Sábado, 28 de Junho de 2008

NOITE DE SÃO PEDRO - «O QUINTAL DA FESTA»

 São Pedro
 
As festas populares em louvor de São Pedro, obedecem às mesmas características das festas de Santo António e de São João: marchas, fogueiras, ruas enfeitadas, sardinha assada, bailaricos e demais folguedos.
 
Procissão por mar, Festas de São Pedro, Montijo
 
Festividades a servir de remate aos festejos em louvor dos santos populares, que se prolongam, em alguns lugares, por todo o mês de Junho.
 
Igreja de São Domingos, Viana do Castelo.
 
Dos rituais que lhe são dedicados, refira-se a festiva e popular «Coroação de São Pedro», em Viana do Castelo, consumada na imagem de granito que ladeia a porta da fachada da Igreja de São Domingos.
  
Interior da Igreja de São Domingos, Viana do Castelo.
  

Consiste o antigo cerimonial em florir o arco do nicho onde se encontra a imagem com um outro de madeira revestido de hortênsias, em colocar uma coroa das mesmas flores na cabeça do santo e um ramo na mão que segura a chave. Para assistir ao acto, congregava-se outrora um mar de gente, havia tocatas e descantes e uma enorme fogueira feita com troncos de pinheiro.

   
São Pedro, Peter Paul Rubens. 
  
Hoje, mantém-se a concentração do povo, mas aproveita-se a saída das recuperadas marchas populares, na noite de 28, para dar cumprimento à coroação.
 
Hortências
 
Como manda a praxe, o ritual é efectuada por uma criança, que se eleva até ao nicho – levada por um bombeiro com o auxílio da respectiva escada –, para colocar as flores e depor um beijo na face de São Pedro. 
 
 
 São Paulo, Rembrand.
 
Todavia, visto a imagem de São Paulo se encontrar num outro nicho, continua a verificar-se o costume de lhe colocar também uma coroa florida.
 
 
                             São Pedro, Igreja Matriz de Penedono, Viseu
 
E porque lembrar do passado as tradições antigas deve ser quase uma obrigação, para que se não percam no futuro, como vai acontecendo, aqui fica, por invulgar e pouco conhecida, a celebração a São Pedro, que tinha lugar, por tempos idos, em Nisa (Alto Alentejo), onde o «príncipe dos apóstolos» (assim o denominavam ali) e patrono dos lavradores nisenses era festejado durante três dias.
   
Capela do Calvário, Nisa.
  
Da parte religiosa constava o Canto de Vésperas, na Capela de São Pedro, com a participação de todos os lavradores, que se dirigiam para o local com dois porta-bandeiras, uma levada pelo lavrador que nesse ano «dava a festa», a outra pelo que a tomava a seu cargo no ano seguinte.
 
 
Igreja Matriz, Nisa.
 
No dia 29 havia missa cantada e sermão na igreja matriz, para onde a imagem do santo era conduzida em procissão, voltando depois à sua capela.
 
Castelo, «Porta de Nisa».
 
A parte profana consistia no «segundo casamento» do lavrador que «oferecia a festa», procedendo este de acordo com a antiquíssima tradição, ou seja, como se de facto voltasse a unir-se pelos laços do matrimónio com a mesma consorte.
 
 
Varanda de Nisa.
 
Oito dias antes, o lavrador ou festeiro, percorria as casas dos familiares e amigos para proceder aos convites, contribuindo os convidados com o empréstimo das louças destinadas ao «quintal da festa».
 
Peças típicas de barro, Nisa.
 
Quintal da casa onde decorria o banquete, que se prolongava por três dias, com iguarias idênticas às da antiga boda.
 
 Pratos de Nisa.
 
As louças eram devolvidas depois, acompanhadas por bolos, praxe cerimonial que continua a manter-se.
  
Rendas de Nisa. 
 
A «cama da festa» (cama dos noivos) ostentava as melhores peças do bragal ainda existentes: colchas, lençóis, toalhas, etc. As vestimentas eram também aquelas que tinham usado no dia do casamento – mais apertadas, naturalmente…
 
Trajos regionais de Nisa
 

No «quintal da festa», na mesa destinada ao festeiro, colocava-se uma maçã vermelha cravada com um ramo de manjerico e grandes palanganas de barro vidrado contendo vinho, que os convivas retiravam utilizando púcaros de folha.

 
 
A certa altura o festeiro levantava-se, segurava a maçã e saudava: «É com grande alegria/ e grande satisfação/que vou beber à saúde/de todos quantos estão».
 
 
Dava uma volta à mesa, dando a maçã a cheirar a todos os convidados, até chegar àquele a quem cabia «dar a festa» no ano seguinte. Oferecia-lhe a maçã a cheirar e este dizia: «Vou beber este vinho/vinho cor de romã/é com grande alegria/que pego na maçã».
 
Queijos de Nisa. 
 
Findo o repasto, onde não faltava a tradicional sopa de afogado (sopas de pão que levam por cima o caldo e a carne de borrego cozida), o arroz de vinagre e os afamados queijos de Nisa, organizava-se um novo cortejo que se dirigia à Capela de São Pedro.
 
Janela de Nisa.
 
Ali, tinha lugar a cerimónia da «entrega da bandeira» pelo festeiro cessante ao festeiro eleito, com aclamações e vivas a São Pedro, considerado o «pastor máximo» dos zagais de Nisa. 
 
 
Os bombos de Nisa.
 

Os três dias em que durava o «quintal da festa» eram abrilhantados por músicos (pífaro e tambor, a começar no alvorecer do primeiro dia), bailaricos, foguetes e fogo-de-artifício. Toda a vila se associava ao festejo, com a rua do festeiro coberta de junco, além da costumada oferta de tremoços e de vinho à população.

 

 
Janela de Nisa.
 
Em tempos ainda mais recuados, efectuava-se a chamada «chacota», cortejo que saía de casa da festeira na tarde do dia 28, com os músicos na frente (pífaro, tambor e gaita-de-foles), seguidos de seis jovens vestidas com esmero a ladear a festeira, que transportava o estandarte, atrás os zagais, outras seis pastoras e duas mulheres com pandeiros de soalhas (chapinhas de lata), às quais cabia «levantar» as cantigas em louvor de São Pedro, que as restantes repetiam em coro acompanhadas por violas.
  
Casas antigas com «quintais», Nisa.
 
Os «quintais da festa» ainda hoje são utilizados em Nisa para oferecer o almoço e o jantar da véspera do casamento. Trata-se de espaços amplos, agregados às casas antigas (os quintais), cedidos ou alugados a quem os não tem. Da Capela de São Pedro, entretanto extinta, resta o nome, a designar o local onde existiu outrora o templo do santo.
 
Capela de São Pedro demolida em 1970.
 

A antiga imagem foi transferida para a igreja matriz, enquanto as pedras serviram à reconstrução da capela de Santo António, que, à época, se encontrava em ruínas.

 
Soledade Martinho Costa
  
 
In “Festas e Tradições Portuguesas”, Vol.V
Ed. Círculo de Leitores
 
 
publicado por sarrabal às 10:28
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Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

NOITE DE SÃO JOÃO - CASCATAS E ALHOS-PORROS

 

 São João Baptista.

 

Em tempos idos, tal como hoje, os moradores dos bairros populares do Porto organizavam-se em comissões, para angariarem donativos, que revertiam para as despesas destinadas a enfeitar as ruas do seu bairro em homenagem ao Santo Precursor.

 
 
Festejou-se, entretanto, o São João da Corujeira, de Cedofeita, da Lapa (inicialmente o mais burguês), do Bonfim e do Palácio de Cristal (o eleito dos namorados) – supostamente, sendo em Cedofeita que o povo, primitivamente, se reunia para festejar o santo, com actos religiosos e pagãos (bailaricos, descantes, bombos e violas).
 
Rusga de Massarelos, Porto
 
Já referenciados no século XIV, os festejos mudaram-se depois para a Lapa e o Bonfim, locais onde o São João, por volta de 1834, era festejado com a maior animação popular. Nas Fontainhas, por esses anos, começou por se fazer uma «cascata», que criou fama, dando origem a que se deslocassem ali diversos grupos – as rusgas – com roupas festivas, cantos e balões dependurados em ramos, numa afluência de gente ida de todos os cantos do Porto para se divertir e comemorar o santo.
 
Rusga de Massarelos, Porto
 
Havia também o hábito de servir café quente, aguardente e aletria. Tanto bastou para que o povo (ainda por isso) acorresse às Fontainhas, aproveitando para lavar o rosto numa fonte existente no local.
 
Fonte das Fontainhas (final do sec.XIX).
 
Sempre antes de nascer o Sol no dia 24, a manter o ritual da água benta, propiciatória e purificadora.
 
Mercado do Bolhão, Porto
   
Nos mercados do Anjo (hoje Praça de Lisboa) e do Bolhão era grande a procura das plantas e ervas sagradas e profilácticas (procura que se mantém), principalmente do indispensável «alho-porro» ou «alho de São João».
 
Alho-porro.
 
É com ele que se bate na cabeça de quem passa, a manter a tradição do desejo ritual de boa sorte e de fortuna.
  
 
 
Desde os anos sessenta com o martelinho de plástico colorido a substituir a tradição da planta sagrada, que muitos, felizmente, teimam em levar à festa, no desejo de conservar a antiga praxe (atitude que o santo não deixará, por certo, de ter em conta). Actualmente (recuperado que foi o São João em 1924, após vários anos em que não se realizou), diz-se que “tudo começa e acaba na Ribeira”, estendendo-se às praias da Foz e à Boavista.
 
Cais da Ribeira, Porto
 
Todavia, parece ser no Bonfim que se concentra a maior parte do povo e se faz a grande festa são-joanina portuense, embora os pequenos arraiais dos bairros se espalhem por toda a cidade: Massarelos, Vilar, Miragaia, Entre-Quintas, São Pedro de Azevedo, Cantareira, Terreiro da Catedral, São Nicolau, Bairro da Sé, Cais da Estiva, entre outros.
 
 
 Igreja Matriz do Bonfim, Porto
 
Arraiais todos eles  com ornamentações e iluminações festivas, tasquinhas de comes e bebes, fogueiras e bailaricos, num São João popular, folião, de convívio e alegria.
 
 
Por épocas mais antigas o São João no Porto contava já com iluminações e ornamentações nas ruas, música, descantes e danças, barracas de petiscos, diversões de todo o género, marchas dos bairros populares, colchas nas janelas, grandes ramos de carvalho encostados às casas ao longo das ruas, o chão coberto de juncos, espadanas, alecrim, rosmaninho e outras plantas aromáticas, que perfumavam a cidade, como acontece actualmente, ao juntarem-se às fogueiras.
 
 
O grande momento da noite é ainda o fogo-de-artifício, ou «fogo-de-São João», lançado da serra do Pilar (Cova da Onça), agora visto da Ribeira, lançado à meia-noite de 23 para 24 nas margens do rio Douro, junto da Ponte D. Luís.
 
Ponte de D. Luís, Porto.
 
Dos costumes antigos, nenhum se perdeu. Ganhou-se, isso sim, em 1911 o feriado municipal do Porto, instituído no dia de São João.
 
 Iluminações festivas pelo São João nas ruas do Porto.
 
Os altares ao Santo Precursor, continuam também a armar-se dentro das igrejas, constituindo as imagens de São João Baptista, espalhadas em número considerável pelas igrejas do Porto (algumas de grande qualidade artística), assim como as preciosas pinturas onde ressalta a figura do santo, um património de valor inestimável.
 
Cascata tradicional de São João, Porto.
 
As pequenas «cascatas» são-joaneiras, que povoam a cidade (com origem provável nos presépios), são erguidas num qualquer recanto, junto de uma parede, no passeio público ou nas soleiras das portas, geralmente pelas crianças. Embora surjam as «cascatas» mecânicas ou de grandes dimensões.
 
Cascata do Hospital de São João do Porto.
 
Mas a mais importante, conhecida e tradicional é, sem dúvida, a da Alameda das Fontainhas, erguida, anualmente, há perto de setenta anos na fonte ali existente.
 
Cascata das Fontainhas, com São João Baptista a baptizar Jesus Cristo.
 
Outra alegoria a merecer a atenção dos Portuenses e de quem visita o Porto no São João, é a que se ergue ao cimo da Avenida dos Aliados, por deliberação da Câmara Municipal, frente aos Paços do Concelho.
 
Cascata/2008, ao cimo da Avenida dos Aliados, Porto 
 
Concebida sempre de forma diferente em cada ano, em 2008 a cascata da Câmara Municipal do Porto é constituida por uma espécie de labirinto que pode ser percorrido pelos visitantes.
 
 
As tradicionais «cascatas» – sinónimo de água, alusiva ao rio Jordão – com a figura do santo em lugar de destaque, incluem uma imensidade de enfeites e de figurinhas de barro, fabricadas outrora, como hoje, principalmente, em Avintes e Barcelos, pelos artistas oleiros dessas localidades.
 
 
Os manjares cerimoniais desta data continuam a ser o caldo-verde com broa e o carneiro ou anho assado. Se bem que a sardinha assada acompanhada com broa e salada de pimentos constitua o prato mais popular da noite da festa. Depois disso, manda a tradição que se beba o café com leite (a lembrar o antigo café servido nas Fontainhas) e saboreie o pão com manteiga – sem esquecer as «orvalhadas», que obrigam a que ninguém se deite antes de apanhar o orvalho bento «para ser feliz e ter saúde o resto do ano».
 
O São João nas ruas do Porto.
 
Devoção popular feita de alegria contagiante, a Festa de São João no Porto há quem a considere única no Mundo.
  
Soledade Martinho Costa                         
 
  
In “Festas e Tradições Portuguesas” Vol. V
Ed. Círculo de Leitores. 

 

publicado por sarrabal às 12:57
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Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

"O MEU MENINO É D'OIRO"- A JOGADORA DE FUTEBOL

 

A brasileira Marta (Vieira da Silva), do Umea da Suécia, considerada a melhor jogadora de futebol do Mundo.
 

Era uma vez uma pequena aldeia, chamada Xen, a aldeia situava-se num pequeno monte na Florida, Estados Unidos. A aldeia tinha uma dúzia de casinhas feitas em tijolo com um telhado de palha. Um dia nessa aldeia nasceu uma menina chamada Hataly, tinha os olhos negros como azeviche e um cabelo preto como cinza escaldante, era muito morena e tinha uma personalidade forte, ela era muito competitiva e tinha que fazer sempre tudo perfeito, era exibicionista e adorava desporto. Quando tinha 4 anos Hataly deu os seus primeiros toques numa bola de futebol, passado mais quatro anos ela era fenomenal derrotava o seu pai e todos que a desafiavam.

 

Quando Hataly tinha 15 anos os seus pais acharam melhor ela ir estudar para Nova Iorque. O autocarro chegou às 11:00, Hataly despediu-se de todos, e só chegou a Nova Iorque às 18:00. Quando ela chegou lá, todos gozavam com ela e ninguém queria ser amigo dela. Ela era má aluna mas deu para passar a Universidade. Entretanto, Hataly inscreveu-se num clube de futebol lá da zona, New Yorque Red Bulls. Hataly venceu o campeonato de juniores feminino e foi chamada à equipa principal feminina, mas Hataly queria mais e mais, portanto, esforçou-se tanto que foi chamada à equipa principal e a equipa dela ficou em 2º lugar no campeonato e graças aos seus golos, ela que até era média centro. Durante o campeonato os olheiros do Real Madrid estiveram atentos e quiseram comprar Hataly, pagaram 10 milhões de euros por ela. A vida em Espanha era mais fácil: dava autógrafos e não tinha que se preocupar com a escola. Hataly tinha 23 anos e jogava a suplente e costumava entrar aos 75 minutos. O Real Madrid tinha chegado ao final da taça de Espanha e era contra o Sevilha. O Real Madrid estava a perder e o treinador meteu Hataly em troca de Roben aos 73 minutos. O Sevilha estava a dominar mas num contra ataque Van Nistelroy atirou para o canto e no último minuto Hataly cabeceou ao poste e o Sevilha ganhou. Ela chorou e não dormiu de noite.
 
Passado duas semanas era a final do campeonato contra o Barcelona e ao intervalo Hataly entrou e aos 90 minutos cabeceou e a bola entrou. «Goloooo!!!!!!» – gritou o comentador. Venceram o campeonato e fizeram uma grande festa. No Verão ela regressou à Florida e quando chegou foi uma festa. Fizeram um churrasco, um bolo e garrafas de champanhe. Foi a melhor festa da vida dela. Quando o Verão acabou ela regressou a Espanha e em Dezembro ganhou a bola de bronze. Aos 26 anos Hataly foi para o Manchester United onde ganhou a Liga dos Campeões contra o Milan. O Manchester United estava empatado com um golo de Kaka e um de Cristiano Ronaldo e Hataly marcou o golo da vitória. Aos 31 anos Hataly foi para o Inter onde ganhou uma liga italiana. Hataly reformou-se aos 36 anos e foi treinadora do Ajax onde ganhou uma taça da Holanda.
 
Rafael, o escritor (9 anos) –texto não corrigido.
 
 
 
publicado por sarrabal às 23:58
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Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

UM OLHAR SOBRE A PAISAGEM - PERFUMES

 Madressilva
 
- Que fragrância tão rara a tua, formosa madressilva! – Elogia o luar a descer lá do céu.
- Sim, de noite torna-se mais intenso o meu aroma. – Responde à voz da lua a flor silvestre. – É nele que as borboletas nocturnas se perfumam, quando pousam nos meus ramos, sob a luz prateada do teu manto…
- Comparável ao teu – sussurra a sombra do pinhal –, só o perfume branco da resina.
- Ah, sim, tens razão! – Concorda a lua. – Da resina que escorre pelo tronco dos pinheiros a perfumar o vento, as aves e as mãos…
 
Soledade Martinho Costa
 
 
Do livro “Histórias que a Primavera me Contou”
Ed. Publicações Europa-América
 
publicado por sarrabal às 00:22
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Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

JOSÉ FRANCO

 

 
Pétala a pétala
Teces as rosas
Que desabrocham
Nos ventres das Virgens
Senhoras do espaço
Aonde habitas.
 
Nesse altar 
Tomam forma e movimento
As figuras profanas e os santos.
 
Maria, o Menino, José
Ciciam-te
Palavras de louvor.
 
Ao moldar o barro
Teus dedos
São asas de borboleta
Sobre a flor.
 
Soledade Martinho Costa
 
Do livro “O Nome dos Poemas”
 
publicado por sarrabal às 00:12
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Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

SANTO ANTÓNIO - A TRADIÇÃO DA FESTA

Santo António de Lisboa.
  
Das festividades em honra de Santo António, realizadas em Lisboa no século XVII, as touradas e o teatro eram considerados os divertimentos de maior agrado popular, com “verdadeiras multidões a deslocarem-se ao Rossio e ao Terreiro do Paço”.
 
Terreiro do Paço, Lisboa
 
Ali  decorria o arraial e a feira e se armavam os palanques de madeira para a Tourada de Santo António, efectuada, ao que parece, desde os finais do século XVI, primeiro no Terreiro do Paço e depois no Rossio.
 
Rossio, Lisboa
 
Anteriormente, as celebrações restringiam-se aos importantes actos litúrgicos, passando depois a comportar manifestações como a tourada e outros divertimentos: cavalhadas, música, danças, pantominas e fogo-de-artifício – festejos que contavam com grande adesão popular e que cessaram após o terramoto de 1755.
 
Praça de Toiros do Campo Pequeno, Lisboa
 
No século XIX a tourada passou a ter lugar na Praça de Touros do Campo Pequeno, inaugurada em 18 de Agosto de 1892 (que veio substituir a Arena do Campo de Santana, demolida em 1889), enquanto os espectáculos de teatro, também eles a constituir um ponto alto das celebrações, eram efectuados no adro da Sé de Lisboa.
 
Sé de Lisboa
 
Por essa época as festas realizavam-se duas vezes no ano: em Abril – data da trasladação do corpo de Santo António para a Catedral de Pádua, que se foram resumindo aos actos litúrgicos – e a 12 e 13 de Junho, a comportar cerimónias religiosas em todas as igrejas, capelas ou ermidas sob a sua invocação ou onde existisse um altar dedicado ao santo, se bem que as grandes homenagens oficiais fossem as que se efectuavam na igreja e Casa de Santo António, à Sé, com a presença da realeza e da edilidade.
 
«Ramalhete de Santo António»
 
As cerimónias tinham início treze dias antes, com a trezena a Santo António, realizadas à tarde na Sé de Lisboa, e a distribuição de um bodo aos pobres, que se repetia no dia 12, constituído por oferendas: “fogaças, caracoladas, “condessas” e doces”. Nesse dia era tradição contemplar a família real, que recebia ainda um ramo de cravos: o “ramalhete de Santo António”.
                                                   
 Reconhecido como o protector das raparigas solteiras, muitas eram, segundo a crença do povo, as fórmulas usadas para granjear os favores do santo: deitar a imagem de Santo António a um poço, mergulhar a imagem de cabeça para baixo nas águas do mar, amarrar a imagem à perna de uma mesa, deixá-la ao relento ou com o rosto voltado para a parede. Faziam-se, mesmo, petições por escrito, copiadas de vários opúsculos populares, que continham os pedidos já redigidos, conforme os casos e a preferência de cada um. Havia, até, quem fizesse dessa prática um verdadeiro ofício, copiando para o respectivo papel os pedidos dos crentes, que passavam do ”escrivão” directamente para o santo – sendo em maior número aqueles que provinham das mulheres solteiras…
 
 
O povo, além de se associar aos actos religiosos, rendia a sua homenagem ao santo nas ruas, largos, pátios e mercados, com bailaricos improvisados e demais folguedos, que se foram alargando a outras zonas da capital e enriquecendo em termos de animação popular, até a efeméride ser aproveitada, em 1922, para a realização das Festas da Cidade.
 
 
Por esses anos, organizavam-se pequenos arraiais por toda a cidade de Lisboa, onde se tocava e dançava, comia e bebia pela noite dentro, com o lume sempre ateado das fogueiras, o estrelejar de foguetes e morteiros, as iluminações de rua, os ranchos, as tômbolas, as quermesses e bazares com os respectivos sorteios (a que se juntava a Lotaria de Santo António, até hoje mantida), e os vendedores de alcachofras e manjericos a dar à cidade um aspecto diferente e festivo, embora tipicamente urbano na forma de fazer a sua festa.
  
Mercado da Ribeira, Lisboa 
 
Além dos mercados de São Bento e 24 de Julho, o local mais concorrido, característico e barulhento era o antigo Mercado da Praça da Figueira (demolido em finais da década de quarenta), ponto de reunião dos ranchos e das marchas dos bairros populares e também lugar dos bailaricos, dos petiscos rituais e da venda dos frutos da época e das plantas aromáticas propiciatórias.
 
 
Os chafarizes públicos espalhados pela cidade eram igualmente procurados por quem se concentrava ali em arraial, a tornar as fontes num elemento ao mesmo tempo mágico, profiláctico e simbólico-sagrado.
 
Chafariz do Rossio, Lisboa
 
Em 1934 Santo António é proclamado pelo papa Pio XI patrono da cidade de Lisboa.

 

Soledade Martinho Costa
 
 
 
 
In “Festas e Tradições Portuguesas”, Vol. VI
 Ed. Círculo de Leitores.
publicado por sarrabal às 22:42
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Domingo, 8 de Junho de 2008

CRÓNICAS DE PORCELANA - SOLI E OS DINOSSAUROS

 

Na escola da Soli organizaram um passeio para os meninos que frequentam a pré-primária. A Soli ficou radiante.
No dia aprazado, ao fim da tarde, a Soli estava de regresso a casa. Perguntei pelo telefone:
- Foste, então, ver os dinossauros, Soli? E gostaste? – Pergunta dispensável, é evidente. Mas adequada às circunstâncias, porque queria, naturalmente, saber «notícias» do passeio. A resposta é que me deixou perplexa:
- Não, não fui.
- Não foste ver os dinossauros!? – Repeti, surpreendida – Mas não foste ao passeio da escola? – Tornei.
- Sim, fui ao passeio da escola. Mas não fui ver os dinossauros. – Insistiu a Soli.
Perante o impasse deste diálogo pedi:
- Soli, passa o telefone ao papá, por favor. – Passou.
Eu não tinha percebido mal, ia jurar! E a informação que me tinha sido dada na véspera foi confirmada. Pedi desta vez:
- Passa de novo à Soli.
Com voz de quem está a sentir-se ligeiramente enfadada com o assunto, a Soli juntou-lhe ainda uma levíssima entoação que, traduzida – se bem entendi – queria dizer, exactamente: «Estes adultos não percebem nada de nada!».
E sem me dar tempo de abrir a boca, a «exigir» uma explicação a que me sentia com direito, eis a Soli a esclarecer, finalmente, as minhas dúvidas e perplexidade:
- Ó avó, já não há dinossauros!
Embatuquei. Senti-me quase perdida entre o conhecimento e a ignorância.
- Pois não, Soli, já não há dinossauros, eu sei… – Respondi.
- Por isso, avó, eu não fui ver os dinossauros. Eu fui ver os esqueletos dos dinossauros!
Pronto. O caso estava, definitivamente, deslindado.

 
Após desligar o telefone, e depois de ter ficado a saber que a Soli «tinha adorado de mais o passeio», dei comigo a pensar: «Não há dúvida de que as crianças não deixam nunca de nos surpreender, de nos maravilhar com a sua sabedoria, a sua perspicácia, com a observação atenta que fazem daquilo que as rodeia. Mas mais do que isso, as crianças estão sempre a ensinar-nos. Nós é que não aprendemos. Provavelmente, porque não somos bons alunos».

 

Soledade Martinho Costa

 

publicado por sarrabal às 00:33
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Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

AO FUNDO, A LUZ

Aos que evitaram e evitam o «risco».

Aos que tentam não voltar a «arriscar».
   
  
Quem vier
Que venha em bem    
E por bem.
 
Traçado
Traz
Um risco.
 
Que dele se afaste
Se aparte
Que se não belisque.
                                
A trama
Que há-de ser tecida
A certifique
Para que não erre
Não se enrede
Nem arrisque.
 
Que de pontos sem nó
A vida é feita
E desfeita também
Mesmo com nó.
 
O dó
É saber-se de alguém
Que se esqueceu do risco
E arriscou.
 
O medo
Esse, vem.
Tarde ou cedo
Vem
E não vem só.
 
Dar à luz
É um pouco isto:
 
Ofertar ao destino
Alguém
Que não se sabe
Se com risco
Trama e nó
Sairá vencido
Ou vencedor
Por envolvido no risco
Que o cercou.
 
Soledade Martinho Costa
 
 
publicado por sarrabal às 01:06
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Terça-feira, 3 de Junho de 2008

ABRE-LATAS - O PRETO NO BRANCO

 

Em Alverca do Ribatejo, embora seja uma cidade – eu gostava mais do nome vila, mas os interesses autárquicos falam mais alto –, ainda se diz «ir na carreira». Ora, «ir na carreira» significa ir na camioneta.

 
Os horários da «carreira» coincidem com os horários dos comboios. Assim, os passageiros – e não apenas os que viajam de comboio –, podem, comodamente, chegar até aos locais onde moram, em lugarejos, aldeias ou povoações, que se situam, sobretudo, na periferia ou nos montes que rodeiam a cidade.

 
«Moro nos montes» é outra frase muito ouvida ainda hoje. Ou: «moro na Alverca velha», que quer dizer na parte alta, mais antiga de Alverca do Ribatejo. Há também quem diga «moro no alto». E não precisa dizer mais nada. Todos sabem que se trata, igualmente, da parte nobre da cidade. É lá que fica a velha e linda Igreja de São Pedro, a Junta de Freguesia o pelourinho e as poucas «lojas à antiga» que teimam em manter-se por ali.


Refiro-me à primitiva Alverca, cortada depois pela estrada Nacional nº 10. À Alverca do Ribatejo das grandes propriedades rurais, dos grandes rebanhos, da grande produção de leite e de queijos, das grandes quintas – de terrenos férteis e de riquíssimas águas no subsolo –, há muito transformadas em pequenas ou grandes urbanizações: «a Quinta das Drogas» (hoje teriam escolhido outro nome, certamente); «a Quinta do Forno»; «a Quinta da Vala»; «a Quinta do Moinho de Ferro»; «a Quinta da Panasqueira»; «a Quinta da Ómnia»; «a Quinta do Lagarto»; «a Quinta de Santa Maria»; «a Quinta da Formigueira», entre outras – com algumas das urbanizações a manterem o nome das antigas quintas. Mas não era bem disto que tencionava falar. O assunto que me traz aqui é «a carreira».

 
Ora, a «carreira» é uma espécie de sala de visitas em andamento onde todos se cumprimentam pelo nome e, obviamente, se conhecem. Naturalmente, por morarem para as mesmas bandas. O que pressupõe, que muitos dos utentes da «carreira» sejam vizinhos. Apercebi-me disso quando, há uns tempos, viajei pela primeira vez na «carreira» entre Alverca e a aldeia da Calhandriz. Conversas amigáveis dos bancos da frente para os bancos de trás e vice-versa, algumas perguntas e respostas, a dar a entender que se trata de gente que se conhece bem.


Despertou-me a atenção, mais do que o resto, o diálogo que se estabeleceu entre duas passageiras, carregadas com sacos do “Jumbo”. Ambas sentadas não ao lado uma da outra, mas em lugares paralelos no «corredor» da «carreira».
Começa uma:
- Ai, vizinha “Estrudes”, este mês já não volto ao «Jumbo». E não trouxe nada de jeito. O dinheiro foi-se todo!
Responde a outra:
- Atão, não? Gasta-se uma pipa e olhe, o avio não dá nem para a semana. Estou como vocemecê. Sabe que mais vizinha Floripes? Vou-me às couves e ao feijãozinho, faz-se uma sopinha, enche-se a barriguinha, e pronto!
Torna a vizinha Floripes:
- E esta do arroz!? Parece que são lá os chineses é que têm a culpa do arroz estar a faltar à gente. A vizinha “Estrudes” já ouviu dizer?
A “Estrudes” tira os óculos, que limpa com um lenço, e só depois dá opinião:
- É capaz. Raispartam os chineses, que só há lojas de chineses por todo o lado e agora mais isto do arroz. Já tinha ouvido dizer, já, sim senhora…
Amainou o descontentamento do arroz, da sanha contra os chineses, dos gastos considerados excessivos e a conversa mudou de tom.
- Quem anda agora muito contente é a ti Laura. Já sabe da novidade, vizinha “Estrudes”? – Volta a vizinha Floripes a retomar a conversa.
Menos efusiva, a outra confirma:
- Já ouvi qualquer coisa, sim…
- É. Vai ser avó. A filha lá conseguiu engravidar, coitada. Agora a ti Laura não se cala, anda mesmo contente a mulher!
E logo a “Estrudes” a imaginar-se na pele da avó da criança em vias de nascer:
- Depois é que vão ser elas, quando a filha lhe deixar o neto ou neta lá em casa. Que a rapariga tem o seu emprego…
- Pois tem, isso tem. – argumenta a Floripes. – Mas uma criancinha, deixe lá, é uma alegria. E atão eles, a Laura e o marido, só com aquela filha e sem descendentes!
Outro ponto final nas novidades em relação a gente nova na terra.
Foi a vez da vizinha “Estrudes” perguntar à vizinha Floripes:
- E o novo inquilino do ti Manel do Poço, que me diz dele, ó Floripes”?
A outra, cruzando os braços:
- O que digo? Olhe, é que saiu a sorte grande ao ti Manel do Poço, é o que digo! Já se viu sorte assim? Um inquilino que lhe pôs a casinha toda num brinquinho!?
- Mas o ti Manel merece! – Defende a “Estrudes”.
A Floripes contemporiza:
- Não digo que não. Mas o homem tem-lhe arranjado tudo! E habilidoso? Olhe-me só o jardinzito, sempre abandonado, agora cheio de vasos e de flores. Está um mimo! Tudo pintadinho, o portãozito concertado…
E a “Estrudes” acrescenta, numa gabação:
- E prestável para toda a gente? Só visto! Sempre pronto a ajudar, asseado, bem-educado…
- Olhe, vizinha “Estrudes”, sabe o que lhe digo? – Remata, por fim, a Floripes: - É tão boa pessoa que nem parece preto!
«Ó dona Floripes, pensei de mim para mim, que necessidade tinha a senhora de estragar um diálogo até aqui tão familiar, tão caseiro, tão a mostrar que a vida das pessoas também se faz fora das cidades, ainda com um arzinho de como se convivia por tempos não muito distantes.» Francamente!
Mal «a carreira» estacionou as duas mulheres saíram à minha frente com o avio do “Jumbo”. Saí atrás.
Cá fora, respirei bem fundo o ar puro, com cheirinho a mato e a flores silvestres que enfeitam a paisagem desta aldeia, conhecida, em tempos – e ainda hoje, embora menos –, pelas suas belíssimas cerejas.


Mas tenho a certeza de que o inquilino do Ti Manel do Poço, se soubesse do desfecho desta conversa, nem sequer ia ficar zangado. O apreço destas mulheres por ele suplanta, de longe, qualquer pontinha de racismo. Se é que a Floripes e a “Estrudes” sabem, exactamente, o significado dessa palavra. Posso estar enganada, mas, por mim, até acredito que não sabem.

  

Soledade Martinho Costa

 

 

 

 

publicado por sarrabal às 19:34
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Domingo, 1 de Junho de 2008

DIA MUNDIAL DA CRIANÇA

 
Atravessou a vidraça
Revolteou pelo ar
De mansinho
De mansinho
Como se fora uma asa
Num voo de passarinho.
 
Depois
Cresceu devagar
Encheu a sala de estar
E estalou por toda a casa
Numa alegre revoada
Como o repicar de um sino.
 
Pareceu-me até a chegada
Em Março, das andorinhas
Feita neste mês de Junho.
 
E fui espreitar à janela.
 
Mas, oh! Que surpresa a minha
A alegre chilreada
Não eram aves nem sinos.
 
Seguindo em fila pela rua
Iam grupos de crianças
Eram risos de meninos!
 
Soledade Martinho Costa
 
 
publicado por sarrabal às 00:52
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