Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2015

BOM NOVO ANO 2016!

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 São os votos do Sarrabal a todos os seus leitores.

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 00:42
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Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2015

FELIZ NATAL 2015!

Cópia de Cópia de IMG_3686.jpg

 A todos os meus leitores desejo um Santo e Feliz Natal!

 

Soledade Martinho Costa

 

(Foto protegida ao abrigo do código do direito de autor)

publicado por sarrabal às 01:20
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Terça-feira, 22 de Dezembro de 2015

EXCERTO

Cópia de Cópia de IMG_3191.jpg

«[…] houve uma solução para a minha teimosa aversão às filhoses. Numa manhã em que nós, as crianças, nos dirigimos à cozinha para ver os presentes, tinha eu no meu sapato, além dos brinquedos, um cartucho de papel pardo (será que existe ainda tal coisa?) cheio de filhoses. Os direitos de autor […] desta criativa ideia vão inteirinhos para a minha tia Bé. Disse-me ela, perante a minha deslumbrada admiração, que fazia mal em não comer aquelas filhoses, porque não eram iguais às outras. Aquelas «tinham sido feitas no Céu pelo Menino Jesus». Agarrei no cartucho como o presente mais precioso que alguma vez tivesse recebido. E saboreei como coisa divina as filhoses […] que as fazia totalmente diferentes das que via amassar na cozinha da avó Maria Estrela. E nunca mais, até hoje, me parece ter comido outras com o mesmo sabor do «logro» da minha infância. Imaginava o Menino Jesus lá no Céu, de manguinhas arregaçadas, às voltas no alguidar com a tarefa de aprontar a massa das filhoses. E fiz com elas o que costumo fazer com os livros: fecho o livro e comparo. Quando já li mais páginas do que as que me faltam ler, passo a reduzir o tempo de leitura. Para render. Foi exactamente o que fiz com as filhoses: fui olhando para dentro do cartucho e comparando. Quando já faltavam poucas, dava só uma trincadinha. E assim as fui comendo, até restar apenas o cartucho. Nos Natais seguintes, as «filhoses do Menino Jesus» passaram a ser o presente mais ansiado por mim na manhã do Dia de Natal. Por poucos anos, porque a infância passa depressa. Foi um sonho lindo com cheirinho a canela. Mas como os sonhos se vão perdendo de nós sem nos pedirem licença, também esse se foi afastando de mim ao longo do tempo, até chegar hoje, intacto, a esta página que escrevo.»

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro «Uma Estátua no Meu Coração»

Edições Vela Branca

 

publicado por sarrabal às 20:37
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Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2015

COMO SE FOSSE HERÓDES O MOTIVO

14150295_9hkw2.jpeg           

Que foi que aconteceu

Jesus?

Eu peço que me digas.

 

Se o meu olhar agora

É mais profundo

Se a minha esperança

É quase uma saudade

E se instalou o medo

Pelo Mundo.

 

Que foi que aconteceu

Jesus

Nesta Noite de Incenso

E liturgias?

 

Onde estão os pastores

E os seus afagos

Porque vestem de luto

Os Três Reis Magos

Que te oferecem no berço

As mãos vazias?

 

Que foi que aconteceu

Jesus?

Eu peço que me digas.

 

A razão desta angústia

Deste peso

Que em mim se fez pertence

E fez cativo.

 

Desta mágoa

Que me chega ao coração

Como se fosse Heródes o motivo.

 

Desta mágoa

Que me chega ao coração

Em línguas que não falo

Nem conheço.

 

Em línguas

Onde apenas reconheço

Em cada direito violado

Em cada morte

Em cada grito

O choro das crianças

Universal e aflito.

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro a publicar «Um Piano ao Fim da Tarde»

Tela: «Madona e o Menino» (pormenor), Sandro Botticelli

publicado por sarrabal às 02:10
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Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2015

EXCERTO

 

 Uma estatua - capa completa.bmp

 

«Uma preocupação constante para mim, mal se aproximava o Natal, era como entravam o Menino Jesus e o Pai Natal pela chaminé. O receio de o Menino se magoar ou de o Pai Natal escorregar e cair no fogão da cozinha – pior ainda se o peru estivesse ao lume. Nos Natais da minha infância, o peru ficava sempre a cozer até altas horas (principalmente se fosse um peru já velho), enquanto decorria a Consoada. De manhã estava ainda quente, e depois era só continuar a cozinhá-lo para ser servido no almoço do Dia de Natal. (…) A sala grande da avó Maria Estrela apinhada de família, a grande mesa cheia de lugares para tanta gente, as nossas correrias pela sala e pela casa inteira (minhas e dos meus primos), o cheirinho bom, vindo da cozinha, as mãos da minha mãe e das minhas tias enfiadas nos grandes alguidares, mangas arregaçadas, a mexer a farinha misturada com a abóbora, o fermento e os ovos. Alguidares tapados depois com um pano, para que a massa levedasse até chegar a altura de as frigideiras a receberem, colherada a colherada, num ritmo certo, para dançarem de roda no óleo fervente. Deitadas a seguir nas travessas, o açúcar por cima, a canela, o cheirinho no ar, a anunciar uma noite e um dia especiais no calendário dos nossos poucos anos. A expectativa da chegada dos presentes pela manhã na velha chaminé, trazidos pelo Pai Natal ajudado pelo Menino Jesus. A noite, sempre agitada, exactamente por isso. Tanta coisa boa e tão longe a dormir o sono da distância quando a casa era habitada pelas vozes das palavras todas. Pelos risos (ainda) felizes, na comunhão de uma grande família, amiga, unida, fraterna.»

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro «Uma Estátua no Meu Coração»

Edições Vela Branca

 

publicado por sarrabal às 21:32
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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2015

OUTROS NATAIS

«Natividade de cristo», Domenico Ghirlandaio,Cap

Onde a magia dos Natais de outrora

O presépio dos olhos da infância

São José, a Virgem, o Menino

Figuras modeladas

Quase gente

A mostrar-se ao espanto

Dos pastores que vinham

Em fila pelo musgo dos caminhos

Para ofertar cordeiros e presentes.

 

Onde a azáfama do rumor das mãos

Nos alguidares de barro onde a farinha

A abóbora, os ovos, o fermento

Tomavam forma e gosto tão distantes.

 

Aonde o sono arredio que não vinha

Nessa Noite Sagrada em que os pinheiros

Choram saudades de bosques e de estrelas

Sob a caruma de luzes e de enfeites.

 

Onde o mistério que seguia os passos

Dos adultos no ranger das tábuas

Em nossos passos furtivos de criança

Na ânsia de encontrar em qualquer canto

De barbas e de saco o Pai Natal.

 

Quantos Natais assim em que a Família

Se reunia inteira à grande mesa

Da sala de jantar tão velha e gasta

Mas que nessa noite por magia

Transformava em cristal os vidros baços.

 

Quantos presépios retidos na memória

Quantos aromas ainda a Consoada

Quantos sons a deixar nos meus ouvidos

Os risos, os beijos, os abraços.

 

Quantas imagens cingidas na penumbra

Desta lembrança que se fez saudade

Dos rostos, dos gestos, das palavras

Na lonjura das vozes e da Casa.

 

Noite Divina em que torno a ser criança

Ante o meu olhar adulto e me desperto

Na emoção que nos traz os anos:

 

O meu Natal é hoje mais concreto

Mas muito menos belo e mais deserto.

 

Soledade Martinho Costa

 

Do livro a publicar «Um Piano ao Fim da Tarde»

Tela: Domenico Ghirlandaio

 

publicado por sarrabal às 18:48
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Domingo, 13 de Dezembro de 2015

ÁRVORE DE NATAL - ORIGENS

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Remontará, supostamente, à Antiguidade, quando no solstício do Inverno era hábito decorarem os templos e as casas com folhagem (símbolo da vitória da vida sobre a morte), ritual pagão que tinha por finalidade “revigorar e reverdecer a natureza e apelar aos espíritos das árvores o seu regresso na Primavera, para tornarem a cobri-las de folhas”.
 
Outra hipótese para a sua proveniência, leva-nos à Idade Média, altura em que terá feito a sua aparição integrada nos «Jogos da Natividade» ou «Jogos do Paraíso», celebrados a 24 de Dezembro em Estrasburgo (capital da Alsácia) , alusivos a Adão e Eva (segundo parece, a darem depois origem aos «presépios vivos», cujos primeiros textos foram localizados naquele país). Nestas representações, a simbolizar a «Árvore do Paraíso», era escolhido o abeto para nele se colocarem as maçãs. Uma outra menção, de 1605, indica que nessa data os Alsacianos enfeitavam as suas casas com abetos ornamentados com gravuras douradas, maçãs e guloseimas. Noutra versão, o abeto terá sido escolhido devido à sua configuração (triangular), representando, com os seus três bicos, a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.
 
Na corte de França, em 1711, tentou lançar-se, pela primeira vez, o hábito da árvore de Natal, mas a intenção não resultou. A figuração da árvore natalícia veio a consolidar-se, fazendo a sua aparição nas Tulherias, somente em 1840. Na Alemanha, a árvore de Natal (enfeitada com papel de cor em honra de Nossa Senhora) foi adoptada em 1772, costume seguido, um pouco mais tarde, pela família real de Inglaterra.
 
Em 1861 surge na América (levada pelos emigrantes alsacianos) e em 1863 aparece na antiga Checoslováquia. A partir daí, a árvore de Natal é considerada e aceite, definitivamente, como elemento decorativo alusivo à Natividade por muitos outros países, como a Suécia, a Holanda, a Noruega e a Rússia.
 
Muitas são também as suposições para a colocação das velas na árvore natalícia (símbolo de Cristo como a Luz do Mundo), uma delas associando a sua origem, uma vez mais, aos Alsacianos, que terão introduzido esta variante de enfeite de árvore no século XVII, conforme asseguram documentos datados dessa época – velas hoje representadas pelas lampadazinhas de cores.
 
Para a iluminação dos abetos no Natal (em Portugal substituídos pelos pinheiros), existe uma lenda que conta “ ter-se perdido um cavaleiro, homem bom e crente, numa grande floresta na noite de Natal. Para o ajudarem a encontrar o caminho de casa, os anjos do Natal enfeitaram, então, com estrelas o maior abeto da floresta, assim iluminando a densa escuridão, para orientar o bondoso cavaleiro”.
 
Soledade Martinho Costa
 
Do livro «Festas e Tradições Portuguesas”, Vol. VIII
Ed. Círculo de Leitores
publicado por sarrabal às 01:36
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