Sábado, 22 de Agosto de 2009

PARABÉNS, SARRABAL! (VALUPI)

                       

 
O meu convidado de hoje na «festa» do Sarrabal (o último), assina os seus textos com um pseudónimo: Valupi, bem conhecido na blogosfera, quer queiram, quer não – alguns não.
 
Tanto quanto sei, por tantas vezes dito e repetido, o pseudónimo tê-lo-à perfilhado a partir do nome de alguém – uma mulher, creio – que muito o sensibilizou ou deslumbrou. O resto, se o há, fica no segredo dos deuses. Valupi é o Valupi do Aspirina B e está tudo dito.
 
Ultimamente na «especialidade» de comentador político, consegue, diariamente, colocar no seu blog textos assinados por si, num ritmo que faz inveja (calculo) à maioria dos nossos bloggers. Abordando temas actuais, pertinentes, escritos numa clareza de ideias e de estilo que deslumbra, principalmente, a quem, como eu, tem a paixão da escrita.
 
Para o Valupi, que considero um consagrado intelectual, o acto de escrever parece ser idêntico ao de respirar. Aliás, é forçoso que o diga, não é de todo fácil para mim elaborar uma introdução como esta, para falar do exemplo brilhante de alguém que parece dar-se por inteiro à tarefa de bem escrever.
 
Tem amigos e inimigos. Seguidores e opositores. Quem lhe dê força para continuar a escrever os posts que escreve, e quem tente que mude o rumo à sua forma de pensar. Assim se consagra como um nome respeitado da nossa praça e nunca derrotado (?) perante argumentos alheios.
 
Com calma, classe, imperturbável, com um certo humor, responde aos comentários mais agressivos. Com calma, classe, imperturbável, com um certo humor, agradece os comentários simpáticos de quem também sabe o que diz.
 
Sempre achei o Valupi uma pessoa de uma inteligência pouco vulgar. Brilhante na erudição dos seus escritos, políticos ou não. Fraterno e amável na lidação com os outros. Assim o foi e é comigo. Se há (houve) alguma dúvida da minha parte, um dos seus textos (já lá vão dois anos) veio mostrar-me que sabe, ao mesmo tempo, guiar-se pela razão e pelo coração. O que não é vulgar.
 
Durante quatro meses (de Março a Julho de 2007) fui colaboradora do Aspirina B. Boas e menos boas recordações. Mas um nome ficou na minha memória afectiva: o do Valupi.
  
Resta-me estender, pela última vez este ano, a passadeira vermelha. Valupi, meu amigo, és tu quem vai encerrar este ciclo de «presentes literários» e de «festa». Podes avançar. O teu texto (e olha que texto) vem já a seguir!
 
Soledade Martinho Costa
 
A PISCINA DA SOLEDADE
  
 
 

A Soledade entrou no Aspirina B pela mão do José do Carmo Francisco. Este, pela mão do Fernando Venâncio. Este, pela minha. E eu, pela do Luis Rainha. Ou, contado de outra forma, o Luis Rainha convidou-me para fazer parte do grupo fundador donde nasceu o Aspirina B. Em Janeiro de 2006, dois ou três meses depois da inauguração, propus a esse grupo fazer-se o convite ao Fernando. Várias pessoas entraram nessa 1ª leva de mudanças no elenco, e o Aspirina B ficou diferente. A sua natureza, poucos meses depois, voltaria a mudar, com várias saídas e entradas. E assim até hoje, com sucessivas alterações na equipa de autores, como é frequente nos blogues colectivos. Para nossa sorte, a Soledade fez parte da casa durante um breve, mas muito intenso, período. Estamos-lhe gratos ― e vaidosos.

 

O que é um blogue? Dependendo da experiência de vida, e da relação com a Internet, cada um terá a sua concepção. Não há consenso, e ainda bem. Mas é frequente, para quem se inicia no meio, encontrar analogia entre os blogues e os jornais ou revistas. Apenas o veículo seria diferente, de suporte digital, mas o estatuto e os objectivos os mesmos, dizem alguns. Outros pensam o contrário: um blogue é um espaço de expressão pessoal, não regulado por qualquer etiqueta, moral ou deontologia. É um espaço informal, não convencional. Ora, quando se juntam antagónicas perspectivas num colectivo, os conflitos são inevitáveis. E foi isso que imediatamente aconteceu com a Soledade, tendo ela recebido um baptismo de blogosfera extremamente animado, feérico. A sua cultura não se conciliava com a cultura do Aspirina B, cada uma com maturidades e horizontes diferentes para explorar, o que veio a revelar-se providencial: o Sarrabal começava a nascer.
 
Alguns dos melhores momentos que passei no Aspirina B estão associados às conversas e brincadeiras que resultaram da presença da Soledade. Como ela sempre alinhou com excelente humor e galhardia, atingiram-se picos de graça inesquecíveis e homéricos. E criou-se um mito à volta de uma entidade ainda hoje misteriosa para o comum dos mortais: a piscina da Soledade. Alguns investigadores afiançam que ela nunca existiu, apenas ilusão de óptica para caminhantes no deserto urbano. Alguns eruditos pretendem ver nessa referência uma alusão simbólica a tesouros escondidos, fontes de juventude. E alguns simples, onde me incluo, sabem que a piscina da Soledade existe sempre que nos atrevemos a mergulhar nas suas plácidas e refrescantes palavras. Que inveja que eu tenho da piscina da Soledade...
 
 VALUPI
 
publicado por sarrabal às 18:15
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10 comentários:
De sarrabal a 22 de Agosto de 2009 às 18:31


Como não podia deixar de ser, venho comentar o teu texto, uma vez que fui, ao que parece, a sua musa inspiradora.

Pois é, Valupi, concordo contigo. Aqueles quatro meses tiveram a sua graça. Principalmente, no fim. Se fosse hoje, talvez o resultado fosse outro. Talvez eu não desse ensejo às muitas dezenas de comentários trocados entre todos nós: «residentes» do Aspirina B e comentadores. Mas foi um exercício salutar de escrita com humor e um baptismo de blogosfera, também, como dizes.

Agora a piscina, acredita que existe, realmente. Basta olhares a imagem. Lá estão as flores, bem viçosas, a relva, as árvores, enfim, o espaço aprazível onde continuo a alinhavar os meus textos – embora já escreva directamente no computador. A miniatura da cascata, essa, é coisa de pouco tempo. Estive recentemente na serra do Gerês, vi as lindíssimas cascatas naturais, e olha, vim inspirada e mandei fazer uma cascatazinha na piscina. Só o chapéu-de-sol é que destoa. Está a precisar de cobertura nova, como mostra a foto. Com o aniversário do Sarrabal, parece que não, mas passou um mês inteirinho. Não consegui ocupar-me de mais nada. Mas ainda este Verão o chapéu vai ficar como novo.

Quanto à inveja, não tenhas. Aparece sempre que queiras. E nunca esqueças: o que é meu, dos meus amigos é: a minha piscina é inteiramente tua, Valupi!

Soledade Martinho Costa


De aires bustorff a 22 de Agosto de 2009 às 20:18
Eu só conheço Valupi do aspirina e há relativamente pouco tempo
É um personagem com muita coragem fisisca e intelectual
para conseguir estar sempre em jogo
na defesa da sua, minha,
nossa, de muitos outros anonimos, "dama"
fico satisfeito ler estas suas palavras, Soledade
abraço
hasta la victoria, sempre!


De sarrabal a 22 de Agosto de 2009 às 23:14
Fico satisfeita por ter ficado satisfeito. O Valupi merece.
Entonces, hasta la vista, aires bustorff. Ou, fazendo minhas as suas palavras: «hasta la victoria, sempre!» - si asi lo quiere...

Outro abraço

Sol


De Valupi a 23 de Agosto de 2009 às 18:41
Foste a musa inspiradora, Soledade, confirmo sem que tal fosse necessário. E estás de parabéns pelo Sarrabal, e por tudo o resto, bem mais importante, que te levou a ele. Falo da tua piscina, claro - isto é, falo do teu amor pela vida.

Que as águas continuem a espelhar o céu.
__

aires bustorff, muito obrigado pela tua simpatia.

Grande abraço.


De Daniel a 24 de Agosto de 2009 às 03:23
Não sou de ressentimentos, e ainda hoje não sei se teria razão de os sentir a respeito do Valupi. O meu percusro no AspirinaB foi algo semellhante ao da Soledade, e por isso criei com esta uma ligação de amizade muito especial. Não tenho voltado lá, embora saiba que perco a oportunidade de me deliciar com uma das escritas mais vigorosas e belas da blogosfera - a do Valupi. De qualquer modo, a nossa vida não dá para podermos apreciar toda a beleza que há no Mundo.
Um abraço, Valupi.
Daniel


De Valupi a 24 de Agosto de 2009 às 23:30
Daniel, bons olhos te leiam.

Tens toda a razão, o teu percurso foi análogo ao da Soledade, embora com outra duração e ritmo, outro envolvimento e outras notas. Num aspecto, então, comungavam em simetria: a grande experiência da vida e das vidas e a inexperiência do meio e daquele especial blogue. O elenco que lá estava, quando entraram, não condizia com as vossas naturezas e mundos - daí os supostos conflitos e equívocos. Todavia, isso não foi um mal, foi uma diferença. A criatividade pode ser selvagem.

E, como é óbvio, o teu enorme talento em nada precisava do Aspirina B, nós é que estamos orgulhosos por termos lá o teu nome, e por termos privado como colegas de escrita com um insigne açoriano das letras e dos horizontes rasgados no mar.

Grande abraço,
Valupi


De sarrabal a 25 de Agosto de 2009 às 01:09
Gostei, especialmente, da tua frase «Que as águas continuem a espelhar o céu». Falhei quando omiti a tua faceta de poeta. Mas ninguém diga que fui generosa para contigo nas palavras com que tentei descrever-te na apresentação daquilo que entendes (no post do Aspirina B) ser o «esboço de uma futura, inevitável, biografia». Fui, apenas, sincera.

Porque não os teus posts em livro? Mais cedo ou mais tarde é, mesmo, o que vai acontecer. Não duvides!

Abraço afectuoso da Sol


De Rui Vasco Neto a 25 de Agosto de 2009 às 02:52
Este sim, mais que um blogger, é O blogger por excelência. Inteligência, cultura, criatividade, acutilância, capacidade, um nunca mais acabar de outros adjectivos, selos de qualidade, todos merecidos. Tem tudo e os olhos azuis, este fantasma que eu respeito como a poucos escribas. E por quem tenho esta espécie de amizade que foi nascendo de um relacionamento que eu vejo e sinto como um privilégio que desejo se prolongue por muitos e bons milénios.
Valupi, caríssimo: abraço-te com aquela sinceridade que sabes genuína em mim, no que te diz respeito. Um duplo prazer, por acontecer aqui, em casa da Sol. Um dia terás de pagar um café a este teu amigo. Ou, em desespero de causa, aceitarás que te pague eu um, que despesas grandes é comigo mesmo.

Daniel,
às vezes orgulho-me de ti, quando és grande. Foi o caso, este. Levas abraço também, não escaparás a este que tanto mereces.

Sol
foi bonita a festa, pá!
não poderia ter acabado melhor, não acha?
aceite um beijo, querida amiga. E de novo os meus parabéns, a fechar.

rvn


De Valupi a 26 de Agosto de 2009 às 16:46
Grande Rui, estragas-me com mimos. O teu convite para um café é uma honra, para além de um perfume a espíritos nobres, almas subidas, corações enormes.

Toma lá um abraço com sete vidas,
Valupi


De sarrabal a 26 de Agosto de 2009 às 22:23
Rui, não posso deixar de escrever mais umas palavrinhas. Só para dizer que sim, a «festa» foi bonita. Mereceu a pena e acabou bem, muito bem. A amizade quando é sincera, é uma coisa linda!

Fui mimada por todos, assim eu tenha sabido corresponder...

Beijinho

Sol


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