Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

DIA DE FINADOS

 
Flores da nossa saudade.
 
  
Soledade Martinho Costa
publicado por sarrabal às 11:37
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8 comentários:
De IBEL a 2 de Novembro de 2009 às 22:43
Um título nos basta para nos estremecermos de respeito. Pelas flores e pela soledade.


De sarrabal a 3 de Novembro de 2009 às 01:00
Uma linha me basta para gostar de a ler, Ibel.

Beijinho da Sol


De garatujando a 4 de Novembro de 2009 às 12:16
Numa imagem e num frase se sintetiza todo um sentir.

Abraço
Carlos Ferreira


De Manuel Maria Ferreira Pacheco a 3 de Janeiro de 2010 às 22:18
Envio-lhe este comentário. Vai fora de tempo. No dia de finados enviei-o para o Aspirina B.

Dia de finados:

No domingo em todo o País celebra-se o dia dos fiéis. Nos cemitérios as campas são todas arranjadas, algumas só neste dia é que são lembradas, tal o abandono em que se encontram. Contra mim falo, não sou pessoa de andar a correr para os cemitérios, as minhas irmãs se encarregam de todos os domingos assearem a campa de meus pais. Não é por não me lembrar deles, todos os dias vêm-me à memória e pelos melhores motivos. E, entre o andar a correr para lá prefiro lembrar certas peripécias.

Quando encontrava o meu pai na tasca a beber um copito de vinho convencia-o a vir embora comigo. No trajecto até casa e sempre que acendia um cigarro, para acertar com o fósforo no cigarro era um dia de juízo, às vezes só se apercebia quando lhe queimava os dedos.

Brincava com ele nunca se aborrecia, era um parceirão, nesses dias oferecia-me tudo, só era pena ter tão pouco. Cada passo, cada conversa, quando reparava cada vez estávamos mais longe de casa, por cada passo para a frente dava dois para a retaguarda, o que me levou a propor-lhe, que nos virássemos em sentido contrário e assim alcançávamos a casa.

A minha mãe vinha abrir a porta, nesse tempo cada porta só tinha uma chave, e dizia não ganhas juízo Maximino, mas sempre com um carinho extremo, hoje é raro se ver, ajudava-o a despir-se e ele lá dormia a noite toda sem incomodar ninguém. Era um casal que se dava bem.

Quando o meu pai faleceu notei que com ele ia metade da vida de minha mãe, que não chegou a dois anos e ela também partia para a vida eterna.

Não me importava que hoje acontecesse o mesmo, tal a saudade que tenho deles e, como sempre no dia 1 de Novembro me disponho a fazer-lhes uma vista.

É o que farei amanhã.




De sarrabal a 4 de Janeiro de 2010 às 02:48
Fiquei impressionada com a sua frase: «Não me importava que hoje acontecesse o mesmo, tal a saudade que tenho deles...»
Meu caro amigo, quanto mais idade vamos tendo, mais falta nos faz o mimo, o carinho, o amor dos nossos pais. A idade nada tem a ver com os sentimentos. É um comentário sentido, o seu. Sensibilizou-me muito, acredite.
Não sei se é o mesmo Manuel Pacheco com quem já tenho trocado comentários no «Aspirina B». Será?
Se é, deixei-lhe uma resposta há dois dias a um comentário onde se referia com muita generosidade à minha pessoa, como escritora, e ao meu blog «Sarrabal»
Se não é, o convite fica feito na mesma: volte quando quiser, será sempre com agrado que o Sarrabal o irá receber. E desabafar, lembrar o passado, quem nos amou, faz sempre bem, acredite.

Só lhe peço que confirme se é a mesma pessoa. Questão de curiosidade, somente.

No que se refere ao «Aspirina B«, apareço por lá de vez em quando. Sou amiga do Valupi, que muio admiro. Sim , é verdade que já fui colaboradora efectiva desse blog, mas depois criei o Sarrabal

Caro Amigo, volte sempre!

Abraço da Soledade Martinho Costa




De Anónimo a 4 de Janeiro de 2010 às 11:24
Gandarela lugar onde nasci:

Quem nasceu na Gandarela / por força tem de chorar / o destino que lhe espera / é morrer a trabalhar.

Com este destino o que esperava da vida? Mesmo assim sinto orgulho em ter nascido neste lugar há sessenta anos. Podiam-me dar os lugares mais chiques que a minha preferência seria sempre a Gandarela.

Olha a Gandarela / olhai p’ra ela / se quereis aprender / como no momento / o sofrimento / se muda em prazer / lá vai jovial/ não tem rival / p’ra cá da serra d’Agrela / ninguém a confunde / até Freamunde / não era nada sem ela.

Neste lugar o mais pobre de Freamunde, em tempos idos, mas rico no seu habitat.

Lugares de sardinheiras, logo pela manhã cedo iam esperar as camionetas que traziam o peixe, para ser distribuído por elas que, depois o vendiam de porta em porta, pela vila.

Lugares de homens rijos que trabalhavam a pedra - ricas cantarias faziam.
Jogadores amadores de futebol, do Sport Clube de Freamunde, depois de deixar o trabalho iam treinar.

Jogavam por uma sandes e um copo de vinho.

Bailadores e bailadeiras do Rancho de Freamunde. Outros que podia enumerar mas tenho receio de esquecer alguns.

Ainda me recordo nas festas Sebastianas, na segunda-feira de madrugada Quim Loureira; homem com pouca instrução escolar, mas com muita escola da vida, ia para o coreto da música e de lá nos dava um recital de quadras, qualquer poeta se honraria de as ter escrito.

No princípio dos anos sessenta Fernando Santos, (Edurisa Filho) resolveu escrever a opereta Gandarela, em honra ao lugar, com cenários de Leopoldo Saraiva e música de João de Brito. Que sucesso.

As quadras que acima escrevo são dessa opereta, pertencem ao Grupo Teatral Freamundense.

Havia pessoas que ali nasceram, quando lhes perguntavam onde tinham nascido, se diziam que foi no lugar da Gandarela, eram logo marginalizadas.

Sinto orgulho e gosto de lembrar esses tempos, mesmo sabendo que o meu destino era morrer a trabalhar.

Os tempos mudaram, conseguiram-se grandes regalias sociais e assim os que ali nasceram já não morrem a trabalhar.

Antes vão para a reforma. É o que me acontece neste momento.

Em substituição do Quim Loureira ficou o Rodela que nos brinda com belas quadras.

“Gandarela velhinha”

Naquela rua velhinha,
Onde mora a solidão,
Faço dela vida minha,
Irei dela p’ ro caixão.

De manhã logo cedinho
Todas as janelas abertas,
Os bons dias ao vizinho
São as palavras mais certas.

As crianças saltitando,
Como pássaros perdidos.
E os velhinhos recordando
Velhos tempos já lá idos.

É assim a Gandarela,
Com seu manto todo cobre.
E Freamunde sem ela
Era por certo mais pobre.

Aqui faço uma referência e autentifico-me como Manuel Pacheco, do Aspirina B.

Cumprimentos.

Manuel Maria Ferreira Pacheco



De sarrabal a 4 de Janeiro de 2010 às 17:42
Então, não me enganei, é o Manuel Pacheco do Aspirina B!
Só faltou um pormenor no seu texto para enaltecer ainda mais Freamunde: a Festa de Santa Luzia ou Feira dos Capões. É ou não é verdade? Sabe que tenho os «rinchões» muito bem explicados no oitavo volume da colecção «Festas e Tradições Portuguesas», trabalho que elaborei para o Círculo de Leitores? São seis páginas de texto e fotografias, onde não falta a famosa receita do «Capão à Freamunde»!
Gostei de o ler, Manuel Pacheco - e também ao Rodela.
Apareça quando quiser; a «casa» é sua! (Mas talvez num post mais recente, não?)

Abraço da Sol


De sarrabal a 4 de Janeiro de 2010 às 18:00
Grave falta a minha, Manuel Pacheco. Retive o nome de Freamunde (talvez por me ser conhecido) e não referi Gandarela, a sua terra natal. Pelo muito amor e orgulho que se vislumbra no seu texto, aqui ficam as minhas desculpas sinceras - embora Freamunde também ressalte desse seu escrito...

Outro abraço da Sol


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