Domingo, 20 de Janeiro de 2013

COISAS DA VELHA DO ARCO - CÃES OU FERAS?

 

Correu recentemente no Facebook uma petição pública para o não abate do cão, arraçado de pitbull, que matou, há dias, uma criança de 18 meses. Pessoalmente, nunca assinaria tal petição – e não há ninguém que goste mais de animais do que eu. Esta raça de cães (pitbull, doberman, rottweiler) é demasiado perigosa, mesmo que educados e vigiados pelos donos. Há já mortes demasiadas a lamentar: adultos e, sobretudo, crianças. O seu instinto agressivo e ímpeto imprevisto, fazem destes animais um perigo iminente para quem os mantém em casa – ou mesmo fora dela, num jardim ou numa propriedade. Sem falar naquelas pessoas que nada têm a ver com eles e acabam sendo vítimas da sua  ferocidade.

 

Escreveu o escritor Miguel Miranda, num comentário feito a um post publicado no Facebook pela historiadora Irene Pimentel, a respeito deste complicado e controverso assunto, «que ter um cão destes em casa é como ter uma bomba prestes a explodir». Concordo com ele. O instinto feroz e o temperamento instável destes animais, não podem ser controlados por nada nem por ninguém. Porque nada nem ninguém pode prever quando e porquê um animal desta raça pode ter uma reacção agressiva ou assassina. Mas não se culpe o cão: ele age de acordo com as características da sua índole, da sua natureza selvagem, do seu instinto e do seu temperamento perigoso e imprevisível. Pode argumentar-se: até um gato, um cavalo, um galináceo, ou outro bicho qualquer – mesmo uma ave de gaiola – pode ter uma reacção agressiva. Pois pode. Simplesmente, não são considerados animais perigosos. No caso que me leva a escrever estas linhas, sim, trata-se de um animal que não deixa de ser a fera que é, apesar de domesticada. Porquê insistir, então, quando acontece uma morte provocada por esta raça de cães, que a culpa cabe inteirinha aos donos dos animais? Na minha opinião, a culpa que lhes cabe é, isso sim, a de possui-los! Estes cães são, sem dúvida, verdadeiras feras. Comparáveis, talvez, aos leões do circo: domesticados, mas que, de vez em quando, lá arrancam um braço ou uma perna ao domador – ou quando não o matam…

 

As condições em que vivem estes animais, a maioria deles fechados em apartamentos, contribuirá, naturalmente, para o seu nervosismo, insatisfação e ímpeto feroz.

 

Penso que será uma questão de moda, de auto-afirmação social – ou de outra coisa qualquer, mais secreta –, o facto de se ter um doberman, um pitbull ou um rottweiler. Por estas e por outras, vou contar-vos o que está a acontecer com uma amiga minha que tem casa num condomínio no Algarve onde vai, frequentemente, durante todo o ano, passar temporadas para descansar e apanhar Sol.

 

Recentemente, o apartamento que fica por baixo do seu foi alugado por um jovem casal. Local sossegado, logo o desassossego e o medo se instalaram quando o ladrar atroador de um cão começou a ouvir-se noite e dia. Um pitbull viera morar com os donos no pequeno T/1, com uma varanda, também ela de reduzidas dimensões. Sozinho dias inteiros, num visível nervosismo que o faz ir da varanda até à porta da rua, atravessando o pequeno apartamento, ninguém mais conseguiu descansar no referido condomínio. Principalmente, as duas famílias com crianças pequenas: 7, 5 e 2 anos de idade. Tementes pela segurança das crianças, os pais mal as deixam sair a porta de casa.

 

Aqui, não resisto a colocar a pergunta: que interesse ou utilidade representará, para este casal, ter no seu apartamento um cão, potencialmente perigoso e barulhento, se o deixam sozinho o dia inteiro?! Não será, certamente, para lhes fazer companhia ao serão…

 

A minha amiga já tentou de tudo: Câmara Municipal, Protecção dos Animais e GNR. Não existe lei que impeça este estado de coisas. Independentemente de ser um animal perigoso, não há lei que proíba a sua permanência num apartamento de diminutas dimensões. Pode-se ter até dois cães (sejam ou não de raça perigosa) ou três gatos em casa, seja ela pequena ou grande. No caso deste animal, se não tiver chip, vacinas em dia e seguro, os donos terão de pagar as respectivas multas: 500 euros por cada falta. Mas não é isso que interessa à minha amiga. O seu desejo é voltar a usufruir do sossego, da tranquilidade e da segurança em que tem vivido até hoje, na sua casa, e a que tem pleno direito.

 

O dono do apartamento onde se encontra o pitbull (que vive em Lisboa, longe do problema), afirma que a renda paga por estes inquilinos representa um rendimento mensal de que não deseja abdicar. Por outro lado, não está referida em acta do condomínio qualquer proibição relacionada com a permanência, nos apartamentos, de animais que representem perigo para os demais condóminos ali residentes. A ideia será fazer-se uma reunião, de modo a ficar em acta essa proibição – a questão que se coloca, é que o pitbull já lá está como «inquilino»!

 

Diz ainda o escritor Miguel Miranda no seu comentário: «Não se pode fazer barulho de noite ou ter música alta a horas tardias, mas acha-se que se pode ter um cão que pode uivar ou ladrar toda a noite!» E dia, acrescento, se me der licença. 

 

Também o jornalista Francisco Belard comentou o referido post: «Milhares de assinaturas para impedir o abate de um cão que matou uma criança…não me parece atitude normal». Nem a mim.

 

Conheço o caso de alguém que possui dois rottweiler na sua propriedade. Estão ambos metidos, cada um deles, numa jaula com grades de ferro. Ora, pergunto eu, de que servem estes animais a esta pessoa?! Para ver animais metidos em jaulas, não seria mais sensato para o dono destes dois cães dar um passeio até ao Jardim Zoológico de Lisboa? Certamente que sim. Caber-lhe-ia menor responsabilidade cívica – além de lhe ficar muito menos dispendioso.

 

Soledade Martinho Costa

 

 

publicado por sarrabal às 00:16
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1 comentário:
De sarrabal a 23 de Agosto de 2016 às 20:37
A justificar os receios da minha amiga, um dos condóminos que habita o mesmo bloco de apartamentos, dirigiu-se, recentemente, ao apartamento (T/1) do respectivo casal, para entregar um documento. Soube hoje o resultado:
conforme a senhora abriu a porta, o pitbull atirou-se a ele mordendo-o nas duas pernas! Posto de Saúde, médico, enfermeira, dois pensos, antibiótico durante 8 dias, mais anti-inflamatório – fora o susto! O documento nem chegou a ser entregue! Resumindo: E dizem os donos que «não faz mal a uma mosca», que «é muito meigo»! Que falta de conhecimentos e de lógica! É claro que este incidente veio avolumar ainda mais o receio de quem ali reside. Há adultos, há crianças (sobretudo pessoas que vêm passar as férias nas suas residências). Uma situação que está por resolver, portanto. É certo que já passaram mais de três anos sem problemas, a não ser o ladrar e o ganir do bicho, acompanhados da falta de tranquilidade que passou a ter o local. Mas, como diz o escritor Miguel Miranda, «ter um cão destes dentro de casa é ter uma bomba prestes a explodir»! O mais grave é não se saber quando se dá a explosão – como se prova com este caso.

Soledade Martinho Costa


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