Sexta-feira, 7 de Agosto de 2009

PARABÉNS, SARRABAL! (RUI VASCO NETO)

                          

  
A «festa» do segundo ano do Sarrabal continua. Isto é, prossegue com a publicação do poema que me foi enviado aqui para o blog, dentro desta linda caixa, por um dos melhores bloggers que conheço: Rui Vasco Neto, o famoso RVN.
 
Sete Vidas como os Gatos é o nome que escolheu para o seu blog. Há, no Rui (acho eu), duas personalidades distintas, assim como uma espécie de «dois em um» (ou, até, três). Uma delas bem disposta, com humor, capaz de nos pôr a todos a sorrir. A outra, onde corre um fiozinho de tristeza, bem visível no poema que pode ser lido abaixo. Talvez porque «a Primavera da vida também tem dias de chuva», como diz Rui Veloso na canção. Às vezes é preciso utilizar mais a sombrinha ou o chapéu-de-chuva para não nos molharmos – se é que conseguimos evitar alguns pingos bem frios – do que para nos protegermos do Sol. O Rui sabe disso tão bem quanto eu.
 
Muito do que escreve tem, como referi, um humor especial, delicado na escolha das palavras, com uma graça tão dele, numa forma tão própria e original que se conhece à légua o estilo dos seus escritos. Aliás, não foi por acaso que o seu blog mereceu dois destaques no
                                         
Mas assim como nos faz sorrir ou rir, o Rui é igualmente perito em levar os seus leitores até àquele ponto em que uma emoção ou lagrimazita é muito bem capaz de assomar aos nossos olhos. Pela sensibilidade, pela solidariedade, pela voz que levanta quando fala de problemas, de situações alheias, infelizmente comuns no nosso dia a dia. Diria, uma espécie de porta-voz daqueles que foram vítimas desta nossa sociedade tão implacável quando se trata de julgar o próximo – principalmente, os mais desfavorecidos da sorte.
 
Sim, a politica também não lhe passa ao lado. Mas há consciência no que escreve. Não afronta, mas defronta, o que não é bem a mesma coisa.
 
Conheci o Rui, primeiro, ao vê-lo como apresentador de Televisão. Depois, aqui, na blogosfera, como vizinho. Agora, somos amigos pessoais fora da Net. Por muitos anos e bons, espero e desejo.
 
Além de excelente jornalista, de apresentador de TV e de bom poeta, o Rui ainda consegue ter uma boa voz e cantar bem o fado, sendo autor  da música e das letras que canta. É um dotado, este senhor que nos oferece hoje um belo poema. E um Amigo que muito admiro e estimo.
 
Bom, e lá volto eu a desenrolar a passadeira vermelha e a colocá-la, muito bem esticadinha, aqui no Sarrabal. Rui Vasco Neto, chegou a sua vez de passar. Acompanhado do Gastão, pois claro! Ou pensava que me esquecia dele?
 
Soledade Martinho Costa
 
                         SE, TALVEZ
  
 
 Gaivota de Audouin (Larus audouini). Foto de: Agostinho Gomes.
 
Se uma gaivota viesse
trazer-me um céu de cidade
onde o sol não se pusesse
tão cedo na minha idade,
onde a noite acontecesse
com uma naturalidade
que me surpreendesse,
como o faz a liberdade…
se esse céu me acolhesse
(e se no céu eu coubesse)
como nuvem de ilusão,
ou anjo de fantasia,
talvez então eu vivesse
porquanto o meu coração,
perfeito, já não sentia.
 
 
Rui Vasco Neto
 
 ( A seguir: RICARDO N. do BLOG GOLFINHO ALEGRE)
publicado por sarrabal às 00:08
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Terça-feira, 4 de Agosto de 2009

PARABÉNS, SARRABAL! (MARIA EUGÉNIA NETO)

                      

 
Linda, linda, esta caixinha enviada de Angola por Maria Eugénia Neto. Lá dentro, encontrei o poema que publico hoje. Sobre esta «convidada», devo referir que se trata da única voz feminina que se faz ouvir na «festa» de aniversário do Sarrabal. Será que os homens têm mais tendência para a poesia? Neste capítulo, é evidente a sua supremacia em relação às mulheres. Daí, acreditar que dentro de cada homem há um poeta, mesmo que não escreva versos – são os chamados poetas escondidos.
 
Maria Eugénia Neto, viúva do presidente Agostinho Neto, de Angola, zeladora e guardiã incansável do espólio literário de seu Marido (a obra poética de Agostinho Neto conta com inúmeras reedições em Portugal e no estrangeiro), é a Amiga que encontrei a partir do Segundo Encontro de Escritores Portugueses, realizado na Gulbenkian em 1983. Ficámos íntimas amigas até hoje. Tanto, que a minha neta mais pequenina (Soledade Eugénia) é sua afilhada.
 
O seu trabalho literário divide-se entre a poesia, o conto e a literatura para a infância, contando-se por muitas as obras publicadas, algumas em várias edições e traduzidas em diversas línguas.
 
Mas como não é minha intenção fazer aqui um retrato biobibliográfico dos meus convidados, passo a outro assunto não menos importante. Em breve Maria Eugénia Neto terá o seu blog. Um bocadinho pressionada por mim, não o nego. Iremos ficar mais perto e mais unidos a Angola, suponho.
 
O nome do blog? Aqui vai: O Soar dos Quissanges. Assim se chama também o seu último livro de poesia (em 3ª edição). Neste capítulo, sinto-me duplamente feliz: fui a «madrinha» do título desse livro. Ora, escolhido pela autora o mesmo nome para o blog, considero-me «madrinha» duas vezes, ou não será?
 
Agora, perguntarão alguns dos meus leitores: o que é um quissange? Fica a resposta. O quissange é considerado o mais tradicional e popular dos instrumentos musicais africanos. Assim é chamado em Angola, derivando do quimbundo kisanji. Mas também leva a designação de mbira (Moçambique) ou de likembe ou sanza, dependendo das várias partes de África.
 
Com uma sonoridade suave e belíssima é, geralmente, construído em madeira (a base) e ferro (palhetas e argolas). Tocá-lo, pode representar para quem o faz, comunicar com os outros o seu estado de alma: contar as suas tristezas, as suas alegrias, a sua solidão, as suas mágoas, a sua esperança. A esperança que permanece no coração do povo Angolano quando escuta o soar dos quissanges.
 
E pronto, a introdução vai longa e o poema está à espera. Vamos lá estender a passadeira vermelha. Querida Maria Eugénia, hoje é a sua vez!
 
Soledade Martinho Costa
 
 A NOVA EPOPEIA DOS DESCOBRIMENTOS
 
Padrão dos Descobrimentos, Lisboa.
    
O Poeta ia anotando as Descobertas
Fixando as gentes e os usos
Enaltecendo tanto os Lusos
Como se na Terra outros não houvera.
 
As caravelas tinham já ultrapassado sem saber
- onde ficara o Atlântico e começara o Índico –
Que o caminho para o Oriente
Já era a rota.
 
Vasco da Gama dobrara o Cabo
Dito das Tormentas
Onde o fim do Continente
Explodiu em pedra
Ali, onde a esperança dos navegadores
Descobridores de rotas
Ponte entre os continentes se concretizou
E começou uma Epopeia.
 
Adamastor, em rugidos de mar, advertiu:
Não prossigam!
Daqui, um dia, virá procela.
 
Vasco da Gama ganha Melinde
E chama o guia para continuar viagem
Não ouviu o Velho do Restelo
E tornou-se vice-rei das Índias.
 
Oh! Mar salgado…
Adamastor e o Velho do Restelo
Bem avisaram
Mas só séculos depois foram entendidos.
 
«Ah! Quem comparou a África a uma interrogação
Cujo Ponto é Madagáscar?» *
                                             
Impérios formaram-se e caíram
Rotas das Especiarias, rotas e mais rotas
Gentes diferentes se encontraram
Uns eram claros, outros eram escuros
Uns com cabelos lisos, outros com carapinha
Uns adoravam Buda, outros Mahomet
Outros, outros deuses
E eram tantos.
 
Cristo era o Deus
Que levavam as caravelas
E por Ele se bateram para o eternizar
Como Deus único.
 
Aknaton, o rei herege do Egipto
Já nos legara o Sol como deus universal
O Sol, bandeira que cobre toda a Terra
Todos os seres animados ou inanimados.
 
Os tempos passaram
A procela rebentou
Como disse o Velho do Restelo
Mas a ligação ficou.
 
Saibamos agora
Ao sulcar os mares
Levar a toda a Terra
A Paz, o Pão e não mais a guerra.
  
Eugénia Neto 
 
* Do livro «Sagrada Esperança», de Agostinho Neto.
 
(A seguir: RUI VASCO NETO, do BLOG SETE VIDAS COMO OS GATOS)
publicado por sarrabal às 00:14
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Sábado, 1 de Agosto de 2009

PARABÉNS, SARRABAL! (CARLOS FERREIRA)

                     

 

Prosseguindo a abertura dos «presentes» de aniversário enviados ao Sarrabal, cabe hoje a vez de publicar um poema do meu amigo Carlos Ferreira, do blog Garatujando.

 

Pessoa sensível, como são todos os artistas –  faz desenhos belíssimos, embora, modestamente, diga que não –, de vez em quando o Carlos dá um saltinho até à poesia (ainda aqui afirmando «que não tem qualidade», coisa de que discordo e que os meus leitores poderão, facilmente, aquilatar). É certo que, no seu excelente blog, raramente publica um poema seu. A orientação do Garatujando vai para a divulgação da poesia dos nossos autores. Nesse sentido, o seu blog vem fazendo um trabalho meritório na publicação de textos dos escritores portugueses, tanto em prosa, como em poesia, acompanhados das respectivas fotos e dados biobibliográficos.

 
Carlos Ferreira brinda-nos, igualmente, com a publicação de magníficas reproduções de fotografia e pintura de diversos autores, além de focar temas locais (Póvoa de Varzim) e outros assuntos de todo o interesse para quem visita o Garatujando.
 
A (resumida) apresentação está feita. Passo a desenrolar a passadeira vermelha. Carlos Ferreira, faça o favor!
 
Soledade Martinho Costa
 
                              TERRA PROIBIDA

 

Cópia de Van Gogh do «Semeador» de Jean-François  Millet.
 
Os olhos do homem extasiaram-se
Na muda contemplação da Terra.
 
E na sua alma de poeta
Nos seus olhos de artista
No seu gosto de esteta
O sonho se definiu
Tomou forma
Cresceu.
 
Aureolado de esperança
Tirou do alforge das suas ilusões
Um punhado de sementes
E lançou-as à terra.
 
Através do prisma da sua imaginação
As sementes germinaram
E numa explosão de cor
Floriram.
 
Aqui
As rosas brancas da amizade;
Além
O amarelo do jasmim da dedicação;
Acolá
O azul das glicínias da ternura;
Mais além
A mancha forte, rubra dos cravos
Na significação emblemática do Amor.
 
E evolando-se da terra
O odor agridoce dos desejos.
 
Então
Miríades de borboletas
Descendo
Na sua graça alada
Da poalha doirada do Sol
Vieram
Policromas e belas
Poisar levemente nas flores
Levando
De corola em corola
O polén da fecundação.
 
E
Quando em êxtase se perdia
Na amorosa contemplação
Da beleza que o cercava
O homem foi
Subitamente
Cruamente
Acordado pela Razão.
 
Na aridez ressequida da realidade
Viu
Que a terra fecunda em que lançara
Esperançoso as suas esperanças
Onde depositara
Cheio de ilusões
As suas ilusões
A terra promissora
Que tratara com a ternura do seu querer
Que sulcara com o arado dos seus desejos
Que fertilizara com o húmus do seu amor
Essa terra
Onde enraizara as suas esperanças
Lhe era proibida.
 
E o Homem
De novo reduzido à sua condição de homem
Partiu
Cabisbaixo
E triste
Levando no seu alforge esburacado
O vazio do seu desalento.
 
Carlos Ferreira
 
 (A seguir: MARIA EUGÉNIA NETO)
publicado por sarrabal às 00:33
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