
Sem ter novas de infantes
Sem conquistas
Navegar em mares de espanto
Pelos dias.
A sulcar horizontes
Onde as vagas
Despidas de maresia
Vaticinam o rosto da tormenta.
Lá, onde as gaivotas
Asas quebradas pelo vento
Mergulham o som da sua fome
Na onda que as embala e alimenta.
Quisera falar
De búzios e corais
De conchas
De pedras multicores
Adormecidas sob a espuma das areias.
De sereias
A prenderem na magia
Do seu canto
As redes e o amor dos pescadores.
Quisera falar
De luas e marés
De vozes ancoradas no convés
Onde os sonhos dos homens resistiam.
Sem ter novas de infantes
Sem conquistas
Navegar em mares de espanto
Pelos dias.
A vislumbrar
Um céu cinzento
E a tempestade
Que o Sudoeste há muito anunciou.
A procurar na bruma
Muito ao longe
A bonança que tarda
Anda à deriva
Junto ao leme que a mão não alcançou.
Soledade Martinho Costa
Do livro «Um Piano ao Fim da Tarde»
Edições Sarrabal

O Sarrabal volta a estar de parabéns! Hoje, dia 23 de Julho de 2023, totaliza 16 anos de vida virtual! A data coincide com o aniversário de nascimento da minha querida AMÁLIA RODRIGUES, esse grande nome, e pessoa excepcional, com quem compartilhei 9 anos de convivência e de amizade (1990/1999), hoje de eterna admiração e agradecida saudade. Escolhi dar início ao Sarrabal, em sua homenagem, escolhendo o dia do seu aniversário. Nunca deixo de a mencionar também neste dia no meu mural do Facebook.
Agradeço agora aos meus leitores fiéis e aos eventuais (sei que os vou tendo), embora tenham deixado de existir comentários. Ao manter o blogue activo faço-o por gosto e pelo meu amor à escrita. Que a vossa presença continue a ser uma certeza, com a qual o Sarrabal possa continuar a contar. Desejo a todos a melhor saúde e muitas felicidades.
E agora, vamos lá partir o bolo!
Soledade Martinho Costa

Mesmo à beirinha do cais
Está pousada uma gaivota.
Que viagens terá feito
Que rochedos e que sal
Que marés e areal
Roçaram as suas asas
Em beijos de temporal?
Qual o rumo
Qual a rota
Das suas asas de espuma
Por sobre as águas do mar?
Quantas horas
Quantos dias
Quantas noites de luar
Leva o tempo
Leva o tempo
Até fazê-la voar?
Toda vestida de Sol
Que estará ela a cismar
No céu azul
Na maresia
Nas vozes dos pescadores
Que vão à pesca no mar?
Cercada de espaço e vento
Que estará ela a cismar?
Fora eu outra gaivota
Ia-lhe já perguntar!
Soledade Martinho Costa
Porque gosto do calor
Peço ao Sol que se aproxime
O mais perto que puder
E o Sol que é meu amigo
E gosta de me agradar
Vem logo pelo céu abaixo
Coradinho, esbaforido
Às vezes a transpirar
Mas por ser um mês devoto
Frente aos santos nos altares
Ajoelho com respeito
E com o mesmo preceito
Em repetida oração
Dou as voltas rituais
Às igrejas e capelas
Com o rosário na mão.
Escuto missas e sermões
Ofereço cravos e velas
E ao passar as procissões
Ponho colchas nas janelas.
São tantas as devoções
E as festas a que dou voz
Que não me chegam os dias
Mais tivesse, mais seriam
Novenas e romarias
Nas terras de todos vós.
À minha volta o que vejo?
Gigantones, cabeçudos
Bailaricos, ranchos, feiras
Fogo livre, fogo preso
E os tão típicos Zés Pereiras.
Mas como sou diligente
Entre a festa e a romagem
Dou ao porco mais limpeza
E bem cedo ou à tardinha
Levo os gados à pastagem.
Depois, como de costume
Roço os matos para estrume
Sacho e rego os milheirais
Faço a ceifa e a debulha
E completo as forragens
Que se dão aos animais.
Mas uma coisa confesso
Tudo o que fiz foi com gosto
Para o ano, cá estarei
Para dar a minha vez
Ao meu mano, o mês de Agosto.
Soledade Martinho Costa
Do livro Julho – Os 12 Irmãos
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