Quinta-feira, 23 de Julho de 2009

PARABÉNS, SARRABAL!

 
Passou um ano sobre o post que deixei no Sarrabal, a dizer que o blog contava um ano de existência. Hoje, venho lembrar que passou outro ano: o Sarrabal comemora, nesta data, o seu segundo aniversário. Dois anos de publicação de posts quase diária, coisa que sempre dá algum trabalho, convenhamos. Não tanto em relação ao que escrevo, mas à formatação do texto e das imagens, por vezes dificultada, vá lá saber-se a razão. Quem tem blogs sabe do que estou a falar. 
 
Mas, a verdade, é que se ganha um certo gosto ou hábito, em prosseguir a tarefa de colocar textos num blog, principalmente, sabendo que se tem leitores. Um amigo meu, colaborador de um outro blog, costuma dizer: «Para mim, basta-me ter um único leitor para dar o texto que escrevi por bem empregue».
 
Quando assinalei o primeiro aniversário do Sarrabal, referi que possuía um contador (o «sitemeter») e anotei o seguinte:
Visitantes: 4.252
Páginas lidas: 7.311
No espaço de mais um ano, a contagem é agora esta:
Visitantes: 34.093
Páginas lidas: 48.148
Uma diferença acentuada de números que me indica ter o Sarrabal ganho, neste segundo ano de vida, uns bons milhares de novos visitantes/leitores, que continuam a chegar, quer de norte a sul de Portugal, quer do resto do Mundo, com destaque para o Brasil.
 
Fazendo um balanço destes dois anos, anoto que optei (como é meu costume, mesmo nos meus livros) por temáticas de escrita diferenciadas: poesia, etnografia, crónica, crítica literária, investigação e contos para crianças. Por isso o blog tem o nome de Sarrabal.
 
A fim de celebrar, condignamente, este aniversário, convidei alguns dos meus amigos bloguistas a enviarem-me um pequeno texto ou poema, de escolha livre, para publicar a partir de hoje e até ao dia 23 de Agosto. Além de se associarem à «festa», com este contributo o blog só poderá ficar enriquecido.
 
Resta-me registar o meu agradecimento aos comentadores. Principalmente, aos mais fiéis, que me deixam palavras simpáticas e generosas. Bem-hajam!
 
E pronto, fica o bolo para quem desejar servir-se!
 
 
                           Soledade Martinho Costa
 
 
                                             
                                                    Guitarra portuguesa.
OUTRO ANIVERSÁRIO
  
 
A data do aniversário de Amália Rodrigues irá ficar, indissociavelmente, ligada ao aniversário do Sarrabal. Foi neste dia (23 de Julho de 2007) que coloquei aqui o meu primeiro post e lembrei Amália. Mais uma vez o faço.
 
Amália Rodrigues completaria hoje 89 anos.
 
Não sei que mais acrescentar ao que já disse da Amiga que nela encontrei. Mas Amália não morre. Não pode. Os portugueses e o Mundo não deixam. A voz única de Amália irá continuar a fazer-nos companhia. Não haverá ninguém que a iguale ou suplante. O lugar de Amália é lugar cativo. Por isso mesmo, eterno.
 
Ainda cheia de esperança, lembro-me de me haver confessado que no seu novo trabalho discográfico seria acompanhada apenas a piano. Chegou a ensaiar alguns dos temas. A doença não deixou que consumasse esse sonho. O coração não quis.
 
Dos temas por ela escolhidos haviam dois poemas meus. Mas Amália não precisava do trabalho alheio. Nunca precisou. Porque Amália era uma excelente Poetisa. Todos nós o sabemos. Enquanto a maioria dos nossos cantores são também autores das próprias letras, não dando «espaço» a quem escreve, Amália, pelo contrário, calou muitos dos seus belos poemas para divulgar os nossos poetas. Atitude nobre. Atitude solidária. Atitude inteligente.
 
«Ramalhetes» foi escrito a pensar nas flores que Amália tanto amava. Um dia, em sua casa, perguntou-me, olhando a sala: «Não acha que são flores a mais? Não lhe parece que a sala tem um perfume a igreja?».
 
Quando leu «Ramalhetes», juntou a folha de papel ao peito e disse: «Este é muito meu. Vou mandar musicar». Estavam presentes Jorge Fernando e Mário Pacheco, dois dos seus músicos. Ambos foram incumbidos de fazer a música. Mas Amália não teve tempo para cantar «as flores» que lhe ofereci. Talvez tivéssemos sido nós que nos atrasámos, quem sabe. Ou foi Amália, simplesmente, que se cansou e resolveu ir embora.
 
Para si, Amália, fica o poema que não chegou a cantar.
Com a admiração, a saudade e a amizade de sempre.
 
RAMALHETES
 
 
 
É roxo o lírio
Nas manhãs de Abril
Vermelha a cor do cravo
Por abrir
Lilás a flor da malva
Que se despe
Se o vento sopra agreste quando quer.
 
Retorna em Maio
O rubro das papoilas
De branco se vestiu o malmequer
Enquanto pelos campos
Numa festa
Fartinha de saber que faz sucesso
Acende o oiro o corpo da giesta.
 
A alcachofra em Junho é cor de anil
É cor-de-rosa velho a albardeira
Amarelo o pampilho que se prende
À espiga e ao raminho de oliveira.
 
A calcinha-de-cuco tem o tom
Cerize das roselas do outeiro
Mas cor de vinho traja o goivo bravo
No remanso da margem do ribeiro.
 
Soledade Martinho Costa
 
publicado por sarrabal às 00:14
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