves, às flores, às estrelas, à Lua Cheia, às nuvens que viajavam pelo céu:
– Alguém sabe dizer-me onde posso encontrar o Vento Sudoeste?
Sempre à procura, atravessou aldeias, vilas e cidades, até que um dia, no cimo de uma montanha, uma pequena ave de linda plumagem verde respondeu, finalmente, à sua pergunta:
– O Vento Sudoeste chega hoje de viagem. Ao fim da tarde já podes falar com ele!
Assim foi. Horas depois, o sol escondeu-se por detrás de grandes nuvens, e o vento sudoeste fez ouvir a sua voz, forte e assobiada, tão subitamente que o gafanhoto verde teve apenas tempo para se abrigar no tronco de uma árvore.
– És tu, Vento Sudoeste, aquele que traz a chuva? – gritou ele, o mais alto que pôde.
– Sou eu, sim. Que me queres? – perguntou o vento.
– Venho pedir-te ajuda! – gritou outra vez o gafanhoto. – Venho pedir-te ajuda para a Rã Verdinha, que é minha amiga, e vive num charco que está quase a secar!
– E para me fazeres esse pedido vieste de muito longe, suponho.
– Oh! Sim! De muito longe! – confirmou o gafanhoto.
– És um bom amigo. – disse o vento. – Podes regressar tranquilo. Amanhã mesmo, meto-me a caminho. Só tens de me dizer onde fica o charco da Rã Verdinha.
Depois de dar todas as informações e de agradecer ao vento sudoeste, o gafanhoto verde repousou um pouco e só no dia seguinte iniciou a viagem de regresso.
O vento sudoeste, entretanto, já levava grande avanço, Quando chegou ao sítio que lhe pareceu indicado, soprou com toda a força, empurrou as nuvens no céu, e não tardou que uma chuva de pingos grossos viesse refrescar e alimentar a terra e as plantas, dar de beber aos animais, encher os rios, os riachos, as lagoas e os charcos.
Durante alguns dias o lagarto, de cabecinha fora da toca, pensava satisfeito: «Não há dúvida que o Gafanhoto Verde falou com o Vento Sudoeste!»
A rã, por seu lado, regalada a olhar o charco a encher-se de água, pensava também:
«Esta chuva é a prova de que o amigo Gafanhoto pediu ajuda ao Vento Sudoeste!»
Quanto ao gafanhoto verde, só dias depois regressou ao prado. Reparou, imediatamente, que o vento sudoeste cumprira a sua promessa. As flores, as árvores e as plantas estavam viçosas e bonitas. A terra cheirava ainda a terra molhada e respirava-se uma grande frescura. Ao longe, por entre as canas e os juncos, o charco da rã brilhava na luz doirada da tarde como se fosse um grande espelho. Sobre a pedra do muro, o lagarto verdoso apanhava o último raiozinho de sol. À beira do charco, a rã verdinha, a coaxar alegremente, preparava-se para dar mais um mergulho.
«Irei visitá-los ainda hoje!» – pensou o gafanhoto, a imaginar a alegria do reencontro. Saudoso e feliz voltou a olhar o prado. Nesse dia, a sua cor de gafanhoto verde confundia-se ainda mais com a cor verde da Natureza.
Soledade Martinho Costa
Pintura de António Pimentel
Do livro «6 Histórias numa História de Todas as Cores»
Ed. Fundação CEBI

Menina da trança loira
Que te cai sob o sorriso
Como letra de um poema
Debaixo do meu olhar
Quisera ser Neptuno
De novo ressuscitado
Para te levar comigo
Por entre as ondas do mar
Menina da trança loira
A enfeitar o teu ombro
Como um pedaço de seda
Como um pedaço de sol
Quisera ser vento norte
E levar-te em turbilhão
No perfume da maresia
Que prendes na tua mão.
Menina da trança loira
Que te cai sobre o destino
A apanhar conchas e búzios
Tecidos pelas marés
Quisera ser leme e barco
E deles ser capitão
A levar-te ao porto certo
Bem segura no convés.
Menina da trança loira
Que te cai sobre os teus sonhos
A pisar de pés descalços
O grão de oiro das areias
Talvez não sejas real
Mas a deusa das sereias
Ou mesmo a própria Anfitrite
Num passeio matutino
Ao longo do areal.
Soledade Martinho Costa
Do livro Um Piano ao Fim da Tarde
Edições Sarrabal

Um grotesco chapéu
Posto sem arte
Um vestido sem cor
No corpo magro
E uma data
Perdida além do tempo
No jornal que espreitava pelo saco
Sempre agarrado à curva do seu braço.
Alcunhavam-na de louca
E o rapazio
Atirava-lhe pedras e chalaças.
Mas os seus gestos
Eram firmes e serenos
Pese a profunda abstracção
Dos outros e de si
A marcar o desinteresse
Em sua face.
Mal a noite caía
Perante o escárnio e o desdém
Ela chegava
No seu passo hesitante
Quase a medo
Ao recanto mais escondido do jardim.
E ali ficava
Submersa pelas sombras
Nesse jeito suspenso
De quem espera
Um encontro marcado com alguém.
Não sei se adormecia
Se sonhava
Apenas sei que mal a madrugada
Vinha acordar de Sol o seu segredo
Ela partia
Sabendo que voltava.
Soledade Martinho Costa
Do livro Um Piano ao fim da Tarde
Foto: Tatiana
O menino dava voltas e mais voltas dentro da cama, sem conseguir dormir. Ora cerrava os olhos com muita força e tapava o rosto com a dobra do lençol, ora atirava o lençol para trás, num gesto repentino, e se punha de olhos muito abertos a investigar a escuridão do quarto.
- Era tão bom nunca ser preciso dormir. Se pudesse, ficava a noite inteira com a luz acesa! – dizia ele a conversar com os botõezinhos do pijama. – Não gosto nada do escuro. Não gosto nada da noite!
A noite, que estava dentro do quarto do menino, ficou triste ao ouvir as suas palavras: «Se ele soubesse como sou sua amiga!» – pensou ela muito desgostosa. E aproveitando o momento em que a Lua se escondeu atrás de uma nuvem que passava, a noite aproximou-se mais da cama do menino.
- É verdade que não gostas de mim? – perguntou ela numa voz tão mansa como o sopro da brisa sobre as pétalas das flores.
Ao ouvir aquela voz, o menino abriu ainda mais os grandes olhos negros e olhou ainda com mais atenção o escuro do quarto.- Quem está a falar comigo? – interrogou ele.
- Sou eu, a Noite.
- A noite?! – exclamou o menino sentando-se muito depressa na cama. – Mas a noite não fala. A noite é quando está escuro e eu tenho de dormir!
- Enganas-te. Eu falo. Não estás a ouvir a minha voz?
- Estou. – respondeu o menino cheio de espanto. – Mas…mas eu não gosto de ti, pronto! – replicou ele.
- É pena, porque eu sou muito tua amiga. – disse a noite. – Quando o dia termina, venho zelar pelo teu descanso. Sou eu quem faz repousar o teu corpo e o teu espírito depois de um dia de brincadeira. O sono nocturno é muito necessário ao equilíbrio das pessoas. – acrescentou ela.
- Mas eu não sou uma pessoa crescida! – protestou o menino.
- Por isso mesmo precisas de mais horas de sono para te poderes desenvolver e crescer com saúde. – explicou a noite.
- Mas eu não gosto de ti. Tens uma cor preta e o meu quarto fica escuro! – teimou o menino sem se deixar convencer.
Perante a sua obstinação, a noite achou que o melhor seria tentar uma espécie de jogo. Talvez assim o menino mudasse de opinião. Então, com ternura e paciência, murmurou, na sua voz mansa como o sopro da brisa:
- Lembra-te que as andorinhas são negras e são as aves do céu. Que os teus olhos são negros e, para a tua mãe, são os olhos mais lindos do mundo…
- Isso são coisas boas. – concordou o menino.
- Pois são. – disse a noite. – Mas há muitas outras coisas importantes e boas e que são negras.
- Diz mais coisas.
- Digo que as amoras negras são as mais doces. Que o fumo é negro, quando o forno está a cozer o pão…
- Tens razão. – concordou o menino.
- Que é negra a tinta que imprime nos livros as histórias que lês e de que tanto gostas. Que é negro o carvão que alimenta a fornalha onde os homens o transformam em fonte de calor…
- Pois é. – disse outra vez o menino.
- Que é negro o quadro da escola onde aprendes a escrever e a fazer contas. Que são negros os grilos cujo canto embala o sono das searas nas noites de verão…
- Que é negro o meu cão Farrusco! – riu o menino, por fim, entrando no jogo.
- Ora aí está! – riu a noite com ele, num riso mavioso como o marulhar das ondas na orla da praia quando o mar adormece.
- Afinal, já gosto de ti! – disse o menino.
- Ainda bem. Fico muito contente. – respondeu a noite, cheia de satisfação. – Um dia, quando fores mais crescido, saberás outras coisas a meu respeito.
- Quando estudar naqueles livros grandes, com muitas folhas?
- Sim, quando estudares nesses livros, ficarás a conhecer-me ainda melhor.
- Tenho tanto sono! – murmurou o menino, deitando-se e puxando a roupa para si.
- Então, dorme, que o dia não tarda a chegar.
- Agora já sou teu amigo! – disse ainda o menino antes de adormecer.
De mansinho, pé ante pé, a noite afastou-se da cama do menino. Em seguida, muito lentamente, levantou as asas negras cheias de estrelas e voou pela janela do quarto. Cá fora, suspirou e sorriu: «Pronto, já posso partir descansada. A Madrugada não tarda a chegar e eu acabo de ganhar um novo amigo!»
E a noite voltou a suspirar, e lá foi, no voo silencioso das suas asas negras e brilhantes, porque eram horas de abalar para o outro lado do mundo onde ela já conhecia outros meninos de quem era amiga.
Soledade Martinho Costa
Do livro “Seis Histórias numa História de Todas as Cores”
Ed. CEBI (Fundação José Álvaro Vidal)
Ilustração: António Pimentel

Com início no dia 2, estão a decorrer até ao próximo domingo, dia 12, as tradicionais Festas da Cidade de Aveiro, iniciadas, anualmente, no primeiro fim-de-semana do mês de Maio.

Publiquei no Sarrabal, pelo 25 de Abril, seis poemas, um por dia, alusivos a essa data. Livremente. Mas nem sempre foi assim. Publico hoje um poema escrito em 1971 e publicado em livro em 1982. Amanhã publicarei outro. Para lembrança. Assim se escrevia poesia antes de Abril.
GAIVOTAS
No meu país
Igual ao teu país
Onde esvoaçam gaivotas junto ao rio
Asas feitas de mar
Voando ao vento
Sobre o beijo que o Sol pousa nas ondas
Morrem em cada verso mil poetas
Por mil razões caladas do seu povo.
País de Sol e sal
País defunto
Onde se alaga em choros a muralha
E em pleno dia a noite é mais profunda.
País irmão do teu
País igual
Aonde chegam turistas com roteiros
À procura de sonhos nos mosteiros
Dos olhos pacientes
Que não partem.
País de pranto e fel
País de medo
Silenciado à força de degredo
Onde a palavra se cala e compromete.
País irmão do teu
País igual
Onde as gaivotas do rio
Que esvoaçam
Sobre os cascos dos barcos que apodrecem
Asas nimbadas de teimas e de lutas
À noite
No convés
Quando adormecem
Vão sonhando o sal de outras marés
E o voo de novos horizontes.
Soledade Martinho Costa
Do livro A Palavra Nua
Oferece o canto
O cuco
A quem lhe faz o ninho.
O labor
Das abelhas
Eleva-se das rosas
Imitam as searas
Vénias de mandarim.
Há guizos
De rebanhos
Nas papoilas de Maio
O corpo das cerejas
Cobriu-se de cetim.
Soledade Martinho Costa
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