Quinta-feira, 28 de Setembro de 2017

«O NOME DOS POEMAS»

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Do escritor, poeta, jornalista e crítico literário José do Carmo Francisco, esta apreciação sobre o meu novo livro «O Nome dos Poemas»:

 

«O Nome dos Poemas» de Soledade Martinho Costa

 

Toda a Poesia (mistura de canção e reflexão) procura a síntese e no caso de Soledade Martinho Costa essa busca existe desde 1973 quando publicou o livro «Reduto». O projecto inicial da autora do livro era um desafio («Publicar poesia numa revista semanal») e data de 1999 quando os primeiros 20 poemas do volume foram publicados na Revista «Notícias/Magazine», do «Diário de Notícias». Os restantes 33 poemas estão inéditos. Dos iniciais 20 poemas, como sugestão de leitura, damos citação a dois deles: «João de Melo - Coloque-se a infância / No meio de uma ilha / Acorde-se a distância / No olhar. / Tome-se nas mãos / A neblina / Dê-se o coração / À voz do mar» ou «Isabel Silvestre – Água / Serias rio ou fonte / Regato que murmura / Entre dois lírios. / Ave / Um noitibó / Escondido / Entre as dobras de um lençol / Mas porque assim te queres / Terra e raiz / E tanto aquece / o matiz da tua voz / Só posso comparar-te / Ao próprio sol.»

Dos restantes 33 poemas uma nota especial para os poemas de Rodrigo Leão e de Maria Velho da Costa. O primeiro: «A música da chuva / Dos regatos /Das aves / E do vento / Do mar em fúria /Amante das maresias. / Ao homem /Coube ouvi-la / E copiá-la. / Juntou-lhe o coração / A alma / O génio / E conseguiu a fórmula / De todas as magias». A segunda: «Porque os tempos não eram / O que hoje são / Mais a voz se elevou / A inundar de luz a escuridão. / Rompeu feita coragem / Sem medo ao medo / a fustigar as normas / E o preconceito que regia a mulher e a Nação / No mesmo jeito / Três Marias souberam / Denunciar a palavra / Calada e ofendida / Como se fora um só nome / E uma só mão.»

Estamos em 2017, quase 20 anos passaram e os poemas continuam a surpreender como em 1999 conforme Sofia Barrocas escreve no prefácio: «Arriscaria mesmo dizer que daqui a vinte anos estaremos a lê-los com o mesmo espanto e prazer com que o fizemos da primeira vez.» Tal como no título do seu primeiro livro («Reduto») estes poemas de Soledade Martinho Costa resistem num reduto ao tempo que passa. À sua erosão, ao seu desgaste e ao seu esquecimento.

 

(Editora: Vela Branca, Prefácio: Sofia Barrocas, Revisão: L. Baptista Coelho, Capa: Victor Gabriel Gilbert, Separador interior: Peter Mork Monsted)

 

José do Carmo Francisco

 

 

publicado por sarrabal às 21:33
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Sábado, 23 de Setembro de 2017

HISTORINHA - O MOCHO E A CORUJA (Para os mais pequenos)

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- Ora, boa noite, bons olhos o vejam! – diz a coruja para o mocho, seu companheiro e ave de rapina nocturna como ela – Há muito que não aparece por estas bandas. Por onde tem andado, se não é segredo?

- Olhe, minha amiga, mudei de casa.

- Mudou de casa!? Não sabia! – espanta-se a coruja, num pio prolongado.

- Pois é verdade. – continua o mocho – O buraco onde vivia, no tronco de uma azinheira, começou a ser pequeno. Então, mudei-me para um outro maior, na fraga do monte.

- E fica longe? – interessa-se a coruja.

- Oh! amiga Coruja, essa pergunta nem parece sua! Para quem possui asas como nós, acha que a distância é coisa importante!?

- Claro, tem razão! – exclama a coruja embaraçada.

É a vez de o mocho perguntar:

- E por aqui, como vai a caça?

- Assim-assim. No Outono, é o costume. Os ratos do campo começaram a procurar refúgio nos currais e nos celeiros. Os arganazes escavam as galerias onde vão dormir um sono até chegar Abril. Os lagartos, agora mais friorentos, já aparecem pouco. Restam os insectos e os morcegos… – informa a coruja, que logo quer saber: - E lá pelos seus lados, compadre, há mais fartura?

- A mesma coisa. É o Outono, como a comadre disse – replica o mocho. – Eu bem adejo as asas sem fazer barulho; graças à leveza das minhas penas, sou tão silencioso que ninguém dá por mim. Mas estes meses, são meses ruins – acrescenta no seu piar sonoro e sempre triste.

- Lá isso, é verdade – pia a coruja, numa aprovação.

E seguem ambos, de ramo em ramo, num adejar feito de lendas e segredos. Ouvidos atentos, olhos a investigar a noite. Que tanto a coruja como o mocho têm boa visão, embora não suportem muito bem a luz do dia.

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro “Histórias que o Outono me Contou”

Ed. Publicações Europa-América

 

publicado por sarrabal às 01:57
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Sexta-feira, 15 de Setembro de 2017

A CONTRACAPA DE «O NOME DOS POEMAS»

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 Dois dos nomes destes poemas. Espero que gostem! (Não ficou na foto a barrinha em baixo. Paciência!)

 

SMC

publicado por sarrabal às 22:47
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O MEU NOVO LIVRO «O NOME DOS POEMAS»

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Reune 53 «retratos poéticos» de figuras públicas consagradas, das artes e das letras. Iclui um depoimento inédito de Amália Rodrigues. Estará nas livrarias a partir do dia 10 de Outubro.

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 22:40
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A VOZ DO VENTO CHAMA PELO TEU NOME

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Se algum dia chegasse a libertar-me

Deste laço a tornar-me prisioneira

Voltaria de certeza a enlear-me

No teu braço que me traz nesta cegueira.

 

Tão certa do que digo e do que faço

Espero por ti parada frente ao tempo

Como um retrato antigo de menina

Com um bouquet de rosas no regaço.

 

Sem esperança de esquecer-te

E de encontrar-me

Meu coração aos pés

Da tua imagem

Sou a pedra que mora sob o rio

Mas com ele não parte de viagem.

 

E quando o dia morre na voragem

Das horas que se apressam sem retorno

Acendem-se as estrelas na paisagem

E a voz do vento chama pelo teu nome.

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro «O Tempo (En)cantado»

 

publicado por sarrabal às 22:35
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Domingo, 3 de Setembro de 2017

ALGUMA COISA ACONTECE

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Se o dia vier ao Mundo

Em que o gelo nos aqueça

E o Sol no céu arrefeça

O calor das nossas veias

Esse será o sinal;

Decerto que a nosso lado

Alguma coisa acontece.

 

E se o riso

Que ontem vinha

Alegrar a nossa face

Morre aos poucos

Esmorece.

 

Nesse dia pedirei

A quem tiver

Por dentro de cada dia

Nada ter

A força que tem o vento

Que atravessa o pensamento

E liberta a nossa voz.

 

Nesse dia pedirei

À pressa que tem a vida

Que modere essa corrida

Da nascente até à foz.

 

E se ao longe há um veleiro

Que se perde atrás do mar

Que se afunda em nosso olhar

Onde a água é nevoeiro.

 

Chamarei

Companheiro desta dor

E da raiva cada vez maior

Aperta na minha mão

O que a tristeza juntou.

 

Na estrada que percorremos

A desdita é coisa pouca

Comparada ao que sobrou.

 

Nesse dia pedirei

A quem tiver

Por dentro de cada dia

O amor.

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 16:45
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