
Associado pela sua miraculosa protecção às grandes pestes e epidemias que grassaram nos séculos XIV e XV até meados do século XVI, uniu-se o povo, em Portugal como noutras partes do Mundo (particularmente em Roma), em promessas conjuntas de apelação ao santo, canonicamente advogado da peste, da fome e da guerra, para que, por sua intercessão junto de Deus, fosse possível a extinção do mal que tão triste e dolorosamente castigava as populações.
Crentes no poder do Mártir São Sebastião, para o santo se voltaram as preces, os votos e a fé do povo. E porque em determinados casos, o povo se sentiu alvo de milagrosa protecção, por ter sido erradicado o pesadelo da peste, eternamente devedor e grato, vai cumprindo ao longo dos séculos as promessas feitas em horas de luto e aflição.
São Sebastião surge, assim, por esse particular motivo (e pela data da sua celebração ocorrer no dia 20 de Janeiro), como um dos santos mais consagrados neste mês em festas e romarias portuguesas, onde a tradição se confina, na maioria das vezes (em analogia aos votos conjuntos feitos pelo povo dessas épocas), à distribuição de manjares cerimoniais, bodos ou leilões de alimentos, em que se torna evidente o sentido de associação das populações em manducações rituais colectivas.
Sem esquecer a fome, outro símbolo do santo protector, dadas as condições geográficas de certas zonas do nosso País, em que uma agricultura de subsistência familiar, já de si débil, era atingida por pragas, dando origem a períodos de enorme carência alimentar, sofrida pelos seus habitantes, ou associada à própria peste, como consequência desta.
A fome, hoje retratada pela abundância de alimento nos banquetes rituais conjuntos celebrados em louvor do Santo Mártir, a honrar a tradição das promessas vindas do passado, apresentam particular relevância nas festividades da Póvoa de Atalaia, Fundão (Festa das Papas); em Santa Maria da Feira (Festa das Fogaceiras); em Atouguia, Alenquer (Festa dos Leilões); em Dornelas, Boticas (Festa de São Sebastião); em Valado de Frades, Nazaré (Festa das Chouriças); em Amiais de Baixo, Santarém (Festa em Honra do Santo Mártir) e em Gondiães e Samão, Cabeceiras de Basto (Festa das Papas). São Sebastião é também o santo que mais capelas possui espalhadas pelo nosso País, onde é celebrado no seu dia ou mesmo noutras datas
Conta-se que quando da peste que assolou Lisboa em 1569, D. Sebastião, em acção de graças, lhe mandou erigir um templo, sendo a primeira pedra lançada pelo rei junto à margem do Tejo, no Terreiro do Paço. Quatro anos depois (1573), a seu pedido e para enriquecimento do templo, o papa envia-lhe de Roma uma das setas com que o santo foi martirizado.
Quando Filipe II de Espanha toma posse do reino de Portugal, desaprova de imediato a construção do templo naquele local. Ao saber que o Mosteiro de São Vicente necessitava de obras, manda que este seja restaurado com a pedraria e materiais do templo de São Sebastião.
Por isso se observa nos capitéis das colunas e no friso da cimalha real da Igreja de São Vicente o ornato, em relevo, de flechas aspadas. Pertenciam à cantaria do templo que o rei D. Sebastião, por voto seu, desejou erguer ao Santo Mártir do seu nome.
SÃO SEBASTIÃO – A VIDA
Nasceu em Narbona (Itália), recebendo o cognome de «Defensor da Igreja» pelos feitos e milagres que realizou em defesa da fé. Humilde, afável, generoso, conhece os favores do imperador Diocleciano, que o nomeia capitão da primeira companhia das guardas. Devido à imunidade que lhe dava esse posto, pode Sebastião proteger e socorrer muitos cristãos, principalmente os que se encontravam encarcerados. Muitos foram também aqueles a quem converteu, contando-se entre eles o primeiro-escrivão do tribunal, o carcereiro e o próprio Cromácio, governador de Roma.
A perseguição aumenta, e muitos dos seus amigos são sacrificados. Fabiano, sucessor de Cromácio, ao descobrir que Sebastião protege e converte os pagãos, não se atrevendo a prendê-lo, informa o imperador. É então que Sebastião tenta converter Diocleciano, dizendo-lhe que só devia adorar e servir «o único e verdadeiro Deus».
Furioso, o imperador romano manda que Sebastião seja amarrado a um poste e atravessado com flechas pelos próprios soldados da sua guarda. A ordem é cruelmente cumprida, mas na manhã seguinte, Sebastião ainda está vivo. Socorrido por uma boa mulher, em poucos dias sara as feridas. Pouco depois, dirige-se ao palácio e volta a falar com o imperador, que se mostra surpreendido ao vê-lo vivo. Sebastião tenta de novo converter Diocleciano do seu erro, mas o imperador manda de imediato executá-lo, desta vez com varas, no meio do maior suplício. Corria o ano 288, tendo o seu corpo sido arrojado a um lugar imundo.
Após a sua morte, diz-se que apareceu a uma cristã de nome Luciana, pedindo-lhe que fosse buscar o seu corpo e o enterrasse no Cemitério de Calisto, em Roma.
Soledade Martinho Costa
Do livro Festas e Tradições Portuguesas, Vol.I
Ed. Círculo de Leitores
«Martírio de São Sebastião», Gregório Lopes, óleo sobre madeira, Museu Nacional de Arte Antiga
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