Parado no meio do tempo
Na serra havia um pastor
Alguém que o nome esquecia
Nas horas que apascentava.
Água da fonte, da terra
Da serra, nela morava.
Na serra havia um pastor
Guardado pelo seu rebanho
Ermo destino e engenho
Poema que acontecia.
Água da fonte, da terra
Da serra, nela morria.
Parado no meio da vida
Na serra havia um pastor
A tê-la apenas por tida
Cada dia que chegava
Sem saber o que podia
Sem dizer o que tardava.
Ai, pastor, que sina a tua
Nasce o Sol, põe-se a lua
E não se quebra o encanto.
Sozinho lá no teu canto
Embriagas-te no canto
Que te traz a cotovia.
E quando o escuro te aquece
Sufocas em ti o pranto
De uma lágrima tardia.
Fazes de conta que esqueces
Esperas a luz de outro dia
E sem sonhar adormeces.
Soledade Martinho Costa
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