Quarta-feira, 24 de Agosto de 2011
RISCOS

 

  

Desenhei

No espaço

Um traço

Seguido de mais outro

E de outro ainda.

 

Mirei-os

Depois

De baixo

Dos lados

E de cima.

 

Coloquei-me

À distância

Analisei-os

A lente.

 

Procurei

Também

Na cor

No movimento

Nos espaços

Entre os traços

Na solidez das linhas.

 

Estudei

Vice-versa

O fim e o começo

Investiguei-os

Minuciosamente

Do avesso.

 

Nada encontrei

Porém

De maior vulto

Que do trajecto

O risco

Que os anima.

 

Soledade Martinho Costa

 



publicado por sarrabal às 18:52
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Domingo, 14 de Agosto de 2011
POR MÃO PRÓPRIA - Responde: FILIPE LA FÉRIA

   

A vida / toda ela / se constrói dia após dia. / Mais cheia / mais audaz / ou mais vazia. / Tudo depende de se ser capaz. / Que não se diga / ser só / obra da estrela que nos guia. / Merecer é lutar por aquilo que se faz.

 

 DESABAFO: Não gosto de definições. Definir é cercar com um muro de palavras um terreno vago de ideias.

 

SUGESTÃO: Vá ao teatro.

 

DISPARATE: Gosto de fazer disparates. Felizmente.

 

ESCÂNDALO: Viver.

 

APLAUSO: A grande apoteose da solidão.

 

PREOCUPAÇÃO: Arranjar dinheiro para as ter.

 

EMOÇÃO: A reabertura do Politeama. Era um escândalo estar fechado e todos termos culpa.

 

AMOR: Passamos metade da vida à espera daqueles que amamos e a outra metade a mandá-los embora.

 

SAUDADE: Dos actores que saíram de cena: António Cruz, Mário Viegas, Sara Lima, Irene Isidro, Varela Silva, Curado Ribeiro…

 

SONHO: O que vale a pena para viver.

 

MEDO: Todos temos medo. Isso não tem nada a ver com coragem.

 

INTIMIDADE: Não me chateiem, por favor.

 

FIGURA PÚBLICA MAIS: Os actores portugueses.

 

FIGURA PÚBLICA MENOS: Os políticos portugueses e afins.

 

CALENDÁRIO: Odeio calendários, datas, horas, reuniões.

 

Autoria e coordenação: Soledade Martinho Costa

In Notícias Magazine/ 1999

 

Nota – Não conheço pessoalmente Filipe La Féria. Mas conheço o seu trabalho. Batalhador incansável, lutando contra revezes e muros difíceis de transpor, a ele se devem muitos dos grandes êxitos do Teatro em Portugal dos últimos anos. Um homem multifacetado (excelente poeta!), com ele falei apenas uma vez. Bastou-me para aquilatar da sua cordialidade e simplicidade. O seu amor ao Teatro e o seu trabalho, ao pôr de pé grandes espectáculos, tem dado origem ao aparecimento de novos valores na arte de representar, incluindo as próprias crianças. Galardões, prémios, lotações esgotadas, críticas felizes, projectos e realizações. Naturalmente, esta surpresa, também, de se poder reler aqui, neste «P.M.P.», publicado há 11 anos.

Nesta nota, além da minha homenagem, fica um recadinho: ainda não levantei na bilheteira os bilhetes que me ofereceu – mas tenho assistido aos seus espectáculos. Um destes dias vou aproveitar, garanto-lhe!

 

Fica um abraço cordial.

 

S.M.C.

 

                                     

                                                                Um Violino no Telhado, Teatro Rivoli, 2008



publicado por sarrabal às 23:04
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Quarta-feira, 3 de Agosto de 2011
TROVA DA PAISAGEM REAL

   

Parado no meio do tempo

Na serra havia um pastor

Alguém que o nome esquecia

Nas horas que apascentava.

 

Água da fonte, da terra

Da serra, nela morava.

 

Na serra havia um pastor

Guardado pelo seu rebanho

Ermo destino e engenho

Poema que acontecia.

 

Água da fonte, da terra

Da serra, nela morria.

 

Parado no meio da vida

Na serra havia um pastor

A tê-la apenas por tida

Cada dia que chegava

Sem saber o que podia

Sem dizer o que tardava.

 

Ai, pastor, que sina a tua

Nasce o Sol, põe-se a lua

E não se quebra o encanto.

 

Sozinho lá no teu canto

Embriagas-te no canto

Que te traz a cotovia.

 

E quando o escuro te aquece

Sufocas em ti o pranto

De uma lágrima tardia.

 

Fazes de conta que esqueces

Esperas a luz de outro dia

E sem sonhar adormeces.

 

Soledade Martinho Costa



publicado por sarrabal às 18:20
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