Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

O TEATRO POPULAR EM PORTUGAL - «PRESÉPIOS VIVOS» / ESTREMOZ (V)

  

 
Parte I – Origens e Tradições
Parte II – Origens e Tradições
Parte III – «Brincas» (Évora)
Parte IV – Da «Fama» aos «Quadros Vivos»
Parte V – «Presépios Vivos» (Estremoz)
 
 
É no chamado «teatro popular de rua» ou «teatro de adro» que se inserem também os «presépios vivos» ou «autos pastoris de Natal», ainda tão enraizados na tradição rural portuguesa, a decorrerem durante a quadra que vai do Natal aos Reis, embora hoje menos frequentes.
 
Devido à divulgação e celebração do nascimento de Jesus pelos Cristãos no século IV, com maior incidência em Itália, principalmente a partir do século VII, espalhando-se depois por toda a Europa, os autos apontam como origem provável os «jogos da Natividade» e os «jogos do Paraíso», que remontam à Idade Média, representados, originariamente, nas igrejas, retratando encenações de episódios dos Evangelhos anunciando o nascimento de Cristo.
 
Em Beja usufruíam outrora de grande fama, a nível do País, os «autos pastoris» do Convento Real de Nossa Senhora da Conceição, efectuados pelas freiras franciscanas ali residentes, oriundas da nobreza e da burguesia da cidade, cujo mosteiro, nessa data, era aberto à população.
 
As freiras haviam transitado do Convento de Santa Clara, extinto em 1840 (adquirido depois pela Câmara, que manda, no ano seguinte, estabelecer no cerco o primeiro cemitério, ampliado em 1908, após a total demolição do convento), ingressando umas para o Convento Real de Nossa Senhora da Conceição, outras, de classe mais humilde, para o Convento das Franciscanas em Cuba, também no Alentejo.
 
Ainda em Beja, na freguesia de Santa Clara do Louredo, ao que parece até finais da década de cinquenta, os «autos pastoris» granjearam ali enorme tradição representados primitivamente ao ar livre, na noite da véspera de Natal.
 
Quer a população local, quer a das aldeias ao redor, indiferentes ao frio e por vezes à geada que caía, reuniam-se no adro da igreja, iluminado por archotes, onde acendiam fogueiras e tinha lugar a representação. O auto iniciava-se pelas vinte e uma horas, prolongando-se até cerca das seis horas da manhã, quando terminava a récita.
 
Agasalhados como podiam, geralmente com mantas e sentados nos banquinhos de madeira que levavam de casa, os espectadores não arredavam pé, unidos no costume mantido «desde tempos esquecidos», sempre com a mesma devoção, silêncio e rigoroso respeito.
 
Os ensaios efectuavam-se ao longo do ano, sendo os participantes, que apresentavam durante o auto um vistoso guarda-roupa, todos eles naturais de Santa Clara. Mais tarde um nobre da terra cedeu então o seu «casão» (cavalariça), onde recolhia o gado muar, deixando aquele espaço à disposição do povo para ensaiar e encenar os «autos pastoris».
 
Perdidos, embora, os autos no Baixo Alentejo, vamos encontrá-los hoje em Estremoz (Alto Alentejo), na freguesia de Santo André, onde foram recuperados em 1967 pelo actual pároco, representados no interior da Igreja Matriz de São Francisco, antes da missa ou «vigília do galo», com a encenação a prolongar-se por duas horas.
 
Do «presépio vivo», além das figuras da Virgem Maria e de São José, fazem parte os pastores, os anjos e os reis Magos, decorrendo a encenação entre música, cânticos e poesias alusivas à quadra natalícia. Numa outra localidade próxima (freguesia de Santa Maria) a representação repete-se nos mesmos moldes, recuperada ali, também ela, pelo seu pároco, desde 1982.
 
Em Santo André, nos últimos anos é costume colocar-se um burrinho e uma vaquinha verdadeiros à porta da igreja, enquanto decorre o auto na noite de Natal.
 
 
                         A seguir: Parte VI – «Autos Pastoris» (Figueira da Foz)
 
 
Soledade Martinho Costa
                  
                              
publicado por sarrabal às 00:10
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