Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

CONHEÇO-TE

 
Apetecia-me dizer-te
Que penso em ti demasiadas vezes
Embora
Não as vezes necessárias.
 
A distância que nos separa
Deixou de ter qualquer significado;
Sempre que desejo
Corro a ver-te.
 
Conheço-te
Desconhecendo a cor dos teus olhos
Entendo as tuas palavras
Sem falar a tua fala
A tua angústia
Corre nas minhas veias
Os passos que escutas nos teus ouvidos
Soam atrás da minha porta.
 
A tua solidão
É a minha solidão inundada de Sol
No meio de risos
Os teus temores
Os meus temores nas alvoradas
Dos dias sem história
Os teus sonhos
Os meus sonhos sem freio
Esclarecidos.
 
As tuas chagas
Os teus gritos
A minha impotência
A minha ânsia
De poder dizer-te:
Estou contigo.
 
Sim, contigo
Olhando pela mesma janela
A mesma nesga de segredo
Contigo
A comer a mesma côdea de pão
Que mata a tua fome.
 
A dormir o mesmo receio
Nas horas que deslizam
Orladas de suor
Pela sujidade engordurada das paredes.
 
Contigo
A tecer as mesmas madrugadas prisioneiras
Abraçada ao mesmo destemor
E ao mesmo perigo.
 
Apetecia-me dizer-te
Que penso em ti demasiadas vezes
Embora
Não as vezes necessárias.
 
 
Soledade Martinho Costa
 
Do livro "A Palavra Nua"
Ed. Vela Branca
 
 
 
 
publicado por sarrabal às 00:03
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6 comentários:
De Passos Manuel a 18 de Julho de 2008 às 12:48
D.Soledad, como é bom voltar para as suas palavras...Este verso é uma paixão secreta, numa escrita perfeita que chega ao coração de forma doce.
Muito bonito este poema, penso que vou retê-lo no meu registo por mais um pouco e, mante-lo-ei sempre no meu sorriso.
Aqui me tem de volta de férias e, a preparar-me para uma segunda "season".
Folgo em saber que gostou do Blog do Carlos e, para ser sincero, eu tinha um "pré-sentimento" que não iria ficar indifernte ao mesmo uma vez que, consigo ver, de um modo geral, pelas obras que já tem publicadas, que seria um blog ido qual ria conceretza apreciar.
Mais uma vez me despeço, já com vontade do retorno.
vou levar este poema comigo para a serra e quando voltar...quem sabe, já o sei de cor...é que gostei mesmo muito.
Com todo o respeito despeço-me com as mais cordiais saudações minha cara Escritora, eu
Passos Manuel


De sarrabal a 18 de Julho de 2008 às 19:29
Passos Manuel:
Este, não será propriamente um poema de amor. Mas depende da leitura de cada um. Como sempre, obrigada pelas suas palavras. Ainda bem que voltou ao Sarrabal. Faço votos de boa continuação das suas férias.
Saudações amigas
Soledade Martinho Costa


De Ana Maria a 24 de Julho de 2008 às 10:14
Querido sarrabal este poast é muito romântico e tristê, me faz lembrar o meu exnamorado...posso por no meu blogue?você não se iporta???' Obrigada


De sarrabal a 24 de Julho de 2008 às 23:45
Ana Maria:
Obrigada. Com certeza que pode colocar o meu poema no seu blogue. Tenho todo o prazer. Não o entendo como um poema romântico, mas cada um é livre de fazer a leitura que entender. Gostaria de saber o nome do seu blogue para visitá-la. Poderá deixar o nome aqui, no Sarrabal? Fico à espera!
Abraço da Sol.


De José Afonso Moreira a 2 de Agosto de 2008 às 17:17
Adorei este poema dona soledade.Muito amoroso.


De sarrabal a 4 de Agosto de 2008 às 20:15
Caro José Afonso Moreira:
Ainda bem que gostou. Escrevo porque gosto, mas gosto mais ainda quando aqueles que me lêem gostam também!
Tente «decifrar» o poema com outra leitura: ele não é, apenas, "amoroso". Vai noutra direcção...
Saudações cordiais da Soledade Martinho Costa


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