Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

DEGOLAÇÃO DE SÃO JOÃO BAPTISTA

"Degolação de São João Baptista", Caravaggio (Michelangelo Merisi), Catedral de Valletta, Malta

 

 No dia 29 de Agosto celebra a Igreja Católica a degolação de São João Baptista, o Precursor (assim designado por ter preparado e anunciado a vinda de Jesus Cristo, que mais tarde baptizou nas águas do rio Jordão, na Palestina).

 

Filho de Isabel, prima afastada da Virgem Maria, e de Zacarias, sacerdote judaico, São João Baptista foi decapitado no ano 31 a rogo de Salomé, princesa judia, que pediu a seu tio Herodes Antipas, tetrarca da Galileia, a cabeça do santo.
 
                           "Degolação de São João Baptista", Victor Meirelles,       Museu Victor Meirelles, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.   
 
 
Esta data não conta apenas com as cerimónias litúrgicas celebradas pela Igreja, mas ainda com os tradicionais banhos purificadores no mar, ritual que continua a verificar-se a 29 de Agosto.
 
Embora os banhos santos ocorram também a 24 de Junho (celebração do nascimento de São João), é neste dia que se verifica com maior relevo a tradição dos banhos profilácticos em terras algarvias, chamado ali «o banho da degola» ou «banho do 29», conquanto haja notícias da mesma praxe em certas localidades da Beira-Baixa e mesmo no Minho.
 
Prática precessora de outras mais remotas, tendo como origem provável os rituais pagãos em louvor das ninfas e outras divindades pré-romanas das águas, crê-se ter relação com o culto a Diana, deusa romana das montanhas, das florestas e dos animais selvagens (na Grécia, Ártemis), que costumava banhar-se nas águas das nascentes e dos rios, e cujos templos eram erguidos junto dos lagos, riachos e lameiros.
 
 
Hoje com uma vertente mais urbana e até turística, os banhos purificadores de homens, mulheres e crianças, sempre se estenderam aos animais, principalmente às cabras e ovelhas, levadas pelos seus pastores até à beira-mar e obrigadas depois a escalar um rochedo e a lançarem-se à água – naturalmente, com o susto e os berros das ovelhas e das cabras.
 
                                  "Banho do 29", praia de Odeceixe, Aljezur, Algarve.
 
A tradição dos banhos santos perduram em várias praias do Algarve, entre outras a de Manta Rota (Vila Real de Santo António), da Bordeira, mais conhecida por Carrapateira, do Amado, de   Odeceixe  e da Amoreira  (Aljezur).
 
De salientar o feriado municipal em Aljezur no dia 29 de Agosto, que inclui o respectivo banho santo, actividades de índole desportiva e recreativa, a tradicional sardinhada no final da tarde e a animação musical à noite, para assinalar «o São João da Degola».
 
                                                   "Banho do 29", praia de Lagos, Algarve.
 
Em Lagos, onde a tradição foi recuperada, grupos de pessoas acorrem neste dia à praia, providas de merendas, cumprindo o ritual do «banho sagrado».
 
Diz o povo que «o banho vale por 29», ou então que «devem ser tomados 29 banhos, cada um deles com a cabeça debaixo de cada onda, pois só assim o banho é virtuoso», ou ainda que «o diabo anda à solta nesse dia e só à noite é possível tomar o banho santo para purificar e excomungar o mal».
 
Passada de pais a filhos, a tradição dos «banhos santos» conta, agora, com grupos de banhistas vindos de fora, que se juntam à população local. Na praia acendem-se fogueiras, assa-se chouriço, come-se a merenda, canta-se e dança-se ao som de música, e convive-se animadamente pela noite dentro.
 
Este ano, a Câmara Municipal de Lagos organizou para o dia 29 um programa que inclui animação de praia, provas desportivas, um concurso de fatos de banho, sessão de fogo de artifício e a participação de um artista convidado.
 
Em tempos passados, o «banho do São João da Degola» ou «banho do 29» era tomado antes de nascer o Sol, sempre em jejum. O costume, segundo parece, terá sido herdado dos Árabes, que tomavam o banho de mar profiláctico e purificador nesta mesma data.
 
Soledade Martinho Costa
 
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Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

OBSTINAÇÃO

 

 
Quisera saber-te
Ave adormecida
Que pousasse
A repousar da audácia do seu voo.
 
Noite que perpassa
No silêncio
E se dissolve
Nos alvores da madrugada.
 
Mar enfurecido
Que se acalma
Ao escutar o som de um violino.
 
Quisera saber-te
Indulto
Distância
Esquecimento.
 
E não
Lembrança
Corpo
Alma
Renitência
No respirar fugaz
De um desatino.
 
Soledade Martinho Costa
 
Do livro “A Palavra Nua”
Ed. Vela Branca  
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Domingo, 24 de Agosto de 2008

SÃO BARTOLOMEU - A VIDA E A LENDA

 

São Bartolomeu, igreja matriz de Parambos, Carrazeda de Ansiães, Bragança.
 
São João Evangelista chamou-lhe Natanael (dom de Deus), enquanto os restantes evangelistas (São Mateus, São Lucas e São Marcos) o designam por Bartolomeu – Bart-Tolomai, filho de Tolmai. De acordo com a tradição cristã, terá sido o esposo nas bodas de Caná, em que Cristo realiza o seu primeiro milagre ao transformar a água em vinho.
 
Acompanha Jesus até à Sua morte, participando e assistindo às Suas pregações, milagres e outros episódios da Sua vida. Estava presente à beira do mar de Tiberíades quando Jesus, após a Sua Ressurreição, apareceu a alguns dos seus apóstolos.
 
Atribui-se-lhe grande apostolado na Índia, na Arábia e na Arménia. Segundo a lenda, nesta última região, possuía o Demónio um oráculo, prática que consistia em responder às perguntas dos seus seguidores pela voz do sibilo (bruxo) Astaroth. Todavia, quando São Bartolomeu entra no templo, logo a voz do Demo emudece. O santo ordena então ao Demónio que anuncie o nome de Jesus Cristo como o do verdadeiro Deus e destrua os ídolos pagãos existentes nos templos. E assim acontece.
 
Convidado por Astiage, que governava uma parte da Arménia, o santo aceita o convite, mas Astiage, traiçoeiramente, manda esfolá-lo vivo e cortar-lhe a cabeça – lenda religiosa que nasce no século XIII, com a indicação do martírio a 24 de Agosto, se bem que a morte aponte, também, para a crucificação e afogamento.
 
O seu poder de exorcista permanece no imaginário religioso popular, daí resultando a devoção e as práticas relacionadas com as possessões ou estados entendidos como demoníacos, ou atribuídos a entidades incorporadas nos pacientes, a pesadelos, terrores e outras coisas mais.
 
Várias são as versões para a trasladação das suas relíquias. Uma delas aponta para Lipari, a norte da Sicília, conquistada pelos Sarracenos em 838, que profanaram o seu túmulo, espalhando os ossos de São Bartolomeu pelas ruas.
 
Diz-nos ainda a tradição que, por inspiração do santo, estes brilharam de noite como estrelas, tendo sido recolhidos, piedosamente, pelo monge grego Teodoro. As relíquias são levadas em 839 para Benevento (Nápoles), em cuja catedral se lhe preparou uma capela própria.
 
A 25 de Agosto de 1338 voltam a ser trasladadas para uma sumptuosa basílica. Destruída esta por um terramoto, os ossos do santo, encontrados intactos, regressam de novo à catedral. Numa outra variante, as relíquias repousam na Basílica de São Pedro, em Roma, enquanto uma outra indica que transitaram no ano 1000 para a Igreja de Santo Adalberto, igualmente em Roma.
 
Devido ao seu martírio, São Bartolomeu é o padroeiro daqueles que trabalham em peles: curtidores, luveiros e encadernadores, entre outros.
 
Soledade Martinho Costa
 
Do livro “Festas e Tradições Portuguesas”, Vol. VI
Ed. Círculo de Leitores
 
  São Bartolomeu, Capela de São Bartolomeu, Várzea do Monte, Santo Tirso.
 
 
OS DIABOS DE AMARANTE
 
"Casal de Diabos", Museu Municipal Amadeu de Souza-Cardoso, Amarante.
  
No dia 24 de Agosto cumpria-se outrora em Amarante (Porto) uma tradição muito especial, a fazer com que as pessoas não fossem trabalhar nessa data, de modo a poderem prestar culto, antignóstico aos ritos canónicos, a duas imagens existentes na sacristia do convento dominicano de São Gonçalo, designadas, popularmente, pelo "Diabo" e pela "Diaba".
 
Igreja de São Gonçalo, Amarante.
 
Nesse dia as estatuetas – adoradas até 1809, ano em que foram queimadas – eram ornamentadas e recebiam oferendas dos seus devotos, num ritual nitidamente pagão. Representando um casal de Diabos, as duas figuras, de acordo com a lenda provenientes do Averno (Inferno), simbolizavam, segundo se crê, «a força criadora da Natureza», despertando alguma simpatia aos próprios monges do convento.
 
Interior da Igreja de São Gonçalo, Amarante.
 
É provável que as duas figuras tenham sido obra de antigos brâmanes – grupo religioso indiano que perfilhava as superstições aborígenes – trazidas por mercadores lusitanos das longínquas paragens do Império, que se estendiam então até à Índia.
 
Quando das Invasões Francesas, os soldados do general Loison, após terem incendiado e posto a saque Amarante, e antes de queimarem as duas figuras, exibiram-nas pelas ruas com as vestes sacerdotais.
 
Expulsas as tropas napoleónicas, os frades dominicanos, pesarosos pela perda do casal de Diabos, decidiram encarregar o artífice António Ferreira de Carvalho de executar outras duas figuras para substituir as primitivas, irremediavelmente perdidas. Tempos depois surgia um outro casal de Diabos, feito de madeira de carvalho, o mais parecido possível com o anterior, agora com orifícios na cabeça, a mando do prior do convento, de forma a poder colocar-se-lhe a cruz e a umbrela.
 
As duas figuras, escuras, de tamanho aproximado ao natural e com dois chifres, encontram-se sentadas numa espécie de banco circular. Os braços estão abertos e apresentam entre os dedos de cada mão uma pequenina bola que os separa. O Diabo veste uma tanga e tem a boca cerrada, ao contrário da Diaba, que mostra a língua de fora, traja uma saia curta com recortes na ponta e corpete ajustado, de decote redondo, a mostrar os seios volumosos. Os pés de ambas as figuras assemelham-se a garras com quatro dedos assentes sobre bolas.
 
Ponte sobre o Rio Tâmega, igreja e convento de São Gonçalo, Amarante.
 
Colocados os Diabos no local que os primeiros ocupavam, dá-se a visita a Amarante do rei D. Pedro V, que resolve ir prestar culto a São Gonçalo. Tanto bastou para deparar com as duas estatuetas, que manda de imediato retirar do lugar sagrado, passando «os pobres Diabos», a partir daí, a não ter lugar próprio, ou seja, a deambular pelo claustro.
 
Primeiro claustro do convento (1606).
 
Em 1870 o arcebispo de Braga, ao tomar conhecimento da existência das figuras «diabólicas» no templo, ordena, por sua vez, que as mesmas sejam queimadas, salientando «a sua indecência perante as imagens dos santos no mosteiro». O prior do convento limita-se a queimar os órgãos sexuais da figura masculina, entregando depois as figuras à Câmara Municipal, embora estas continuem sem lugar certo, de um canto para o outro do convento.
 
São Gonçalo de Amarante
 
É por essa altura que um inglês de visita ao mosteiro se interessa por elas e as deseja adquirir. Tratava-se de Alberto Sandeman, que pretendia promover os seus vinhos, servindo-se, para tanto, das duas figuras.
 

 
Com o negócio fechado e já com as estatuetas encaixotadas para seguirem rumo a St. Swithin’s Lane, na Grã-Bretanha, eis que as gentes amarantinas vêm a saber do caso e logo se unem num protesto junto à Câmara, tudo fazendo para impedir a ida dos seus Diabos para Inglaterra – chegando ao ponto de os «arrecadar» num velho forno do Convento de Santa Clara.
 
De nada lhes valeu. O Diabo e a Diaba acabaram por ser devolvidos ao seu (agora) legítimo dono, que de pronto os embarca na estação de caminho de ferro de Caíde (Lousada, Porto), com o casal de «mafarricos» a dizer adeus a Amarante e aos seus desolados habitantes e adoradores. Sabe-se que em Londres o «casal» fez sensação e que figurou em diversas exposições, entre elas a Exposição Universal de Paris, em 1889.
 
Por cá, os amarantinos continuavam inconformados, de tal jeito que, graças à intervenção do ministro dos Negócios Estrangeiros da época, foi possível que o casal de «divindades demoníacas», cumprida a sua missão no estrangeiro em função da publicidade ao vinho Sandeman, fosse devolvido à proveniência, isto é, à sua terra de origem: Amarante.
 
A euforia foi total, com as estatuetas vindas de barco para Leixões, depois de carro até à estação da Campanhã, de novo em carruagem especial rumo à Livração (ali já com grande multidão a recebê-las) e, por fim, a fazerem o transbordo para a Linha do Vale do Tâmega.
 
À chegada a Amarante aguardavam-nas uma multidão entusiasmada e feliz, entidades públicas e particulares e a banda filarmónica. Duas juntas de bois engalanadas com um manto vermelho, deixando à vista apenas os chifres e os olhos, esperavam o famoso casal de Diabos, organizando-se de seguida um cortejo com os «chifrudos» sobre o carro a abrir o desfile, acompanhados por charangas, gente montada em burros ou jericas, a edilidade, a banda filarmónica e o povo, aqui e ali com alguns jovens mascarados de mafarricos.
 
Assim percorreu o cortejo as ruas de Amarante aos gritos de «Aí vêm os Diabos!», numa animada recepção que se arrastou até de madrugada. A partir daí, e durante ainda muito tempo, o casal de Diabos continuou a ser venerado anualmente pelo povo no dia 24 de Agosto com manifestações de culto e oferendas «ao Diabo e à sua senhora», conforme diziam por essas épocas as gentes de Amarante.
 
Museu Municipal Amadeu de Souza-Cardoso, Amarante.
 
Hoje, o Diabo e a Diaba encontram-se expostos no Museu Municipal Amadeu de Souza-Cardoso, depois de muito terem viajado e de muito terem sido admirados – nunca, embora, com a veneração e o carinho dos amarantinos.
 
                                   "Procissão dos Diabos"                                 
  

Actualmente, para lembrar o cortejo de outrora, Amarante celebra esta data com a «Procissão dos Diabos», na noite de 23 para 24 de Agosto, constituída por cerca de 300 figurantes vestidos de diabo, os respectivos «demónios» (o ano passado com as figuras verdadeiras, cedidas pelo Museu, transportadas em andores, este ano com duas cópias das estatuetas originais, desfilando em carro de bois) e a Banda Municipal de Amarante. A festa prossegue com o «Baile dos Mafarricos», no Largo de São Gonçalo, junto ao mosteiro, e o ritual de «beber a queimada (bebida alcoólica) para purificar e excomungar o mal», como manda a praxe.

 
Tradição recuperada pela Câmara Municipal em 2007, o evento chama a Amarante milhares de visitantes que, juntamente com a população local, enchem, animadamente, as ruas do Centro Histórico da Cidade, embora com especial destaque para o Largo de São Gonçalo – à semelhança de tempos idos, a recordar a chegada do casal de «Diabos» resgatados e entusiasticamente recebidos pelos amarantinos.

 

Soledade Martinho Costa

 

 

 
publicado por sarrabal às 12:54
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Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

VARINAS

 "Varinas", Eduardo Malta
 
Ainda dorme o Sol
E elas já se apressam
Mal sonhadas
Na madrugada do dia
Que amanhece.
 
Braços ao alto
Cansados de cuidados
Seguram as canastras
Num gesto repetido
Repartido
Entre o pousar dos dedos
Sobre as ancas.
 
Rostos lavados
As palavras francas
Seios arfantes
Avançam na manhã.
 
Tudo nelas me espanta
Me seduz
Mas os seus braços
Na cadência apressada do seu passo
Tão cheios de um vigor pleno de graça
Só os comparo no jeito
A duas asas
No corpo de uma pomba que esvoaça.
 
Soledade Martinho Costa
 
Do livro “A Palavra Nua”
Ed. Vela Branca
publicado por sarrabal às 00:29
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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

«DORMIÇÃO» DA VIRGEM MARIA

 
Neste dia, celebra a Igreja Católica diversas solenidades litúrgicas dedicadas à Virgem Maria, recordando a data da sua morte – a que se dá o nome de «dormição» –, situando a tradição antiga, quer escrita quer arqueológica, o seu falecimento, com pouco mais de sessenta anos, no monte Sião. Segundo a mesma tradição, o seu corpo repousou no vale de Josafat (entre Jerusalém e o monte das Oliveiras), perto de Getsemani, aldeia onde Jesus passou uma noite de agonia, ali lhe sendo preparada a sepultura.
 
Desde tempos remotíssimos que a fé universal da Igreja afirma que a Virgem ressuscitou como seu Filho e como Ele não permaneceu na Terra, erguida aos céus à semelhança da graça e privilégio que lhe foram concedidos, isto é, «que a Imaculada Sempre Virgem Maria, terminado o seu curso de vida terrena, foi assumpta em corpo e alma à Glória Celestial».
 
 
FESTA DA SENHORA DA SALVAÇÃO EM ARRUDA DOS VINHOS
 
 

Além das celebrações litúrgicas que lhe são consagradas, muitas são, também, as festividades que têm lugar de norte a sul do País em louvor de Maria, sob as suas várias invocações. É o caso de Arruda dos Vinhos (Estremadura), com a festa da sua padroeira: Nossa Senhora da Salvação.
 
Igreja matriz de Arruda dos Vinhos
 
Antecedida por uma novena de oração, pregação e louvor, que finaliza sempre com o hino em honra da Senhora, a festa é anunciada ao povo, tradicionalmente, ao meio-dia do dia 24 de Junho (dia de São João), com o toque festivo dos sinos e o lançamento de foguetes. No dia 15 de Agosto celebram-se duas missas: a missa solene ao meio-dia e a missa que antecede a procissão (17 horas), chamada a «missa dos forasteiros», dedicada a toda a população de Arruda, mas, particularmente, aos visitantes.
 
 
Na procissão desfila apenas o andor com a imagem da Senhora da Salvação, peça valiosíssima em talha dourada de ouro fino do século XVIII. A Senhora possui um pequeno tesouro, composto por diversos objectos de ourivesaria, provenientes das ofertas dos fiéis. Actualmente, as ofertas em ouro somam apenas duas ou três peças por ano. As restantes, constituem-se por velas, flores e dinheiro, colocado no andor, «pregado» com alfinetes no manto da Virgem.
 
Interior da igreja matriz de Arruda dos Vinhos
 
A imagem deixou, entretanto, de ostentar o seu ouro, optando-se pela sua exposição, nos dias da festa, em vitrinas dispostas para esse efeito na igreja matriz. Da parte profana destacam-se as típicas largadas de touros, realizadas diariamente (à excepção do dia 15), acrescentadas à festa, segundo parece, no final do século XIX.
 
Pega de Caras
 
O convívio gerado nas pequenas tertúlias, concebidas para animação das largadas, os almoços colectivos e as três corridas de touros em pontas, realizadas na praça de touros de Arruda dos Vinhos, são outros tantos atractivos a chamar à festa quer a população local quer os visitantes.
 
A origem das festividades, de acordo com a tradição, conta que nos finais do século XV a vila terá sido poupada à peste, levando D. Manuel I e a sua corte a refugiarem-se naquela localidade. O rei terá, então, mudado a invocação primitiva de Santa Maria de Arruda para a de Nossa Senhora da Salvação – embora, em documentos se afirme, que a mudança se verificou em 1531, quando da reedificação da igreja matriz. Outra tradição que se mantém, consiste em, pelo menos uma vez na vida, as crianças nascidas das famílias de Arruda participarem na procissão vestidas de anjinho.
 

 

Representando as espigas de trigo e os cachos de uva, o pão e o vinho – Jesus Cristo na Última Ceia simbolizou no pão a representação do Seu corpo e no vinho a do Seu sangue –, é natural que os belíssimos mantos da Senhora da Salvação se apresentem ricamente bordados com cachos e espigas a lembrar, ainda, o ambiente rural de Arruda, especialmente as suas vinhas, das quais provém o seu apreciado vinho.
 
Soledade Martinho Costa
                                 

                           

 
Do livro “Festas e Tradições Portuguesas”, Vol. VI
Ed. Círculo de Leitores
publicado por sarrabal às 00:08
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

COISAS DA TERESINHA - A LUA

       

  

Fomos passar um tempo à “Casa do Bailo”, no Bom Velho de Cima (Condeixa-a-Nova). Apenas um lugar, pois nem sequer chega a ser uma aldeia. Bem lá no alto, rodeado de denso arvoredo, de um verde cerrado por tudo quanto é olhar. Ar do mais puro. Tão puro, que alguns médicos de Coimbra recomendam o Bom Velho de Cima para quem sofre de problemas alérgicos.
 
Um local fora do Mundo, costumo dizer. A casa, quase desmoronada, foi reconstruída há uns anos. Vestida de novo com o «fato» antigo. Nada foi desperdiçado: pedras, madeiras, ferragens, azulejos…Manteve-se a traça original: a escada de pedra encostada à fachada, muito comum nas casas da Beira Litoral, que dá acesso ao primeiro andar, embora hoje a entrada principal se faça por uma das duas portas do andar de baixo, «as lojas», como se dizia antigamente, de piso térreo, onde se guardava o vinho, o azeite, as batatas, os cereais e se escondiam os gatos, que a caça, por ali, nesses tempos, era farta e não dava canseira.
 
Piso térreo transformado agora em várias zonas distintas, mas integradas, com paredes de pedra a medirem mais de meio metro de espessura, a darem ao ambiente a frescura desejada nos dias de intenso calor: sala de entrada; sala de estar; sala de refeições, repartidas por patamares com degraus também de pedra, tão antiga que se lhe adivinha os anos nas «faces» puídas ou no recorte da «barrela» sulcado no largo degrau que dá acesso à cozinha. Não há portas (só a da casa de banho), mas em contrapartida, toda a liberdade deste amplo espaço conta com várias janelas, além dos postigos das duas portas da frente e da porta de trás, que dá acesso ao jardim.
 
Jardim, fonte dos meus cuidados, onde duas grandes nogueiras dão a sombra apetecida quando é Verão ou erguem ao céu os ramos desnudados no Inverno. Espreito, ansiosa, o despertar dos renovos na Primavera, como assisto, já um pouco saudosa, ao cair das suas folhas no Outono. Folhas novas ou velhas aproveitadas por quem percebe de plantas, como a “ti” Laura, que recolhe as folhas em sacas, pedindo a minha autorização – sempre concedida – para, «depois de tratadas com os conhecimentos que Deus lhe deu» as vender «a um homem que lhas compra e lhas vem buscar de tempos a tempos».
 
Nos muros de pedra sobreposta (à antiga) do minúsculo pomar, espreitam ou deitam-se os fetos e as heras, que fazem lindos arranjos dentro de casa; não há plantas que se harmonizem melhor com as paredes de pedra à vista. Habitantes, alguns nascidos ou a residir permanentemente no Bom Velho de Cima? Apenas 26! Os restantes, como eu, são os residentes temporários. Actualmente, nove pessoas – sem contar com quem aparece de visita. No que me diz respeito, o «temporário» chega a somar alguns meses seguidos, em qualquer altura do ano.
 
Devo a ideia de dar nova vida àquela casa inexoravelmente moribunda a um grande nome das nossas artes plásticas: António Pimentel (Tópi para os íntimos, natural de Condeixa). Fiquei maravilhada com a casa que construiu, quando regressou de França, a partir de uns palheiros, em Alcabideque (aldeia a cinco minutos do Bom Velho de Cima) e avancei com a reconstrução da minha. De tal modo o António Pimentel ganhou novo entusiasmo, que acabou por adquirir outra casa velha no Bom Velho e a fazer dela o belo estúdio/galeria onde trabalhava e expunha as suas obras. Estúdio/galeria que, após o seu prematuro falecimento, se mantém, gerido pela sua viúva, a pintora Collete Villate.
 
Muita gente famosa conhece o Bom Velho de Cima: actores, pintores, cantores, músicos, escritores, jornalistas…Amigos do António Pimentel e da Colette e também meus. Amália Rodrigues preparava-se para ir até lá, não fora o seu falecimento repentino: «Já que vossemecê fala tanto no Bom Velho, eu sempre quero ver como é!». Dulce Pontes e Isabel Silvestre, além de outros amigos, foram minhas convidadas. Assim como Eunice Munhoz, Sinde Filipe, João Perry e outras caras conhecidas, foram convidados do Tópi. Ou seja, todos eles são amigos que aparecem de vez em quando no Bom Velho de Cima. Sim, porque existe o Bom Velho de Baixo…
 
A escolha do nome, “Casa do Bailo”, deve-se ao facto de ser ali que, antigamente, os «jovens» do lugar, que têm hoje mais de 80 anos, faziam os seus bailaricos. A intenção foi a de prestar homenagem aos que estão ainda vivos e recordar, no nome, um passado que não deve ser esquecido. No dia da inauguração da casa, houve festa no larguinho de São João, que lhe fica fronteiro, devidamente engalanado – porque se escolheu, precisamente, o dia 24 de Junho, dia de São João, para se fazer o festejo. Isto, há onze anos atrás. Festa/convívio entre «o povo» do lugar e das aldeias vizinhas, que durou desde o início da tarde e se estendeu pela madrugada dentro, contando com comes e bebes e um animado bailarico.
 
O descerramento do azulejo que dá o nome à casa, da autoria de António Pimentel, foi efectuado pela pessoa mais velha, nascida, criada e a viver no lugar: a “ti” Mabília (que já não se encontra entre nós), «muito honrada e nervosa por lhe caber essa tarefa». Presentes e «agraciados» com um discurso alusivo e a leitura do texto “As Casas”, foram ainda todos os que trabalharam na reconstrução da velha casa renascida das ruínas. De luzes acesas em todas as divisões e portas abertas, a entrada na casa era livre!
 
Depois, o Bom Velho fica pertíssimo de uma série de lindas cidades: Aveiro, Águeda, Coimbra, Figueira da Foz, Lousã, Leiria, Montemor-o-Velho, Pombal, Tomar…
 
Bom, já repararam, certamente, que me «perdi» a falar do Bom Velho e o título da crónica nada tem a ver com o texto em si. Pelo menos, parece. Mas eu vou já corrigir:
 
Numa dessas estadias na “Casa do Bailo” (o primeiro andar tem quartos para toda a família, uma espaçosa casa de banho, um pequenino escritório/biblioteca e um amplo terraço com uma vista espectacular), fomos passar o dia a Aveiro – a chamada Veneza de Portugal. Come-se lá muito bem e a cidade é lindíssima. Depois do jantar, o regresso.
 
 Às tantas, o silêncio dentro do carro foi quebrado pela voz da Teresinha, ainda acordada. O irmão «tombou» antes, mesmo, de aquecer o lugar. Dizia a Teresa:
- Já repararam na lua?
Todos olhámos, mas ninguém falou.
E volta a Teresa a insistir:
- Eu perguntei se tinham reparado na lua!
Fomos unânimes: «Sim, sim, Teresinha, reparámos!»
- Mas não reparam numa coisa, tenho a certeza… – Acrescentou.
- Em quê? – Perguntou a mãe.
- No desenho dela. Parece uma banana, não parece?
E o silêncio a voltar. A instalar-se, de novo, dentro do carro. E a Teresa a insistir mais uma vez:
- Eu disse que a lua parece uma banana e ninguém diz nada!?
Em simultâneo olhámos de novo. A Teresinha tinha razão. Havia alguma semelhança, realmente.
- É verdade, Teresa; tem o formato de uma banana! –Responde o tio.
E a Teresinha, na prontidão do costume, palavra na ponta da língua:
- Se fosse uma banana e pudesse apanhá-la, dava-lhe já uma dentada!
- Ó Teresa, mas acabaste agora mesmo de jantar… – Disse o avô.
E logo a Teresinha:
- Ora, avô, uma bananinha cabe sempre num buraquinho do meu estômago!
 

 

Foi nessa altura que me lembrei dum poema que escrevi para os mais pequeninos e que deixo hoje aqui dedicado à Teresinha e a todos os meninos que tiverem conhecimento dele. É assim:
 
 
O GATO, O MOCHO E A LUA
 
 
 
- Não sei o que tem a lua
Mia o gato no telhado.
Às vezes penso que amua
Hoje falta-lhe um bocado!
 
Pia o mocho empoleirado
Lá do alto do seu ramo:
   
- Mas que grande disparate
És mesmo um ignorante…
A Lua não está zangada
Está em quarto minguante!
  
E continua a lição:
  
- Aprende bem o que digo;
A Lua tem quatro fases
Quando aparece ao postigo:
  
Lua Nova
Quarto Crescente
Lua Cheia
Quarto Minguante.
  
Aprende, pois, meu amigo
Que o saber é importante!
  
Soledade Martinho Costa
 
 
Do livro “O Caracol que sabe Música”
Ed. Exclusiva Fundação Calouste Gulbenkian.
 
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Sábado, 9 de Agosto de 2008

VILA FRANCA DE XIRA

Campinos

 

Vila Franca que te vestes
Sempre de verde e vermelho
Com meias de renda branca     
Que te sobem ao joelho.
 
Na mão ergues um pampilho
Bem acima da montada
Para guiar um novilho
Que se afastou da manada.
 
Como enfeite tens o rio
E a Senhora de Alcamé
Tens o melão e as barcaças
A dormir ali ao pé.
 
Tens lezírias, tens touradas
As cheias calham-te em sorte
Tens na tua capelinha
O Senhor da Boa Morte.
 
Quando chega o mês de Outubro
Toureiros vestem-te de oiro
E tens as esperas do povo
A correr atrás do toiro.
 
Danças com garbo o fandango
Tens Soeiro e tens Redol
Tens o Tejo no Inverno
A servir-te de lençol.
 
Na alma tens os “Gaibéus”
No coração tens os “Esteiros”
E manténs a tradição
Nas redes dos avieiros.
 
Soledade Martinho Costa 
 

                                        Avieiros

publicado por sarrabal às 00:27
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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

CRÓNICAS DE PORCELANA - SOLI E OS ELEFANTES

 

A tia resolveu dar um passeio com os dois filhos e a sobrinha. A manhã acordou resplandecente, com uma brisa suave e um cheirinho verde a campo e a flores, a segredar que a Primavera tinha, finalmente, decidido dar um arzinho da sua graça.
Havia que aproveitar. «Um piquenique?» – foi a pergunta. - «Sim, sim, um piquenique!». – Gritaram os três.
O passeio prometia. Em determinado local o carro ficou em descanso e iniciou-se a costumada caminhada a pé. E logo a Soli, sempre com vastos conhecimentos sobre esta matéria:
- Pois, pois, andar a pé faz muito bem à saúde! Aos ossos, ao sangue, ao coração, ao cérebro…
A certa altura, passaram por uma fabriqueta, a laborar ao sábado de manhã, que emitia um som um pouco estranho – fábrica não poluente, soube-se depois. Estranhamente, o ruído possuía alguma semelhança com o som emitido por uma manada de elefantes. Uma manada pequenina porque o som, há que dizê-lo, era discreto e pouco incomodativo. Aliás, a emprestar um certo ar africano à paisagem.
Apenas a Soli se manifestou:
- Tia, aquela fábrica ali é uma fábrica de fazer elefantes? – Perguntou com um ar e um jeito de quem sabe – ó, se sabe! - que está a fazer uma pergunta perfeitamente descabida.
A tia percebeu a ironia ou a tentativa de gracejo da pergunta. Respondeu:
- Não, Soli, aquela não é uma fábrica de fazer elefantes. Sabes muito bem que os elefantes bebés nascem das barrigas das mães elefantes, ou não é?
A Soli sorriu, com aquele sorriso que só ela sabe ter nestas ocasiões e argumentou:
- Sei, tia. Mas só perguntei por brincadeira!
Sim, que a Soli, com todos os predicados já aqui descritos de quem tem apenas cinco aninhos, também possui, como não podia deixar de ser, os seus defeitos: «Eu já sei» ou «Eu já sabia» – é a resposta pronta, sempre que alguém tenta dar-lhe uma explicação. Ou, então: «Eu faço» ou «Eu sei fazer» – quando se quer ensiná-la a fazer algo que não sabe ainda.
Noutros casos, a resposta é tão determinada como as anteriores: «Eu já vi» ou «Eu já tinha visto» – sabendo nós que não tinha visto coisíssima nenhuma.
Um exemplo: «Eu já tinha visto a neve» – mal chegaram à serra da Estrela.
- É impossível, Soli. Em Angola não há neve! – Disse-lhe o primo. – O teu nariz está a crescer, estás a inventar…
- Mas eu já vi neve, sim! – Afirma a Soli na teimosia de quem, apanhada em falta, não quer desdizer-se nem dar o braço a torcer.
- Então, diz lá. – Desafia o primo – Onde é que viste a neve?
Sem alternativa, a Soli não se deu por vencida e respondeu depois de alguma meditação, que o caso parecia um pouco complicado para o seu lado:
- Olha, vi a neve quando estava dentro da barriga da minha mamã!
O primo abanou a cabeça e calou-se. A conversa ficou por aqui.
Por enquanto, segundo parece, a Soli julga-se uma menina auto-suficiente. Pelo menos, pretende sê-lo. E autodidacta também. O que a Soli não sabe é que tem ainda muito que ver e aprender pela vida fora. E não vai poder ver nem aprender tudo. Acontece aos melhores. Ela é que não sabe.
Além de imaginar, talvez, que pode ser uma super-menina. A Soli esquece-se, apenas, de uma coisa: que não possui uma capa como o super-homem.
 
Soledade Martinho Costa
 
 
publicado por sarrabal às 19:03
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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

ANTÓNIO HOMEM CARDOSO

   
Na rota dos ângulos
Mais exactos
Guiar a mão
Num desafio à luz
E às verdades.
 
Ser a memória
Dos rostos sem idade
Que dormem
Onde moram os nomes
E as saudades.
 
Soledade Martinho Costa
 
Do livro “O Nome dos Poemas”
 
 
publicado por sarrabal às 00:17
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