
Ninguém sabe onde te escondes
Ou aonde te demoras
Todos os lugares são teus
Dás nome a todas as coisas.
És o rumo dos caminhos
Entre o destino e a poeira
Mas sempre o ponto de encontro
Que busco à minha maneira.
Aqui estou à tua espera
Do lado de cá do muro
Sem passado, sem presente
À mercê do meu futuro.
Só tu levas o meu sono
Feito de gelo e fogueira
Quisera estalar os dedos
E esquecer-te sem que eu queira.
Dar a mão a outra mão
Mesmo que desconhecida
Dividir o que não tenho
Ser a parte de outra vida.
Penhorar o mar e a Terra
Vestir o olhar de Sol
Procurar nas madrugadas
Um poema, uma canção.
Encontrar uma razão
Feita de esperas e sonhos
E depois dizer que não
Ao desencontro das horas.
Voltar sem pressa outra vez
A percorrer o relógio
E ver-te todas as vezes
Nos quatro cantos do mundo.
Quando achar novas de ti
Quem tu és e porque tardas
Visto um hábito de monge
Ato o cordão à cintura
E solto as palavras todas
Caladas, à tua espera
Neste meu poço sem fundo.
Soledade Martinho Costa
Do livro «Um Piano ao Fim da Tarde»
Tela: Christian Schloe
Estes dois bonequinhos têm uma história. Quando os olho, vejo dois bebés que me vão acompanhar por toda a minha vida. Duas crianças que não cresceram porque não deixei. Representam os meus dois primeiros netos (hoje tenho seis). São os bonecos que lhes ofereci mal abriram os olhos para o mundo. O bonequinho para o Rafael, a bonequinha para a irmã, Maria Teresa, nascida dois anos depois. Ao vê-los, vejo duas crianças que continuam a dar-me a mão. A refugiarem-se no meu colo quando têm sono. A pedirem-me água quando têm sede. A ouvirem as minhas histórias. A apanharem, comigo, as conchinhas na areia da praia. Duas crianças que me enchem de perguntas, porque querem saber a razão das coisas. Que me oferecem desenhos com casinhas, árvores, andorinhas e o sol. A quem limpo as lágrimas quando dão um tombo ou fazem um arranhão. Que me chamam avó e correm para mim. Duas crianças que me dão pequeninas flores e beijos e abraços. Que não deixei que crescessem para continuarem assim, pequeninas, puras, ternas, a aprender, dia a dia, o significado das palavras: família, dedicação, respeito, amor. Vivem os dois dentro de uma caixa e dão-se muito bem. O bonequinho tem agora 22 anos, a bonequinha tem 20. De vez em quando vou visitá-los. Tiro a tampa da caixa e fico a vê-los. Não aos bonecos propriamente ditos. Mas às crianças que os dois representam e cujas mãozinhas os tocaram. Tão ao de leve, tão inconscientemente ainda, tão sem conhecimento, mas já com o movimento ousado de quem deseja alcançar o futuro – ou o brilho de todas as estrelas.
Soledade Martinho Costa
Iniciei o meu blogue Sarrabal, no dia 23 de Julho de 2007. Propositadamente, por ser o dia do aniversário do nascimento de Amália Rodrigues. Sempre a tenho lembrado. Mais uma vez o faço, pelo décimo quarto ano. E, mais uma vez, com a recordação grata e inesquecível de ter tido o privilégio da sua amizade e da sua presença – saudade hoje atenuada pela sua voz, única, intemporal, que nos legou como herança. RIP
(…)
Na solidão do meu nome
E de quem sou
A estrada do fado
A mim prendi
Com franjas de mistério
E de destino
No xaile todo negro
Que vesti.
Soledade Martinho Costa
(23 de Julho de 2021)

Quase não acredito que passaram 14 anos desde que dei início ao «Sarrabal». Mas, a verdade, é que passaram. Muito diferente dos primeiros tempos, em que havia comentários. Eu própria, umas vezes publico, outras não. Embora, ultimamente, tenha tido alguma assiduidade nas publicações. Alguns dos comentadores deste blog passaram para o Facebook (como eu passei) e acabaram na minha lista de amigos; não os perdi. Sei que vai tendo leitores e sei que vou continuar a gerir o «Sarrabal» até um dia. Nada é eterno e 14 anos indica que o «Sarrabal» já é um «adolescente». Agradeço a quem continua a ser seu leitor, antigo ou recente, e que nos voltemos a encontrar, com saúde e maior tranquilidade no próximo ano, sem as preocupações que temos vivido nestes últimos tempos. Até lá, deixo-vos o já tradicional bolinho de aniversário.
Soledade Martinho Costa
(23 de Julho de 2021)
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