Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

"O MEU MENINO É DE OIRO" - A LENDA DO VELHO BOSQUE

  
Era uma vez uma menina com olhos azuis e cabelos loiros, era bonita, tinha a face com sardas que pareciam pepitas de oiro. Tinha o nariz arrebitado e uns lábios tão vermelhos como o sangue. Era muito magrita e tinha umas mãos tão suaves que quando agarrava nas coisas, elas pareciam ter vida. Tinha umas pernas de modelo e era branquinha como a neve. Era querida, doce, ternurenta e ajudava sempre os outros. Os seus olhos eram alegres como uma festa em movimento.
 
Um dia a sua mãe abandonou-a num velho bosque onde as árvores, os arbustos e as ervas formavam um tom de verde nunca antes visto. Havia muitos eucaliptos e pinheiros; havia arbustos com bagas, como amoras e fambroesas; também havia flores, como tulipas, rosas, margaridas e girassóis. Tudo isto formava uma beleza incomparável e um perfume maravilhoso, uma mistura de celestial com um cheiro forte. No bosque havia uma ribeirinha com água transparente e cristalina. Os peixes que lá nadavam eram coloridos e animados, havia rochas reluzentes que brilhavam com o Sol.
 
Na noite em que a mãe da menina de olhos azuis, que era assim que se chamava porque não tinha nome, a deixou no bosque estava a chover e ela ainda tinha oito anos. Ficou abrigada no único carvalho que havia no bosque.
 
De manhã estava uma brisa matinal que despertava as flores com um toque musical. Mas mesmo assim, estava uma atmosfera triste porque a menina de olhos azuis estava a chorar. Os poucos veados, os coelhos e os rouxinóis tentavam animá-la com festinhas na face com sardas. A menina de olhos azuis animou-se e construiu uma casinha com madeira. Comia bagas, bebia água da ribeirinha e tinha a companhia dos animaizinhos. Vivia feliz e assim viveu durante dez anos.
 
Num dia de Sol, a menina de olhos azuis viu uma velha. Esfregou os olhos para ver melhor, mas a velha tinha desaparecido. A menina de olhos azuis foi ver o sítio e foi engolida pelo chão. Depois perdeu os sentidos.
 
Quando a menina de olhos azuis acordou estava num templo: uma sala espaçosa com grandes pinturas nas paredes de guerreiros e deuses. Os desenhos tinham cores fortes e havia um toque dourado que dava magia à sala. De repente a porta abriu-se e dois homens corpulentos com máscaras e pinturas na cara, atiraram a velha para a sala e depois fecharam a porta com estrondo. A menina de olhos azuis perguntou à velha:
- Quem é você?
- Isso agora não interessa, temos que sair daqui. Há um buraco ali ao canto. Vamos!
A menina de olhos azuis e a velha foram de cócoras e passaram pelo buraco. Mas a menina de olhos azuis tinha uma sensação esquisita, ela sabia que já conhecia aquela cara. Quando já iam a fugir, os dois homens apareceram e disseram:
- Vocês estão…
Mas quando olharam aqueles olhos azuis da cor do mar, eles começaram a prestar vassalagem à menina de olhos azuis e a velha disse:
- Ah! Já me esquecia que tu tinhas olhos azuis.
- O quê? Alguém me explica o que se está a passar?
- Não me reconheces?
- Mãe! – Gritou.
- Filha! – Gritou também.
Abraçaram-se carinhosamente e depois a mãe disse:
- Vamos para o templo e comemos algumas especiarias enquanto eu te conto o que aconteceu.
Entraram no templo e comeram ervas com chá e a mãe da menina de olhos azuis disse:
- Eu meti-te neste bosque porque não conseguia tratar-te bem. Quando eu fui embora eu fui sugada pelo chão e fui dar a este templo. Estes dois homens disseram que me iam condenar à morte se eu não lhes procurasse comida. Por isso é que me viste no bosque. Com os dez anos que foram passando eu aprendi a língua deles e as lendas. Havia uma lenda que um dia uma menina de olhos azuis os iam salvar da fome e tem graça que eles davam um nome igual ao que eu te queria dar! Evolet. Percebes agora, minha querida filha?
- Sim. Evolet…Que bonito nome!
A partir daí Evolet e a sua mãe viveram felizes no velho bosque e Evolet trazia sempre comida para os dois amigos do templo.
Isto é uma lenda: a lenda da menina dos olhos azuis.
 
Rafael, o escritor (9 anos) – texto não corrigido.
 
 
publicado por sarrabal às 00:36
link do post | comentar | favorito
|
2 comentários:
De aflores a 10 de Abril de 2008 às 18:40
Coincidências ou não...a minha mãe cantava uma canção para eu dormir, que se chamava "O meu menino é de oiro". Não sei se era esse o nome ou o refrão, mas...que me lembrei que era difícil eu "adormecer", lá isso era.
Quanto ao "arrepender-me"...sim, mas daquilo que não faço/não fiz.
Mas esta é a minha opinião. Gostei de passar por aqui.
Tudo de bom;)


De sarrabal a 10 de Abril de 2008 às 20:01
aflores:
A canção é esta: "O meu menino é d'oiro/É d'oiro fino/Não façam caso/Que é pequenino"...
Linda letra de Zeca Afonso, cantada por ele e, mais tarde, pela Dulce Pontes - pelo menos.
Não faço/Não fiz? E quando pensamos fazer uma coisa e não a fazemos? Podia ter feito, não fiz, agora é tarde. Arrependi-me!
Gostei que tivesse gostado de passar por aqui. Vou até ao seu blog, que não conheço.
Até já. Saudações cordiais da Sol.


Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Outubro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


.posts recentes

. CALENDÁRIO - OUTUBRO

. 1 DE OUTUBRO - DIA MUNDIA...

. «O NOME DOS POEMAS»

. HISTORINHA - O MOCHO E A ...

. A CONTRACAPA DE «O NOME D...

. O MEU NOVO LIVRO «O NOME ...

. A VOZ DO VENTO CHAMA PELO...

. ALGUMA COISA ACONTECE

. HISTORINHA - A TOUPEIRA E...

. CALENDÁRIO - AGOSTO

. LEMBRAR AMÁLIA

. PARABÉNS SARRABAL - E VÃO...

. CERTEZA

. SÃO JOÃO - O SOL E AS PLA...

. PORTUGAL A ARDER - O FOGO...

. HISTORINHA - A ABELHA E O...

. ALGUÉM SE LEMBRA?

. SANTO ANTÓNIO - AS MARCHA...

. CANTO DO VENTO

. ZECA AFONSO

.arquivos

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

.links

.Contador

conter12
blogs SAPO