Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

O TEATRO POPULAR EM PORTUGAL - «DANÇAS DE ENTRUDO» E «BAILINHOS» / ILHA TERCEIRA (VIII)

 

Parte I – Origens e Tradições
Parte II – Origens e Tradições
Parte III – As «Brincas» (Évora)
Parte IV – Da «Fama» aos «Quadros Vivos»
Parte V – «Presépios Vivos» (Estremoz)
Parte VI – «Autos Pastoris» (Figueira da Foz)
Parte VII – «Autos Pastoris» (Figueira da Foz)
Parte VIII – «Danças de Entrudo» e «Bailinhos» (ilha Terceira)
 
 
Realizam-se anualmente no Domingo Gordo e na segunda e terça-feira de Carnaval, de uma ponta à outra da ilha, a cargo de dezenas de grupos, que os apresentam nos Teatros, Colectividades, Casas do Povo e salões de festa – tempos atrás a terem lugar nos locais abertos, largos e terreiros.
 
Segundo algumas opiniões autorizadas as «danças de Entrudo» constituem-se como «o maior encontro de teatro português que se faz em língua portuguesa em todo o Mundo», decorrendo noite e dia quase sem interrupções.
 
Daí, ser uso dizer-se «vou correr as danças», no sentido de se dar a volta à ilha para assistir aos inúmeros espectáculos que durante os dias e as noites de Carnaval animam de forma verdadeiramente única toda a ilha Terceira.
 
Tradição em todos os seus aspectos surpreendente, congrega no mesmo entusiasmo uma comunidade inteira, interessada e participativa, atenta e fiel ao tipicismo destas «danças» e «bailinhos»» («bailhinhos» no dizer local, estes mais recentes) que de ano para ano se consolidam e revitalizam, de maneira cada vez mais imaginativa e sofisticada, a manter, todavia, uma característica carnavalesca muito própria, que a todos engloba na mesma alegria colectiva e contagiante.
 
Ainda o Carnaval vem longe e já os Terceirenses se organizam em grupos de voluntários, concentrados na preparação dos vistosos trajos e adereços e nos respectivos ensaios, para que tudo dê certo quando da exibição das «danças», divididas entre «danças de espada» (de teor dramático) e «danças de pandeiro» (de teor cómico).
 
Vistas como forma de expressão cultural ligada ao teatro popular da ilha Terceira, as «danças» terão sido levadas, naturalmente, pelos povoadores, facto patente nos vários espectáculos populares que reúnem o teatro e a dança, a perdurarem em diversas festividades efectuadas no Continente, caso das «brincas» de Évora, bastante semelhantes às «danças de Entrudo» da Terceira.
 
Outra semelhança consiste na «dança dos cadarços», ou «dança de pau de fitas», hoje em desuso, que exibia um mastro com fitas de cor presas no topo,  tantas quantos os dançarinos, cada um deles a segurar uma das pontas (muito popular sobretudo no Faial), a lembrar, por sua vez, o «mastro rico» ou «fuso» (contradanças) que se dançava principalmente por todo o concelho de Alenquer (Estremadura).
 
Com idênticas características ou numa concepção aproximada, vamos encontrar ainda actuantes no Continente: a «dança do cego» e a «dança dos bugios e mourisqueiros» em Valongo (Douro Litoral); a «dança das virgens» ou da «varrunvena» e a «dança das tesouras» em Lousa (Beira Baixa).
 
A juntar a dança e o teatro, as «danças de Entrudo» da Terceira reúnem os seguintes elementos:
 
Os «dançarinos das alas»: (há cerca de trinta anos com oito homens vestidos de mulher a fazerem par com outros oito, agora com homens travestidos mas também com mulheres a integrar o grupo).
 
O «velho» ou «ratão»: (figura cómica/burlesca de crítica e zombaria, espécie de compere, cabendo-lhe em tempos não muito distantes a última actuação para reforçar «a moral da história» e fazer o peditório no final do espectáculo, chamado ainda «velho da arreda», por arredar os espectadores antes e durante a sessão, personagem que passou, a partir de 1996, a aparecer menos nas «danças» e mais nos «bailinhos»).
 
O «mestre» ou «puchador»: (antigamente só homens, hoje a incluir mulheres, que tem a seu cargo orientar as marcações do grupo utilizando o indispensável apito enquanto segura um pandeiro a servir de marcador, de acordo com os toques combinados entre si e o grupo, tomando a dança, por isso mesmo, o nome de «dança de pandeiro»).
 
Os actores (em número variável) e os músicos.
 
 
 A seguir: Parte IX (Conclusão) – «Danças de Entrudo» e «Bailinhos» (ilha Terceira).
 
 
Soledade Martinho Costa
                      
                               
publicado por sarrabal às 00:42
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2 comentários:
De Dinis a 24 de Novembro de 2009 às 23:48
Muito bom texto, sou da ilha Terceira e adoro o carnaval.
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Muito bom texto, sou da ilha Terceira e adoro o carnaval. <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Parabens</A> pelo blog


De sarrabal a 25 de Novembro de 2009 às 13:37
Dinis, ainda bem que gostou do texto. Grata pela visita e pelas palavras.

Saudaç~es

Soledade Martinho Costa


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