Segunda-feira, 25 de Abril de 2011

REPETIR A ESPERANÇA

 

Rejeito em mim

O peso das palavras descontentes

Aquele que nos tira o sono e o engenho

De ultrapassar esta cortina

Urdida em nevoeiro

Que se abateu aos poucos

E hoje cobre por inteiro

O meu País

Meu campo por lavrar

Desprovido de espigas e sementes.

 

O Homem

Não soube semeá-las

Não houve Primavera

Só Inverno

A governar sozinho o calendário.

 

Mas é no tempo

Nesta raiz de espera

E de tormento

Que celebramos

O Sol da Liberdade.

 

Dela não retiramos o pão

Não distribuímos a riqueza

Mas respiramos

A vontade e a certeza

De repetir a esperança

De repetir os cravos

Os versos da canção.

 

Sonhar é atributo

Necessário:   

Sonho nem sempre é ilusão.

 

Os dias hão-de vingar

Vestidos de futuro

Justo, fraterno, solidário

Hão-de chegar

Num outro aniversário.

 

Celebrá-lo-emos, então

Comparável à árvore

Onde se oferece o fruto

Ao alcance tão-só

Da nossa mão.

 

Soledade Martinho Costa

publicado por sarrabal às 00:19
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8 comentários:
De IBEL a 25 de Abril de 2011 às 16:51
O poema, como sempre, é belíssimo, mas eu ando sem nenhuma esperança e tenho pena.

Beijinho, Sol, e parabéns!


De sarrabal a 25 de Abril de 2011 às 19:14
Obrigada, Ibel. Pois é, nem sempre se torna fácil ter esperança. Mas como diz o poema, que escrevi há dois dias: «sonhar é atributo/ necessário/ sonho nem sempre é ilusão». Ao lado do sonho está a esperança. Não vivem um sem o outro. Esperemos, então. Por enquanto nada mais nos resta...

Beijinho da Sol


De garatujando a 25 de Abril de 2011 às 23:54
Duma forma sintetizada, directa e lapidar bem ao estilo da autora, o poema retrata, com fidelidade, a situação do momento. Mas o poema é também uma afirmação de esperança e de fé a pressagiar um futuro que nos anima e nos conforma.
Há, nestes versos da Soledade, um não sei quê de segurança, que sossega o espírito, na certeza de tempos melhores que se anunciam,
Como sempre, ler o SARRABAL é um prazer e uma aprendizagem
Parabéns, SOLEDADE, com o abraço de sempre


De sarrabal a 26 de Abril de 2011 às 01:00
Como sempre, um comentário que sensibiliza qualquer autor. É bom sermos entendidos por quem nos lê. Carlos, eu quero que este poema seja um poema de esperança. Há o lado negativo, o lado que nos faz pensar como será o futuro. Mas, como diz o povo (e permita que o ditado esteja certo), «não há mal que sempre dure...»!

O mesmo abraço para si da Sol


De IBEL a 28 de Abril de 2011 às 18:39
Não consigo publicar onde queria porque o seu blogue não permiter copiar e colar :(((
Beijinho


De Miguel Loureiro a 29 de Abril de 2011 às 14:46
Soledade
Cheguei aqui pela Ibel e não acrescento nada ao comentário do Carlos e como tenho um blogue, gostaria de publicar o poema, mesmo fora de tempo, porque Abril é quando um homem quiser...
Posso? Obrigado e Parabéns!


De sarrabal a 29 de Abril de 2011 às 15:33
Miguel Loureiro, vindo da parte da Ibel, é um amigo! Certamente que sim, que pode publicar o poema. Agradeço-lhe a atenção. Também eu acabei por publicar «fora do tempo» o poema «As Crianças Todas». Talvez por concordar consigo: «Abril é quando um homem quiser».

Saudações amigas da Sol


De sarrabal a 29 de Abril de 2011 às 15:43
Ibe, grata pela divulgação!

Continuo muito renitente em relação ao Face Book. Foi a Teresinha que teimou e tratou de me inscrever. Mas não entendo muito bem tudo aquilo. O que se publica ora aparece, ora desaparece... Pensava que fosse outra coisa.

Beijinho da Sol


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