Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

RÉQUIEM

 
Em memória de alguém
Que amou por mim
Paisagens, cores e céus
Que nunca vi.
 
Que se lembrou do Sol
Ao ver as sombras
E a perguntar porquê
Olhou o mar
À procura de si
Por entre as ondas.
 
Em memória de alguém
Que amou por mim
Gentes, aves e flores
Que nunca vi.
 
Em memória de alguém
Em cuja voz
Gritei os mesmos ecos
Noutros sons.
 
Soledade Martinho Costa
 
Do livro «Reduto»
publicado por sarrabal às 00:28
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6 comentários:
De garatujando a 1 de Dezembro de 2009 às 12:00
Que estranho poema este, diferente de tudo quanto tenho lido da Soledade !
Intui-se, aqui, uma dúplice personalidade por meio da qual a poeta "foi" aonde gostava efectivamente de ter ido, "experimentou" sentires que a crua realidade lhe impediu de experimentar, Revela-se neste poema a nostalgia duma vida não vivida.
Quanto de idealismo, de vã ansiedade, de pura poesia enfim, nestes belíssimos versos ... !!!

Parabéns, Soledade, e obrigado por partilhar connosco momentos como este.

Abraço do
Carlos Ferreira


De sarrabal a 4 de Dezembro de 2009 às 22:33


Em poesia, particularmente, cada leitor faz a sua leitura. Foi o seu caso, caro Carlos. Acertou? Não acertou com a ideia que levou à escrita do poema? Pouco importa. Conta-se que certo poeta terá dito depois de alguém se ter pronunciado sobre um poema seu: «Quem diria? Não me recordo de ter escrito isto!»

O que verdadeiramente importa é que os leitores expressem a sua opinião (leitura?) sobre aquilo que lêem -sinal de que o texto chegou ao destinatário.

Abraço grato da Sol


De Ibel a 5 de Dezembro de 2009 às 21:44
Realmente, o que há de mais poético na poesia é a viagem criativa que ela dinamiza mentalmente no leitor. E ela não pertence mais ao dono da sua criação, enquanto verdade unívoca ,depois de publicada e atravessada por outros olhos, ávidos de encontrar a chave que o escritor guarda para si.
Li o poema com muita emoção e encontrei-lhe uma leveza e uma docilidade muito claras.Li-o como um cântico de amor à natureza, como uma homenagem a alguem em particular ou aos poetas em geral, que a cantaram e cantaram, como fonte da mais aconchegante plenitude, espaço regenerador onde a alma poderá encontrar o paraíso perdido e o ar impoluto...


De sarrabal a 6 de Dezembro de 2009 às 14:30
Respondo-lhe, Ibel, quase com as mesmas palavras da minha resposta ao Carlos.

Se há poemas de evidente (por isso fácil) significado, outros não. Parece-me ser o caso deste «Réquiem». Mas o importante é a «tal viagem criativa» de que fala.

A cada leitor a sua leitura do poema. Pode dizer-se que vários poemas se constroem a partir do poema original - conforme o sentir e a sensibilidade de cada pessoa.

Curioso e interessante seria o poeta elaborar outros poemas ditados por essas mesmas leituras. Teríamos grandes surpresas, certamente. E poemas bem diferentes entre si...

Para si, outro abraço da Sol


De Manuel Pachrco a 5 de Janeiro de 2010 às 00:13
O Natal:
É sinónimo de alegria como a palavra indica. A celebrar algo que vem ao Mundo, neste caso, a celebrar o nascimento de Jesus. Das festas cristãs é a que tenho mais carinho e que celebro com maior gosto. Na véspera anda-se num corrupio a tratar das últimas prendas, geralmente o que acontece com os Portugueses.
Este ano comigo devia acontecer o mesmo. Não acontece. Em lugar de as ir comprar já me preveni.
Nesta véspera de Natal, tenho como missão e dever de ir acompanhar até à sua última morada um amigo, pelas onze horas.
Para mim tornou-se quase um familiar. Companheiro diário nas nossas idas até ao Centro Comercial, Ferrara Plaza, nos dias de chuva e ao Parque da Cidade de Freamunde, nos dias de sol, dar um passeio a pé ou, jogar às cartas (à sueca).
Nos momentos mais difíceis da minha vida, foi um dos amigos que me visitou no Instituto Português de Oncologia do Porto. Depois na minha convalescença em casa era visita assídua.
Era mais velho que eu, uns bons anos. Nutria por ele um carinho especial.
A última vez que estive com ele foi no último sábado, lá fomos os dois até ao nosso Centro Comercial. Chovia nesse dia. Andamos pelo hiper-mercado Continente, gostava de apreciar o bacalhau e dizia-se entendedor. Explicava-me todos os pormenores de como o devia escolher. Que em sua casa só entrava o que era mesmo bom, mais a mais nesta altura de Natal.
Nos vinhos a sua preferência era o Alvarinho. Dizia-se apreciador e assim como o bacalhau, o vinho tinha de ser do que gostava e do melhor. Tinha feito todas as compras para festejar com a família na véspera de Natal.
No domingo como sempre vou dar um passeio com a minha esposa e não me encontrei com ele.
Na segunda-feira como estava de chuva, após o almoço como sempre, nos dias de chuva ia buscá-lo a casa – não tinha carta de condução – para darmos o nosso referido passeio e apreciarmos as pessoas a fazerem as compras para o Natal. É o que faz estarmos aposentados e ser desta forma que matamos o tempo.
Quando me anuncio no intercomunicador, como era usual, a esposa diz-me a chorar. “Eram cerca das onze horas e trinta minutos, a ambulância dos Bombeiros Voluntários de Freamunde, o transportou na companhia da sua filha mais velha e do seu filho varão, para o Hospital do Vale do Sousa, em Penafiel e que ia bastante mal”. Fiquei sem palavras. Disse que à tardinha passava por lá para saber mais notícias. Assim fiz. Continuava no hospital e em estado reservado.
Ao outro dia, novamente à tardinha desloquei-me à sua residência para saber das melhoras e encontro a sua esposa sentada numa cadeira, na cozinha, a chorar e aí apercebi-me que ele tinha falecido. Não contava com aquilo, foi um choque para mim. Tinha sido operado ao coração há cerca de um ano, andava bem, nada fazendo prever tal desenlace.
A esposa continuava a chorar e desabafava como acontece nestas situações. “Que ele me considerava como um irmão”. “Que lhe tinha dito que as melhores tronchudas (couve galega, em certas terras do País) que ele cultiva no seu quintal, eram para mim”.
“Que fiquei de as ir buscar na véspera de Natal”. Para servir juntamente com as batatas e bacalhau, no cozido de Natal, como usamos aqui no distrito do Porto.
Na manhã da véspera de Natal, em lugar de ir buscar as tronchudas fui acompanhar o seu corpo até à sua última residência
Com isto veio-me à lembrança as compras que ele tinha feito. O carinho que teve com as escolhas e o gosto em ter os melhores produtos para os seus. Mas o que não sabia era que não ia usufruir deles, assim como os seus familiares, nesta véspera de Natal. Para os seus outras vésperas de Natal há-de surgir, para si espero que para onde vá tenha tudo do melhor. Não por ser quase um irmão para mim. É porque realmente merece.
Eu sei que Deus é justo, proclamo essa fé mas, nestas quadras estas situações não deviam acontecer. Assim como não devíamo-nos de afeiçoar a certas pessoas, para depois não sofrermos.
Mas a vida é assim.
Aqui deixo a dedicatória que usei no bouquet que lhe ofertei:
Os amigos por vezes representam mais que alguns familiares. Nos meus momentos difíceis esteve sempre comigo. No seu não pude estar. As minhas desculpas.
Fica sempre na minha recordação.
Manuel Maria Ferreira Pacheco




De sarrabal a 6 de Janeiro de 2010 às 00:14
Aqui está o texto de um verdadeiro Amigo! Sim. nestas datas tão especiais, é sempre triste o falecimento de alguém que nos é querido. Foi o seu caso, Manuel. Acontece que, amanhã, Dia de Reis, vai a cremar um amigo meu, falecido ontem, após doença prolongada. Como estou no Algarve, não posso estar presente. A morte não escolhe datas, meu Amigo...

Abraço da Sol


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