Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

NOVO ANO/2009

 

Soledade Martinho Costa

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1 DE JANEIRO - FESTA DO MENINO EM VILA CHÃ DE BRACIOSA (FESTAS TRADICIONAIS PORTUGUESAS)

Gaiteiros e os três figurantes principais da festa.

 

Festividade mais pagã do que litúrgica, apesar do nome, a Festa do Menino Jesus em Vila Chã de Braciosa, «ninguém sabe explicar como começou». Os idosos lembram-se dela «desde sempre», como se lembravam os seus pais e os seus avós. De geração em geração, ei-la que chega, pontualmente, no dia 1 de Janeiro à pequena aldeia de Miranda do Douro.
 
Vila Chã de Braciosa, arquitectura tradicional.
 
A primeira fase do festejo, a cargo dos «mordomos», por preceito um rapaz e duas raparigas, todos solteiros, tem início no dia de Natal, quando convidam outros jovens para irem cortar a lenha destinada à grande fogueira que será acesa no dia 1 de Janeiro ao início da tarde. Para trazer a carrada de lenha até à aldeia levam um carro de bois, sem os animais, que depois de carregado é puxado à força de braços pelo grupo, a cumprir a praxe, utilizando para isso cordas grossas com pedaços de madeira nas pontas, para facilitar a tarefa.
 
O Bailador, a Velha e a Bailadeira.
 
Durante os dias que se seguem procede-se ao ensaio dos figurantes, três rapazes: a Velha, o Bailador e a Bailadeira, que vão representar, no dia de Ano Novo, as personagens principais da festa.
 
Pelas seis horas da manhã, tem lugar a alvorada, com foguetes e gaiteiros a darem a volta à aldeia. Pelas nove horas forma-se o grupo: gaiteiros, «mordomos», Velha, Bailador e Bailadeira. É chegada a hora de começar o peditório. As três personagens dançam, então, à porta da igreja e de cada casa a «moda da bicha».
 
"A moda da bicha".
 
Segundo os naturais de Vila Chã, a dança «vem do tempo antes dos celtas quando esses povos faziam sacrifícios em altares de pedra, havendo ainda altares desses por aqui perto».
 
Uma das ruas da aldeia.
 
Há quem ofereça dinheiro, chouriças, partes do porco e vinho. Para o recolher o «mordomo» transporta consigo o «cântaro», que comporta de quinze a vinte litros. As «mordomas» levam sacas ou cestos destinados a recolher outras dádivas. O grupo aceita tudo o que lhe dão, embora a Velha tenha por costume «pedir a chouriça».
 
Esta personagem veste saia e casaco de pardo com rendas feitas à mão, leva uma «caiata» (bordão de madeira encurvado no cimo), onde estão presas algumas bexigas de porco cheias de ar (que pressiona para que as pessoas façam a oferta), uma cruz de cortiça queimada pendurada ao peito, enfiada num colar de bogalhos (para enfarruscar aqueles que não contribuem com a «chouriça») e um chapéu enfeitado com uma espécie de palmitos. Às costas transporta a «bota» com vinho, feita de cabedal, a lembrar um fole, com um buraco fino por onde esguicha o vinho sob pressão dos dedos, que dá a beber a quem oferece a «esmola» ou a quem lho pede: «dá-me lá uma pinga da tua “bota”!»
 
Pardo é o nome do tecido, praticamente em desuso, mas utilizado nos trajos dos ranchos folclóricos, feito de lã de ovelha e «batido constantemente nos moinhos de água», dos quais «existe apenas um, numa aldeia próxima, que faz ainda esse trabalho».
 
O Bailador vai vestido tradicionalmente de pauliteiro: saia feita de lenços dobrados, de várias cores (os «lenços chineses», como lhes chamam), blusa, xaile e chapéu com fita e palmitos. A Bailadeira veste saia preta de pardo, blusa (antigamente muito bordada à mão) e na cabeça um lenço «chinês» e um chapéu também com fita e palmitos. Travestido de mulher, enche os seios com farinha ou farelos.
 
Sendo uso em Vila Chã de Braciosa, durante a celebração das missas, as mulheres assistirem ao culto ocupando metade do templo a partir da porta, enquanto a parte da frente é reservada aos homens, no dia de missa de festa, a Bailadeira, de acordo com o preceito, vai juntar-se ao grupo das mulheres.
 
Igreja Matriz de Vila Chã de Braciosa.
 

O peditório dura até à hora da missa (treze horas), celebrada na igreja matriz, onde o padre dá então a beijar aos fiéis a imagem do Menino, como acontece na missa dos dias de Natal e de Reis. No final da celebração litúrgica realiza-se o «leilão das chouriças».

 
Capela da Santa Cruz, Vila Chã de Braciosa.
 
Segue-se o almoço feito pelas «mordomas e destinado apenas ao grupo, idêntico ao de todos os habitantes de Vila Chã: o tradicional prato de «feijão com cascas», a ementa cerimonial festiva deste dia. Trata-se de uma sopa confeccionada com feijão seco com casca, isto é, metido nas vagens (semeado principalmente para esta data), cortado em bocados, batatas, cenouras, carnes e orelha de porco e «bocha» ou «bocheira», uma variedade de chouriço onde entram as miudezas do porco: bofe, coração, fígado e algumas gorduras. Depois de pronta junta-se à sopa o «butelo», chamado ainda «bulho», «butilho» ou «butelho», o afamado «chouriço de ossos», cortado aos pedaços, feito com o espinhaço, pontas das costelas e, por vezes, com o rabo do porco «tudo cortado miudinho».
 
Mós junto da capela.
 

Segue-se o arraial, com o acender da grande fogueira no largo da igreja, que chega a arder dois ou três dias, conforme a lenha, e o bailarico pela noite dentro, enquanto os figurantes continuam a pedir a «esmola» a quem aparece na Festa do Menino.

 

 
Soledade Martinho Costa
 
                    Porta de uma casa da aldeia de Vila Chã de Braciosa.
                 
Do livro “Festas e Tradições Portuguesas”, Vol.I
Ed. Círculo de Leitores
publicado por sarrabal às 01:12
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Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

NATAL/2008

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 00:24
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NATAL - O DIA DO SOL

 

 
Celebrado desde tempos remotos por todo o Ocidente, desde a Trácia até Cádis (toda a faixa europeia do Mediterrâneo), inclui nas suas festividades vários rituais que, segundo alguns autores, poderão representar reminiscências de antigas celebrações ligadas a Mitras, um dos génios do Masdeísmo, ou Espírito da Luz Divina, religião seguida pelos povos da antiga Pérsia – que admitia dois princípios, o do bem e o do mal, adoptada por Roma no século I a.c. –, e ao culto dos Politeístas Solares e à sua Festa das Luzes (o Khanu Ka), efectuada no solstício do Inverno. Os Romanos, sob a influência da devoção mitríaca chamavam ao Natal o Natalis Solis Invicti, ou o dia do Sol, acendendo nesta data grandes fogueiras.
 
No Egipto, as primeiras comemorações do Natal (Festum Osirid Nati,ou Inventio Osiridis), tinham lugar, tal como as dos politeístas, no dia 6 de Janeiro, data que veio a corresponder à celebração do dia de Reis, quando no ano 54 se separou a Natividade (celebração do nascimento de Cristo) da Epifania, que englobava na sua origem a maior parte das celebrações a Cristo: o seu nascimento, a adoração dos Reis Magos, o seu baptismo, a sua vida e sofrimento na terra e os seus milagres, passando esta a ser consagrada exclusivamente aos reis.
 
 
A Igreja Católica decreta, entretanto, por suposição entre os anos 243 e 336, embora se aponte também o ano de 345, a celebração do nascimento de Jesus Cristo para o dia 25 de Dezembro, escolhido sem rigor histórico, devido à incerteza da exactidão da data, misturando-se assim os hábitos e praxes religiosas e profanas. Esta data acabou por ter correlação com o dia 25 de Março, dia da Anunciação do Senhor ou da sua Encarnação, a unir a natureza divina à humana, antecipados que foram no calendário, simbolicamente, os nove meses correspondentes. Celebrado no Oriente antes do ano 446, o dia da Anunciação do Senhor só veio a ser comemorado no Ocidente entre 687 e 701.
 
Liturgicamente, a festa do Natal é precedida pelo Advento, termo de origem profana, que simbolizava entre os povos pagãos a vinda cíclica do deus ou divindade, cuja imagem era exposta no respectivo templo nas datas que lhe eram consagradas para adoração dos fiéis. Na liturgia romana o Advento tem o seu começo no domingo seguinte ao dia 26 de Novembro, dando assim início ao ciclo religioso do ano eclesiástico. Para os primeiros cristãos o Advento significava a comemoração da aparição de Jesus Cristo na terra, enquanto a partir do século VI passou a representar o período litúrgico e preparatório das quatro semanas que antecedem o Natal, reveladoras da tão aguardada vinda do Messias – a Luz do Mundo.
 
 
Algumas das festividades natalícias poderão resultar, igualmente, das Saturnais, festas realizadas em Roma entre o dia 17 e o dia 23 de Dezembro, em louvor de Saturno, importante divindade agrária, quer pelo sentido de bondade e tolerância que as Saturnais implicavam, quer pelas celebrações alimentares conjuntas verificadas nessa data.
 
Soledade Martinho Costa
                                  
                                                       
               
Do livro “Festas e Tradições Portuguesas”, Vol.VIII
Ed. Círculo de Leitores
publicado por sarrabal às 00:16
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Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008

NATAL - AS FOGUEIRAS DO MENINO

 "Fogueira do Menino", Sabugal, Guarda.
 
Um dos rituais que perdura até aos nossos dias, principalmente em Trás-os-Montes, Alto Douro, Beira Alta e Beira Baixa, mas também no Nordeste Transmontano, sendo menor ou mesmo nula a sua tradição a sul, diz respeito às «fogueiras do Menino», «fogueiras da Consoada» ou «fogueiras do galo».
 
Parambos, Carrazeda de Ansiães, Bragança.
 
Sob a influência da Igreja, a fogueira profana de adoração solar dos Romanos passou a ser cristianizada e a servir de ritual cristão ao culto divino testemunhado na quadra natalícia a Jesus Cristo – considerado o «verdadeiro símbolo do Sol que vai nascer, para iluminar todo o homem que vem ao Mundo».
 
"Madeiro do Menino", Lardosa, Castelo Branco.
 
Costume que se processa quase sempre durante a noite, cabe ainda hoje às raparigas enfeitar as igrejas para a Missa do Galo, enquanto aos rapazes corresponde a tarefa do roubo ritual do «madeiro», do «cepo» ou do «canhoto» – noutros tempos com os interessados em colaborar a serem chamados por essas aldeias com o auxílio de um búzio e a envolverem as rodas dos carros de bois com «baraços» de palha de modo a evitar o barulho, para que tudo se processasse no maior silêncio.  O transporte, conforme a tradição, continua a ser feito, por vezes, em carro roubado ou utilizado sem autorização dos respectivos donos, puxado por animais, ou empurrado pelos próprios rapazes, num específico rito sagrado, embora, actualmente, seja mais vulgar a utilização dos tractores com o respectivo reboque.  Noutros casos, a lenha é roubada dias antes do Natal, ou ao longo do ano, leiloada ou oferecida em promessa. Há mesmo quem a deposite à porta de casa, na intenção de que seja «roubada» pelo grupo que chama a si essa tarefa.
 
"Cepo do Natal", Sernancelhe, Viseu.
 
Nas fogueiras acesas em casa durante estes dias, verifica-se, na maioria dos casos, idêntico preceito: o de utilizar-se apenas lenha roubada, segundo a crença «para que a lenha assim ardida proteja o lar e a família».
 
 
Ateadas ao entardecer da véspera de Natal, as fogueiras ardem, geralmente, até ao dia de Reis, no adro das igrejas, segundo o povo «para aquecer o Menino», ficando todos os habitantes do lugar encarregues de manter o lume sempre aceso.
 
Juncais, Fornos de Algodres, Guarda.
 
Em muitas aldeias e lugares do nosso País, as populações continuam a juntar-se ao redor das «fogueiras do Menino» para cantar, dançar e comer filhoses, aproveitando o lume do braseiro para assar as febras do porco e saborear as batatas tostadas (cozidas primeiro em potes de barro), como se fazia (ou faz ainda) no Sabugal (Beira Alta).
  
O rito das fogueiras de Natal encontra-se espalhado em muitos países da Europa, casos da França, da Itália e da Inglaterra, entre outros. Na Antiguidade, o ritual sagrado do fogo, ou lume novo, acontecia por ocasião do solstício do Inverno, com as fogueiras acesas tendo por intenção que o Sol voltasse a brilhar com maior intensidade, temendo-se, particularmente nas comunidades rurais, que as trevas afastassem definitivamente a luz e o calor, situação que correspondia a um acentuado declínio da luz solar e respectiva diminuição gradual do sistema diurno, até culminar no dia menor do ano – o dia de Natal.
 
Almeida, Guarda.
 
Resquícios de festas solsticiais gentílicas, muitas delas acabaram por conservar-se na tradição dos povos, a par das celebrações da liturgia cristã, ocupando um espaço importante que nos foi legado pelas religiões e civilizações antigas, cabendo-nos defendê-lo e preservá-lo, não apenas no que respeita às fogueiras de Natal, mas ainda a outros ritos e festas de carácter etnográfico cíclico, onde se misturam e confundem rituais cristãos e práticas de raiz politeísta e pagã.
 
 
Por outro lado, segundo alguns autores, sendo o galo considerado um animal solar, é natural que se dê o nome de «fogueiras do galo» às fogueiras do Natal e a designação de Missa do Galo à primeira missa da noite de 24 para 25 de Dezembro. Ainda assim, e numa forma mais simplicista, se diz também que muitas pessoas se deslocavam de lugares distantes para assistirem à Missa do Galo. De modo a evitar que voltassem a fazer a caminhada de regresso sem grande repouso e porque não tivessem onde pernoitar, acendia-se para elas o «madeiro». Aconchegadas ao seu calor passavam então o resto da noite, quase sempre muito fria, petiscavam, bebiam, cantavam ao Menino Deus e, mal a manhã rompia, voltavam a suas casas.
 
Santa Valha, Vila Real.
 
Simbolicamente, o «madeiro» poderá representar ainda o próprio Inverno, na intenção de aquecer o Menino Jesus; o «madeiro da Cruz de Cristo» ou «o fogo que desceu dos Céus», referente à iluminação dos Apóstolos pelo Espírito Santo, sob a forma de línguas de fogo, depois da elevação de Jesus Cristo aos Céus.
 
Soledade Martinho Costa
 
                                       Forcalhos, Sabugal, Guarda.
 
Do livro “Festas e Tradições Portuguesas”, Vol. VIII
Ed. Círculo de Leitores
publicado por sarrabal às 00:03
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Domingo, 14 de Dezembro de 2008

SEGREDOS - AS FLORES DA DONA CARLOTA

 
Gosto de flores. Desde sempre. Desde que me conheço. Um gosto absolutamente vulgar, convenhamos. Tão vulgar quanto feminino. Na casa do Algarve, no patamar de tijoleira à entrada da porta, tenho um verdadeiro jardim. Um autêntico horto que me dá algum trabalho. Entre floreiras e vasos, há plantas sem e com flores: do roxo ao amarelo, passando pelo branco, o rosa, o vermelho, até chegar às cores matizadas dos hibiscos: cor de fogo, cor de laranja ou rosa velho.
 
Lembro-me da minha infância. O amor às flores vem daí. Até aos dez anos vivi em Lisboa, onde nasci. No prédio de quinto andar onde morava (eu vivia no primeiro), residia uma senhora sem filhos que me adorava. Não vinha dia ao mundo em que eu não subisse ao segundo andar para «ir a casa da dona Carlota».
 
Esta senhora tinha um irmão, dono de uma quinta nos arredores de Lisboa. A dona Carlota também gostava de flores. Na sua casa havia sempre três grandes jarras floridas: uma na sala de jantar, outra na sala de visitas e outra no escritório – sendo aqui que a dona Carlota passava a maior parte do tempo.
 
Lembro-me, principalmente, dos cravos cor-de-rosa, enormes, misturados com gipsófila a transbordarem das jarras. O caseiro entregava à dona Carlota, mais ou menos semanalmente, os ramos de flores trazidos da quinta. Ora, sendo eu «frequentadora» da casa, sabia quando as flores eram mudadas. Sem necessidade de as fazer durar, eram deitadas no caixote do lixo para dar a vez às flores mais frescas.
 
Na manhã seguinte, antes de tomar o caminho da escola, apressava-me a chegar à porta do prédio para tirar do caixote parte das flores ainda viçosas. Umas vezes ganhava eu, outras a camioneta do lixo. Quando ganhava eu, ia a correr deixar as flores em casa, para colocá-las numa jarra assim que voltasse da escola.
 
Ainda hoje me pergunto porque razão a dona Carlota nunca se lembrou de me oferecer um único cravo, sendo eu a presença fiel a seu lado ou ao lado da empregada no dia da entrega e da mudança das flores. Verdade se diga que também nunca contei à dona Carlota que as flores deitadas fora faziam a minha alegria e a beleza da minha jarra colocada (com o sorriso benevolente da minha mãe) sobre um dos móveis da sala de jantar.
 
Recordo, ainda, as minhas passagens (obrigatórias!) pelo Rossio, onde as vendedeiras de flores me ofereciam uma ou outra flor, por acharem graça ao verem-me apanhar as flores caídas no chão. Penso, até, que a minha cara já lhes era familiar…Quantas vezes a minha mãe tinha de repreender-me e puxar-me pela mão, quando eu me aprontava para ir buscar alguma flor depositada em qualquer canto ou noutro caixote do lixo que não fosse o da dona Carlota!
 
Com o tempo, habituei-me a receber flores. No dia dos meus anos, no Dia da Mãe, no Dia da Mulher, mais recentemente no Dia dos Avós, ou noutros dias sem data assinalável. O Rafa, a Teka e a Soli, volta não volta, estão a oferecer-me «uma florinha», apanhada aqui ou ali. Por mais minúsculas que sejam, têm sempre direito a um pouco de água num recipiente igualmente minúsculo. Mais. Têm a observação diária de quem as ofereceu para verificar «se estão para durar».
 
Os meus hibiscos faziam o deslumbramento da Soli este Verão, durante os dois meses de férias que passou no Algarve. Pela manhã, quando os hibiscos, abertos há pouco, estão mais radiosos, era certo chamar-me num alvoroço:
- Vó, vem depressa! É uma urgência. É urgentíssimo, vem! – Depois, abria os bracitos sobre as flores e exclamava rendida:
- Olha só esta maravilha das maravilhas! Esta beleza das belezas! – E tinha razão. Outras vezes dizia:
- Esta flor aqui não me parece muito bem… – Ou, então: - Esta planta parece-me adoentada…
Geralmente, bastava deitar-lhe um pouco mais de água. Da única vez em que a Soli teve mesmo razão, o hibisco foi definhando, foi murchando e morreu. No dia em que só restavam no vaso umas hastes ressequidas, a Soli perguntou:
- Vó, as flores quando morrem vão para o céu das flores?
Não a quis desiludir.
- Penso que sim, Soli. – Respondi.
 
Agora, que alinhavo estas linhas e recordo a pergunta da Soli – enquanto os meus hibiscos continuam, em Dezembro, cheios de flores e de botões, confusos, sem dúvida, com as mudanças climáticas –, mais me lembro do carro do lixo que passava à minha porta, em Lisboa, e das flores da dona Carlota a serem levadas por ele. A diferença está em que nos dias de hoje nenhuma criança apanha flores deitadas num contentor. O que não deixa de ser muito mais cómodo e razoável – sobretudo para as mães, naturalmente.
 
Soledade Martinho Costa
 
 
                 Hibiscos
                                                              
 
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Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

HOJE MEU AMOR

 

 
Rui Vasco Neto
 
Do CD «Vidas», editado pela Ovação, retirei o poema que se segue. Este trabalho discográfico conta com oito fados interpretados por Rui Vasco Neto (a voz é excelente), sendo as letras e as músicas também da autoria deste excelente jornalista, responsável pelo (igualmente excelente) blog «7 Vidas como os Gatos». Nunca é de mais empregar tal adjectivo quando se trata de algo com qualidade. É o caso. Um «excelente» é a nota que lhe dou, Rui! E cá ficamos, à espera de mais…
 
HOJE MEU AMOR
 
Hoje, meu amor, esquece o meu nome
Não me esperes mais que eu vou para a rua
Fugir de mim, beber, gritar à Lua
Brincar de faz de conta até poder
 
Hoje digo a todos os meus medos
Que em noites de festa eu sou perfeito
E deixo em casa as mágoas e os segredos
Que pesam toneladas no meu peito
 
Sinto um recado no ar
Que os ventos da loucura te protejam
E os sonhos sejam sonhos que se vejam
Que vidas pequeninas temos nós
 
Sigo a voz que sopra aos meus ouvidos
Os mais lindos versos que há memória
E deixo-me ir no embalo dos sentidos
Sonhar dias de Sol, noites de glória
 
Sempre iguais, os dias continuam
Mal acaba a noite lá vou eu
Dizer-te que a manhã escondeu a Lua
E a voz dos versos desapareceu
O sonho que eu sonhava amanheceu
E a minha fantasia adormeceu
 
Letra e interpretação: Rui Vasco Neto
Música: Paulo Jorge e Rui Vasco Neto
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Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO - PADROEIRA DE PORTUGAL II

Nossa Senhora da Conceição, Igreja Matriz de Póvoa de Varzim.

 

As festividades à Virgem Maria terão surgido, inicialmente, no Oriente, nos finais do século VII ou inícios do século VIII, embora somente nos princípios do século XII a devoção se expanda progressiva e definitivamente por todo o mundo cristão – até aqui com as opiniões dos teólogos divididas entre o prodígio do Nascimento de Cristo e a Santificação da Bem-Aventurada Virgem Maria (defendida pelos dominicanos). A partir de 1310 o culto à Imaculada Conceição começa a ser largamente difundido nas dioceses portuguesas da Guarda, Lamego, Évora e Lisboa, com a adesão de Braga a verificar-se em 1325.
 
No Concílio de Basileia (1439) é então declarado que «a doutrina sobre a Imaculada Conceição era pia, muito conforme com o culto eclesiástico, com a fé católica, com a recta razão e a Sagrada Escritura, e que por isso devia ser aprovada, seguida, abraçada por todos os católicos».
 
Sisto IV proclama, por seu turno, que seja celebrada em todas as igrejas o Ofício e Missa da Puríssima Conceição, enquanto diversos papas (Paulo V, Gregório XIV, Alexandre VIII e Clemente IX, entre outros pontífices) exaltaram a remotíssima «devoção à pureza e santidade da Virgem Santíssima, concebida sem mácula do pecado original – a Filha do Eterno, a Mãe de Jesus, a Esposa e o Templo do Espírito Santo».
 
Feriado nacional e dia santo de guarda, a data de 8 de Dezembro constitui-se como um dia de festa religiosa, associada durante muitos anos à celebração mundial do Dia da Mãe, actualmente comemorado no primeiro domingo do mês de Maio.
 
Quanto ao acto da proclamação de Nossa Senhora da Conceição como padroeira de Portugal, efectuado com a maior solenidade pelo rei D. João IV a 25 de Março de 1646, alargou-se a todo o País, com o povo, à noite, a entoar cânticos de júbilo pelas ruas, para celebrar a Conceição imaculada da Virgem, ou, mais precisamente, a Maternidade Divina de Maria.
 
Assim se tornou Nossa Senhora a verdadeira Soberana de Portugal, não voltando por isso, desde aí, nenhum dos nossos reis a ostentar a coroa, direito que passou a pertencer apenas à Excelsa Rainha, Mãe de Deus.
 
 
Soledade Martinho Costa
 
 
Do livro “Festas e Tradições Portuguesas”, Vol. VIII
Ed. Círculo de Leitores
 
 
 
publicado por sarrabal às 01:15
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Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008

«O MEU MENINO É D'OIRO» - HERÓIS DO 5º I - O BURACO (1º Episódio)

 
Lá estava ele! O buraco que assustava a turma inteira! Era negro como breu da noite e lá de dentro vinha uma luzinha brilhante que deixava toda a turma curiosa.
- Eu já não aguento mais! Vou lá dentro. – Disse o Ivan.
Mas deu um passo à frente e recuou logo. Passado meio minuto que pareceu uma eternidade, o Rafael entrou no buraco e desapareceu. Eu segui-o logo e depois toda a turma o seguiu.
Quando estávamos no buraco a Carlota sentiu o chão a tremer. Tememos o pior, ou seja, UM TERRAMOTO!
- O que é isto? – perguntou a Rafaela
- Não sei! – gritou o Ruben.
De repente ficou tudo escuro e um silêncio ensurdecedor. A nossa sorte foi que o Luís tinha trazido na sua mala de campismo 10 lanternas, comida que se poupássemos dava para poucos dias e duas garrafas, uma de litro e meio de sumo e uma de dois litros de água.
Acendemos as lanternas e reparámos que estávamos num piso rochoso e que ao lado havia uma escadinha de pedras que caíram do tecto, que nunca mais acabavam, e quando olhámos para cima vimos que a entrada estava tapada com uma pedra enorme.
- O que é que vamos fazer agora? – perguntou o Igor.
- Vamos pelas escadas. – afirmei.
Descemos durante meia hora e nada.
- Já me doiem os pés. – disse a Sara Luís.
- Força, não desistas. – falou o João.
Mas não conseguiu acabar a frase porque ficou pasmado com o que viu: LUZ! Um buraquinho minúsculo com luz. Tirámos as pedras e o buraco começou a ficar maior, maior, até que conseguimos finalmente sair.
- Aleluia!
- Somos os maiores!
- Finalmente!
Com tanta excitação nem reparámos onde estávamos, e vejam lá que fomos parar à PRAIA.
- O último a dar um mergulho é um ovo podre.
Atirámo-nos de cabeça para a água gelada, mas com tanta alegria nem sentimos o frio. A moral da história é que nunca mais ninguém gozou com a mala do Luís, e como ele diz, um homem prevenido vale por dois.
 
Rafael, o escritor (10 anos) – texto não corrigido.
 
 
 
publicado por sarrabal às 23:24
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Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

COISAS DA VELHA DO ARCO - «EU É QUE SOU A MULHER DO PRESIDENTE DA JUNTA»

O episódio passou-se na altura em que elaborava a colecção «Festas e Tradições Portuguesas». Um trabalho que me levou três anos a realizar (e não foi muito, considerando que se tratava de oito volumes), durante o qual não tive, propriamente, direito a férias. Numa esplanada ou na praia, levava comigo a documentação imprescindível, de modo a dar continuidade à escrita, que prazos são prazos, e sem a entrega dos textos não havia selecção de fotografias (cada volume conta com mais de duas centenas de fotos) e o restante percurso gráfico ficaria comprometido. Horas de sono, três a quatro, no máximo cinco horas por noite. Assim foram sendo publicados os oito volumes, pontualmente, um em cada mês, conforme compromisso do Círculo de Leitores para com os sócios que subscreveram a aquisição da obra.

 

Sei que precisei de confirmar uma informação relacionada com uma festividade realizada numa recôndita e pequena aldeia minhota. A pessoa indicada para me dar esse esclarecimento seria o presidente da Junta de Freguesia. Conforme acontece em muitas outras localidades, a Junta de Freguesia funcionava na casa do próprio presidente e sem funcionários. Em lugares pequenos a opção costuma ser esta. O horário de atendimento ao público varia, consoante os afazeres pessoais de cada presidente.
 
Eis-me, portanto, a efectuar o respectivo telefonema. Do lado de lá da linha alguém indaga antes que eu me adiante:
- Tá lá, quem fala? – A voz de uma mulher.
- Bom dia, minha senhora, poderei falar com o senhor presidente da Junta? – Perguntei.
E logo a voz num tom em que se vislumbrava algum incómodo:
- Ele não está.
- E sabe dizer-me quando é que ele está? – Insisti.
Uma pequena pausa e a informação:
- Tralmente lá prá hora do almoço.
- E a hora do almoço é quando? Trata-se de um assunto importante… – Acrescentei.
- Lá prá uma. – O som do clique a informar-me de que havia desligado.
A voz não era simpática, mas a interessada era eu.
Por volta da uma hora repeti a chamada. A resposta veio, seca como a anterior:
- Ele não está.
- Mas a senhora disse-me para ligar a esta hora… Então, quando é que poderei ligar novamente?
- Lá prá hora do jantar.
A igual economia de palavras e a minha pergunta, semelhante à que já fora feita:
- E a hora de jantar é quando?
- Lá prás oito.
O clique outra vez a dar por findo o breve diálogo.
O dia tinha passado e a confirmação sobre a informação pretendida tardava, a atrasar o meu trabalho. Mas às oito, lá estava eu ao telefone. A mesma voz e a mesma rudeza:
- Tá lá!
- Sim, minha senhora. O senhor presidente está? É a pessoa que precisa da informação…
De repente, como se o chão se abrisse num buraco sem fundo a tragar-me por inteiro, o espanto que não nos deixa sequer abrir a boca para dizer um ai. E ouvi, bem alto, uma voz alterada, iracunda, indescritível, vinda lá dos confins daquela aldeia minhota:
- Olhe cá, não tem mais nada que fazer, não, do que andar atrás dos homens? Ora vá mas é trabalhar, ouviu, e deixe os maridos das outras em paz!
Fiquei atónita. A custar-me a acreditar nas palavras inesperadas que escutava. Mas eis a gargalhada. Num impulso. Irreprimível, sonora, completamente incontrolável, a soltar-se, a quebrar a inicial mudez do meu espanto, da minha primeira reacção, da minha perplexidade. E a voz da mulher, escandalizada:
- E ainda se ri, é?
No meio do riso apenas consegui dizer:
- Que grandessíssimo disparate o seu!
Do outro lado o clique. A criatura tinha desligado.
Depois do riso, que não parava – à mistura com algum nervosismo –, veio ao cimo o meu amor-próprio, a dimensão da injúria, da afronta de que tinha sido alvo. Ainda por cima, a informação que pretendia tinha ficado sem resposta.
Sendo impensável ligar de novo para casa do presidente da Junta, no dia seguinte obtive pela PT o número de telefone do único estabelecimento da aldeia. Desta vez, uma voz de homem, amável. Perante as minhas desculpas pelo incómodo, a resposta:
- Olhe, minha senhora, eu aqui vendo de tudo. Desde bacalhau a sapatos. E ainda sirvo umas «bicas». Mas também cá estou para ajudar naquilo que puder!
Sem grandes pormenores, perguntei se me sabia dizer como poderia entrar em contacto com o presidente da Junta de Freguesia. Em vez da resposta, a pergunta com uma indesmentível nota de indignação:
- A senhora não me diga que houve problemas com a mulher?!
Fiquei calada e quem cala consente. E o dono do estabelecimento a adiantar, a mostrar que sabia muito mais do que eu própria:
 - Aquela mulher é o diabo. Coitado do homem…Olhe que é uma jóia de pessoa. Não há nada que se lhe aponte. Mas a mulher faz-lhe a vida negra com os ciúmes!
«Ora aí está!», pensei, a relacionar os factos.
E o meu interlocutor, desta vez:
- Olhe, minha senhora, está com sorte. O senhor presidente parou agora mesmo aqui defronte da loja. Não desligue, não desligue, que eu vou já chamá-lo. É só um momento!
E foi assim que cheguei à fala com o presidente da Junta de Freguesia da pequena aldeia perdida lá pelo Minho.
Postos os pontos nos «is» (assim teve que ser), o desabafo do homem feito de constrangimento:
- A senhora desculpe, sim, desculpe. A minha mulher só me faz passar vergonhas! – E numa confissão sincera, um tudo-nada ingénua: - Ainda a semana passada, numa reunião de Câmara com os presidentes das Juntas de Freguesia do concelho, me foi dito que as coisas não podem continuar assim. Há queixas, sabe? Até sugeriram que a minha mulher está a precisar é de uma boa lição!
Não perguntei qual seria a lição prevista. Mas fiquei a pensar se haveria lição capaz de acabar com os ciúmes da mulher do presidente da Junta. Tive dúvidas.
Quanto ao assunto que me levou a efectuar o telefonema, a informação fora obtida. Mas não digo que não me senti solidária com o homem que se mostrava tão fragilizado, impotente e infeliz perante o comportamento e os dislates da esposa. Pelo contrário.
 
Dias depois recebia uma carta em que me apresentava, uma vez mais, as suas desculpas. Dizia-me também que a mulher estava «arrependida e envergonhada» pelo ocorrido. Num impulso, pensei fazer-lhe um telefonema. Pedagógico. Mas controlei-me. Não o fiz. Talvez porque o meu amor-próprio falou mais alto. Há coisas difíceis de aceitar. Mesmo com a minha gargalhada e o meu riso – à mistura com o nervosismo, volto a crer –, as palavras que nunca havia escutado antes e me foram dirigidas, impunemente afrontosas, soavam ainda aos meus ouvidos. Poderia entendê-las como uma espécie de anedota, uma leviandade, uma brincadeira de mau gosto. Mas não consegui. Os ciúmes não podem desculpar tudo.
 
Não sei se na aldeia mudaram de presidente. É provável. Mas em 2004 era aquela a mulher do presidente da Junta.
 
Soledade Martinho Costa
 

 

publicado por sarrabal às 00:32
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