
– Ora, então, seja bem aparecido! Isso é que foi dormir um sono bem dormido! - cumprimenta o gafanhoto empoleirado na folhagem que enfeita o local onde o sardão fez a toca.
– Viva, senhor Gafanhoto, prazer em vê-lo! Como tem passado? – retribui o sardão, olhinho vivo, corpo a receber a quentura da pedra perto da sua casa.
– Tenho passado bem, obrigado. A fazer pela vida, como posso…
Liberto do letargo em que esteve mergulhado durante os meses do Outono e do Inverno, o sardão, bicho de sangue frio, acorda nesta altura do ano. E como gosta de saber o que se passa à sua volta, pergunta, a mostrar, já fora da toca, a cor verde das escamas do seu fato:
– E por aqui, senhor Gafanhoto, algumas novidades?
– As do costume. – informa o insecto saltador. – Chegou a Primavera, como sabe. Agora, é viver com a Natureza em paz e amizade.
A rã intromete-se e coacha na beira do riacho:
– Gostei de ouvir, compadre. Assim é que é falar! – diz ela. E logo, zombeteira, vestidinho verde: - É por isso que não deve chegar-se à boca do Sardão. Quem dormiu tantos meses de barriga vazia, deve acordar, certamente, com uma fome de respeito!
O sardão disfarça. Finge que não ouve. Mas a rã conhece-o de sobejo. E já tem visto a gula dos seus dentes…
Pouco à vontade, o gafanhoto dá um salto no ar:
– Lembrei-me agora de um encontro que marquei com um amigo meu noutro lugar. Adeusinho senhores, até mais ver!
E parte sem demoras. Um salto aqui, outro salto acolá, a pensar nas cautelas que um pobre gafanhoto é obrigado a ter. A rã, essa, dá um mergulho nas águas do riacho. Isso lhe basta para a fazer feliz. Quanto ao sardão…Bom, o sardão lá fica no seu posto. Contente consigo próprio e com o mundo. Rabo comprido, as quatro patas espalmadas sobre a pedra. A matar saudades do Sol que lhe sabe tão bem àquela hora cedinho da manhã.
Soledade Martinho Costa
Do livro “Histórias que a Primavera me Contou”
Ed. Publicações Europa-América

O pisco-ferreiro, pousado no rebordo do telhado, observa a casa onde mora. Sua esposa, a ferreirinha, no vestido castanho com penas ruivas no peito e no leque do rabinho, repousa no côncavo do ninho. Debaixo do corpo, num aconchego de folhas secas, palhas e tronquinhos, esconde os quatro filhos, cobertos ainda de penugem.
Mas repousa apenas por momentos, que já levanta voo na quietude estremunhada da manhã, para matar a fome aos seus rebentos. Quatro bicos abertos, como uma estrela de ouro, que lhe pedem carinho, vigília e alimento.
Crac-crac, crac-crac, no silêncio da noite que veste a aldeia, a ferreirinha, repartindo o calor do corpo pelo corpo dos filhos, canta, baixinho: crac-crac, crac-crac, como se cantasse uma canção de embalar para adormecer os seus meninos. E as pessoas da casa onde fez o ninho, que a conhecem e lhe querem bem, ao escutarem o canto maternal da ave, pedem que a noite a guarde e adormecem também.
Soledade Martinho Costa
Do livro "Histórias que a Primavera me Contou"
Ed. Publicações Europa-América
Ilustração do livro: Elisa Bernardo

Ontem, dia 25 de Abril, passaram 24 anos sobre a morte de António Pimentel. Faleceu no dia 24 de Abril de 1998, de doença oncológica, e o funeral saiu de sua casa («Casa dos Bentos»), na aldeia de Alcabideque, para o cemitério de Condeixa, sua terra natal, no dia 25 de Abril.
O quadro de sua autoria que tenho a honra de publicar (pertencente à famosa série «Mariana Alcoforado»), fez parte da sua última exposição, em 1995, na Galeria de Arte Sílvia Vale, em Espinho.
Estando eu na sua galeria, na aldeia, a uns escassos metros da minha casa (onde eu passava horas a vê-lo pintar, outras à conversa ou a traçar-mos projectos), já com as telas dadas por concluídas, pergunta-me A P: «De qual gosta mais, Soledade?». Apontei esta. E a pergunta: «Porque não fica com ela?». «Porque não posso.». Respondi .
Regressei a casa a pensar na belíssima tela que tinha visto. Momentos depois, entra-me António Pimentel pela porta dentro com o quadro debaixo do braço. Fiquei perplexa. «É seu, Soledade. Vamos fazer um negócio que vai ser bom para os dois!» E o negócio fez-se. Deixou-me o quadro e saiu. Cedi-o depois para a exposição, sendo esta a tela que ilustra o próprio catálogo – por sinal, a tela preferida de A.P., nesta que foi a última exposição deste grande nome da pintura portuguesa.
Durante algum tempo esteve colocado na parede do meu quarto, sobre a cabeceira da cama, na casa da aldeia. De há uns anos a esta parte, não. Mas sempre que o olho (no lugar onde está agora, em Alverca do Ribatejo, na salinha onde juntei as demais obras que lhe fui adquirindo), dá-me três motivos para pensar: nas saudades que sinto do meu amigo, na grande pena por a vida não lhe ter dado a oportunidade de nos brindar com mais obras tão belas quanto esta, e no amor (quase deslumbramento) que tenho por esta obra – não apenas pela arte que representa, mas pelas gratas recordações que reparte comigo.
É a minha homenagem, a minha lembrança, a minha admiração por António Pimentel, que ficam nestas palavras. Não podia deixar passar em claro esta data.
Soledade Martinho Costa
(Todos os direitos protegidos ao abrigo do código do direito de autor)

De mansinho, como só ele sabe, o dia acorda a Primavera no azul da manhã. Mira-se ao espelho, no cristal das gotas do orvalho que a madrugada lhe deixou, e estende os olhos pelos campos sem fim. Verdes, tão verdes, assim, reflectidos no seu olhar de luz!
O Sol, seu companheiro de sempre, faz-lhe companhia. Na Primavera levanta-se mais cedo, liberto da preguiça de ficar escondido entre os lençóis do sono.
— Quero ver como vão as coisas lá em baixo, na Terra. Quero zelar por elas. Ajudar a terra a florir e a frutificar. Essa é a tarefa que me cabe cumprir – murmura ele. Portanto, deita mãos ao trabalho. Ou seja, afadiga-se a lançar sobre a terra a quentura dos seus raios para que a semente desponte, a flor tenha perfume e o fruto a doçura que o fará cobiçado.
— O Sol é um mágico! – segreda o canavial à brisa que passa.
— O Sol é um trabalhador cheio de coragem! – afirma o rio, na sua viagem sobre as pedras.
— O Sol é o irmão da Natureza! – acrescenta a macela a oscilar nos ramos.
— O Sol é um amigo de todos nós! – congratula-se o homem, que cultiva a terra, a imaginar a seara que há-de ceifar nos meados do Verão.
Mas como o dia tem de aproveitar o tempo, ei-lo a bater à porta das casas da aldeia, atento aos passos e às vozes; a saltar os muros de pedras sobrepostas, onde espreitam os tufos de conchelos e erva-moleirinha; a subir ao topo das serras, entre veredas de murta, verbenas e boninas.
As borboletas, as libélulas, as joaninhas, os besouros e as abelhas andam também numa roda-viva a saborear a liberdade que a Natureza lhes oferece.
— Bom dia! Bom dia! É Primavera! – repetem sem parar, deslumbrados com a beleza que os rodeia e curiosos de tanta novidade.
Aqui e além ouvem-se os grilos, as cigarras e os ralos, a desenferrujarem a sua música dos muitos dias de silêncio e merecido descanso. Nas hastes e nos tronos das plantas e das árvores rebentam os renovos, orgulhosos do vigor que fará a seiva correr com força redobrada nas suas raízes, adormecidas durante os meses frios do Inverno. É a vida que volta. Que começa ou recomeça. É o letargo interrompido. O sono que termina. O pousio que cessa. Daqui em diante, são os dias a encherem-se de sons, de aromas, de colorido. E também a certeza de que a Primavera não deixa nunca de nos maravilhar num repetido e sempre renovado canto!
Mas engalanados ficam também os moitões de tojo, a esconderem a aridez dos picos debaixo de um manto de florinhas de oiro. Numa mistura de cores, de formas e perfumes, fazem-lhe companhia os almeirões, juntinhos, a formarem tufos de flores lilases; os resmonos azuis, a confundirem-se com a flor do rosmaninho; a flor das estevas, olhar castanho-escuro a espreitar nas cinco pétalas translúcidas; o lilás das minúsculas flores da malva, pincelado em cada pétala com três filetes roxos, e o branco e o amarelo dos pampilhos a salpicarem o vermelho das papoilas. Tanta beleza, tanta, por esses campos a perder de vista! E um perfume sem par a respirar na aragem! Mas as casas… Ah!, as casas são as flores mais bonitas da paisagem!
Soledade Martinho Costa
Do livro «Histórias que a Primavera me contou»
Ed. Publicações Europa-América
Foto: Fernando DC Ribeiro (Aldeia de Morgade, Barroso)

Se Abril voltasse
A percorrer as ruas
E com ele na mão
Um cravo rubro
Os anseios que nascessem
Nesse dia
Trariam a certeza
De que os homens
Nem sempre procuram
A magia
Que faz dormir em paz
As consciências.
Se o outro Abril
Não passou de um sonho
Se respiramos hoje
Esta amargura
E os cravos se tornaram
Cor de bruma
A seara continua
A oferecer ao vento
O dourado do manto
E a formosura.
A murmurar, talvez
Que o Norte anda à deriva
Sem rota, sem leme ou timoneiro
Mas que resiste em nós.
A segredar ao coração
A tempo inteiro
É urgente ir em busca da bonança
E deixar que o Sol rompa o nevoeiro.
A fé não está perdida
É urgente ir em busca do poema
Que se fez canção
E fez bandeira
Em nossa voz
Agora adormecida
À espera de a ouvirmos
Renascida
Cantada noutro tom
Em vez primeira.
Soledade Martinho Costa

Ocorre sete dias depois da Páscoa, correspondendo ao domingo seguinte ao domingo de Páscoa, também denominado Dia da Misericórdia de Deus, Oitava da Páscoa ou Quasímodo.
Estas duas últimas designações, embora ainda se usem, eram mais utilizadas antigamente, celebrando-se a Oitava noutras liturgias importantes da Igreja, prática caída em desuso, quando da reforma do calendário religioso, após o Concílio do Vaticano II.
A Pascoela simboliza o prolongamento do próprio domingo de Páscoa, numa atitude festiva da Igreja e dos fiéis, podendo dizer-se que representa uma espécie de diminutivo da palavra Páscoa.
Recorde-se que o baptismo dos primeiros Cristãos adultos ocorria durante a Vigília Pascal, ritual que continua a manter-se, sendo a quadra da Páscoa a preferida, desde os primórdios da religião cristã, para se efectuarem os baptismos dos catecúmenos.
Daí, chamar-se também – conquanto não já oficialmente – ao domingo de Pascoela o domingo In Albis (domingo branco), devido ao facto de os catecúmenos utilizarem (como hoje) vestimentas brancas no acto do baptismo, celebrado depois, festivamente, por toda a semana que decorria desde o domingo de Páscoa ao domingo de Pascoela.
Nos dias actuais, à semelhança de outrora, os baptismos continuam a realizar-se por toda a semana que medeia estes dois domingos, embora, por tempos idos, apenas nesta época do ano a Igreja procedesse à imposição do baptismo. Hoje, já assim não é, mas continua a verificar-se a preferência da quadra pascal para se efectuar o baptismo, sobretudo das crianças.
Na tradição popular, é durante a celebração da missa do Senhor no Domingo de Pascoela – quando esta se realiza às três horas da tarde em ponto – que, «ao pedir-se uma graça, ela será atendida».
Soledade Martinho Costa
Do livro «Festas e Tradições Portuguesas», Vol. III
Ed. Círculo de Leitores

Diz-se da solenidade religiosa que dá início à Vigília Pascal, quando a igreja, até aí mergulhada na escuridão, se enche progressivamente de luz, irradiada, primeiro, pela chama do círio pascal, e, depois, aos poucos, pela luz das velas dos fiéis, acesas entre si a partir da chama primeira. A luz assim irradiada – ou, mais exactamente, a chama do círio pascal –, rompendo as trevas e inundando por completo o templo de claridade, simboliza Cristo Ressuscitado, constituindo um dos momentos principais da noite de Vigília de Sábado Maior.
A cerimónia tem lugar no final da tarde ou no começo da noite de Sábado Santo, à entrada da igreja, com o atear de algumas brasas colocadas num fogareiro. É nesta chama que o padre acende o círio pascal, abençoando, seguidamente, o «lume novo». Com o círio aceso, o celebrante procede depois à bênção dos cinco grãos de incenso, que coloca, com a ajuda de cinco pequeninos pregos, no círio pascal, representando cada um deles as «cinco chagas de Cristo, cujo perfume se difundiu pelo Mundo». Enquanto o padre benze os grãos, o acólito deita no turíbulo – vaso suspenso por correntes, destinado a queimar o incenso – dois carvões bentos, juntamente com incenso, e faz três aspersões de água benta sobre os grãos e sobre a chama do «lume novo».
Após a consumação deste ritual, o pároco e os acompanhantes seguem em cortejo até à capela-mor, fazendo no percurso três paragens, nas quais o celebrante pronuncia, em honra da luz, o Lúmen Christie (Luz de Cristo), sempre em crescendo, acabando quase em falsete, enquanto os fiéis respondem Deo Gratia (graças a Deus) a terminar a «bênção do lume novo» – cerimónia já conhecida no século IV –, e após algumas orações do missal, o pároco coloca o círio na coluna, ou peanha, que lhe está reservada, do lado esquerdo do altar, junto do Evangelho, para ser aceso em todas as cerimónias realizadas até ao Pentecostes. A partir dessa data será transferido para o baptistério, ali se mantendo até à Vigília Pascal do ano seguinte.
Outrora acendia-se o círio pascal ao longo do ano, para servir no acto baptismal. Era na sua chama que os pais das crianças acendiam a «vela do baptismo» ou seja, «o primeiro lume» – simbolizando a «chama da fé». O grande círio pascal, devido ao seu volume e densidade, chega a durar vários anos. Além dos pregos de incenso, ostenta uma cruz (em alusão ao sofrimento de Cristo), a designação do ano em curso, a lembrar que «Jesus é o Senhor do tempo e da eternidade», e as letras do alfabeto grego A (alfa) e O (omega) – expressando o «princípio» e o «fim».
Tal como a luz, a água representa um dos principais elementos glorificados na noite da Vigília Pascal. A cerimónia da sua bênção efectua-se imediatamente após a «bênção do lume novo», sendo realizada com idêntica solenidade. Louva-se, assim, a importância da água desde o princípio do percurso bíblico, como factor basilar do baptismo e símbolo de purificação cristã. Ao «lavar do corpo e do espírito humano todo o pecado», com ela iniciam os crentes, a partir do acto baptismal, o «caminho da fé reforçada em Cristo e nos dogmas da Igreja Católica».
O rito da «bênção da água» decorre quando o celebrante, empunhando de novo o círio pascal, e seguido dos fiéis, se dirige à pia baptismal, repleta de água, que servirá, depois da bênção e durante o ano inteiro, à imposição do baptismo. Nesta ocasião, em certos lugares, é costume os fiéis encherem com ela pequenos recipientes que levam para casa. Com esta água enchem-se também as pias da água benta, onde se molha a ponta dos dedos para fazer o Sinal-da-Cruz, gesto que simboliza «a lembrança do baptismo», e que serve, segundo o povo, para «afugentar o demónio quando se entra nas igrejas».
Em tempos não muito recuados, na cerimónia da «bênção da água», o celebrante mergulhava nela a extremidade do círio pascal, retirava-a, voltava a mergulhá-la mais profundamente, retirava-a de novo, e tornava a mergulhá-la na pia baptismal até ao fundo, significando este ritual «a Morte e a Ressurreição de Cristo». Depois disto, os fiéis eram aspergidos com a água já benta, enquanto o sacerdote terminava a bênção lançando em cruz, na água, o «santo óleo» ou «óleo sagrado» – azeite benzido pelo bispo na Quinta-Feira Santa –, espalhando-o sobre a água com a mão.
Enquanto decorre a Missa da Vigília Pascal, celebra-se também, embora hoje menos do que antigamente, o baptismo dos catecúmenos, que frequentaram a catequese e se instruíram e prepararam para receber o baptismo, cerimónia que nos remete aos primórdios do cristianismo, quando os baptismos começaram a ser efectuados na noite da Vigília Maior ou madrugada da Ressurreição.
Soledade Martinho Costa
Do livro “Festas e Tradições Portuguesas”, Vol.III
Ed. Círculo de Leitores

Ao abrir agora mesmo o computador, foi esta a triste notícia que recebi: «Morreu Euníce Muñoz.» Há dias o actor João de Carvalho disse-me que Euníce estava muito doente. Ainda assim, sempre prevalece em nós uma certa esperança de que os amigos, mesmo «muito doentes», não nos abandonem. Guardo de Euníce Munõz momentos muito felizes. Ia, frequentemente, a Condeixa-a-Nova, de onde a mãe era natural. A minha casa no campo, fica numa aldeia a dois quilómetros da vila. Visitou-me, certa tarde, na companhia de uma amiga comum: Isabel Pimentel, irmã do pintor António Pimentel (dois amigos também já falecidos). Mas foi em casa de outra amiga comum, Bernardette Vidal (casa onde ficava sempre que estava em Condeixa), que nos encontrámos e a entrevistei para a revista «Notícias/ Magazine», do Diário de Notícias. É essa entrevista que volto hoje a publicar em sua homenagem. Deu-me a honra da sua amizade e o prazer de privar com a sua simplicidade e a sua simpatia – mas também o privilégio de a poder admirar na Arte que foi a sua e que repartiu por todos nós. O seu nome figura no meu livro «O Nome dos Poemas». Ao publicar o poema e a entrevista, é esta a minha maneira de lhe dizer adeus. Que descanse eternamente em paz na companhia de Deus.

A missa de Domingo de Ramos – durante a qual se faz referência à Paixão e Morte de Jesus – foi chamada, em tempos, Missa Seca. Segundo uns, missa sem música (órgão e cânticos), na versão de outros, celebração em que não há comunhão (consagração do pão e do vinho).
Uma das tradições deste dia, das mais populares entre nós, consiste na «bênção dos ramos» ou dos «palmitos», prática comum a todos os povos católicos, relacionada com os vários aspectos das comemorações da quadra pascal.
Ao dar início à Semana Santa, neste domingo se recorda e reconstitui um dos episódios mais marcantes da vida de Jesus Cristo: a sua entrada messiânica em Jerusalém para celebrar a Páscoa Judaica, tendo sido recebido, conforme se lê no Evangelho, «com gritos de alegria e o maior entusiasmo da multidão», que buscou folhas de palmeira para com elas O aclamarem.
Atados, por vezes, com fitas de cores e compostos por folhas de palmeira, alecrim, oliveira, loureiro, rosmaninho e mimosas, os ramos, benzidos antes da missa (ou de véspera, na missa da tarde), guardam-se depois em casa durante todo o ano. Nas vilas e aldeias continuam a ser pendurados na cozinha ou à cabeceira da cama para «proteger dos maus ares». É também costume colocar-se o ramo na sala, na altura da visita pascal (o «compasso»), ao lado de uma imagem religiosa ou pendente de um crucifixo.
Na Beira Baixa leva-se à Igreja, juntamente com o ramo, um pão para ser benzido antes da missa, conferindo-lhe a crença popular «poderes divinos e profilácticos». Em diversas localidades eram os «mordomos» que ofereciam ao padre um «palmito», sempre maior e mais enfeitado do que os outros, que o pároco, por sua vez, oferecia, simbolicamente, depositando-o sobre o altar. Outras vezes é colocado à porta ou no meio da igreja um enorme ramo de oliveira, enfeitado com fitas, flores e alecrim, que o padre benze na ocasião em que procede à bênção dos «palmitos». Havia ainda o preceito de utilizar-se um ramo de oliveira, ornamentado apenas com um laço de seda, entregue ao pároco pelo sacristão ou pelas «mordomas». Após benzido o ramo era dividido em pequenos ramos e distribuído aos fiéis pelo padre, prosseguindo o ritual com os devotos a desfolharem, ao redor da igreja, um galho do ramo oferecido, rezando um pai-nosso e uma ave-maria por cada uma das suas folhinhas. Prática caída em desuso, continua, mesmo assim, a verificar-se em determinadas localidades.
O que sobrava deste ramo, o grande ramo de oliveira, o próprio ramo do padre e as palmas que enfeitavam a igreja eram guardadas nas sacristias até à quarta-feira de Cinzas do ano seguinte. Ainda hoje as palmas e os ramos que ficam nas igrejas são queimados neste dia, servindo as suas cinzas para impor o Sinal-da-Cruz na fronte dos fiéis que comparecem à Missa das Cinzas.
Em Nisa, além das palmas, leva-se à igreja um ramo de alecrim e oliveira (antigamente enfeitado com pequeninas flores roxas), a que se dá o nome de «vassouras», por apresentarem essa configuração. Depois de benzidas, as «vassouras» – que se vendem neste dia pelas ruas – são penduradas na sala de entrada das casas, sempre «em lugar bem à vista».
Em diversas aldeias da Beira Alta, o ramo é feito de loureiro e oliveira e enfeitado com alecrim, camélias, laranjas, figos secos, doces, bolos, etc., chegando a atingir a altura da pessoa que o transporta. Do Minho ao Algarve continua também a manter-se o uso de queimar algumas das folhas do ramo bento «para afastar as grandes trovoadas». Com igual propósito, colocam-se raminhos de oliveira sobre as portas e janelas ou dá-se a comer ao gado um pedacinho do pão bento.
Supostamente a representar resquícios dos sacrifícios humanos praticados no antigo Egipto, a «cerimónia das cinzas» remonta aos primeiros séculos da era cristã, inicialmente para admitir os crentes na comunidade, enquanto no século X d. C. toda a congregação católica romana, pessoas fora dela e os próprios sacerdotes passaram a tomar parte no ritual religioso da imposição das cinzas
Soledade Martinho Costa
Do livro «Festas e Tradições Portuguesas», Vol. III
Ed. Círculo de Leitores
«Comunistas consideram que o presidente ucraniano tem tido "um conjunto de posicionamentos numa lógica de confrontação", pelo que não o querem a falar na Assembleia da República, por videoconferência. Os restantes partidos votaram favoravelmente por unanimidade.»
Caríssima deputada Paula Santos, calculo que seria mais do vosso agrado que o Presidente Zelensky, perante a invasão do seu pais, oferecesse a Ucrânia aos invasores de mão beijada, verdade? Talvez que os devesse ter recebido com um beberete, uma pequena recepção de boas-vindas, com uns cantares e danças ucranianos, certo? Que agradecesse a «boleia» que tiveram a «bondade» de lhe oferecer para sair do seu país (e que ele recusou!), em vez de fazer frente a um facínora que manda arrasar um hospital de crianças e uma maternidade, acertei? Porque será que os filmes e os vídeos que mostram o horror dos milhares de mortos metidos em sacos de plástico negros atirados aos montes para valas comuns não passam nas televisões russas? Nem os escombros de um país? É capaz de me explicar? Transcrevo as suas palavras de justificação pelo facto do Partido Comunista Português ter votado contra o Presidente da Ucrânia discursar no Parlamento Português (à semelhança do que tem vindo a fazer nos Parlamentos de outros países): «Os comunistas portugueses consideram que o presidente ucraniano tem tido «um conjunto de posicionamentos numa lógica de confrontação»!!! Ridículo, minha cara! Já olhou bem a destruição completa de um país tão belo como era a Ucrânia? Creio não estar enganada quando afirmo que foi a Ucrânia que foi invadida e não o contrário!! Mas gostava de lhe fazer algumas perguntas, a que não merece a pena dar-se ao incómodo de responder: como mulher (somos sempre um pouco mais sensíveis), consegue que o seu coração fique sereno e a sua voz soletre, conteste e exija, o que sabe, perfeitamente, ser impossível de concretizar, dentro da lógica, da ética, da humanidade e da independência dos povos e de um país? Quando se deita, dorme bem, dorme tranquila, nada do que diz a faz ter pesadelos? Tenho muitos amigos comunistas que se calam (por obediência?) e não criticam (por receio de represálias?) este crime comparável aos crimes praticados por Hitler. E tenho pena. Não refiro o nome do indivíduo da Russia por repulsa. Mas refiro nas minhas orações diárias o nome da Ucrânia, pedindo o fim deste genocídio hediondo praticado por um assassino que faz chorar o mundo.
Soledade Martinho Costa
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