Quarta-feira, 1 de Maio de 2019

CALENDÁRIO - MAIO

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Eu sou Maio, o mês das Mães
Mês das rosas, mês dos ninhos
E visto os trabalhos duros
Não me darem ralação
Sou eu quem atesta os vinhos
Apanha os linhos maduros
Limpa a vinha do pulgão.

Quinta-Feira de Ascensão
Apanho um ramo de «Espiga»
Enquanto de Norte a Sul
Volto aos tempos de pagão
Lembrando as «Maias» floridas
Com topázios de giesta
A cumprir praxes e cultos
Que a voz do povo lhe empresta.

Sou eu também quem retira
Das copas das cerejeiras
Até aqui resguardadas
Os abrigos que as protegem
Já sem medo das geadas.

Chego feliz, deslumbrado
Com o afecto profundo
Dos amigos que me esperam
Repartidos pelo mundo.

Por isso, no dia um
Mal aporto de viagem
Eis-me a ditar a mensagem
De Esperança e Fraternidade
Que trago aos trabalhadores.

Presto assim minha homenagem
Ao seu esforço, ao seu labor
À canseira do seu braço.

A todos com meu abraço
De Amor e de Comunhão
Faço ver que trabalhar
É sinónimo de pão.

E desde o homem do campo
Ao homem que anda no mar
Desde o operário ao poeta
Que escreve o que o povo canta
A todos rendo louvor
No grito que me agiganta.

Sou o Primeiro de Maio
Dia do Trabalhador!

E seja lá onde for
Com respeito e gratidão
Deito nas mãos calejadas
Mãos cansadas, mãos amigas
Rosas brancas desfolhadas
A perfumar-lhe as fadigas.

Entretanto, um após outro
Gasto os dias que me restam
Chego ao fim do meu mandato
E à hora da despedida.

Então, fiel, conformado
Cumpro à risca o meu contrato:
Digo adeus, vou de partida.

Quanto às palavras que deixo
Firmadas pelo meu punho
Só peço que as não olvidem.

E lá sigo em retirada
Ainda a tempo de ver
Pontual na chegada
Meu irmão o mês de Junho.

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 17:09
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Sexta-feira, 26 de Abril de 2019

PASCOELA - ORIGENS E TRADIÇÕES

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Ocorre sete dias depois da Páscoa, correspondendo ao domingo seguinte ao domingo de Páscoa, também denominado Dia da Misericórdia de Deus, oitava da Páscoa ou Quasímodo. Estas duas últimas designações, embora ainda se usem, eram mais utilizadas antigamente, celebrando-se a oitava noutras liturgias importantes da Igreja, prática caída em desuso quando da reforma do calendário religioso após o Concílio do Vaticano II.

A Pascoela simboliza o prolongamento do próprio domingo de Páscoa, numa atitude festiva da Igreja e dos fiéis, podendo dizer-se que representa uma espécie de diminutivo da palavra Páscoa. Recorde-se que o baptismo dos primeiros Cristãos adultos ocorria durante a Vigília Pascal, ritual que continua a manter-se, sendo a quadra da Páscoa a preferida desde os primórdios da religião cristã para se efectuarem os baptismos dos catecúmenos. Daí, chamar-se também – conquanto não já oficialmente – ao domingo de Pascoela o domingo In Albis (domingo branco), devido ao facto dos catecúmenos utilizarem (como hoje) vestimentas brancas no acto do baptismo, celebrado depois, festivamente, por toda a semana que decorria desde o domingo de Páscoa ao domingo de Pascoela.

Nos dias actuais, à semelhança de outrora, os baptismos continuam a realizar-se por toda a semana que medeia estes dois domingos, embora, por tempos idos, apenas nesta época do ano a Igreja procedesse à imposição do baptismo. Hoje já assim não é, mas continua a verificar-se a preferência da quadra pascal para se efectuar o baptismo, sobretudo das crianças.

Na tradição popular, é durante a celebração da missa do Senhor no domingo de Pascoela – quando esta se realiza às três horas da tarde em ponto – que, «ao pedir-se uma graça, ela será atendida».

Soledade Martinho Costa

Do livro  «Festas e Tradições Portuguesas», Vol. III

Ed. Círculo de Leitores

Tela: «Baptismo de Santo Agostinho», Bento Coelho da Silveira, Igreja de São João Baptista, Alhandra (V.F. Xira)

publicado por sarrabal às 12:22
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Sexta-feira, 19 de Abril de 2019

VIGÍLIA PASCAL - BÊNÇÃO DO LUME NOVO E DA ÁGUA

 

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Diz-se da solenidade religiosa que dá início à Vigília Pascal, quando a igreja, até aí mergulhada na escuridão, se enche progressivamente de luz, irradiada, primeiro, pela chama do círio pascal, e, depois, aos poucos, pela luz das velas dos fiéis, acesas entre si a partir da chama primeira.

A luz assim irradiada – ou, mais exactamente, a chama do círio pascal –, rompendo as trevas e inundando por completo o templo de claridade, simboliza Cristo Ressuscitado, constituindo um dos momentos principais da noite de Vigília de Sábado Maior.

A cerimónia tem lugar no final da tarde ou no começo da noite de Sábado Santo, à entrada da igreja, com o atear de algumas brasas colocadas num fogareiro. É nesta chama que o padre acende o círio pascal, abençoando, seguidamente, o «lume novo».
Com o círio aceso, o celebrante procede depois à bênção dos cinco grãos de incenso, que coloca, com a ajuda de cinco pequeninos pregos, no círio pascal, representando cada um deles as «cinco chagas de Cristo, cujo perfume se difundiu pelo Mundo». Em algumas paróquias, este significativo cerimonial deixou de realizar-se, embora noutras, continue a efectuar-se – caso de Fátima, onde sempre se cumpre.

Enquanto o padre benze os grãos, o acólito deita no turíbulo – vaso suspenso por correntes, destinado a queimar o incenso – dois carvões bentos, juntamente com incenso, e faz três aspersões de água benta sobre os grãos e sobre a chama do «lume novo».

Após a consumação deste ritual, o pároco e os acompanhantes seguem em cortejo até à capela-mor, fazendo no percurso três paragens, nas quais o celebrante pronuncia, em honra da luz, o Lúmen Christie (Luz de Cristo), sempre em crescendo, acabando quase em falsete, enquanto os fiéis respondem Deo Gratia (graças a Deus) a terminar a «bênção do lume novo» – cerimónia já conhecida no século IV –, e após algumas orações do missal, o pároco coloca o círio na coluna, ou peanha, que lhe está reservada, do lado esquerdo do altar, junto do Evangelho, para ser aceso em todas as cerimónias realizadas até ao Pentecostes. A partir dessa data será transferido para o baptistério, ali se mantendo até à Vigília Pascal do ano seguinte.

Outrora acendia-se o círio pascal ao longo do ano, para servir no acto baptismal. Era na sua chama que os pais das crianças acendiam a «vela do baptismo» ou seja, «o primeiro lume» – simbolizando a «chama da fé».

O grande círio pascal, devido ao seu volume e densidade, chega a durar vários anos. Além dos pregos de incenso, ostenta uma cruz (em alusão ao sofrimento de Cristo), a designação do ano em curso, a lembrar que «Jesus é o Senhor do tempo e da eternidade», e as letras do alfabeto grego A (alfa) e O (omega) – expressando o «princípio» e o «fim».

Tal como a luz, a água representa um dos principais elementos glorificados na noite da Vigília Pascal. A cerimónia da sua bênção efectua-se imediatamente após a «bênção do lume novo», sendo realizada com idêntica solenidade. Louva-se, assim, a importância da água desde o princípio do percurso bíblico, como factor basilar do baptismo e símbolo de purificação cristã. Ao «lavar do corpo e do espírito humano todo o pecado», com ela iniciam os crentes, a partir do acto baptismal, o «caminho da fé reforçada em Cristo e nos dogmas da Igreja Católica».

O rito da «bênção da água» decorre quando o celebrante, empunhando de novo o círio pascal, e seguido dos fiéis, se dirige à pia baptismal, repleta de água, que servirá, depois da bênção e durante o ano inteiro, à imposição do baptismo. Nesta ocasião, em certos lugares, é costume os fiéis encherem com ela pequenos recipientes que levam para casa. Com esta água enchem-se também as pias da água benta, onde se molha a ponta dos dedos para fazer o Sinal-da-Cruz, gesto que simboliza «a lembrança do baptismo», e que serve, segundo o povo, para «afugentar o demónio quando se entra nas igrejas».

Em tempos não muito recuados, na cerimónia da «bênção da água», o celebrante mergulhava nela a extremidade do círio pascal, retirava-a, voltava a mergulhá-la mais profundamente, retirava-a de novo, e tornava a mergulhá-la na pia baptismal até ao fundo, significando este ritual «a Morte e a Ressurreição de Cristo».

Depois disto, os fiéis eram aspergidos com a água já benta, enquanto o sacerdote terminava a bênção lançando em cruz, na água, o «santo óleo» ou «óleo sagrado» – azeite benzido pelo bispo na Quinta-Feira Santa –, espalhando-o sobre a água com a mão.

Enquanto decorre a Missa da Vigília Pascal, celebra-se também, embora hoje menos do que antigamente, o baptismo dos catecúmenos, que frequentaram a catequese e se instruíram e prepararam para receber o baptismo, cerimónia que nos remete aos primórdios do cristianismo, quando os baptismos começaram a ser efectuados na noite da Vigília Maior ou madrugada da Ressurreição.

Soledade Martinho Costa

Do livro “Festas e Tradições Portuguesas”, Vol.III
Ed. Círculo de Leitores

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Quarta-feira, 27 de Março de 2019

A HORA EXACTA

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Não gostava de morrer
Nos braços da madrugada
Antes de o Sol nascer
A debruar com um beijo
O nome desta cidade.

A morte devia chegar de noite
De preferência quando o silêncio é total
E há corpos que desistiram de sorver o ar
Quando há cansaços e lágrimas
No desamparo dos minutos
E uma espera infinda que acompanha
O desfiar dos dias.

Depois do florir das rosas
Quando as aves calaram o canto
E adormeceram sem nada esperarem
A não ser que a vida
Lhes conceda a trajectória
De outro voo
Seria a hora exacta de deixar
Que os meus olhos se fechassem também.

Sem palavras, sem um gesto
Apenas reclinada na minha sombra
A sonhar com um lugar distante
A pontuar aqui e além
No meu tear de afectos
Todos os nomes vindos da infância.

A esperança a incidir sobre o meu rosto
Como uma estrela verde
A segredar que sim, que não me engano
Que sigo ao encontro de quem espero
Sem ter pelo meio o vidro dos retratos.

E de mão dada com vultos que são anjos
Seguirei na rota desejada
A deixar para trás o que foi meu
Talvez com um pouco de saudade
Mas limpa de remorsos ou de culpas
Testemunhado na minúcia dos meus actos.

Soledade Martinho Costa

(Inédito)

Tela: Christian Chloe

publicado por sarrabal às 18:56
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2019

SEGREDOS

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Dobaram-se nos anos das marés
Sem outra condição
Outro provir
Que das areias
Das conchas
E dos limos
Serem a hora exacta
O sal onde se afogam
As palavras
Que a voz
Deu aos sentidos.

Os nomes e os sinos
Que se escutam
A percutir de frio
Nos ouvidos
São a tormenta
O poema que se afunda
Nos dias que se arrastam
Pelas sombras
A dar ao coração
Maior vazio.

São mistérios
São ritos
São cristais
São lágrimas
São esperas
Emoções
Ou espadas
No recato de seus gumes.

Temporais
Onde o mar
Busca nas ondas
Bruxedos 
Que os corais
Escondem na espuma
Roubados dos abismos
E das brumas
Que o Sol não atravessa
Com seus lumes.

Soledade Martinho Costa

Do livro «Um Piano ao Fim da Tarde»

Ed. Sarrabal/ Lunadil Lda

 

publicado por sarrabal às 16:01
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Domingo, 30 de Dezembro de 2018

ANO NOVO!

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PARA TODOS OS LEITORES DO «SARRABAL» VÃO OS VOTOS DE UM BOM NOVO ANO 2019!

SMC

publicado por sarrabal às 14:47
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Sábado, 22 de Dezembro de 2018

FELIZ NATAL!

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A todos os leitores do Sarrabal, desejo um Natal Feliz. Saúde, paz e amor, três coisas fundamentais para sermos felizes. Que nenhuma delas vos falte!

SMC

publicado por sarrabal às 23:06
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Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018

ALVERCA DO RIBATEJO ANTIGA NÃO PODE SER DEITADA PARA O LIXO (VI) - SAUDADES DA RUA JOAQUIM SABINO FARIA (Foto: EMÍLIO)

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Com o repetir de situações idênticas às que atrás ficaram descritas nos textos que publiquei, sobre o escandaloso caso da construção de mais um imóvel de 5 pisos na Rua Joaquim Sabino Faria, em Alverca do Ribatejo, perde-se a memória colectiva de uma antiga vila ribatejana, que amamos e muitas saudades deixou em tantos de nós, ao longo do tempo, até se tornar na cidade que hoje temos. Já tão pouco resta para lembrar aos vindouros uma Alverca do Ribatejo de outrora e, mesmo assim, insiste-se em destruir esse pouco, em favor de interesses pessoais, alheios aos interesses dos Alverquenses e daquela que é hoje a nossa cidade. Que o bom senso impere naqueles que, nos seus gabinetes, sentados à secretária, decretam e decidem, infringindo, arbitrariamente, leis elaboradas em defesa do cidadão e do património arquitectónico onde reside, não respeitando, cívica e culturalmente, que a memória colectiva de uma comunidade fará sempre parte do seu futuro. Sem ela, nada resta para recordar e as cidades acordam cada vez mais descaracterizadas e empobrecidas.

Devo dizer que, de acordo com a lei, devia ter sido afixado no local da obra, em lugar visível, uma placa com o aviso de licenciamento, para dar conhecimento de que tinha dado entrada na Câmara Municipal de Vila Franca de Xira um projecto urbanístico, referindo as respectivas características, de maneira a que a população fosse informada. Isto não foi feito! Aproveitou-se, sim, de forma ardilosa a pequena montra da rua transversal, do que foi outrora uma capelista – actualmente um monte de escombros –, para colocar o aviso por detrás do vidro. Vidro esse, protegido por uma rede de aço, a passar totalmente despercebido e a dificultar a devida leitura.

Por agora, dou por encerrado o meu contributo escrito sobre este caso, não sem antes publicar um comentário sobre o mesmo assunto, feito por Rui Perdigão no grupo Alverca – Praça Virtual, pedindo desde já desculpa pela transcrição. Nela pode ler-se:

 

«…a operação urbanística não cumpre os objectivos estabelecidos na Proposta de Delimitação da ARU de Alverca do Ribatejo. Este documento, na pág. 15, estabelece como objectivos da Área de Alverca do Ribatejo o seguinte:»

 

«Pretende-se que a delimitação da Área de Reabilitação Urbana de Alverca do Ribatejo, seja uma oportunidade para valorizar o centro antigo de Alverca do Ribatejo, incentivando a reocupação desta área com habitação, comércio e serviços e, igualmente, salvaguardar os edifícios que fazem parte da história local, contribuindo, simultaneamente, para o desenvolvimento pelos seus habitantes de sentimentos de apreço e orgulho pelo lugar onde residem e trabalham, reforçando-se a capacidade de atrair novos habitantes e novos investimentos, numa perspetiva do desenvolvimento local sustentável».

 «Neste sentido, foram traçados os seguintes objetivos:
− Fomentar a reabilitação do edificado degradado e funcionalmente desadequado com o intuito de melhorar as condições de habitabilidade e de funcionalidade do parque imobiliário;
− Proteger e promover a valorização do património cultural edificado como fator de identidade e diferenciação urbana;
− Estabelecimento de um elevado padrão urbanístico e arquitetónico nas reconversões do edificado existente e novas intervenções;
− Preservar e reabilitar os edifícios que traduzem memórias da freguesia;
− Libertação, sempre que possível, dos logradouros e seu tratamento como espaços verdes complementares ao edificado envolvente, contribuindo para criar condições de habitabilidade e ambientais mínimas compatíveis com as atuais exigências, minorando o abandono e desqualificação do edificado;
− Travar o declínio demográfico e o abandono, reforçando e tornando atrativo o uso habitacional;
− Reabilitar edifícios devolutos;
− Garantir a melhoria da acessibilidade aos edifícios para cidadãos com mobilidade condicionada;
− Reabilitar com recurso a soluções e/ou sistemas sustentáveis;
− Promover a sustentabilidade de edifícios e espaços urbanos e fomentar a melhoria do desempenho energético dos edifícios públicos e privados;
− Incentivar a conservação periódica do edificado.
− Atrair investimento privado e dinamizar a economia local, captando novos investimentos de modo a reforçar a capacidade competitiva das empresas;
− Tornar uma área atrativa, mediante a qualificação urbana e ambiental, o turismo e lazer, a criação de riqueza e de produtividade e consequentemente a criação de emprego;
− Promoção da base económica legal;
− Transitar para uma economia de baixo carbono».

 

E fica a pergunta de Rui Perdigão – que também eu faço:

«Como é possível esta operação urbanística (aprovada pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira) compatibilizar-se com estes objectivos, se lhe é tão contrária?»

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 18:37
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Domingo, 21 de Outubro de 2018

ALVERCA DO RIBATEJO ANTIGA NÃO PODE SER ATIRADA PARA O LIXO! (V)

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Sou membro recente do grupo fechado «Alverca – Praça Virtual» do FB, onde tenho publicado os mesmos textos que publico aqui, no meu blog Sarrabal, e na minha página do Facebook. Trata-se, como sabem, do caso escandaloso da Rua Joaquim Sabino Faria, em Alverca do Ribatejo, onde moro, relacionado com a construção de imóveis de 5 pisos mais um, dando origem à demolição das antigas e bonitas moradias ali existentes. Isto, à revelia e não respeitando o RGEU (Regulamento Geral das Edificações Urbanas) nem a ARU (Áreas de Reabilitação Urbana) ou seja, a Proposta de Delimitação da Área de Alverca do Ribatejo. O assunto já tinha sido ventilado na «Praça Virtual», mas, segundo parece, criou novo fôlego, depois das citadas publicações.

Devo dizer, que vim morar para a Rua Joaquim Sabino Faria, com os meus pais, tinha 10 anos de idade. E vim morar, precisamente, para uma das moradias que são, neste momento, motivo de preocupação para quem não quer que Alverca do Ribatejo antiga seja deitada para o lixo. Têm sido dezenas e dezenas os likes e os comentários feitos no Grupo Alverca - Praça Virtual, quer por pessoas nascidas e residentes em Alverca do Ribatejo, quer por quem sente o problema como algo que deve ser ventilado, debatido e embargado, dadas as irregularidades e consequências de toda a ordem que o projecto suscita.

Também eu fui cliente da loja da Dona Georgina (uma das moradias deitadas a baixo). Também eu conheci bem os seus dois filhos desde garotos. Também eu conheci a irmã mais velha do Arnaldo (quem se lembra do taxista mais conhecido da vila, com carro na praça de táxis, juntamente com o seu colega João?), cuja moradia foi agora demolida. Também eu me lembro da rua não ser alcatroada. Da água ser vendida, porta a porta, por pessoa de Alverca, em bilhas de barro, para beber, como hoje se compra a água do Luso engarrafada. Semanalmente, vinha também uma camioneta de caixa aberta, pejada de bilhas de barro com água de Caneças, por esse tempo muito creditada. Entregava-se a bilha vazia e recebia-se em troca outra cheia Também eu me lembro da inauguração da luz eléctrica na vila. E do Senhor Regedor Caracol, por esses tempos a autoridade máxima da terra. Também eu sou proprietária de uma dessas moradias, totalmente remodelada no interior e preservada no exterior. Há quem gabe o perfume das minhas rosas no jardim, a florir numa roseira da qual já perdi a conta aos anos.

Nessa moradia reside o meu filho, a minha nora e os meus quatro netos, ocupando o rés-do-chão e o primeiro andar. Como engenheiro civil, o meu filho faz parte da Comissão que lidera esta contestação, juntamente com outros elementos, um deles advogado. Sobre os resultados não posso, por enquanto, adiantar mais. Sei, sim, que tudo está a correr bem.

Li, num dos comentários que me dirigiram na «Praça Virtual», que «se uma das moradias fosse minha e me desse lucro, decerto não contestaria». Não conheço a pessoa em causa, mas pode verificar agora como estava enganada! Há sempre quem discorde do que é justo e só pense no lucro. Não é o meu caso. Não trocava a casa onde vivi, e me traz tantas e tão felizes recordações, nem por um imóvel de 10 pisos! O meu filho é da mesma opinião. Deixo-vos mais uma imagem da destruição ambiciosa, negociada com a má fé que norteia a falta de cultura, de honestidade e de respeito pela memória colectiva dos Alverquenses, chamando a atenção para os tapumes, que apontam para a largura desmesurada, que virá a ser a fachada do contestado imóvel.

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 23:47
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ALVERCA DO RIBATEJO ANTIGA NÃO PODE SER DEITADA PARA O LIXO! (IV)

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É uma verdade que não podemos agradar a gregos e a troianos. Todavia, que impere o bom senso e, sobretudo, um mínimo de tempo necessário para cada um dos intervenientes reflectir antes de escrever comentários atentatórios a uma causa justa e pertinente. No que respeita à urbanização, por exemplo, a história de qualquer cidade é feita da sua expansão ou evolução recente, mas sempre cuidando da preservação que representa um passado alusivo a essa mesma cidade. Nesse caso, pode perguntar-se que falta nos fazem os museus, os palácios, ou os antigos monumentos espalhados pelo País? Uma cidade sem memórias colectivas vivas, palpáveis e presentes aos nossos olhos, é uma cidade sem passado, sem raízes, sem consideração por aqueles que a habitaram antes de nós. Respeitemos o seu contributo, o seu empenho e o património que nos legaram.

Vem isto a propósito de mais um descalabro, no seguimento das minhas duas anteriores publicações, sobre a tentativa de construção de mais um imóvel na Rua Joaquim Sabino Faria, contra todas as regras estipuladas pela lei. Não será pelo facto da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira ter aprovado a construção do imóvel que torna as coisas legais. Não existe legalidade quando a lei não é cumprida. Acontece, é que os cidadãos, ignorando determinadas regras, acabam por aceitar a ilegalidade por desconhecimento de leis que existem para protecção do que lhes diz respeito.

Das 12 moradias existentes na Rua Joaquim Sabino Faria, considerada a mais emblemática e bonita de Alverca do Ribatejo, restam 7 uma vez que, há uns anos, foram destruídas duas delas para dar lugar ao prédio de 5 andares (de que já falei na minha primeira publicação). Agora, foram deitadas a baixo mais 3, com vista à construção de outro imóvel de 5 pisos e mais cave, destinada às garagens. Sem quaisquer infraestruturas programadas, vão ser necessários mais 17 lugares de estacionamento, que a rua não poderá vir a comportar. Se os moradores actuais dificilmente conseguem arrumar os seus carros, onde irá descobrir-se lugar para mais 17 veículos?! Além disso, tempos atrás, o estacionamento é feito apenas de um dos lados da rua. O problema maior é a volumetria e a altura do imóvel relativamente à largura da rua. Consultado o processo, verifica-se que houve um aditamento para a construção de mais um piso face ao processo inicial. Consta (verdade, mentira?) que terá havido contrapartidas entre o empreiteiro e a Câmara, com um terreno, do interesse desta, como pano de fundo. Segundo o RGEU (Regulamento Geral das Edificações Urbanas) no seu artigo 59.º, está estabelecido que os edifícios integrados em malhas urbanas não podem ser mais altos do que a largura da rua onde estão inseridos. Se a rua tiver 9 metros de largura (caso da Rua Joaquim Sabino Faria, que pouco mais tem), os edifícios não podem ter mais do que 3 pisos (rés-do-chão, 1.º e 2.º andar). Isto, para assegurar um ângulo de 45º entre o ponto mais alto da fachada de um prédio e o mais baixo da fachada do prédio fronteiro. Garante-se, assim, a iluminação e a ventilação apropriadas aos pisos inferiores. Ora, se a Rua Joaquim Sabino Faria tem de largura pouco mais de 9 metros como é possível que o imóvel que se pretende construir tenha de altura 15 metros?! Fica a pergunta e mais uma imagem, que mostra a última moradia do quarteirão, e o início dos tapumes da referida obra.

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 23:34
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