Quinta-feira, 4 de Março de 2010

ROSAS PARA TI, LEANDRO FILIPE!

                 

 

Pela tua morte, mas manifestando o meu repúdio pelo luto que não se fez na tua escola EB 2/3 Luciano Cordeiro de Mirandela.

 

Soledade Martinho Costa

 

Porque entendo que este belo e sentido poema  não deve ficar apenas escondido na caixa dos comentários, aqui fica para que todos os visitantes deste blog o possam ler. Poema escrito com o coração e consciência lúcida. Muito mais, pelo facto de ser uma professora quem o escreveu.

Ibel, só posso agradecer-lhe com as minhas lágrimas pelo contributo das suas palavras.

SMC

 

Tinha 12 anos e tinha medo
E tinha um pesadelo
E um pântano no olhar
E o corpo numa grade
E a alma numa cela
E o sonho de um rio
Onde o medo se afogasse.
Tinha doze anos e uma escola
Que lhe ceifava as asas
E o fechava nesse medo
Que tinha e tinha doze anos!
"Tão jovem! Que jovem era?
Agora que idade tem?"
Chamava-se Leandro e era pequenino
Com um pavor tão grande
Que se abraçou às águas
No rio triste que o acolheu
Para o libertar do pântano
Onde o medo lhe tolhia
O respirar de cada dia.
E voou...
Que céu te acolhe, Leandro?
Que escola te matou?

 

Isabel Fidalgo

 

publicado por sarrabal às 22:51
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12 comentários:
De Ibel a 5 de Março de 2010 às 08:13
Tinha 12 anos e tinha medo
E tinha um pesadelo
E um pântano no olhar
E o corpo numa grade
E a alma numa cela
E o sonho de um rio
Onde o medo se afogasse.
Tinha doze anos e uma escola
Que lhe ceifava as asas
E o fechava nesse medo
Que tinha e tinha doze anos!
"Tão jovem! Que jovem era?
Agora que idade tem?"
Chamava-se Leandro e era pequenino
Com um pavor tão grande
Que se abraçou às águas
No rio triste que o acolheu
Para o libertar do pântano
Onde o medo lhe tolhia
O respirar de cada dia.
E voou...
Que céu te acolhe, Leandro?
Que escola te matou?


De Ibel a 5 de Março de 2010 às 15:38
Um beijo sentido e triste.


De garatujando a 6 de Março de 2010 às 12:23
Insólito e dramático acontecimento este que vitimou uma criança de doze anos. .
A Escola, que deveria ser, para o jovem estudante, lugar de confiança, de fé, de preparação para o futuro, terá sido, pela maldade, pela incúria, pela inversão de valores que, no fundo, grassa em todo o país, lugar de pesadelo tão insuportável que levou à morte a indefesa vítima. Pelo medo, pelo terror que ali lhe era incutido. Tão dramática decisão não terá sido tomada de um instante para o outro, Houve, certamente, antecedentes que não poderiam ter escapado à atenção de tanta gente que convivia dia a dia, hora a hora, com o pequeno Leando. Então, os pais, os professores, os auxiliares de educação não deram por nada ?! Não houve, nem mesmo entre os companheiros, quem denunciasse a situação?! A quem pedir responsabilidades ?!
Ah, que sociedade esta, que país este, que mundo este em que vivemos !!!. Que futuro aguarda os nossos filhos e os nossos netos ?!!!


De sarrabal a 6 de Março de 2010 às 22:10
Carlos, a sua frase «Que futuro aguarda os nossos filhos e os nossos netos?!», diz tudo. Do nosso medo, da nossa preocupação, do nosso espanto por tanta maldade. Mas, no fundo, no fundo, de quem será a culpa de tudo isto? Os pais têm a obrigação de saber formar os filhos. Aos professores, nas escolas, cabe complementar, ajudar, a essa formação. Num caso e no outro, nem sempre é assim. A culpa desta tragédia não será apenas dos jovens que a provocaram. É também dos adultos: pais e professores. Talvez a morte desta criança possa evitar o sofrimento de muitas outras...

Abraço da Sol


De paulo assim a 8 de Março de 2010 às 22:18
Olá, Soledade.
«Aceitei» a sua proposta e vim até aqui dar uma vista de olhos, como se costuma dizer. Realmente, fiquei com a impressão de que nos bastidores da escrita (digamos assim) as coisas não são nada meigas. E é bom estar informado. Sobre a autora falecida, nunca li nada dela. O que conta acerca do livro infantil é, para mim, um grande descrédito para o seu (dela) trabalho literário. Pode ter sido genial noutros campos - e foi-o certamente - mas não, seguramente, no campo da literatura. Isto tendo em conta tudo o que acabo de ler nas caixas de comentários.
Quanto ao cantor/autor, pensei, pensei... e não cheguei lá. Apenas estou a ver um da nova geração e que escreve sempre em letras minúsculas, inclusive o próprio nome, mas não me parece que seja ele...

Bem, cumprimentos.


De sarrabal a 9 de Março de 2010 às 00:41
Olá, Paulo!

Cheguei agora mesmo ao Sarrabal e dei com o seu comentário. Pois é, eu até acho que a referida autora não tinha necessidade de fazer o que fez. Mas a papinha feita deve saber bem. Depois, a ideia assentava que nem uma luva para ser proposta a uma fábrica de tintas: as cores! Quando disse no post do Daniel que foram 3000 exemplares para o círcuito livreiro, enganei-me: foram 5000. Que descanse em paz!

O outro, bom, já não é novo e tem um filho a ilustrar-lhe os livros, que posso dizer mais? Como o livro não chegou a sair... Pense, pense, que não é difícil chegar lá. Agora, o autor de que fala, «nova geração», a «escrever com minúsculas, até o próprio nome»...Creia que não é o «tal».
Mas também não estou a ver quem seja...

Todas estas histórias davam um romance. Por acaso conhece «O Caso do Sonâmbulo Chupista»? Trata-se de um opúsculo assinado pelo escritor Luiz Pacheco em que compara as obras «Aparição», de Vergílio Ferreira, e «Domingo à Tarde» de Fernando Namora. Um caso muito sério!
Há um outro, escrito por Joaquim Cardoso com o título: «Ferreira de Castro Desmascarado - a verdade sobre o romance «Emigrantes». Tenho ambos. Não admira que Clara Pinto Correia faça parte da lista...

Abraço da Sol


De alice fernandes a 9 de Março de 2010 às 01:28
PARA TI LEANDRO
Tinhas tudo para crescer
Tinhas tudo para alguém ser
Não to deixaram fazer
Porque te fizeram sofrer.
Estavas a sofrer
e ao rio te atiraste
Deixaste de viver
e com tudo acabaste.
Vós que fazeis o mal
Só por puro prazer
Deixai de pensar em tal
Pensai no que pode acontecer.
Era um vosso colega
Ides deixar de o ver
Ele irá para o céu
Vai com Jesus viver.
Partiste para o céu
Aqui nos deixaste ficar
Irás encontrar no céu
A paz que te quiseram tirar.
Quando de ti nos lembrarmos
Por ti vamos rezar
Quando os olhos fecharmos
Em ti vamos pensar.
.


De sarrabal a 9 de Março de 2010 às 11:45
Alice Fernandes:

Um poema onde repassam sentimentos de muita tristeza e também de revolta em relação ao mundo que nos rodeia.

Saudações

Sol


De alice fernandes a 9 de Março de 2010 às 17:39
A tristeza invade-me o coração quando vejo crianças que sofrem.
Precisamos que este mundo, esta gente mude, senão como serão os jovens de hoje e adultos de amanhã?
Não se diz que o futuro está nas mãos dos jovens?
Então vamos fazer com que os nossos jovens mereçam a nossa confiança.
Sofro pelo Leandro, sofro por todas as crianças que sofrem nas mãos de outros que fazem mal por puro prazer.
Saudações
Alice


De paulo assim a 9 de Março de 2010 às 22:35
Soledade:
A deixa do filho ilustrador foi importante para chegar lá. Chego à conclusão que qualquer pessoa tem, pelo menos, uma fraqueza determinante ao longo da vida. Realço o ditado «a acasião faz o ladrão», se juntarmos a isso factores como a situação financeira e a falta de inspiração e (ou) criatividade. Penso que todos estamos sujeitos a isso. O caso é saber tomar a decisão certa, honrada e honesta. Se não for assim, seremos nós capazes de dormir descansados? Serão os plagiadores capazes de se sentirem bem em consciência pela vida fora?
Agradeço os outros exemplos. Apesar de ter lido pouco de Luiz Pacheco, aprecio bastante o homem e aquilo que li dele.

Falando agora do Leandro (vejo pouca televisão), essa triste notícia quase me passou ao lado. Esperemos todos que seja um exemplo para pôr fim ao «deixa andar» que caracteriza quase todas as instituições portuguesas, pese embora a morte lamentável do rapaz.

Cumprimentos,
Paulo


De sarrabal a 10 de Março de 2010 às 00:53
Paulo:

Ao dizer-me de Luíz Pacheco «apreciar bastante o homem e aquilo que leu dele», e sem querer evidenciar-me, poderá ler, aqui no Sarrabal, se assim o entender, a »Última Carta a Luíz Pacheco» (5/1/2008) e um pequeno poema, de uma série já publicado no DN (6/11/2007). As datas estão ao contrário, mas deu-me mais jeito!

Sobre a primeira linha do seu comentário, vejo que acertou. E tem toda a razão no que afirma: sabe bem dormir de consciência tranquila.

Saudações amigas

Sol


De sarrabal a 10 de Março de 2010 às 01:00
Paulo:

Os poemas não foram publicados no DN, mas na revista do mesmo jornal: a Notícias Magazine. Achei que devia corrigir.

Sol


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