
Quem me conhece sabe que não sou apreciadora de futebol. Costumo dizer que «sou mais das literaturas». No caso de o nome de Portugal estar em causa, aí, sim, interesso-me e vejo o desafio pela TV.
Vem isto a propósito de, ultimamente, ter vindo a consolidar-se uma curiosa aproximação virtual a partir de alguns textos que tenho publicado nas duas páginas de Cristiano Ronaldo no Facebook. Daí, que, diariamente, nas minhas notificações, receba fotos e vídeos respeitando à sua vida particular: com a família, filhos, mãe, Georgina, sozinho, com crianças - quando as visita em hospitais ou quando estas invadem o campo em troca de duas palavras, de uma foto e de um beijinho. Raras são as fotos que recebo mostrando momentos de um desafio. Não conheço pessoalmente Ronaldo nem nenhum dos seus familiares. Comprei e li o primeiro livro de Dona Dolores Aveiro, sua mãe. Percebi melhor as condições difíceis da sua vida e da sua luta para concretizar o sonho do filho: ser jogador de futebol. Pessoas pobres, pessoas humildes, como são a maioria dos portugueses. E tenho acompanhado a feérica ascensão de Ronaldo. Hoje, o seu nome enche o mundo! Assim como, por todo o mundo, se tornou incontável e incontornável o número dos seus admiradores.
No passado mês de Fevereiro, Cristiano Ronaldo festejou o seu aniversário: 36 anos de idade. Numa das suas duas páginas no FB li um texto que me sensibilizou. Tudo começou por aí. Escrevi, dando resposta. O meu texto continua lá. Está em português, mas já foi traduzido para inglês. Uma gentileza que agradeci. Depois, bem, depois, a par dos milhares de elogios expressos nos comentários que lhe fazem (de apoiantes estrangeiros), leio os comentários de alguns portugueses e fico escandalizada, envergonhada, revoltada. Porque, infelizmente, só dos portugueses vêm essas atoardas envenenadas. Ronaldo passou a ser importunado por pessoas maldosas, com comentários onde a má educação, a ofensa e, sobretudo, a horrível inveja, se fazem mostrar afrontosamente. E não consigo ficar calada! Vejamos: foi o programa «Você na TV» emitido pela TVI, com Paula Bobone (conhecida por «dona etiqueta»), a ridicularizar e a ofender Dona Dolores (embora tenha sido criticada em directo pelo próprio apresentador, Manuel Luís Goucha). Foi a comediante Maria Vieira, num atrevimento inadmissível, perguntando, nas redes sociais, se «a mãe de Ronaldo ao lançar mais um livro estaria necessitada de dinheiro.» Foi o «grande escândalo» da «marquise de Ronaldo» (cujo arquitecto aproveitou bem para se auto-publicitar!). Foi a inveja descarada de um comentador português a chamar «palhaço» a Ronaldo por este se apresentar a um treino a guiar um dos seus carros, um Bentley. Além de outros nomes ofensivos com os quais o desconsideram: fanfarrão; vaidoso; arrogante; velho; bolorento...Incluindo frases grosseiras e obscenas – sempre emitidos por portugueses! É isso que me desgosta, que me envergonha, que me indigna.
Ao todo, escrevi nas páginas de Ronaldo, oito pequenos textos relacionados com as fotos ou vídeos que recebo. Verifico, com agrado, que continuam em destaque desde Fevereiro. Outros onze são em sua defesa - ingenuamente, talvez, no sentido de tentar fazer entender a esses comentadores portugueses, que devem respeitar, ter educação e bom-senso, em relação ao seu semelhante. Para esses, que sofrem desse grande mal que se chama INVEJA, dei-me ao trabalho (grato) de enumerar aqui alguns dos actos beneméritos de Ronaldo – além de ter levado, como jogador de futebol, com o maior brio e grandeza o nome de Portugal por esse mundo fora. Este meu propósito, não tem outra intenção a não ser dar a conhecer um pouco do Cristiano Ronaldo que nem todos conhecem:
Em 2008 a mãe de Ronaldo teve cancro de mama, que viria a superar. Ronaldo agradeceu à clínica onde a mãe foi operada e tratada, com uma oferta extra de 136 mil euros. Em 2009 ao saber que um menino de 9 anos tinha cancro terminal, enviou um motorista para levar a criança e a família para o Hotel do Real Madrid, convidando-o a assistir a um jogo pela TV. Nesse jogo dedicou-lhe um golo e ofereceu-lhe depois a camisola. Continuou a ajudar, pagando um tratamento experimental, disponível nos Estados Unidos, e todo o tratamento que se seguiu, numa clínica privada, gastando centenas de milhares de euros. Após mais de um ano de ajuda, o menino acabou por falecer.
Em 2011 doou a «Bota de Ouro» (que alcançou nesse ano), à Fundação Real Madrid. O leilão rendeu 1,5 milhões de euros, verba que reverteu para a reconstrução de escolas em Gaza, Palestina. Em 2013, uma réplica da «Bola de Ouro» (que recebeu nesse ano), foi a leilão rendendo cerca de 600 mil euros, que foram doados à Associação Make-A-Wish Portugal, filiada portuguêsa da Make-A-Wish Internacional, com sede em Lisboa desde 2007, «que já realizou os desejos de mais de 1500 crianças em todo o território nacional». A missão desta Associação «consiste em concretizar os desejos de crianças e jovens dos 3 aos 17 anos, abrangendo todo o território português, que sofrem de doenças graves, progressivas, degenerativas ou malignas, proporcionando-lhes a realização dos seus desejos, no sentido de esquecerem por momentos a sua doença e serem, simplesmente, crianças.» Ronaldo é um dos seus grandes apoiantes e beneméritos.
Ainda em 2013 oferece 100 mil euros à Cruz Vermelha, provenientes do bónus da sua nomeação para a Equipa do Ano da UEFA (normalmente doa sempre os bónus que recebe). Em 2014 a mãe de um menino de 10 meses, com displasia cortical, pede-lhe uma camisola para leiloar. Ronaldo fez mais: pagou 62 mil euros pela cirurgia e cobriu todos os custos do tratamento de seguimento. Nesse mesmo ano, quando recebeu o prémio da «Bola de Ouro», durante o discurso que fez, lembrou as crianças que conheceu com leucemia. Em 2015 terá doado 5 milhões de euros ao Fundo de Ajuda às Crianças depois do terramoto no Nepal. Em 2016 gravou uma mensagem dirigida às crianças vítimas do conflito sírio, apelidando-as de «verdadeiros heróis» e contribuindo com uma doação secreta para salvar as crianças desta parte do mundo. Em 2020 doou cerca de um milhão de euros aos hospitais portugueses no combate ao Covid.
Pelo Natal, antes da Consoada, ele e Georgina, sua mulher, têm por hábito visitar os hospitais, onde se encontram crianças em tratamento do cancro, para levar-lhes presentes. Tudo isto, sem esquecer o seu apoio aos orfanatos e outras instituições similares; as duas doações de sangue que efectua anualmente e a doação de medula óssea que fez quando o filho do antigo jogador Carlos Martins (hoje ligado a outra actividade profissional) necessitou de um transplante. No final dos jogos, não consente que qualquer apoiante que dele se queira aproximar (adulto ou criança) seja expulso do relvado pelos seguranças. De registar ainda, o seu gesto de amizade e companheirismo (na décima vitória da Liga dos Campeões), ao presentear os companheiros de equipa com relógios personalizados da marca de luxo Bvlgari.
Cristiano Ronaldo é embaixador de três grandes instituições mundias de caridade: SAVE THE CHILDREN; UNICEF e WORLD VISION. Em todos os seus actos, mostra-se discreto e sempre modesto, atribuindo os seus gestos «à vontade de Deus».
É evidente que não se esgotam aqui as suas acções de benemerência. Há muitos episódios, muitas atitudes dispersas, não inseridos neste resumo, que mostram a sua bondade e preocupação em relação aos outros – sobretudo, no que respeita às crianças. Na lista divulgada pela organização mundial Da Something.org, fundada em 1993 nos EUA, Cristiano Ronaldo lidera a tabela constituída pelos 20 atletas mais altruístas do futebol. Em 2015 é considerado «o atleta mais caridoso do mundo». O que se torna vergonhoso, é que estes seus gestos em favor do próximo, nada signifiquem para aqueles que o invejam, ofendem e desconsideram. Acabo por estar de acordo com Kátia Aveiro, quando escreve nas redes sociais: «Os portugueses não o merecem», referindo-se ao irmão. Não sou, nem pretendo ser, o anjo de guarda de Cristiano Ronaldo. Nem a sua advogada de defesa. No fundo, ele nem sequer precisa. Simplesmente, não me dou bem com injustiças e arruaçeiros. Tenho, até, o hábito de intervir, para corrigir o que está incorrecto, ou para inserir os meus «sermões pedagógicos», em resposta a comentários que leio por aqui (embora me aconselhem «a que não dê importância»). O problema está em que sou daquelas pessoas que pensa que pode endireitar o mundo - ou dar-lhe um jeitinho para que fique mais direito.
E lá volto ao tal comentador português, que tão «incomodado» ficou por Ronaldo se deslocar a um treino ao volante de um Bentley. Por isso, daqui lhe pergunto: com todo este dinheiro gasto em favor do seu semelhante, quantos Bentleys não compraria Cristiano Ronaldo?! O nome que lhe chamou foi, provocadoramente, ofensivo. Eu, por exemplo, CARLOS FERREIRA (do PORTO), nunca seria capaz de chamar-lhe PALHAÇO se o visse, a si, a guiar (provavelmente, um Seat Ibiza) quando se dirige para o seu trabalho – e olhe que teria imensa vontade. Mas não o faço. É assim. As pessoas não são todas iguais.
Soledade Martinho Costa
(23/ Novembro / 2021)
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