Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

PRESÉPIOS - ORIGENS

 

Na sua origem, o presépio é atribuído a São Francisco de Assis, quando comemorou o Natal, de 24 para 25 de Dezembro, num bosque da sua aldeia de Cressio, na Terra Santa, em 1223, reproduzindo o nascimento de Jesus num grande presépio erguido no meio das árvores, ao mesmo tempo que celebrou missa solene perante o povo e companheiros seus.
 
Ainda hoje nesse local se encontra armado um presépio com figuras em tamanho natural (que a tradição popular diz ser o original construído pelo santo), chamando a Creccio um incontável número de visitantes de todo o mundo, que se deslocam ali para admirá-lo.
 
Primitivamente erguido nas igrejas e mais tarde, com autorização papal, nos conventos e mosteiros, os presépios começaram por apresentar figuras de madeira pintadas, espalhando-se depois a tradição (século XVI) pelas habitações particulares como um dos poucos símbolos de origem genuinamente cristã alusivos ao Natal.
 
Terão sido ainda os frades franciscanos a difundir pelo mundo a figuração do nascimento do Menino, divulgando os presépios, costume que se foi alargando e enriquecendo ao longo dos tempos, conforme a tradição e a crença dos povos.
 
Até ao século IV o presépio era representado apenas pela figura do Menino, colocada no chão, rodeada de pastores, juntamente com o boi e o jumento, enquanto somente no século VI, já com a reprodução iconográfica da Virgem Maria, a imagem de São José passou a figurar também na encenação do nascimento de Jesus.
 
 
Na Itália (século XV) as figuras do presépio passam da madeira pintada para a terracota policromada, retomando-se de novo, entre os finais do século XVII e inícios do século XVIII, as figuras em madeira igualmente policromadas agora articuladas e vestidas com indumentárias apropriadas, de acordo com o gosto dos artesãos, às quais se foram juntando outros elementos decorativos, alargando-se assim o aspecto cénico e visual do seu conjunto, cada vez mais diversificado e enriquecido.
 
Ainda de acordo com a tradição, é na sumptuosa Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, que se encontram algumas das tábuas do primitivo presépio de Belém. Terá sido nesta mesma basílica que na segunda metade do século V começou a celebrar-se uma missa nocturna de Natal, seguida de outra pela manhã, cerimónias que se generalizaram depois por toda a Igreja Católica até à actualidade, com as três ou quatro missas de Natal.
 
Supostamente, a verdadeira manjedoura de Belém de Judá terá sido destruída pelo imperador romano Adriano, no século II. Este facto terá levado o imperador Constantino, no século V, a mandar executar um presépio em ouro e prata, numa simulação do verdadeiro cenário do nascimento de Jesus de Nazaré, de forma a compensar tão importante perda.
 
Entre nós, pela sua originalidade, são particularmente apreciados os presépios do concelho de Barcelos (Minho), do Sobreiro (Mafra) e do concelho de Estremoz (Alentejo) – onde prestigiados artesãos ceramistas e barristas continuam a concebê-los num estilo muito próprio e numa diversidade de modelos, de dimensões e de cores.
 
Do latim praesepium (manjedoura) e praesepire (vedar com uma sebe), os presépios, erguidos antes do Natal, só devem ser desmontados, conforme manda o preceito, depois do dia de Reis.
 
Soledade Martinho Costa                                                              
                                                
 
 Do livro”Festas e Tradições Portuguesas”, Vol. VIII
Ed. Círculo de Leitores
 
 
publicado por sarrabal às 16:32
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10 comentários:
De garatujando a 17 de Dezembro de 2009 às 17:17
O presépio, cândida encenação do lugar onde, segundo a tradição, teria nascido o Menino Jesus, representa, na sua comovente singeleza, o acontecimento que há dois mil anos trouxe à Humanidade a esperança de um mundo melhor.
O correr dos tempos deu origem ao que se designa por "Espírito de Natal" que propicia peculiar clima de afectividade e exaltação familiar em termos de se alterarem emoções e comportamentos. Por efeito dum subtil enleamento colectivo, o Natal torna normalmente as pessoas mais receptivas, mais sociáveis e amistosas.
E porque se trata de celebrar o nascimento dum Menino aureolado pela mística duma origem divina, é nas crianças, que o espírito de Natal mais reflecte a singularidade da data.

Pena é que, em tempos mais recentes o verdadeiro "Espírito de Natal" venha a deturpar-se entre nós, assim como a forma de se comemorar o nascimento de Jesus.
Dantes não havia o pinheiro enfeitado por luzidias bolas e lâmpadas piscando – modernismo importado de nórdicos costumes, que nada nos dizem.
Nem havia os exageros do mercantilismo de agora, sôfrego de lucro, que descamba em cenas publicitárias com repetitivas figuras de Pai Natal e Mãe Natal, em burlescas cenas mais próprias de Carnaval antecipado.

Com a Soledade fica o mérito da erudita resenha histórica que nos dá a conhecer as origens do presépio. Não poderia ser mais oportuno e útil este post porque nos reconduz ao verdadeiro significado desta quadra, tão esquecido que anda neste frenesim generalizado em que toda a gente se deixa envolver a propósito do Natal e da maneira de o festejar.

Abraço amigo
Carlos Ferreira


De sarrabal a 22 de Dezembro de 2009 às 20:36
Carlos, este seu texto/comentário bem podia ser um post a publicar no seu Garatujando, já reparou?
Se o meu texto é erudito, como diz (trabalho de pesquisa), que dizer do seu?

Grata como sempre, pela assiduidade e pelas palavras, que o tornam um comentador de eleição.

Beijinho da Sol


De Ibel a 17 de Dezembro de 2009 às 22:45
~Grata por aquilo que vou aprendendo consigo.
o Natal traz-me memórias da menina feliz que fui e da menina que foi minha filha em redor do presépio , falando com os figurantes de um mundo que é sempre de profunda realidade e fantasia. Essas lembranças são ainda alimento espiritual e isso é bom.


De sarrabal a 22 de Dezembro de 2009 às 20:44
Ibel, ainda bem que os meus posts lhe transmitem algo que possa aprender! Aqui para nós, eu própria também aprendi muito do que escrevo graças ao trabalho de pesquisa que elaborei. Oito grandes volumes de uma colecção deu para ficar a saber muita coisa que desconhecia - e me deslumborou! Não guardo segredo da minha grande atracção pela etnografia...

Que continue a merecer as suas visitas e respectivos comentários sempre tão especiais.

Beijinho da Sol


De Manuel a 18 de Dezembro de 2009 às 19:57
E por presépios!
FELIZ NATAL

Manuel


De sarrabal a 22 de Dezembro de 2009 às 20:51
Caro Manuel:

«Cara nova» por estes lados, ou nem tanto?

Grata pelos votos de Feliz Natal, que retribuo desejando-lhe, ainda, um Bom Novo Ano de 2010 !

Cordiais saudações da Sol


De Manuel a 23 de Dezembro de 2009 às 17:01
Eis o endereço:
deproposito@sapo.pt

Funciona mesmo.
Felicidades.
Manuel


De sarrabal a 26 de Dezembro de 2009 às 00:38
Manuel, lamento desiludi-lo, mas não funcionou. Repeti e continuou a não dar resultado: o link não dava acesso. Só com o segundo e-mail que enviou foi possível colocar o link correctamente. Como tenho uma lista pequenina, o seu blog ficou lindamente. Quem gostar de boa poesia tem o caminho aberto!

Saudações da Sol


De Manuel a 26 de Dezembro de 2009 às 11:24
Olá.
Certamente que alguma coisa não estava certo, para não aceitar o e-mail. Costumo reenviar PPs. Se os quiser receber, envie-me um endereço, onde os possa enviar.
Felicidades.
Manuel


De sarrabal a 26 de Dezembro de 2009 às 19:54
Manuel, como pode verificar, o link já dá acesso. Está tudo bem agora. Grata pelas visitas!

Saudações da Sol


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