Quinta-feira, 23 de Julho de 2015

PARABÉNS SARRABAL - E VÃO 8 ANOS!

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Pois é verdade, passaram oito anos, desde que iniciei este blog. Assiduamente, venho publicando os meus posts, não com a pontualidade do início, é certo. Mesmo assim, sempre seguindo a linha que optei e à qual estou directamente ligada – a literária. Vejo que continuo a ter os meus leitores, uns dias mais, outros menos, como é natural. Mas que nunca faltam, é uma verdade. Comentários, isso, é que não. Naturalmente, porque existe um ponto de convergência social e virtual, chamado Facebook, ao qual as pessoas aderiram massivamente. Numa concorrência e dinâmica que funciona em moldes bem diferentes daqueles que regem os blogues. Nestes é notória alguma distância, alguma frieza, entre os bloguistas e os comentadores, provavelmente porque quem comenta é quase sempre alguém desconhecido. Utilizam-se muito os pseudónimos, mesmo assinados com nome próprio, coisa que não acontece no Facebook. Quem comenta, tem a própria foto, que serve para identificação. Não há dúvida de que nesta rede social, acontece um convívio mais amplo e mais aberto entre todos, coisa que não se verifica num blogue. Nestes oito anos, muitos e bons blogues foram ficando pelo caminho, por uma razão ou por outra. Destaco quatro: GARATUJANDO (Carlos Ferreira); SETE VIDAS COMO OS GATOS (Rui Vasco Neto); FRUTOS DE MIM E MAR (Maria Isabel Fidalgo) e O ESPÓLIO (Daniel de Sá). O Sarrabal, vai continuando, enquanto achar que merece a pena – mesmo sem comentários! Grata aos que me lêem, porque me dão motivo para prosseguir. Faço votos para que, no próximo ano, nos voltemos a encontrar por aqui. Deixo-vos o meu agradecimento, e estas 8 velinhas a testemunhar que o tempo passa a correr.

 

Soledade Martinho Costa

 

OUTRO ANIVERSÁRIO - LEMBRAR AMÁLIA

 

Iniciei este blogue no dia 23 de Julho de 2007. Propositadamente, por ser o dia do aniversário do nascimento de Amália Rodrigues. Sempre a tenho lembrado. Mais uma vez o faço. E, mais uma vez, com a lembrança inesquecível de ter tido o privilégio da sua amizade e da sua presença - atenuada pela sua voz, intemporal, que nos legou como herança. RIP

S.M.C. 

AMALIA E AS FLORES.jpg

 

 

 

 

 

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Sábado, 18 de Julho de 2015

EXCERTO

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«Não me lembro do ano em que voltei à casa da minha avó. Nem vou voltar nunca mais, embora a casa continue lá. Quando voltei, tinham passado muitos anos, tinham emudecido todas as vozes. O silêncio, tão grande! Ao contrário do espaço, muito mais pequeno, revisitado agora com os meus olhos adultos. Mas lembro-me de todos os recantos da casa, de muitos objectos, dos móveis: do armário, muito antigo, de madeira avermelhada e polida, alto, quase a tocar o tecto, com duas largas portas envidraçadas. Pertencia à minha tia Maria Eduarda. E eu a pedir, sempre que ia de visita a casa da avó Maria Estrela: –Tia Maria Eduarda, posso ir ao armário? E a minha tia, a sorrir, a dizer-me logo que sim, mas a avisar: – Olha que não tenho lá nada de jeito, filha! Mas tinha. Tinha sempre: um pedacinho de bolo, um frasquinho de mel, um naco de marmelada, doce de tomate, uns biscoitos. E eu, que não era gulosa, a saber-me tão bem comer um bocadinho de qualquer coisa que a tia guardasse. Havia outro louceiro (naquela altura chamado «aparador»), o da tia Bé, despido de qualquer gulodice. Menos antigo, mas também com diversos encantos para mim: um aquário que nunca viu sequer um peixe, colocado sobre a pedra mármore, com duas aves de asas abertas, pousadas no rebordo de vidro, e um arlequim de loiça vestido de preto e branco a tocar um harmónio. Na parte de cima, chávenas de chá muito ordenadas na sua fila, penduradas nos grampos, a estremecerem quando o soalho, ao peso dos passos ou das nossas correrias de criança, as fazia baloiçar, levemente, num pendular gracioso, ao som do tilintar dos copos – que não eram de cristal. Em baixo, as duas portas onde o meu tio Zé guardava alguns livros e revistas, principalmente as revistas do tempo da guerra, a mostrar ao nosso olhar da infância (sempre que, por descuido, as portas ficavam abertas) os horrores dessa época, imagens de homens, mulheres, crianças, soldados, aviões em chamas – aviões em chamas que, passados tantos anos, guardo ainda na memória dos meus olhos. E o cheiro da tinta dessas revistas. […] E as janelas, tantas janelas na casa! […] Noutras dependências, muitas, muitas outras coisas, de que me recordo. De que me vou recordar sempre. Porque será que a infância e o que a ela está ligado nunca se separam de nós? Quanto mais o tempo passa, mais se vive do passado. Isto é, quanto mais envelhecemos, mais nos aproximamos da infância, dessa infância que se agarra à nossa pele, aos nossos olhos, ao nosso coração. Muito mais os rostos e as vozes daqueles que já cá não estão, e nos amaram, nos fazem companhia, nos falam e nos escutam nas palavras que não dizemos.»

 

Soledade Martinho Costa 

Do livro «Uma Estátua no Meu Coração»

publicado por sarrabal às 01:37
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Domingo, 12 de Julho de 2015

FUGA

7555302_CAYyU.jpeg                                                                           «Neptuno e Anfitrite», Jacob de Cheyn

                                                                                              

Talvez houvesse areia

E tu sorrisses

Talvez houvesse mar

Fosse uma praia

E um búzio sibilino

Anunciasse

Que te aguardavam ninfas e tritões.

 

Talvez houvesse vento

E tu partisses

Talvez houvesse lua

Fosse um espelho

E um hipocambo de oiro

Te levasse

Ao reino de Anfitrite e Neptuno.

 

Talvez houvesse esperança

E tu esperasses

Talvez houvesse ceptro

Fosse um trono

E Nereu te oferecesse um diadema

E com ele adornasse

Os teus cabelos.

 

Talvez houvesse paz

E tu dormisses

Talvez houvesse alguém

Fosse uma voz

E Tétis no seu peito

Te acolhesse

Como se fosses o filho de Peleu.

 

Talvez houvesse tempo

E tu pudesses

Talvez não fosse Inverno

Não chovesse

Não fosse noite

E medo

E punição.

Talvez não existisse

Um rouxinol

Cativo do seu canto

Nos teus pulsos.

 

Os vinte anos da tua solidão

Talvez tu próprio

Um dia

Mos contasses.

 

Talvez houvesse fome

Fosse amor

E o teu desejo tão-só

De que a matasses.

 

Soledade Martinho Costa

Do livro a publicar «Um Piano ao Fim da Tarde»

publicado por sarrabal às 17:23
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Sexta-feira, 3 de Julho de 2015

FESTAS DO COLETE ENCARNADO - VILA FRANCA DE XIRA

 

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Vila Franca que te vestes

Sempre de verde e vermelho

Com meias de renda branca     

Que te sobem ao joelho.

 

Na mão ergues um pampilho

Bem acima da montada

Para guiar um novilho

Que se afastou da manada.

 

Como enfeite tens o rio

E a Senhora de Alcamé

Tens o melão e as barcaças

A dormir ali ao pé.

 

Tens o «Colete Encarnado»

E a bela sardinha assada

Juntinhos na tradição

Que em ti encontrou morada.

 

Tens lezírias, tens touradas

As cheias calham-te em sorte

Tens na tua capelinha

O Senhor da Boa Morte.

 

Quando chega o mês de Outubro

Toureiros vestem-te de oiro

E tens as esperas do povo

A correr atrás do toiro.

 

Danças com garbo o fandango

Tens Soeiro e tens Redol

Tens o Tejo no Inverno

A servir-te de lençol.

 

Na alma tens os “Gaibéus”

No coração tens os “Esteiros”

E manténs a tradição

Nas redes dos avieiros.

 

Soledade Martinho Costa

 

publicado por sarrabal às 04:09
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