Quarta-feira, 24 de Abril de 2024

AS CRIANÇAS DE ABRIL

AS CRIANÇAS DE ABRIL.jpg 

                                         istockphoto-914053932-612x612.jpg   

E a chuva cantou

Na face das águas

E os rios cresceram

Galgaram as margens

E as aves soltaram

As asas e o canto

E as crianças todas

Sob um céu de anil

Atentas

Caladas

Escutaram palavras

Vestidas de novo

Um conto de fadas:

 

Estava-se em Abril!

 

E anões e gigantes

Bruxas e duendes

As fadas do mal

As fadas do bem

Príncipes

Pastores

Mendigos e reis

Trocaram de fato

Ideias e leis.

 

E os ventos sopraram

Varreram

Uivaram

As nuvens toldaram

O azul dos céus

E os homens todos

Atentos

Ousados

Cujos nomes lembro

Sentiram-se irmãos

Teimaram palavras

Vestidas de novo

Chegaram os corpos

E deram as mãos:

 

Estava-se em Novembro!

 

E riu-se

Chorou-se

Mas uma paz doce

Ficou

Instalou-se

Ganhou direcção.

 

Hoje

A claridade

Permanece viva

Constante

Total

No fim

Conquistou-se

O que era vital.

 

As crianças todas

Dos anos de então

Cresceram

Mudaram

São homens

mulheres

Com filhos e netos

Atentas

Caladas

E vejo com espanto

Aquelas que choram

Por não terem tecto

Por não terem pão.

 

Como foi não sei

Ou sei

E não digo

Por isso, a pergunta

Que vos hoje faço:

Que crime

O do povo

Para um tal castigo.

 

Uma revolução

De ideais e cravos

Não vinga

Não vence

Quando pára a meio

Não se faz veleiro

No fim da viagem

A atracar na margem

Seguro e inteiro.

 

Se o homem esquecer

Deveres e promessas

Feitos à Nação

Ao mudar-lhe o rumo

Noutra direcção

Tem pouca valia

Pôr um cravo ao peito

A esperança arredia

E o desencanto

Os dois se recusam

Dar-lhe esse direito.

 

Nas dificuldades

Que o País suporta

Tudo é atentado

À senha / canção

Ao sonho adiado

Resta-nos a fé

Do que foi promessa

Do que foi sonhado

Grito que se acende

Sempre renovado.

 

Escutá-lo é lembrar

Que urge não parar

Uma revolução

Tem de se cumprir

Plena, total

Ser Futuro a abrir

Procurar o Bem

Recusar o Mal

Não deve, não pode

Pós cinquenta anos

Pôr-lhe um ponto final.

 

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro Um Piano ao Fim da Tarde

Edições Sarrabal

 

(Reescrito)

publicado por sarrabal às 19:49
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REPETIR A ESPERANÇA (Quinto poema de Abril)

                    FOTO QUINTO POEMA DE ABRIL.jpg

        

                                           istockphoto-914053932-612x612.jpg

Rejeito em mim

O peso das palavras descontentes

Aquele que nos tira o sono e o engenho

De ultrapassar esta cortina

Urdida em nevoeiro

Que se abateu aos poucos

E hoje cobre por inteiro

O meu País

Meu campo por lavrar

Desprovido de espigas e sementes.

 

O homem

Não soube semeá-las

Não houve Primavera

Só Inverno

A governar sozinho o calendário.

 

Mas é no tempo

Nesta raiz de espera

E de tormento

Que celebramos

O sol da Liberdade.

 

Dela não retiramos o pão

Não distribuímos a riqueza

Mas respiramos

A vontade e a certeza

De repetir a esperança

De repetir os cravos

Os versos da canção.

 

Sonhar é atributo necessário

Sonho nem sempre é ilusão.

 

Os dias hão-de vingar

Celebrá-los-emos, então

Comparável à árvore

Onde se oferece o fruto

Ao alcance tão só da nossa mão.

 

Hão-de vingar

Vestidos de futuro

Justo, fraterno, solidário

Hão-de chegar

Num outro aniversário.

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro «Um Piano ao Fim da Tarde»

Edições Sarrabal

 

publicado por sarrabal às 01:47
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Segunda-feira, 22 de Abril de 2024

POEMA RENASCIDO (Quarto poema de Abril)

_image_content_2939070_20200424090843_5ea391e6c49a                                                                                      istockphoto-914053932-612x612.jpg

Se Abril voltasse
A percorrer as ruas
E com ele na mão
Um cravo rubro
Os anseios que nascessem
Nesse dia
Trariam a certeza
De que os homens
Nem sempre procuram
A magia
Que faz dormir em paz
As consciências.

Se o outro Abril
Não passou de um sonho
Se respiramos hoje
Esta amargura
E os cravos se tornaram
Cor de bruma
A seara continua
A oferecer ao vento
O dourado do manto
E a formosura.

A murmurar, talvez
Que o Norte anda à deriva
Sem rota, sem leme ou timoneiro
Mas que resiste em nós.
A segredar ao coração
A tempo inteiro

É urgente ir em busca da bonança
E deixar que o Sol rompa o nevoeiro.

A fé não está perdida
É urgente ir em busca do poema
Que se fez canção
E fez bandeira
Em nossa voz
Agora adormecida
À espera de a ouvirmos
Renascida
Cantada noutro tom

Em vez primeira.

 

Soledade Martinho Costa

Do livo Um Piano ao Fim da Tarde

Edições Sarrabal.

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Domingo, 21 de Abril de 2024

REVOLUÇÃO DOS CRAVOS (Terceiro poema de Abril)

                        FOTO DO TERCEIRO POEMA.jpg

                                 istockphoto-914053932-612x612.jpg

Neste dia
Onde se dissipou
O legado dessa névoa
Que desde o ventre materno
Nos calou

Onde se abriu caminho à descoberta
De um novo Portugal com outra voz
É onde o desengano

Sem grades se transporta

É onde o desencanto
De novo nos desperta
Ao som de um outro canto
Que bate à nossa porta.

É onde o vento
Ateia o lume deste fogo
É onde o povo enxuga o pranto
De outra luta
É onde a esperança aguarda
Sem guarida
O pedaço de Sol
A que tem direito.

Aqui
Onde respiro
A força do meu gesto
Na desilusão
Que se fez poema
É onde prendo ao peito
Um cravo rubro
Que me dá este alento que persiste
À espera das palavras que eu aceite
Na teima que me embala e que resiste.

Soledade Martinho Costa

Do livro Um Piano ao Fim da Tarde
Edições Sarrabal

publicado por sarrabal às 02:31
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Sexta-feira, 19 de Abril de 2024

CORAÇÃO REFEITO (Segundo poema de Abril)

                           FOTO DO SEGUNDO POEMA.jpg

                                                   istockphoto-914053932-612x612.jpg

Ontem

Eram de musgo negro os muros

De vidro

As paredes das casas

De penhora

Os olhares na penumbra dos passos.

 

Mas a voz fez ouvir a palavra

A mão teceu um terminal de luz

Em plenitude

O Homem resgatou o sonho.

 

Hoje

Veste-nos de novo

A música ressurgida nos ouvidos

O retrato

Respirado na memória dos olhos.

 

De novo

A consciência do bafo Interminável da demora

Dorme a nosso lado

Segue os nossos passos hora a hora.

 

Mas amanhã

A lágrima virá

Em alegria de pétalas da sombra.

O mar e a terra

Coniventes

Tragarão a tempestade e a dúvida.

 

E este pulsar

De forças insuspeitas renascido

Este bater de um coração

Renovado de seiva na raiz

Será, então

Uníssono

Inteiro

Articulado

O coração refeito

De um País.

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro Um Piano ao Fim da Tarde

Ed. Sarrabal

publicado por sarrabal às 03:05
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Terça-feira, 16 de Abril de 2024

UM NOVO DIA (Primeiro poema de Abril)

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                                            25-de-Abril-3.jpg

Quanto deserto e só este caminho
Quanta lágrima caída sobre a terra
Quanta alegria fingida
Quanto medo
Quanto filho distante
Quanta guerra.


O que se aproveita do tempo que passou
Quem nos devolve tudo o que não teve
Nem sequer direito de ter voz.

Mas heis que rompe

Em madrugada diferente

Um novo dia.

 

Feito da esperança aguardada em vão
Dos dias adiados
Do Sol da Liberdade a conquistar
Que a mais não ascendia
Nem povo nem Nação.

Um novo dia

Gerado no hábito ousado desta luta
Que se colou à flor da nossa pele
Num desbravar de sonhos que não somem.

 

Bastou

Uma canção
Um cravo
Uma bandeira
E a vontade de querer e haver maneira
De renascer para a vida cada homem.

 

Soledade Martinho Costa 

 

Do livro «Um Piano ao Fim da Tarde»

Edições Sarrabal


(Reescrito)

publicado por sarrabal às 20:42
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Segunda-feira, 15 de Abril de 2024

SABER UM POUCO MAIS SOBRE LUÍS VAZ DE CAMÕES

IMG_0549.jpg

Luís Vaz de Camões, o Príncipe dos Poetas Portugueses, nasceu, presumivelmente, à volta de 1525.

Da sua infância e da sua adolescência, pouco se conhece. A não ser que seu pai se chamou Simão Vaz de Camões, e que sua mãe teria pertencido à linhagem dos Macedos de Santarém, isto é (tal como a do pai), família de ascendência nobre.

Fala-se ainda de Ana de Sá (que uns dizem ter sido sua mãe, e outros sua madrasta), personagem cujo nome figura num documento datado de 1585, assinado por Filipe I, em que lhe é transmitida, como herdeira, «por muito velha e pobre», a tença de 15 000 reais, de que o Poeta beneficiava à data da sua morte.

De concreto, sabe-se apenas que Luís Vaz de Camões foi levado para Coimbra em criança, e a sua educação confiada a seu tio, Dom Bento de Camões, prior-mor do Convento de Santa Cruz e cancelário da Universidade.

Já adulto, graças à nobreza de seus pais, passa pela corte de D. João III, onde faz brilhar os seus dotes de Poeta épico e lírico, ante os reis e a grande nobreza do Reino, o que lhe granjeia a inveja e a inimizade de outros poetas da época.

Ainda na corte, toma-se de amores pela infanta D. Maria, irmã de D. João III, filha de D. Leonor e de D. Manuel I, e torna-se grande amigo de D. António de Noronha, filho dos condes de Linhares.

Graças ao seu espírito aventureiro, embarca para Ceuta, onde perde um olho. Regressa em 1553, e parte no mesmo ano para a Índia, na armada de Fernão Álvares Cabral. No Oriente faz parte da expedição comandada por D. Afonso de Noronha, luta na Armada do Norte (que parte de Goa em 1554 para o estreito de Meca), é ferido em 1556 nas Molucas, e acaba por incorpora-se na Armada do Sul, comandada pelo capitão de Malaca, D. João Pereira.

Mais tarde, (1569), D. Antão de Noronha , após abandonar o cargo de vice-rei da Índia, de regresso à Metrópole, ao passar por Moçambique, toma conhecimento através de Diogo do Couto, da penosa situação em que ali se encontra Luís Vaz de Camões. Organiza de imediato uma subscrição a favor do Poeta, que chega, finalmente, a Lisboa em Abril de 1570 (vestindo roupas emprestadas por alguns amigos, condoídos da sua situação.)

Camões regressa, precisamente, na altura em que uma terrível epidemia assola Lisboa. Pobre e doente, durante mais de dois anos leva vida de penosa indigência, sobrevivendo graças ao seu fiel escravo, amigo e companheiro Jau, que para fazer face à vida de miséria do seu amo, pede esmola pelas ruas da capital, recitando os versos do Poeta.

A sua fé em dias melhores, consiste na esperança de ver editada a sua obra «Os Lusíadas», poema épico, que havia salvo a nado, em 1559 das águas do rio Mecom, em Macau, quando, sob prisão, seguia para Goa.

No entanto, só em 1572 Luís Vaz de Camões vê o seu trabalho publicado. Um ano antes, por empenhamento da Infanta D. Maria, D. Sebastião, atendendo à precária situação do Poeta, concede-lhe uma tença de 15 000 reais. Esta dádiva (muito pequena em relação a outras atribuídas naquela época) assegura-lhe a sobrevivência durante os oito anos que antecederam a sua morte, ocorrida em 1580 (exactamente dois anos após a derrota de Alcácer-Quibir e no ano em que Filipe II de Espanha se torna rei de Portugal.).

Durante os dezassete anos que permanece pelo Oriente, Camões revê toda a sua obra literária. Por essa altura, compõe diversas canções, sonetos, odes, églogas, elegias, sextilhas, oitavas e redondilhas.

Em 1880, embora sem confirmação segura de identificação, os restos mortais de Luís Vaz de Camões são trasladados da ermida do Covento de Sant´Ana (demolido em 1897/ 98, local onde funciona hoje o Instituto Bacteorológico de Câmara Pestana) para um túmulo de mármore na Igreja do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro de literatura juvenil Vamos Adivinhar Figuras Célebres

 

Ed. Publicações Europa América

 

Capa: José Cosme

 

ADIVINHA

Hoje é querido e é louvado

por justa consagração

mas sofreu, foi desprezado

e aos outros estendeu a mão.

 

Soldado e aventureiro

nasceu nobre e foi mendigo

teve Jau por companheiro

e por seu melhor amigo.

 

«Lusíadas», o poema

mais genial que alguém fez

é dele herança suprema

dada a cada português.

 

SMC

publicado por sarrabal às 23:05
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Domingo, 14 de Abril de 2024

VOLTAR AO MESMO ASSUNTO: A MOEDA COMEMORATIVA DOS 500 ANOS DE CAMÕES

Capturarmoedalc.jpg

Agora, com a foto mais ampliada, pode ver-se um pormenor que não era visível na anterior publicação: julgo eu que seja uma «amora negra» sobre o olho de Camões.

O ridículo na procura de um motivo chocante, absurdo, rebuscado e insólito, que surpreenda e cause impacto em favor da publicidade que se pretende criar à volta do «autor» da «obra», aí está, absoluta e propositadamente representado na inclusão do pequenino fruto. Enfim, poderia José Aurélio lembrar-se de algo pior...

A desconsideração e o destrato ao mais Insigne Poeta Português de todos os tempos, nome intocável da nossa História, da nossa Cultura e da Língua Portuguesa, aí ficam, como prova de que tudo vale neste país, desde que a publicidade (que claramente se pretendeu) e uns bons euros entrem na algibeira de cada um.

Quanto aos grupos de intelectuais elitistas e vanguardistas (que também os há com fartura), que abonam em favor da «obra», faço minhas as palavras de um nome grande, por demais conceituado da nossa Cultura, que costuma dizer: «Esses, não passam de autores castrados!»

Termino com dois significados que encontrei para a inclusão do pequeno fruto na moeda. Este, na gíria popular: «Olhos negros como as amoras!» ( em alusão à hipotética cor dos olhos de Luís de Camões) ou este (talvez o mais acertado): «É provável que Luís de Camões, algumas vezes, tenha colhido amoras para matar a fome!»

 

Soledade Martinho Costa

 

Foto: Blogue do Minho

 

publicado por sarrabal às 12:17
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A MOEDA COMEMORATIVA DOS 500 ANOS DE CAMÕES

2152494872279177364 - Cópia.jpg

Fiquei positivamente horrorizada quando hoje vi a moeda comemorativa dos 500 anos de Camões! Horrorizada, escandalizada, impotente, perante o descalabro, mas suficientemente lúcida para contestar, protestar, manifestar nestas linhas o meu repúdio, mas também a minha vergonha por esta verdadeira provocação e atentado a Alguém cuja memória nos merece o respeito, a veneração e orgulho, que nos leva a este gostar de ser Português.

Mas a pergunta impõe-se: que se passa com Portugal?! Que pessoas são estas que, impunemente, fazem o que lhes apetece sem darem contas a ninguém?! Loucos?! É bem possível. A meu ver, um internamento imediato seria o mais aconselhável!!

 

Soledade Martinho Costa

 

Aproveito para transcrever as palavras da jornalista Isabel A. Ferreira, retiradas do seu Blog «O Lugar da Língua Portuguesa». Merece a pena ler:

 

«A Imprensa Nacional assinala os 500 anos de Camões com uma moeda que INSULTA o Poeta maior da Língua Portuguesa? Isto fará parte da manigância que anda por aí a destruir a Cultura, a História e a Língua Portuguesas? É que por mais modernaços que os designers queiram ser nas suas concepções de arte, há uma coisa comum às Artes de todos os tempos: o bom gosto e a beleza.

A moeda que pretende assinalar os 500 anos do Nascimento de Luís de Camões, o nosso maior Poeta, é simplesmente FEIA, coisa de muito, muito, muito, mas muito MAU gosto.

Camões NÃO merece ser assim deformado.

Deve haver limites para a expressão artística, quando se trata de retratar pessoas. É que isto nem para caricatura serve. E a Arte da Caricatura é uma Arte.

A carantonha, que consta na moeda, mais parece uma CARETA CARNAVALESCA, tipo Caretos de Podence, sendo que estes últimos são muito mais artísticos e belos do que a careta da moeda.

E não me venham dizer que gostos não se discutem, porque isto nada tem a ver com gostos mas com Arte e respeito pela memória das pessoas.

Isto só prova que anda por aí uma seita destruidora dos símbolos da nossa História, da nossa Cultura, da nossa Língua com uma intenção obscurantista.

E não querem que se diga que Portugal sofreu um golpe retrocessionista.»

 

Isabel A. Ferreira

(Foto: Blogue A Voz do Minho)

publicado por sarrabal às 04:02
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Quinta-feira, 11 de Abril de 2024

RAIZ DE UM VERSO

image17.jpg

(Escrito a pensar naqueles que estiveram anos longe do nosso Pais e regressaram em cima do 25 de Abril de 74.)

 

Era uma vez

Um português

Ausente

Uma saudade

A Liberdade

Presente.

 

Era uma vez

Um português

Contente

Uma verdade

Uma cidade

Diferente.

 

Era um país

Que a gente quis

Somente

Poder amar

Com um amor

Ardente.

 

Era um país

Virado ao mar

Dolente

No qual a dor

No chão se fez

Semente.

 

Era um país

Onde a raiz

De um verso

Tinha o refrão

De uma canção

Urgente.

 

Era um país

Que a gente quis

Somente

Poder amar

Assim.

 

Soledade Martinho Costa

 

Nota: hoje, substituía o último verso: «Não desta maneira»

 

 

publicado por sarrabal às 21:15
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