Sexta-feira, 1 de Novembro de 2019

DIA DE TODOS OS SANTOS - ORIGENS

 

529PX-~1.JPG

Designado, primitivamente, dia de Nossa Senhora dos Mártires, esta data foi celebrada durante mais de dois séculos no dia 13 de Maio com um ofício próprio, enquanto por volta de 737 passa a ser incluída no cânone da missa uma alocução dedicada a todos os santos. Ainda no século XVIII (741), Gregório III manda erigir na Basílica de São Pedro, em Roma, uma capela dedicada ao Divino Salvador, a Sua Santíssima Mãe, aos Apóstolos e a todos os mártires e confessores dando-se assim um maior impulso à Festa de Todos os Santos.

No século IX (835), a data desta festa religiosa é então fixada no dia 1 de  Novembro pelo papa Gregório IV, que de há muito vinha pressionando Luís I, o Piedoso, rei de França, de modo a emitir um decreto que oficializasse a celebração. A partir de 837, por decreto real, a data da festividade no dia 1 de Novembro torna-se universal, constituindo uma das maiores solenidades para toda a Igreja Cristã.

No final do século X, Santo Odilão ou Odilon, quarto abade de Cluny (994 – 1048), junta às celebrações em louvor dos santos algumas orações em favor do descanso eterno dos defuntos. Esta introdução levou mais tarde a que se procedesse à separação das duas datas, vindo o dia 1 de Novembro a ser consagrado a todos os santos da Igreja Católica, enquanto o dia 2 passou a ser dedicado, exclusivamente, aos fiéis defuntos. Autores há que defendem constituírem as duas celebrações do dia 1 e dia 2 de Novembro uma única festa, expressa e directamente ligada ao culto dos mortos.

 

Soledade Martinho Costa

Do livro «Festas e Tradições Portuguesa» Vol. VIII

Ed. Círculo dos Leitores

publicado por sarrabal às 18:47
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019

CONHECER ALVERCA DO RIBATEJO - UM OLHAR ABRANGENTE (Parte III)

IMG_5719.jpg

Ao longo dos séculos, Alverca do Ribatejo foi ampliando e enriquecendo o seu património histórico e religioso com a construção de imóveis de grande interesse e importância para a comunidade. Deles se salienta a Igreja da Misericórdia e Hospital, o pelourinho, a Casa da Câmara – logo depois da reconstrução da Igreja Matriz de São Pedro, após o terramoto. Já no século XVIII, existiam, entre outros (e alguns ainda existem) o Convento das Carmelitas de São Romão, a capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso, a ermida de Nossa Senhora da Piedade do Adarse, a ermida de São Clemente, em Arcena, a capela de São Marcos na Calhandriz e a capela de Nossa Senhora da Graça, na Quinta da Proverba (perto de À-dos-Potes). Nesta capela, mandada edificar em 1644 pelos seus proprietário, celebrava-se missa diária. Por essa época era usual as quintas com capela, pertencentes a pessoas abastadas, possuírem capelão privativo. A capela ainda hoje existe, conquanto à mercê de outro uso, que não aquele para que foi destinado.

Alverca do Ribatejo, contava também com algumas fontes de água potável, a darem a beber da sua água à população, visto, por esses anos, estar ainda longe o sonho da água canalizada. A mais importante era a Fonte do Choupal, onde os habitantes da vila se abasteciam. A população a residir um pouco mais acima, utilizava a Fonte Velha de São Romão (Bom Sucesso), enquanto a Fonte Santa servia os locatários de À-dos-Potes.

Em 1855 o concelho de Alverca é extinto, passando a integrar o de Vila Franca de Xira. No ano seguinte (1856), Alverca faz parte das povoações pioneiras a ser servida pelos caminhos-de-ferro. Inaugurada por D. Pedro V, a primeira linha ferroviária de Santa Apolónia ao Carregado, passava por Xabregas, Olivais, Póvoa, Alverca, Vila Franca de Xira e Castanheira. Em 1892, é inaugurada na Quinta da Figueira (Sobralinho), a primeira fábrica têxtil (empregando 74 operários), tornando-se a nossa localidade, igualmente pioneira na industrialização concelhia. Com esta implementação, verificou-se um significativo aumento da população e um maior progresso da região.

Com grande regularidade, Alverca do Ribatejo vai crescendo, quer em termos industriais, comerciais e populacionais. Em 1918 é criado o Parque de Material Aeronáutico, que passou, em 1928 a denominar-se Oficinas Gerais de Material Aeronáutico, a ocupar o espaço entre a via-férrea e o Tejo. Dos 150 trabalhadores iniciais, em 1918, contavam-se 1025 em 1958. Outra mais-valia para Alverca do Ribatejo foi a instalação, em 1957, à saída da vila para Lisboa, da empresa de Construções Metalomecânicas MAGUE. Especializada, sobretudo, no projecto e fabrico de centrais termoeléctricas e aparelhos de elevação (guindastes, pontes e pórticos rolantes), com a particularidade de parte da sua produção ser destinada ao estrangeiro. Empresa de referência nacional e internacional, com grande impacto na vida social e económica da região, no local onde existiu a antiga MAGUE, encerrada em 1994, encontra-se hoje a urbanização que dá pelo nome de «Malva Rosa». Alverca do Ribatejo é elevada à categoria de cidade em 1990.

Soledade Martinho Costa

        (Agosto/2019)

 

 

 

publicado por sarrabal às 23:16
link do post | comentar | favorito

CONHECER ALVERCA DO RIBATEJO - UM OLHAR ABRANGENTE (Parte II)

IMG_5719.jpg

Caracterizada pela existência de herdades, quintas e casais, a produtividade económica de Alverca do Ribatejo, nos seus primórdios, dividia-se pela agricultura, a criação de gado, a pesca, o sal, os lagares de azeite e os fornos de cal.

Terra essencialmente agrária, fértil em água, as suas produtivas terras e grandes quintas resultavam na riqueza de múltiplos produtos agrícolas. Nas diferentes épocas do ano, produzia-se toda a espécie de frutos, com destaque para a laranja e a cereja, embora as árvores de maior predominância fossem o pinheiro e a oliveira, de onde se extraía azeite de óptima qualidade. O mesmo acontecia com a cultura da vinha.

Por esses anos (século XVIII e século XIX), a povoação contava com mais de 20 lagares de azeite e 30 lagares de vinho. Os lagares de azeite, alguns deles eram edificados junto às ribeiras e aos rios, casos da Verdelha e do rio Crós-Cós. De acordo com fontes históricas, dos últimos lagares de azeite a funcionar em Alverca, citam-se um lagar no Castelo (que serviu até há poucos anos de oficina de reparação de automóveis) e outro na Quinta do Galvão (hoje uma urbanização). Existe ainda uma fotografia, datada dos anos 60, que mostra um lagar de azeite situado na Formigueira. O último lagar de vinho, que funcionou até ao século XX, ficava no local conhecido por «casa do ferrador» (ao lado do Museu Municipal Núcleo de Alverca), prédio rústico, com lagar e adega, construído em 1775 (sobre o qual fiz referência num outro texto).

Na criação de gado, prevalecia o porco, as vacas leiteiras, as cabras e as ovelhas, revertendo grande parte do leite para o fabrico de queijos. Nos últimos anos do século XIX, o seu fabrico era quase exclusivo do lugar de Arcena, onde abundavam os grandes rebanhos, aproveitando os pastores dos seus riquíssimos pastos. Muito conhecidos e apreciados por quase todo o país, os queijos de Alverca do Ribatejo, em tempos mais recentes, chegavam a ser distribuídos, diariamente, pelos estabelecimentos da especialidade, em toda a cidade de Lisboa.

Também a extracção do sal, nas salinas, junto ao Tejo, constituía relevante importância, contribuindo, em grande parte, para a economia da terra. No Verão, chegavam a trabalhar nas salinas dezenas de salineiros, com a extracção do sal a atingir muitas toneladas por época. De excelente qualidade, era utilizado na alimentação e na indústria. A extracção efectuava-se em duas marinhas: na Marinha da Quintela (Forte da Casa) e na Marinha da Quinta das Drogas (Alverca do Ribatejo). Ao longo do tempo, com o desenvolvimento do Campo de Aviação e a fixação de novas indústrias, as salinas foram deixando de ter o valor e a importância de outros tempos.

Os fornos de cal (obtida pela calcinação de pedras a elevadas temperaturas), tinham também grande importância por essa época, quer para servir na construção (caiação), quer na agricultura (calda bordalesa: mistura de cal com sulfato de cobre, processo de curar a vinha contra o míldio e o oídio). Fornos que, para funcionar, necessitavam de considerável quantidade de mato. Foi quando um despacho real proíbe a limpeza das matas para protecção das caçadas. Devido à contestação, por motivos de carência, a proibição real é levantada, tendo em conta o prejuízo da cessação da produção necessária a todo o país e mesmo a Lisboa. Na vida social e económica, os «caeiros», na prestação da sua profissão, ombreavam com os carpinteiros, serradores e pedreiros, entre outros trabalhadores da construção civil. Segundo parece, os fornos de cal eram abundantes na nossa região, chegando a contar-se mais de 30. Em 1929, embora se desconheça hoje a sua localização, encontravam-se ainda em funcionamento 3 fornos de cal em Alverca do Ribatejo. Refira-se a existência, há uns anos, das ruínas de um forno situado em Arcena (zona do Castelo Picão).

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 22:55
link do post | comentar | favorito

CONHECER ALVERCA DO RIBATEJO - UM OLHAR ABRANGENTE (Parte I)

IMG_5719.jpg

«Nos tempos primitivos de Alverca do Ribatejo, os vestígios a que se tem acesso, e que acusam a presença humana na região, foram encontrados nas formações geográficas fluviais, cujo ponto mais elevado se situa na antiga Quinta do Pinheiro. Constituem-se por elementos de pedra lascada, a confirmar a ocupação dos terrenos junto do Tejo por grupos humanos, que deambulavam por esta zona, em busca de caça e de pesca, recolhendo, também, tudo o que a Natureza lhes punha à disposição.» Nas terras da Quinta do Pinheiro, localizada perto do Adarce (onde se situa agora uma zona industrial), ainda hoje pode ver-se o seu edifício solarengo, setecentista, com uma pequena capela,

Na época romana, Alverca, junto ao Tejo, foi local de concentração dos seus habitantes, por usufruir de um ponto de convergência de duas vias, uma que seguia o vale de Vialonga, pelo caminho mais favorecido de acesso a Lisboa (Olisipo), a outra, a contornar o rio na direcção da actual Póvoa de Santa Iria. Segundo os escritos, diversos achados arqueológicos constituem a prova de ter havido aqui, por essa época, «um povoado rico, com habitações revestidas a mármore e chão de mosaicos».

Ainda de acordo com os historiadores, é na Idade Média, após passar à ocupação Islâmica, que surge o nome de Alverca, a resultar do topónimo «Albirca» ou «Alborca» (que significa terra de muita água, alagadiça). Alverca, terá sido, pois, fundada pelos árabes e por eles desenvolvida, no final do século IX ou inícios do século X. O Tejo foi importante para esse progressivo desenvolvimento, sobretudo pela localização dos seus três portos, na confluência de igual número de esteiros (braços estreitos do rio que se estendiam pela terra dentro), pelos quais se fazia a ligação de pessoas e mercadorias. Certa também é a ocupação cristã durante a Reconquista.

A parte antiga de Alverca do Ribatejo, (nesses anos vila condado), corresponde à zona alta da cidade e seu sopé, a fazer parte do núcleo primitivo medieval, enquanto a sua ocupação, na parte da sua zona baixa, teve início na primeira metade do século XX. «Não se conhecendo foral, apenas é conhecida a sua carta de confirmação por D. Pedro I, em 1357.»

«O Foral é uma fonte importante para o estudo da formação dos concelhos medievais, servindo para confirmar o poder estabelecido e, sobretudo, para incutir na comunidade a existência de um poder maior que aquele constituído pelos povos». Mas Alverca nunca teve Foral, embora, até hoje, por uma questão histórica, tivesse sido incessante a sua procura. Por exemplo: «Em relação ao Foral supostamente doado por D. Afonso Henriques a Alverca, não se encontra qualquer referência à povoação. […] Deste modo, em vista de tudo quanto se apurou, pode afastar-se de forma concludente, a ideia da existência de um Foral doado por D. Afonso Henriques a Alverca. Apesar do desaparecimento de inúmeros documentos ao longo dos séculos, é difícil acreditar terem-se perdido três exemplares do mesmo Foral. E, mesmo que tal tivesse acontecido, teria de haver uma referência a tal diploma a mais que não fosse no índice dos Forais.»

Uma edição de 1825 da Torre do Tombo cita ser: «…necessário que ficasse hum dos três exemplares de cada um dos Forais que se expedião […]… um devia ficar na posse do senhor donatário – no caso de Alverca devia ser entregue ao Provedor das Capelas de D. Afonso IV (das quais num outro texto aqui publicado dei a respectiva explicação) – […], outro deveria ficar guardado na Câmara.»

Pois, mas a verdade é que Alverca do Ribatejo continua sem Foral. Será ainda preciso?

 

Soledade Martinho Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por sarrabal às 22:49
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 22 de Julho de 2019

PARABÉNS SARRABAL!

bolo_4.jpg

E assim se passaram 12 anos de vida do Sarrabal! Grata aos leitores que continuam a visitar este blogue. É certo que já não é o que era, mas, tenho pena de lhe pôr fim. Por enquanto, vamos continuando. O meu obrigada, mais uma vez, saúde e felicidades  para todos -  neste dia de mais um aniversário !

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 22:47
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 16 de Julho de 2019

ALVERCA DO RIBATEJO «CIDADE VERDE» - UM LARANJAL NO MEIO DA CIDADE

13 de julho de 2919 001.jpg

Há já muitos anos, foram plantadas umas dezenas de laranjeiras de laranja amarga num dos passeios da Rua Joaquim Sabino Faria, em Alverca do Ribatejo. A ideia foi a de substituir as árvores ali existentes (de que não sei o nome) e que davam umas flores arroxeadas. Algumas dessas árvores ainda subsistem num passeio ou noutro. Se causavam problemas, era apenas devido à queda das flores, já murchas, que os varredores apanhavam. Com as laranjeiras os problemas duplicaram. Começamos pela flor: um tormento perfumado para quem sofre de renite alérgica, seguido de um manto florido que tudo cobre: rua, passeios e carros. Segue-se o nascer do fruto e o seu desenvolvimento, até que caia de podre e bolorento no empedrado do passeio, na berma da estrada ou em cima do capô de algum carro. São pisadas pelos nossos pés e pelos pneus dos carros, E a dificuldade que dá retirar da sola dos sapatos, sobretudo dos ténis, os restos das laranjas! Mas quem mais se queixa são os empregados da limpeza! Limpam e tornam a limpar, mas os passeios continuam sujos e o aspecto que dá esse desmazelo, essa sujidade, não abona em favor das entidades responsáveis. Uma vez que só é possível estacionar junto ao passeio das laranjeiras (o outro tem os pilaretes), os donos dos carros ficam de mãos atadas. O mais engraçado, é que depois de tudo isto, agora, que chegou o Verão, e com ele as altas temperaturas, e a sombra das laranjeiras se apresentava como a única das benesses por elas oferecidas a quem ali estaciona o seu veículo (os residentes dessa rua), não é que lhes cortaram as copas completamente?! Parece anedota, mas não é! Os carros, agora, são verdadeiros fornos quando se entra neles. Não poderiam ter podado as laranjeiras daqui por uns meses, quando o tempo estivesse mais fresco?! Quanto às laranjas propriamente ditas, tenho uma solução que me parece ser a única para acabar de vez com a estrumeira ao longo de todo o passeio da Sabino Faria. Quando as laranjas estiverem já formadas, cor de laranja, mas ainda esverdeadas, deviam ser colhidas. Em poucas horas, um ou dois homens, fariam o trabalho. Deixávamos de pisar laranjas ao longo de meses e meses e de ver o triste espectáculo de um passeio quase intransitável. As horas que se perdiam na tarefa de colher os frutos, seriam compensadas pelas horas ganhas pelas empregadas da limpeza das ruas. Sem laranjas podres e bolorentas, ficariam com mais tempo para se dedicarem a limpar o que vai ficando adiado em termos de higiene e que precisa da sua atenção. Mas não é apenas a apanha das laranjas que está em causa. É necessário limpar também, de vez em quando, as suas ramas, devido à sujidade que nelas se acumula e que se deposita depois no chão e, consequentemente, sobre os carros, a retirar todo o brilho às suas belas folhas verdes e perenes. Com a eficaz gerência (ou obrigação) da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira (responsável por todos estes inconvenientes!) teríamos, isso sim, uma verdadeira Alverca do Ribatejo, «Cidade Verde», mas cuidada, limpa – a merecer o slogan com que a apelidaram.

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 21:03
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 12 de Julho de 2019

HOMEM DO MAR

 

996046.jpg

Homem do mar

Estátua de bruma

És rede e barco

Gaivota e marco

De terra e onda.

 

Pedra do sal

Do teu pescado

Corpo casado

Com remo e vento.

 

Rota, farol

Deus, fé e prece

Porque não esquece

Pão, medo e prole.

 

Soledade Martinho Costa

Do livro «Reduto»

publicado por sarrabal às 16:26
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 27 de Junho de 2019

SÃO PEDRO - PADROEIRO DE ALVERCA DO RIBATEJO

36275983_1754128128008412_9050734159944744960_n.jp

As promessas que se fazem e se cumprem aos santos, resultam da fé, da devoção e do culto religioso que o povo presta aos oragos de um lugar, de uma aldeia, de uma vila ou de uma cidade – ou, tão-só, ao titular de uma igreja ou de uma capela.  

Anteriormente ao século VII, as catedrais, igrejas ou localidades não possuíam santos titulares ou padroeiros. Apenas as basílicas e igrejas que conservavam as relíquias de um santo mártir podiam adoptar o seu nome como santo padroeiro ou titular desses lugares sagrados.

A partir desse século quase todas as igrejas começam a organizar-se no sentido de elegerem os seus padroeiros, sendo escolhidos, em primeiro lugar, naturalmente, as figuras do Divino Salvador e da Virgem Maria, seguidas dos Santos Mártires.

Por altura da conquista da Espanha pelos Árabes, já todas as igrejas possuíam um santo padroeiro, a dar o seu nome ao templo e a servir de patrono às comunidades.

Em documentos da Idade Média, é usual o nome das localidades ser antecedido do nome do seu padroeiro, datando dessa época o processo da constituição das paróquias formadas em núcleos sociais, a assinalar a vida comunitária e religiosa das populações.

Reposto o culto cristão após a Reconquista, reatou-se esta tradição cristã (que nunca deixou de manter-se), a englobar capelas, igrejas, mosteiros e lugares, numa reafirmação da religiosidade popular.

Os novos colonos das comunidades, que tomaram para si as terras abandonadas pelos Mouros, no sentido de as povoar e cultivar, acabaram por ser eles próprios a contribuir para devolver às populações as práticas da devoção cristã, incluindo as do culto prestado aos seus santos padroeiros, procedendo à reconstrução ou edificação de capelas e igrejas, entretanto destruídas, de modo a que o povo pudesse praticar os preceitos religiosos da sua devoção em locais sagrados.

À frente dos templos, como responsáveis e orientadores pastorais dessas mesmas comunidades, eram colocados sacerdotes, por esse tempo a designarem os fiéis porfili eclesiae («fregueses»), designação que se estendia à localidade, dando-se-lhe o nome de  «freguesia» - a substituir a anterior denominação, «paróquia», actualmente recuperada, embora de certa forma circunscrita às actividades paroquiais (religiosas) de cada terra.

O processo de reorganização e formação das comunidades rurais, conquanto moroso (vai do século V ao século XI), é retomado a partir de então, agora com a igreja ou a capela sob a invocação dos santos a associar-se, em estreita união com as populações, no sentido de passar a celebrar-se em data fixa o dia dedicado ao orago, escolha a recair no seu dia litúrgico, estipulado pela Igreja Católica, ou em datas ligadas a acontecimentos importantes ocorridos no seio das comunidades e relacionados com a figura do santo.

Por outro lado, a origem das romarias deriva, supostamente, das peregrinações da era apostólica ao túmulo de Jesus, em Jerusalém, às quais se seguiram as peregrinações a Roma, capital da Igreja Católica, com grupos de peregrinos em cumprimento de promessas aos túmulos dos apóstolos São Pedro e São Paulo.

Como alguém escreveu, «os crentes iam a Roma, romeavam, eram romeiros», diferindo das grandes peregrinações o facto de as romarias serem realizadas anualmente em caminhadas de menor percurso.

Às peregrinações a Roma e a outros santuários de invocação a Cristo ou à Virgem Maria, associaram-se depois as de veneração aos santos, acrescentando-lhe o povo a parte profana – a diversão –, ou, simplesmente, mantendo-a, vinda de épocas pré-cristãs.

Com o passar do tempo, em certas localidades, alguns dos antigos padroeiros acabaram por ter pouco significado, verificando-se, mesmo, a extinção da sua festa, quer por motivos da ruína dos templos e consequente desinteresse das populações, quer por terem sido ultrapassados, no decorrer dos anos, por uma devoção maior a outro santo.

Símbolo da fé do povo e sinónimo de protecção à comunidade paroquial – a delimitar, por vezes, o próprio território que lhe cabe, como guardião das terras e dos seus respectivos habitantes –, o santo padroeiro significa o amparo e o confidente, o protector, aquele que, por sua intercessão junto de Deus, tem a faculdade e a missão de defender e obter para quem a ele recorre, o louva e nele confia, as graças pedidas em oração e voto de promessa – particularmente, nas alturas mais precisas e difíceis da vida de cada um.

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro «Festas e Tradições Portuguesas», Vol.VI

Ed. Círculo de Leitores

Tela: «São Pedro», Peter Paul Rubens

publicado por sarrabal às 21:08
link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 25 de Junho de 2019

GAYS - O ETERNO DILEMA

Resposta a Lucas Viriat II.jpg

RESPOSTA A LUCAS VIRIATO (que não conheço) E À FRASE, DE SUA AUTORIA; QUE ACOMPANHA ESTA FOTO: «ISTO É PERFEITAMENTE NORMAL. SE ÉS CONTRA, JÁ SABES O QUE TU ÉS.»

 

Não tenho muito o hábito de partilhar – e muito menos este género de fotos. Hoje, mudei de opinião. Naturalmente, por ser quase impossível ficar indiferente perante estas quatro personagens. Do mural de onde a partilhei, cada comentário era uma pedrada, uma cuspidela para o chão, uma chacota hilariante. Não vejo a foto assim. Vejo antes, quatro pessoas sem norte, à deriva, numa situação quase insustentável. Mas não lhes gabo a atitude! Por detrás do muro invisível que os separa dos seus semelhantes, adivinha-se o cansaço, a tristeza, o isolamento, o sofrimento, a segregação que, hoje conquanto mais atenuada, continua a existir, a afligir, a maltratar, a agredir, por actos e palavras, aqueles que não são e nunca virão a ser pessoas consideradas normais. As outras, as ditas normais, continuam a não se aperceber da sua tentativa quase inumana de sobrevivência. É certo que estes grupos apelam à igualdade. À integração na sociedade. Como iguais. Por isso me espanto quando fazem o contrário! Quando se apresentam desta maneira, contrariando esse seu apelo. Quem vêem eles, assim, pelas ruas onde passeiam e exibem a sua rebuscada excentricidade?! Na sua condição de deficientes – porque o são, sem sombra de dúvida – não compreendo esta sua teima em combater, em rejeitar, em não aceitar a sua condição, que os tornaria em pessoas apostadas em defender a sua dignidade, em vez de optarem por um comportamento que os transforma em seres destituídos de qualquer senso. Deficiente não é só o invisual ou aquele a quem falta um braço ou uma perna. Deficiente é, também, aquele que não mostra a deficiência, embora ela esteja lá, mas não à vista – neste caso, a deficiência do sistema orgânico que afecta a maioria destes grupos. Ou seja, de uma maneira simplista, o excesso de hormonas femininas num homem ou de hormonas masculinas numa mulher. Todavia, tudo bate certo na sua incongruência! Se um homem dito normal tem tendência para se agradar de mulheres; se uma mulher dita normal tem tendência para se agradar de homens, então, é natural que um homem com excesso de hormonas femininas tenha tendência para se agradar de outro homem, ou uma mulher com excesso de hormonas masculinas de se agradar de outra mulher! Lamentável é que se defendam de um erro da natureza, provocando visualmente o próximo, como é o caso dos desfiles gays e desta e de outras fotos similares. Tive, durante muitos anos (até ao seu falecimento) um amigo gay. Vinha frequentemente a Alverca do Ribatejo tratar dos seus negócios. Vivia em Inglaterra e tinha livros de poesia publicados. Em certo ano, estivemos no Algarve, juntamente com o seu companheiro. Não falando dos muitos mais amigos gays que tenho e que se encontram ligados às artes, sobretudo à literatura e ao espectáculo. Não sou racista nem homofóbica! Lamento, isso sim, a vida por vezes complicada destas pessoas. Mesmo assim, não aceito este género de chamada de atenção para os seus problemas (difíceis de resolver). Considero semelhantes atitudes de pouca inteligência. Não será por este meio que receberão mais apoio ou mais aceitação. Não será com todo este exibicionismo gratuito que conseguirão alcançar aquilo que tanto desejam: a igualdade entre sexos. Liberdades, essa, já a têm – embora, continuando a pagar por ela um preço demasiado elevado.

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 18:11
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 1 de Maio de 2019

CALENDÁRIO - MAIO

IMG_0558.jpg

Eu sou Maio, o mês das Mães
Mês das rosas, mês dos ninhos
E visto os trabalhos duros
Não me darem ralação
Sou eu quem atesta os vinhos
Apanha os linhos maduros
Limpa a vinha do pulgão.

Quinta-Feira de Ascensão
Apanho um ramo de «Espiga»
Enquanto de Norte a Sul
Volto aos tempos de pagão
Lembrando as «Maias» floridas
Com topázios de giesta
A cumprir praxes e cultos
Que a voz do povo lhe empresta.

Sou eu também quem retira
Das copas das cerejeiras
Até aqui resguardadas
Os abrigos que as protegem
Já sem medo das geadas.

Chego feliz, deslumbrado
Com o afecto profundo
Dos amigos que me esperam
Repartidos pelo mundo.

Por isso, no dia um
Mal aporto de viagem
Eis-me a ditar a mensagem
De Esperança e Fraternidade
Que trago aos trabalhadores.

Presto assim minha homenagem
Ao seu esforço, ao seu labor
À canseira do seu braço.

A todos com meu abraço
De Amor e de Comunhão
Faço ver que trabalhar
É sinónimo de pão.

E desde o homem do campo
Ao homem que anda no mar
Desde o operário ao poeta
Que escreve o que o povo canta
A todos rendo louvor
No grito que me agiganta.

Sou o Primeiro de Maio
Dia do Trabalhador!

E seja lá onde for
Com respeito e gratidão
Deito nas mãos calejadas
Mãos cansadas, mãos amigas
Rosas brancas desfolhadas
A perfumar-lhe as fadigas.

Entretanto, um após outro
Gasto os dias que me restam
Chego ao fim do meu mandato
E à hora da despedida.

Então, fiel, conformado
Cumpro à risca o meu contrato:
Digo adeus, vou de partida.

Quanto às palavras que deixo
Firmadas pelo meu punho
Só peço que as não olvidem.

E lá sigo em retirada
Ainda a tempo de ver
Pontual na chegada
Meu irmão o mês de Junho.

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 17:09
link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Novembro 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30


.posts recentes

. DIA DE TODOS OS SANTOS - ...

. CONHECER ALVERCA DO RIBAT...

. CONHECER ALVERCA DO RIBAT...

. CONHECER ALVERCA DO RIBAT...

. PARABÉNS SARRABAL!

. ALVERCA DO RIBATEJO «CIDA...

. HOMEM DO MAR

. SÃO PEDRO - PADROEIRO DE ...

. GAYS - O ETERNO DILEMA

. CALENDÁRIO - MAIO

. PASCOELA - ORIGENS E TRAD...

. VIGÍLIA PASCAL - BÊNÇÃO D...

. A HORA EXACTA

. SEGREDOS

. ANO NOVO!

. FELIZ NATAL!

. ALVERCA DO RIBATEJO ANTIG...

. ALVERCA DO RIBATEJO ANTIG...

. ALVERCA DO RIBATEJO ANTIG...

. ALVERCA DO RIBATEJO ANTIG...

.arquivos

. Novembro 2019

. Agosto 2019

. Julho 2019

. Junho 2019

. Maio 2019

. Abril 2019

. Março 2019

. Fevereiro 2019

. Dezembro 2018

. Outubro 2018

. Setembro 2018

. Agosto 2018

. Julho 2018

. Junho 2018

. Maio 2018

. Abril 2018

. Março 2018

. Fevereiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

.links

.Contador

conter12
blogs SAPO