Segunda-feira, 23 de Julho de 2012

PARABÉNS SARRABAL - E VÂO 5 ANINHOS!

 

E foi assim. Sem dar por isso, mais um ano passou, aqui, pelo Sarrabal. O blog comemora hoje 5 anos de existência, sempre a publicar post atrás de post, abordando variados temas, embora, quase exclusivamente ligados à Literatura.

 

Sem nos pedir licença, o tempo passa, e quando nos apercebemos, estamos, novamente, a celebrar mais um 23 de Julho, data deste aniversário.

 

O blog continua a ter os seus leitores, cujo número de visitas e de páginas lidas posso avaliar pelo contador, o Sitemeter. Em ambos os casos, tenho verificado um aumento significativo de visitantes: neste momento, 186 mil e mais de 259 mil páginas lidas.

 

Dou-me por satisfeita, uma vez que já referi ter feito a opção de não publicar no Sarrabal, desde o início, posts de índole política, desportiva e outras. Prefiro publicar os meus próprios textos – raramente um ou outro de amigos meus.

 

Desejo prosseguir, se, para tanto, o entusiasmo inicial (e actual!) se mantiver. Deixo o meu agradecimento a todos os leitores – particularmente aos mais fiéis. Tudo farei para continuar a merecer as visitas feitas a este blog.

 

Deixo-vos também o bolinho da praxe (desta vez de chocolate!) para dividir por todos vós, neste dia de festa e de celebração. Que nos voltemos a encontrar daqui por mais um ano. Até lá, fica o meu renovado agradecimento e a minha amizade endereçada a todos os leitores.

 

Soledade Martinho Costa

  

                                                     OUTRO ANIVERSÁRIO     

                 

              

 

                                           AMÁLIA FARIA HOJE 92 ANOS

 

                                     

    

NOSSA SENHORA DO FADO
 
Vestiram-se de luto
As cordas das guitarras.
Calou-se a tua Voz
companheira de longas caminhadas.
 
Lembrar agora as tuas mãos
em sobressalto
e a solidão do teu olhar
é mais do que saber de ti
onde tu moras.
 
É dizer que as rosas
também choram
quando lhes falta quem as ame.
 
Recordo a tua sala
os sons, a luz
o teu retrato, o teu piano
os objectos dispersos
em sítios que a memória traz.
 
Hoje, o teu nome
como da ave o roçar da asa
bate diariamente à tua porta.
 
Sobe os degraus de pedra
e vai procurar-te
ao lugar onde não estás.
 
Tu continuas a ser a tua casa.
                               
           

Soledade Martinho Costa                                              

                                                                           

 

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Sexta-feira, 20 de Julho de 2012

MORREU JOSÉ HERMANO SARAIVA

 

 

Quando em 1999 realizei o trabalho «Por Mão Própria», publicado semanalmente durante seis meses na revista «Notícias/Magazine», do «Diário de Notícias», o Prof. José Hermano Saraiva foi uma das figuras públicas que convidei para responder ao «inquérito». Dias depois, enviou-me a obra-prima que publico abaixo.

Já tinha publicado este mesmo texto no «Sarrabal» em 6 de Fevereiro de 2011. Volto a publicá-lo agora, como última e sentida homenagem de amizade e de pesar pelo seu falecimento.

Acompanhei, desde o início, a sua doença. Resta-me apresentar a toda a Família as minhas condolências – particularmente a sua Esposa, Dona Maria de Lurdes e a sua irmã, a escritora Maria José Saraiva.

 

Soledade Martinho Costa

 

«POR MÃO PRÓPRIA» - responde: JOSÉ HERMANO SARAIVA

 

Caminhos de vontades/ e de glória/ onde a História acontece/ se faz lenda. / As pedras/ o silêncio/ a sombra/ a luz. / As vozes que renascem/ na memória/ o Passado/ que ao Futuro nos conduz.

 

S.M.C.

 

A palavra é como a pedra. Em conjunto, faz o muro. Sozinha, é uma pedrada. A Soledade manda-me 16 palavras. Que farei com elas? À primeira vista, pérolas soltas. Precisam de fio para fazer um colar. Mas o fio, onde está? Procuro-o. Começo pela ordem mais simples, a ordem alfabética:

 

AMOR/ APLAUSO/ CALENDÁRIO/ DESABAFO/ DISPARATE/ EMOÇÃO/ ESCÂNDALO/ EXPECTATIVA/ FIGURA PÚBLICA MAIS/ FIGURA PÚBLICA MENOS/ INTIMIDADE/ MEDO/ PREOCUPAÇÃO/ SAUDADE/ SONHO/ SUGESTÃO

 

E vejo que acertei.

 

E como se a roda da lotaria andasse e os números saíssem todos certos: 1, 2, 3, 4, 5… Porque as 16 palavras alinham-se, com lógica e sentido, na sua posição certa.

 

É evidente que AMOR é a primeira palavra do Mundo, porque sem amor não havia Mundo. Talvez houvesse penhascos, serpentes, vulcões – mas isto a que nós chamamos Mundo, o triângulo humano do Eu, Tu, Ele, não podia existir. Porque foi o amor do Eu pelo Tu que fez nascer o Ele.

 

E a seguir a amor vem APLAUSO. Com sinceridade, que procuramos nós no Mundo senão a aprovação alheia, isto é, o aplauso? Aplauso significa que o Mundo do Ele – a colectividade, os outros em geral – está connosco, vive em uníssono, faz estralejar as palmas das mãos para sublinhar a identidade com a nossa voz.

 

A terceira palavra não podia deixar de ser CALENDÁRIO. O meu amor pelos outros e o amor dos outros por mim está submetido à lei inexorável do calendário.

 

Bem sei que há montes de literatura para esconder isso, a dizer que a verdadeira juventude é a do espírito, e que mesmo velho se vencem  campeonatos de palmas e de votos, etc, etc. Mas haverá alguém que se atreva a dizer que amor nada tem a ver com tempo? Ter muito tempo, ser muito velho, também tem encanto. Mas é outra coisa.

 

E aqui um DESABAFO: sinto-me fascinado pelas ilhas gregas do Dodecaneso (em grego, Dodeca significa ir). Pois durante anos tive o projecto do ir acabar numa dessas ilhas, compondo um livro de memórias e fantasia cujo título seria Dódekalenda no Dodecaneso. E, para quem não entendeu à primeira leitura, o de Calenda é a dor do tempo que passa.

 

Algum eventual leitor perante esta tortuosa leitura do Dodekalenda (a rigor: 12 lendas), faz o comentário certo: DISPARATE! Pois veja como até essa sugestão verbal estava no seu lugar exacto!

 

E certa também é a posição de EMOÇÃO na ementa dos vocábulos: está onde ninguém a espera, porque é assim que ela acontece na vida: cai de súbito sobre nós, assalta-nos no caminho, cessa tão rapidamente como começou, passa pela vida como um ciclone com um rasto de destruição e dor.

 

E de ESCÂNDALO, por vezes. Só o inusitado e imprevisto escandaliza, e não são poucas as emoções de repercussão escandalosa.

 

O meu leitor, sempre eventual, está agora numa EXPECTATIVA legítima, que eu culposamente criei: a de saber quais serão as tais emoções escandalosas. E eu não respondo a esse olhar interrogativo por respeito pela minha própria INTIMIDADE, e pelo MEDO de não me fazer compreender claramente. É uma PREOCUPAÇÃO que me acompanha sempre que falo ou escrevo: o receio de que os outros entendam coisas diferentes das que quis significar

 

No fim de todos os caminhos os sentimentos são iguais: SAUDADE do tempo passado. SONHO para o futuro, e a SUGESTÃO de novos destinos, que possam trazer às nossas vidas o paladar das diferenças.

 

Disse tudo? Não.

 

Deixei propositadamente para o fim a referência às FIGURAS PÚBLICAS MAIS e MENOS. Para dizer o que penso devo evocar um episódio de há muitas décadas.

 

Os meus filhos eram garotos pequenos e eu andava nos cabeçalhos dos jornais. A RTP fez-me mesmo o mimo de, num noticiário, me chamar homem público. Quando à noite cheguei a casa, um dos pequenos perguntou: «Pai, a Televisão chamou-lhe homem público. É verdade?» Respondi: «Não sei. Pensem vocês nisso». E o mocinho; «Mas, então, Pai, qual é a diferença entre um homem público e uma mulher pública?». Não atinei na resposta. Dê-a o leitor, se puder. Talvez seja a mesma que separa a figura pública mais da figura pública menos.

 

 Autoria e coordenação: Soledade Martinho Costa

 

In Notícias Magazine/1999

 

                                                     

 

N. -  Passei a conhecer melhor José Hermano Saraiva quando foi director (embora por pouco tempo) do jornal Diário Popular, onde colaborei, semanalmente, durante cinco anos. Anteriormente, o que nos aproximou foram os lançamentos de livros e os jantares promovidos pelas Publicações Europa-América. Troca de impressões sobre diversos assuntos ligados à Literatura, dúvidas minhas em relação a alguns trabalhos meus. Pessoalmente ou por telefone, encontrei sempre a voz solícita que me escutou, elucidou ou compreendeu. Para definir este nome grande da nossa Cultura, bastam-me três palavras: sabedoria, simplicidade, simpatia.

Um abraço grato e afectuoso, Professor!

 

S.M.C.

 

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Sexta-feira, 6 de Julho de 2012

NA ROTA DA EMIGRAÇÃO - «O CANADÁ É O MEU PAÍS, PORTUGAL A MINHA PÁTRIA» - DE JOÃO F. SANTOS

 

Não pretendo, com estas linhas, referir-me ao estilo literário do autor. Trata-se de uma autobiografia meticulosa e vertiginosamente descrita ao longo das 223 páginas que compõem este livro. É isso que faz a diferença e dá prestígio a João F. Santos. Como uma conversa entre amigos, sem entraves estilísticos ou literários. Antes com a paixão, a lucidez, a desenvoltura e a coragem que deve ter posto em tudo quanto fez até hoje. Até chegar à feitura deste livro, como remate de uma vida vivida de maneira pouco comum – mesmo em relação àqueles que desde muito jovens decidem emigrar em busca de melhores condições de vida deixando o seu País de origem: neste caso, Portugal.

 

Tentarei fazer um resumo tão breve quanto possível (tarefa nada fácil!) da vida que tem sido a de João Santos. Guiei-me pelo livro. E muito fica por dizer. Além da minha surpresa por encontrar alguém com tal poder de iniciativa, com tal força, moral e física, um verdadeiro líder, um empreendedor, uma verdadeira «máquina» que nenhuma contrariedade, por mais difícil, fez desmotivar ou parar no caminho que percorreu num País para ele até então desconhecido. Um Homem que merece a pena conhecer, mesmo que seja, tão-só, através da leitura deste emocionante testemunho, lúcido, verdadeiro, impulsivo, imparável, descrito nesta obra de sua autoria.

 

EM PORTUGAL:

 

A mãe, com quatro filhos pequenos, depois de enviuvar, compra uma canastra e começa a trabalhar como peixeira. Por volta dos seus três anos, lembra João Santos, dorme na canastra, encostada a um barco no muro da Ribeira. Quando a mãe volta com o peixe, acorda o filho, que caminha a seu lado. A mãe apregoava o peixe na rua e vendia de porta em porta.

 

Viviam, então, numa casa pobre na Estrada das Laranjeiras, cujo nome já não é o mesmo. Mais tarde, a caminho da escola, metia as mãos dentro dos cestos dos cavalos das carroças paradas na Praça de Alcântara para roubar alfarroba e fava. As primeiras, depois de lavadas, comi-as. As favas levava-as para casa onde a mãe as cozia.

 

No dia do exame da então 4ª classe, vestiu calções, uma camisa rendada, e levou um lacinho preto. Mas ia descalço. O seu primeiro calçado, aos 16 anos, foi um par de tamancos. Depois, começou a usar os sapatos que lhe apareciam. Assim arruinou as articulações dos dedos dos pés, arranjando calos e unhas encravadas…

Aos 11 anos começa a trabalhar numa fábrica como aprendiz de torneador. A seguir, numa oficina como aprendiz de mecânico. Aqui, trabalhava aos fins-de-semana, mas não recebia mais salário por isso. Com 13 anos foi ajudante de talhante. A partir daí, a família começou a comer carne de vaca uma vez por semana. Aprendida a profissão, passou a exercer no talho a função de talhante. Começa então a trabalhar numa companhia de carnes que fornecia os barcos de guerra da Marinha Portuguesa. O local de trabalho era no próprio Arsenal da Marinha. Por lá ficou 7 anos, até emigrar.

 

Com os marinheiros americanos começou a aprender as primeiras palavras em inglês. Enquanto talhante, acumulava, nas docas, funções na «picança», que consistia em remover a ferrugem da parte metálica dos barcos, antes de lhes renovarem a pintura. Entretanto, começa a aprender inglês e francês num templo protestante localizado na rua onde morava.

 

Aos 16 anos arranja uma caixa de engraxador e começa a engraxar sapatos no passeio. Aos 21 inscreve-se num curso nocturno na Escola Comercial Ferreira Borges (hoje Escola Francisco de Arruda). Nessa altura, ingressa no Grupo Desportivo e Recreativo dos Combatentes, para jogar basquetebol. Era magro e media 1,96 – daí, o nome, até hoje, de João Grande. Nesse mesmo ano ingressa na Associação Naval de Lisboa, tornando-se remador de competição. Com outros jovens forma uma equipa, Quatro meses depois ganham o Campeonato Nacional, assim como outras competições a nível regional.

 

Durante o tempo em que frequentou a Associação Naval torna-se amigo do carpinteiro de serviço na oficina onde se faziam os barcos e os remos. Aprendeu, assim, a construir um barco para si próprio. Com o trabalho no Arsenal, os estudos à noite e os treinos do remo, ficava-lhe, apenas, o tempo para sonhar – o sonho que o levaria até ao Canadá…

 

NO CANADÁ:

 

Sonho realizado no dia 27 de Junho de 1960. Parte a bordo de um avião da Canadian Pacific. (No dia seguinte tinha um exame de História, a que faltou). Um mês mais tarde estava a caminho de Toronto e de lá para Delhi, o centro da cultura do tabaco no Ontário. Passados dois anos, feitas duas safras, muda-se para Simcoe. Arranja emprego na fábrica de sopas Campbell. Ali permanece perto de 5 anos. Por esta altura, torna-se, sem ser eleito, numa espécie de presidente da Câmara dos Portugueses, principalmente, por saber falar inglês. Consegue trabalho para outros emigrantes, traduz documentos, coloca muitas mulheres a trabalhar no armazém Woolworths. Na quinta Campbell desempenha várias tarefas na agricultura – sem descurar o inglês. Lavra terrenos com um potente tractor, trabalhando 10 horas sem parar, nem ao sábado nem ao domingo. Anda na apanha do morango, da maçã, do tomate e da cereja.

 

Deixa a quinta e volta a Toronto. Ali frequenta um curso de inglês, como língua segunda. Ao fim de um ano acaba o curso com distinção. Nesta escola junta-se à equipa de basquetebol para competir no torneio seguinte. Ganham o campeonato. Por esta altura pensa trabalhar mais horas, para poder fazer férias em Portugal.

 

Arranja colocação numa fábrica de cabos eléctricos, a Canada Wire & Cable, como operador de máquinas, no turno da noite, para poder continuar, durante o dia, na safra do tabaco. Trabalha dia e noite durante 5 semanas. Com o dinheiro angariado vem a Portugal passar férias.

 

De regresso ao Canadá arranja lugar para encarregado de obras numa companhia americana, a Morrison-Knudsen of Philadelphia – sem experiência, mas com vontade de aprender. Tempo depois, a Canada Wire precisa de alguém que fale espanhol para trabalhar como intérprete para um engenheiro da Colômbia. Ganha o lugar. Mais ou menos nesta ocasião, abre uma nova fábrica em Brantford e João Santos muda-se para lá. Entretanto, continua os cursos por correspondência na School of Technical Training International em Chicago. Tira o curso de principiante em Formação em Tractores e Equipamento e especializa-se em Tractores J.I. Case. Acabado o curso, foi instalador de cabines, ajudante de rectificador mecânico, condutor, soldador a ponto, e muito, muito mais…

 

Volta a De Havilland, onde já havia estado, para trabalhar como operador de máquinas de cortar peças com broca. Daqui passa para a Ford Motor Company, ali permanecendo 4 anos. O trabalho consistia em pintar as carrinhas abertas de carga. Enquanto permaneceu na Ford frequentou o 12º ano  dos cursos de Matemática e Física, assim como de Engenharia Eléctrica e Desenho Técnico, que completou com êxito.

 

Aqui, começa outra viragem. Arranja licença de agente imobiliário. Depois de várias etapas acaba por comprar um andar num condomínio situado em Etobicoke, nessa altura nos subúrbios, hoje integrado em Toronto, onde vive há 33 anos.

 

Inicia a carreira como imobiliário ao mesmo tempo que trabalha à noite na Ford. Como imobiliário trabalhou na Mann & Martel, que se fundiu com outras imobiliárias, resultando na Royal Lepage dos dias actuais. Mas João Santos pretendia trabalhar nesta área por conta própria. Começa por abrir a Escola de Condução Ibéria, uma vez que possuía licença de instrutor de condução desde 1966. A seguir, abre uma Agência de Viagens, também com o nome Ibéria. O negócio dava bastante dinheiro e João Santos desejava diversificar as suas fontes de rendimento. Por essa altura viajava-se muito para Portugal, individualmente ou em grupo.

 

Obtida a licença de «commissioner» (solicitador), candidata-se a notário público, com plenos poderes, mas acaba por desistir. Por outro lado, por intermédio de uma Companhia de Transportes Marítimos, localizada em Montreal, começa a publicitar os seus serviços de agente de viagens como despachante de mercadoria pessoal para Portugal. Desempenhou estas funções até vender a agência.

 

Por esta data andava envolvido como voluntário no First Portuguese-Canadian Club. Tinha o tempo limitado: chefe de família, vendedor de casas, dono de uma Agência de Viagens e de uma Escola de Condução. Mesmo assim, inicia o curso de corrector imobiliário. Passa no exame e recebe o certificado do Ministério (Ministry of Consumer and Commercial Relations). Abre, então, a sua própria empresa. Mais tarde, outra, a X De Lima Realty. E foi vendendo apartamentos também em Portugal : Quarteira (Algarve, «Torres Canadá») e em Carcavelos («Torres de Miramar»)…

 

Dois anos depois, o Secretário de Estado e da Emigração, de visita ao Canadá, anuncia novos postos de trabalho no Consulado de Portugal, para representar o secretariado e dar assistência à população emigrante residente neste País. Candidata-se e entra para o Consulado. Dois anos depois é convidado como intérprete para acompanhar uma expedição que pretendia pesquisar na Costa  Leste canadiana uma fábrica de pesca que estivesse à venda para ser adquirida por uma companhia de pescas sediada em Viana do Castelo. Aproveita a oportunidade e viaja, com todas as despesas pagas, por locais que sempre desejara visitar.

 

Terminada a estadia no Consulado, volta ao sector imobiliário, apenas como agente e vende a companhia. O novo corrector muda o nome de X De Lima para RE/MAX Home Centre 2000. Por conflitos entre sócios, passa a liderar a franchise como presidente. Depois de algumas dificuldades e atribulações a imobiliária é vendida a Ralph Nardi, o proprietário actual da RE/MAX 2000.

 

Actualmente, João Santos trabalha com o filho Peter, tendo criado um novo escritório imobiliário. É no comércio imobiliário que trabalha hoje a tempo inteiro.

 

Tendo sempre o cuidado de actualizar as suas credenciais profissionais com o Toronto Real Estate Board, foi indigitado pela RE/MAX International, Inc. para entrar no «salão dos notáveis» da Companhia (Hall of Fame).

Apesar do excessivo trabalho, nunca deixou de praticar outro dos seus desportos favoritos: a caça, grossa e pequena, durante mais de 20 anos – principalmente pelas regiões desabitadas do Ontário. Hoje, trocou a caça pela leitura e pelas viagens, ajuda no Museu Luso-Canadiano e faz parte do Orfeão Stella Maris.

 

Secretário da Direcção do First Portuguese-Canadian Club (o primeiro club luso-canadiano criado em Toronto em 1956), executou o mandato de presidente durante vários anos.

 

Actualmente com a denominação First Potuguese-Canadian Cultural Centre (FPCCC), ali se pode observar, no passeio fronteiro – primitivamente no seu interior – , um busto de Camões (que João Santos veio buscar a Lisboa), como símbolo do legado cultural português em Toronto e, por extensão, no Canadá. Além de eventos sociais, culturais, religiosos e recreativos, o First subsidia, ainda, actividades relevantes de cariz social. No First  funciona também, desde 1964, uma Escola de Português. A secção desportiva (futebol, basquetebol, ciclismo) foi entretanto extinta.

 

Sobre João F. Santos muito mais havia a dizer das suas funções no âmbito do voluntariado, em variadas obras sociais e outras, como líder no sector comunitário e político, com diversos cargos prestigiantes desempenhados a nível provincial e federal.

 

O lançamento do livro «O Canadá é o meu País, Portugal a Minha Pátria» (em versão inglesa e portuguesa, com inúmeras fotos e excelente apresentação gráfica), teve lugar no passado dia 16 de Maio de 2012 no Salão Nobre do Europa Catering, em Toronto, que se encontrava superlotado, com a presença de mais de 200 pessoas, entre as quais se contava o Ministro da Cidadania e Presidente do Comité da Organização dos Jogos Pan-Americanos de 2015 (o luso-canadiano  Charles Sousa), o Presidente do Grémio Literário da Língua Portuguesa e o Cônsul-Geral de Portugal, Dr. Júlio Vilela, entre outros.

 

Casado desde 1963, João F. Santos tem dois filhos e seis netos – com a filha a residir em Portugal há mais de 20 anos.

 

Como disse no princípio destas linhas, não se pretendeu avaliar um escritor, um estilo ou uma promessa literária. Mas, antes, um homem que nos lega, com este livro, um testemunho de vida, de coragem, de iniciativa, de luta – de que nem todos se podem orgulhar.

 

Escreve o autor no início do seu livro: «Diz-se que já nascemos com uma estrela sobre as nossas cabeças. No caso dos mais privilegiados, a estrela brilha, fulgurante, desde que nasceu; outros têm de contender com o facto que a sua estrela pouco cintila de tão fraca. Como pertencia ao segundo grupo, senti que não tinha outra alternativa senão enveredar pelos caminhos da emigração.».

 

João Santos, deixo-lhe a minha opinião: se, de início, a sua estrela lhe pareceu ter uma cintilação fraca, devia ter sido porque a luz não tinha, ainda, atingido a sua cintilação total. Tenho, para mim, que o João nasceu com a tal estrelinha sobre a cabeça e com uma cintilação que brilha, brilha, até hoje. O facto é que a magia da sua estrela conseguiu, até, transformar-se neste seu livro, que acabei de ler.

 

Deixo-vos com as palavras do autor: «Hoje, com 77 anos, como quando era jovem, ainda ando a correr, sentindo-me, permanentemente, com falta de tempo para fazer tudo quanto quero e preciso. Espero também que ao lerem estas páginas, fiquem inspirados no sentido de nunca tomarem nada por adquirido e para sempre manterem orgulho nas suas origens.»

 

A terminar, e porque se falou em estrelas, deixo-lhe um pequeno poema meu, que dediquei em tempos, a uma outra pessoa (figura pública), mas que lhe assenta a si (também) perfeitamente:

 

«A vida/ toda ela/ se constrói dia após dia. / Mais cheia/ mais audaz/ ou mais vazia. / Tudo depende de se ser capaz. / Que não se diga/ ser só/ obra da estrela que nos guia. / Merecer é lutar por aquilo que se faz.»

 

Soledade Martinho Costa

  

                                                   

                                                                                  João F. Santos, durante o lançamento do seu livro.

 

 

publicado por sarrabal às 20:29
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Domingo, 1 de Julho de 2012

IMPOSIÇÃO

 

Quero escrever todos os versos

E sentir livres os olhos e os pulsos

Na poesia não pode haver barreiras

Que lhe tolde a força dos impulsos.

 

Por isso

Só aceito os meus poemas

Quando os sinto vibrar nas minhas veias

Simples, é possível

Mas inteiros.

 

E chamem-lhe coragem ou revolta

Ou digam apenas ser tolice

A força que me assiste é que me importa

Não descrevo, por defeito

Paisagens, o céu, a lua.

 

Tenho

Por hábito

Chamar apenas de poeta

A quem se debruça nos versos e resiste

A dar de si motivos que aprofunda

E rasga a alma toda e a liberta

A dá-la aos outros inteiramente nua.

 

Soledade Martinho Costa

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