Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010

MEDITAÇÃO

   

 
Quando os meus passos
Forem correntes de aço
A agrilhoar
Os momentos que respiro.
 
As minhas mãos
Pombas que dormem
Sobre o dorso de corcéis
Em anseios de céus e de horizontes.
 
Os meus olhos
Rios sem porto nem viagem
Onde o reflexo das imagens
Rejeite a palavra nua das manhãs.
 
A minha voz 
Fonte de cativo canto
A negar poemas que senti
Na estrada onde passei.
 
Serei
Para mim
Uma desconhecida
Pois nem sequer meu nome decorei.
 
 
Soledade Martinho Costa
 
Do livro «A Palavra Nua»
 
 
publicado por sarrabal às 19:04
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10 comentários:
De Ibel a 20 de Fevereiro de 2010 às 01:04
Tão bonito, Soledade, que o reli montes de vezes. As metáforas são do mais puro lirismo e os olhos ficam cativos de cada verso.
Beijinho


De sarrabal a 20 de Fevereiro de 2010 às 22:59
Grata pelo comentário, Ibel. Para quem escreve, agradar aos leitores é sempre agradável. Principalmente, quando o comentário vem de alguém que sabe daquilo que fala, porque além de gostar de poesia, também escreve bons poemas...

Beijinho

S


De sarrabal a 20 de Fevereiro de 2010 às 23:09
Não sei como foi, ficou apenas um S na minha resposta. Mas escrevi o meu nome. Uma gralha ou uma falha qualquer, naturalmente...

Sol


De Daniel de Sá a 21 de Fevereiro de 2010 às 01:45
Pois eu já decorei o seu há muito tempo, querida amiga. (Lembro que o verbo "decorar" contém o "cor" - coração - latino)
Ah, belo poema!
Um abraço.
Daniel


De sarrabal a 21 de Fevereiro de 2010 às 02:31
Que bom, Daniel, fico feliz! Sem troca de amabilidades, eu também, como muito bem sabe, já decorei o seu de há muito. Obrigada, ainda, pela informação, que ignorava. Aprender consigo é um prazer!

Passa das duas da manhã. Estive a escrever um post onde critico, forte e feio, determinado comportamento da Associação Portuguesa de Escritores. Devo publicá-lo na segunda-feira.

Outro a braço.

Sol


De Daniel de Sá a 21 de Fevereiro de 2010 às 10:34
Amiga Sol
É o mesmo que "saber de cor", não é? A língua francesa é mais imediata ainda: "savoir par coeur".
Um abraço. (Se estiver de aCORdo.)
Daniel


De sarrabal a 21 de Fevereiro de 2010 às 16:08
Daniel, como a Ibel já disse aqui »neste blog aprende-se muito»! Concordo com ela. Basta ler o seu comentário, acima. Não perca nunca a oportunidade de ensinar (sei que foi professor!)...

Abraço amigo da Sol


De garatujando a 21 de Fevereiro de 2010 às 16:43
Perpassa ao longo deste belo poema feito de transparentes metáforas,
o inconformismo e a determinação que enformam a forte personalidade da autora:

- nem grilhetas que lhe tolham a vontade de agir;
- nem condicionamentos que limitem o seu anseio de liberdade;
- nem interposições à sua maneira de olhar o mundo;
- nem mordaças que a impeçam de cantar a Vida tal como a vivido e pretende continuar a viver

porque, se assim não for, a SOLEDADE deixará de ser a SOLEDADE.

É assim a Poeta. É assim a Mulher.

Abraço

Carlos Ferreira


De garatujando a 21 de Fevereiro de 2010 às 16:53
Corrijo um lapso do comentário anterior :

- nem mordaças que a impeçam de cantar a Vida tal como a "tem" vivido e pretende continuar a viver

O meu pedido de desculpa.

Carlos Ferreira


De sarrabal a 22 de Fevereiro de 2010 às 01:15
Carlos, «desmontar» um poema da forma como o fez, não é fácil. Mostra que entende o mundo dos poetas... Grata, como sempre, pelas palavras bonitas.

Abraço da Sol


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