Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

DIA DO CORPO DE DEUS

   
Celebra a presença de Jesus Cristo na Hóstia de Deus, ao mesmo tempo que significa uma homenagem de fé e amor à presença real de Nosso Senhor Jesus Cristo no Sacramento, com o Seu Corpo e Sangue, Alma e Divindade sob as espécies consagradas – o pão e o vinho.
 
A Festa do Corpo de Deus, ou Corpus Christi, feriado nacional, é solenizada na primeira quinta-feira após a comemoração da Santíssima Trindade, uma vez que a quinta-feira Santa representa um dia de tristeza e de luto – ainda que tenha sido nesse mesmo dia que Jesus Cristo celebrou a Última Ceia, ou a primeira e a sua única missa com os apóstolos. Ou seja, o acto que assinala a instituição da Santa Eucaristia, acrescido do pedido de Jesus aos apóstolos de a divulgarem e ministrarem em Sua memória: «E Jesus tomou o pão e disse: “Isto é o Meu Corpo (…).» E tomou também o cálice (…) dizendo: «Esta é a Nova Aliança no Meu Sangue (…).»
 
Pela importância de que se reveste um tal acontecimento, ele só poderia ser comemorado mais tarde, visto a quinta-feira da Paixão não dar lugar à solenidade triunfal deste dia. Assim, já numa data em pleno tempo de alegria, criou a Igreja esta festa para louvar o Corpo de Deus na Hóstia Consagrada ou a Consagração do Triunfo do Amor de Cristo Sacramentado, celebrada fora do tempo pascal, mas ainda relacionada com a comemoração da Páscoa.
 
Instituída no século XIII em Liège, por inspiração de Santa Juliana de Cornillon, nascida em 1192, perto de Liège, na Bélgica, a Festa do Corpo de Deus recebe a bula Transiturus do papa Urbano IV em 18 de Setembro de 1264, estendendo a festa à Igreja Universal. A decisão encontra alguma resistência entre a Cristandade, só ultrapassada nos inícios do século XIV (1312), quando por insistência do papa Clemente V a questão volta a ser levantada durante o Concílio de Viena (1311 e 1312). Pouco depois (1314 ou 1316), a bula Transiturus é confirmada sob a vigência do papa João XXII.
 
Em Portugal a manifestação religiosa é aceite, tendo D. Dinis ordenado em 21 de Julho de 1318, à Colegiada de Santa Maria de Guimarães que promovesse anualmente – considerados alguns rendimentos estipulados pelo rei –, a celebração do Corpo de Deus, embora se sustente a hipótese de que a festa tenha sido desde logo comemorada no nosso País com uma procissão (Évora) a partir de 1265, isto é, no ano seguinte à bula de Urbano V.
 
Considerada entre nós a mais majestosa e solene de todas as procissões instituídas pela Igreja Católica, aponta-se a cidade de Lisboa como a primeira e a principal localidade onde o brilho e a pompa desta procissão mais se faziam notar, com o próprio rei e toda a corte a incorporar o préstito religioso. Seguiam-se Guimarães, Porto, Coimbra, Portalegre e logo outras terras importantes, em que a celebração oferecia grande solenidade e aparato – e também alguns privilégios municipais…
 
 
 
 
Hoje, continuam a ter grande fama e importância as Festas do Corpo de Deus realizadas em vários pontos do País:
  
 
Em Monção, designada Festa do Corpo de Deus ou da «Coca», é celebrada, segundo se supõe, desde o final do século XIV, embora não exista documentação que ajude a situar com exactidão o ano a que remonta.
  
 
Nesta festividade se reforça a vitória do bem sobre o mal, simbolizada no combate entre São Jorge e o dragão, realizado no Campo do Souto – sempre com o primeiro a sair vencedor da contenda.
 
 
  
Somente em Monção dão ao «monstro» o nome de «coca». O vocábulo, antigo, indica algo que apavora ou assusta; uma espécie de papão, que serve para meter medo às crianças.
   
 
  
No século XVI dava-se o nome de «coco» (côco) ao acto de meter medo aos mais pequenos. «Meter coco, ou cocos às crianças». Mais tarde a palavra terá passado para coca (côca), também com o mesmo sentido: papão. Daí, e relacionando, talvez, a palavra com o medo e o mal, foi um pulo na voz do povo até chegar à coca actual – o grande papão (similar a outros) que faz as sociedades tremerem de angústia e de susto.
  
 
Em Penafiel, sobre a data precisa do início da Festa do Corpo de Deus, pouco se sabe, a não ser que já era remota no século XVII. O imponente cortejo divide-se hoje, como antigamente, em duas partes distintas: a pagã e a litúrgica, com a primeira a abrir o desfile.
     
   
Além da figuração de São Jorge a cavalo, conduzido por quatro lanceiros, cópia da imagem original, considerada uma verdadeira relíquia, actualmente à guarda do Museu da Cidade, outras representações se destacam nestes festejos: 
   
 
O «Carro Triunfal», que transporta o «Delegado do Povo» ou «Figura da Cidade», com as suas acompanhantes, um grupo de meninas vestidas de branco.
 
 
O «Cortejo do Carneirinho» (a oferta de um cordeiro, pelas crianças das escolas do Ensino Básico, aos seus professores).
 
 
A «Dança dos Ferreiros» ou «Dança das Espadas», cujos figurantes apresentam um guarda-roupa inspirado nos trajos do século XVIII.
  
  
Como figura principal, desfila a «Serpe» – monstro descomunal, puxada por um pajem, a integrar o cortejo profano.
 
   
Em Ponte de Lima o Dia do Corpo de Deus é comemorado com as celebrações litúrgicas e com a largada da «vaca das cordas», pelas ruas, à mercê do povo, mas mantendo as regras que a tradição impõe.
 
 
Também aqui não existem certezas quanto aos primórdios da antiquíssima celebração, a não ser que a sua existência se associa aos documentos dos acórdãos da Câmara (Código das Posturas Municipais) de 1646 e 1720, e mesmo a documentos do início do século XVII.
   
 
   
A largada da «vaca das cordas» ocorre na véspera do Dia do Corpo de Deus, ou, até, na tarde do próprio dia. 
 
 
Há a salientar a beleza dos tapetes de flores naturais, a ornamentar as ruas por onde irá passar o cortejo processionário, trabalho realizado pelos seus moradores, que lhes ocupa a noite inteira da véspera do grande dia: em que a solene e grandiosa procissão fará o seu tradicional percurso pela vila.
 
  
Ponte de Lima que rejeitou ser cidade com o lema: «Antes uma vila grande, que uma cidade pequena».
 
 
Soledade Martinho Costa
 
 
 
 
In “Festas e Tradições Portuguesas”, Vol. V.
Ed. Círculo de Leitores
 
 
publicado por sarrabal às 00:35
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