Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2017

BOLO-REI - ORIGENS

BOLOREI.jpg

O Dia de Reis baptiza o manjar cerimonial da doçaria alimentar desta data: o «Bolo-rei», espécie de pão doce recheado e enfeitado com frutos secos e cristalizados, cuja tradição se espalhou por quase toda a Europa e alguns países da América (particularmente da América Latina).

 

Supostamente, a resultar do bolo janual, que os Romanos ofereciam e trocavam entre si nas festas do primeiro dia do Ano Novo. Ao bolo juntavam um ramo de verdura colhido num bosque dedicado à deusa Strénia ou Strena.

 

Do nome da deusa resultará o vocábulo francês étrenne  (que significa «presente de Ano Novo») e a palavra «estreias», termo que, em certas localidades do nosso país, continua a utilizar-se para definir o acto de oferecer presentes de «boas festas» («dar as estreias»).

 

Se recuarmos no tempo, deparamos com as «estreias» (atrenua) relacionadas com mascaradas, banquetes, jogos e outras celebrações, realizadas pelos povos pagãos. Daí, no Concílio de Tours, em 567, ter sido sugerido que as «estreias» pagãs dessem lugar «às esmolas de carácter cristão e litúrgico», de modo a atenuar os vestígios do politeísmo.

 

Ao bolo janual e ao ramo de verdura acrescentavam os Romanos pequenas lembranças (tâmaras, figos, mel), com votos de bom ano, paz e felicidade. Este costume tornou-se depois mais exigente, acabando o oiro e a prata por substituir os singelos presentes.

 

Em diversos países foi hábito durante muito tempo introduzir no bolo uma pequena cruz de porcelana (que se juntava à fava, símbolo da fortuna), substituída depois por minúsculas figurinhas humanas.

 

Associados à quadra natalícia, mais propriamente ao chamado «Ciclo dos Doze dias» (que medeia o Natal e o Dia de Reis), vamos encontrar as «janeiras» e os «reis», que representam peditórios cantados na noite de Natal, de Ano Novo e de Reis.

  

Herança provável das próprias strenas romanas, a entoação dos cânticos tem por finalidade receber dádivas, que se revestem de um carácter alusivo e propiciatório, a remeter-nos, como noutras celebrações, para tempos remotos, em que se celebravam deuses e divindades pagãs ou eram pedidas ou oferecidas dádivas no início do ano comum, símbolo de bom augúrio, quer para quem as pedia, quer para quem as doava.  

 

O costume, espalhado por toda a Europa em países como Portugal, Espanha, França, Itália e Alemanha, entre outros, continua a efectuar-se, com os seus seculares cânticos de religiosidade popular e festiva.

  

Formados por grupos de homens e mulheres, os «janeireiros» e «reiseiros», acompanhados ou não por músicos, percorrem os lugares, de porta em porta, a pedir oferendas em troca da entoação das «loas» ao Menino, às Janeiras e aos Reis. «Cantar os Reis», «Esperar os Reis», «Correr os Reis» ou «Tirar os Reis», são as denominações decorrentes destas praxes.

 

Também as «Reisadas» e as «Chocalhadas» se articulam no mesmo contexto, não deixando, ainda hoje, de fazer a sua aparição pelas nossas vilas, aldeias e lugarejos. As primeiras, constituídas por grupos (mais aproximadas às «Janeiras»), apresentam maior incidência na Beira Baixa, Estremadura e Ribatejo, embora façam a sua aparição noutras zonas do país. As segundas, efectuadas igualmente por grupos, têm por finalidade a barulheira e a gritaria festivas, com o bater de latas e outros objectos barulhentos e o soar de campainhas, chocas e chocalhos, enquanto procedem ao tradicional peditório «para os Reis». Noutros casos, o mesmo género de grupo limita-se à barulheira, omitindo as dádivas.

 

Com esta função, pretende-se, uma vez mais, pelo barulho, afugentar o mal e obter benefícios propiciatórios e profilácticos (à semelhança do ritual da noite da passagem de ano, com o bater de latas, de panelas, etc.)  As «Chocalhadas» levam-nos às Sigilárias ou Festas Sigilares de Roma (sigilar de «fechar», em alusão ao «fechar do Ano Velho»), realizadas no primeiro dia de Janeiro, em que se fazia enorme barulho à porta de casa de cada um.

 

Igualmente provável é a celebração dos Reis resultar de antigos rituais ligados ao culto dos politeístas solares e da sua festa de consagração da luz do Sol no solstício de Dezembro, efectuada no Egipto sob o título Festum Osirid nati, ou Inventio Osirid, em data correpondente ao nosso 6 de Janeiro, designada pelos Judeus como Festa das Luzes ou Khanu Ka.

 

Há ainda quem sustente ter a comemoração do «Dia de Reis» origem nas festas romanas em honra de Jano (de onde provém o nome de Janeiro), o deus das duas faces: uma voltada para o passado, a outra para o futuro.

 

Soledade Martinho Costa

 

publicado por sarrabal às 00:53
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Maio 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


.posts recentes

. CANTO DO VENTO

. ZECA AFONSO

. 23 DE ABRIL - DIA MUNDIAL...

. DEDICATÓRIA

. SEMANA SANTA - O GALO DAS...

. CELEBRAÇÕES DA QUARESMA -...

. CALENDÁRIO - MARÇO

. CARNAVAL - A MÁSCARA

. TODOS OS LUGARES SÃO TEUS

. BOLO-REI - ORIGENS

. A VIAGEM DOS TRÊS REIS MA...

. FELIZ NATAL E BOM NOVO AN...

. OUTROS NATAIS

. UM OLHAR SOBRE A PAISAGEM...

. OUTRO MILAGRE

. «SEARINHAS» DE NATAL

. COMO SE FOSSE HERODES O M...

. NATAL - AS FOGUEIRAS DO M...

. CALENDÁRIO - DEZEMBRO

. VULTO DE UM PAÍS

.arquivos

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

.tags

. todas as tags

.links

.Contador

Site Meter
blogs SAPO