DESTA NOITE DE SÁBADO PARA DOMINGO, OS SINOS HÃO-DE REPICAR: «ALÉLUIA! ALÉLUIA! ALÉLUIA! POR CRISTO RESSUSCITADO!»
«O SARRABAL» deseja a todos os amigos e leitores uma Santa e Feliz Páscoa. Muita saúde, muita paz, muitas felicidades!
SMC
PÁSCOA/ 2024

Espaço de tempo considerado dos mais importantes de todo o ano litúrgico e que abrange, exactamente, os três últimos dias da Semana Maior: Quinta-Feira Santa, Sexta-Feira Santa e Sábado Santo. As celebrações eclesiásticas iniciam-se na Quinta-Feira Santa – também chamada Dia do Perdão, da Indulgência ou das Endoenças – com a Missa da Ceia do Senhor (à tarde ou à noite), onde se recordam os derradeiros instantes da vida de Cristo.
A última ceia com os apóstolos, considerada um dos principais momentos, assinala a instituição da Eucaristia, ou seja, a primeira e única missa celebrada por Jesus Cristo na presença dos discípulos, com o pedido «de que a ministrassem e difundissem depois, em Sua memória, como lembrança da ceia conjunta».
«E Jesus tomou o pão e disse: “Isto é o meu corpo que será entregue por vós; fazei isto em memória de Mim.” E tomou também o cálice dizendo: “Este cálice é a Nova Aliança do Meu sangue; todas as vezes que beberdes dele, fazei-o em memória de Mim.”»
As comemorações litúrgicas prosseguem na Sexta-Feira Santa – dia do aniversário da morte de Cristo, em que não há missa – com a celebração da Paixão do Senhor (às três horas da tarde sempre que possível), que inclui três significativos momentos: a Liturgia da Palavra (ou Leitura da Paixão do Senhor) a Adoração da Cruz, o mais relevante dos três, que significa a redenção da humanidade operada por Cristo na Cruz, e a Comunhão.
O tríduo termina no Sábado Santo com a Vigília Pascal, efectuada à noite, e que finda sempre antes de romper a manhã. Neste dia também não se realiza missa, uma vez que ele se constitui como o «dia do silêncio», em que a Igreja permanece de luto, calada, junto ao túmulo do Senhor, após a longa noite de interrogatórios, sofrimento e morte de Cristo de Sexta-Feira Santa para Sábado Maior.
Tendo Jesus ressuscitado na noite de sábado para domingo, esta vigília é reconhecida como «a mãe de todas as santas vigílias, na qual a Igreja espera a Ressurreição de Cristo e a celebra nos sacramentos».
Considera-se, pois, incorrecto dar ao sábado o nome de sábado de Aleluia. Repare-se que durante a Quaresma a Igreja deixa de pronunciar a palavra «aleluia», para só voltar a proferi-la a meio da Missa da Vigília Pascal, no momento da Glória – versículo que se reza ou canta após os salmos, que significa Glória ao Pai –, altura em que se faz ouvir o repicar dos sinos em todas as igrejas e em que no seu interior as campainhas soam transportadas, por vezes, pela mão das crianças do coro, em voltas rituais ao redor do espaço litúrgico.
O «aleluia» continuará a ouvir-se ainda, falado ou cantado de forma especial, isto é, de um modo particularmente exultante e festivo, durante o período que medeia a Ressurreição e o Pentecostes (que comemora a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos).
Registe-se, por isso, o costume que tem lugar na Igreja Matriz de Idanha-a-Nova – e noutros pontos do País, para além da Beira Baixa –, de os rapazes dentro do templo, quando o sino toca as «aleluias», agitarem ramos no ar, utilizarem chocalhos e apitos e baterem com os pés e as mãos fazendo o maior barulho possível, associando-se assim à alegria da Ressurreição de Cristo.
As mulheres, por seu turno, ao som do adufe cantam as «alvíssaras» – cantares tradicionais festivos ou regionais, por vezes com quadras improvisadas, neste caso alusivas à Ressurreição. Forma-se depois um cortejo, com centenas de participantes, que percorre as ruas da vila, sempre no meio da mais alegre e contagiante barulheira de apitos e chocalhos, acompanhados pela banda filarmónica.
O ritual termina com a «apanha das amêndoas», arremessadas pelo padre, oferecidas em sinal festivo à população que se reúne no adro da igreja.
Soledade Martinho Costa
Do livro “Festas e Tradições Portuguesas, Vol. III
Ed. Círculo de Leitores
Imagem: «A Pietá», Michelangelo
Os ofícios celebrados antigamente ao princípio da noite de Quarta, Quinta e Sexta-Feira da Semana Santa eram designados por «ofícios das trevas» – em que a luz não entra nos templos. Esta denominação, conhecida desde o século XII, deriva, talvez, do costume introduzido nas Gálias (nome antigo de regiões protegidas pelos Romanos), de apagar, progressivamente, as velas nos lugares de culto, de forma a terminar o ofício na escuridão total.
A prática manteve-se até à reforma litúrgica, quando os ofícios passaram a celebrar-se na manhã destes dias, desaparecendo, então, oficialmente, o nome de «trevas». Apesar disso, a designação continua ainda hoje a ser popularmente empregue. Daí, nestes mesmos dias, fazer parte do antigo ritual litúrgico, colocar-se nas igrejas, perto do altar, o «candeeiro das trevas», quase sempre de madeira, em forma de triângulo, com treze velas, uma maior do que as restantes (seis de cada lado, de cera amarela, e uma no centro, de cera branca) – a remeter-nos para Jesus Cristo e os Apóstolos.
Consistia o ritual, caído entretanto em desuso, que entre as «matinas» (primeira parte do ofício divino rezado antes de romper a manhã, ou logo após a meia-noite) e as «laudes» (salmos de David, em louvor de Deus, que se seguem às «matinas»), se acendessem as treze velas do tocheiro, apagadas depois, ora de um lado, ora do outro do candeeiro, uma por cada um dos salmos que se cantava. No último salmo (Miserere), a vela maior, colocada no centro do candeeiro, era retirada e posta, escondida, ao lado da Epístola (lado direito do altar, à direita do celebrante). Ao terminar o ofício, a vela voltava a ser colocada no «candeeiro das trevas», representando este ritual «Cristo, cuja divindade esteve oculta durante a Paixão». E só depois a chama da vela era extinta.
No Minho davam a esta vela – a mais alta do candeeiro de três bicos, representando a Santíssima Trindade – o nome de «galo das trevas», ou «vela Maria». É possível que a primeira designação se refira às palavras que Jesus disse a Pedro no final da Sagrada Ceia: «Antes que o galo cante negar-Me-às três vezes» (sendo certo que só depois de o galo ter cantado «se fez luz em Pedro»).
A segunda poderá significar a Mãe de Cristo, como imagem da derradeira esperança, da última luz que se apaga, perante o filho agonizante. Na Beira Alta designavam o tocheiro por «candeeiro das trévoas».
Igrejas há que guardam e utilizam ainda o «candeeiro das trevas», como relíquia a preservar, enquanto noutras o seu destino terá sido o lume ou outro fim qualquer, uma vez que não se sabe já do seu paradeiro. Caso exemplar é o da Sé de Braga, onde este cerimonial litúrgico nunca deixou de realizar-se.
Como curiosidade, refira-se que em Roma, não havia celebração da Semana Santa. Celebrava-se, apenas, no sexto domingo da quaresma a Paixão e Morte de Cristo, e no domingo seguinte, a Páscoa do Senhor.
Posteriormente, a Semana Santa significa a grande semana de fé cristã, o tempo litúrgico mais importante, mais rico em conteúdo e de maior intensidade religiosa de todo o ano cristão,
Soledade Martinho Costa
Do livro «Festas e Tradições Portuguesas», Vol. III
Ed. Círculo de Leitores
Foto: Ahmad Jarrah
(Das raras imagens que consegui encontrar, escolhi esta por ser bastante bonita e significativa, embora não contenha o número de velas que refiro no texto.)

NATÁLIA CORREIA
A Mátria foste um dia
E o grito ergueste
Que forte era a razão
E grado o jeito.
Deixaste a tua voz
Soar mais longe
Ficaram as palavras
E o motivo
Do fogo que te coube por direito.
Lançados sobre a terra de cultivo
Poemas semeaste
Num assomo de incerteza e de receio
Como filhos arrancados ao teu peito.
Soledade Martinho Costa
Do livro O Nome dos Poemas
Publicações Vela Branca

Ainda dorme o Sol
E elas já se apressam
Mal sonhadas
Na madrugada do dia
Que amanhece.
Braços ao alto
Cansados de cuidados
Seguram as canastras
Num gesto repetido
Repartido
Entre o pousar dos dedos
Sobre as ancas.
Rostos lavados
As palavras francas
Seios arfantes
Avançam na manhã.
Tudo nelas me espanta
Me seduz
Mas os seus braços
Na cadência apressada do seu passo
Tão cheios de um vigor pleno de graça
Só os comparo no jeito
A duas asas
No corpo de uma pomba que esvoaça.
Soledade Martinho Costa
Do livro “A Palavra Nua”
Ed. Vela Branca
Tela: «As Varinas», Eduardo Malta

Com ar sabedor
falava ao Leão
rei dos animais
o Mocho Doutor:
— Oiça o que lhe digo
Senhor Rei Leão:
quer queira
quer não
há-de vir um dia
em que os animais
façam à porfia
uma revolução!
Não sacuda a juba
não diga que não
pois a quem agrada
ter um Rei assim
sentado no trono?!
Brutal
comilão
que só pensa em si
em fazer festança
encher bem a pança
e dormir um sono?!
Depois
não se queixe Vossa Majestade
eu estou a avisá-lo com boa vontade
Um dia verá:
Verá que hão-de vir
os fortes Bisontes
as pacatas Zebras
os Ursos ferozes
as Águias Reais
Falcões e Serpentes
Lobos e Chacais.
As altas Girafas
serenas Gazelas
Veados
Raposas
Castores e Macacos
e outros bichos mais.
Verá que hão-de vir
e então…
Então
bem os há-de ouvir
gritar com razão:
— Abaixo o reinado
D´el Rei Dom Leão!
Abaixo o reinado
D´el Rei Dom Leão!
Depois
bem…
Depois pouco mais.
Com prazer (aposto)
há-de ser deposto
pelos animais!
E noite avançada
até o Grilinho
com chapéu de coco
cantará
já rouco
a cair de sono:
— Vencemos! Vencemos!
El Rei Dom Leão já não está no trono!
Vencemos! Vencemos!
Já só é Leão
sem ceptro
e sem trono!
Deitarão foguetes
farão uma festança
e enfim
será livre
a nossa Floresta!
Soledade Martinho Costa
Do livro Um-Dó-Li-Tá
Ed. Figueirinhas
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