Ninguém sabe onde te escondes
Ou aonde te demoras;
Todos os lugares são teus
Dás nome a todas as coisas.
És o rumo dos caminhos
Entre o destino e a poeira
Mas sempre o ponto de encontro
Que busco à minha maneira.
Aqui estou, à tua espera
Do lado de cá do muro
Sem passado, sem presente
À mercê do meu futuro.
Só tu levas o meu sono
Feito de gelo e fogueira;
Quisera estalar os dedos
E esquecer-te sem que eu queira.
Penhorar o mar e a Terra
Vestir o olhar de Sol
Procurar nas madrugadas
Um poema, uma canção.
Encontrar uma razão
Feita de esperas e sonhos
E depois dizer que não
Ao desencontro das horas.
Voltar por ti outra vez
A percorrer o relógio
E ver-te todas as vezes
Nos quatro cantos do Mundo.
Quando achar novas de ti
Quem tu és e porque tardas
Visto um hábito de monge
Ato o cordão à cintura
E solto as palavras todas
Caladas à tua espera
Neste meu poço sem fundo.
Soledade Martinho Costa
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